sexta-feira, 21 de março de 2014

A odisseia da Leroy Merlin

Ok, não foi bem uma odisseia, mas me deixem exagerar só um pouco, vai.

E nessas coisas de ser adulta e tals, precisei comprar o resto do meu piso para terminar as obras do apartamento, já que a sobra do piso da minha mãe não era suficiente. Fui até a Leroy Merlin da marginal Tietê, encomendei o laminado, paguei 100 reais de frete e uma semana depois, como combinado, fui até o apartamento as 7 da manhã aguardar a entrega que seria feita até o meio-dia. Cochilei no chão em cima de um tapetinho de cozinha, li, briguei com o 3G de TIM que insiste em não funcionar ali, acabei com minhas vidas no Candy Crush, no Farm Heroes E no Jelly Splash. Quase zerei Plants x Zombies 2. Leroy não veio. Telefonei para a central e a única resposta foi: vamos entrar em contato com a loja e retornamos com uma posição.

Retornaram pra você? Pra mim também não. Só quando acionei o Reclame Aqui uma abençoada me ligou, disse que entraria em contato com a loja (ai gente, de novo?) e perguntou qual era o melhor horário para retornar a ligação. Respondi que qualquer horário naquele dia menos entre 18h30 e 20h00  pois eu estaria em aula. Adivinhem que horas retornaram?

Sim, 18h45. Deve ser doença, só isso explica. Mas eis que algum querido teve um lampejo de lucidez naquela central e me ligaram novamente 20h30 colocando a culpa na vendedora que "não sabia que aquele material leva uma semana só para chegar loja." Culpa da vendedora, sei.

Remarcaram a entrega pra hoje, mesmo período. 7 horas da manhã tô lá com tapetinho, tablet, celular, água, chocolate e paciência. Mentira, paciência não. Meio-dia e nada. Ligo para a central. Ninguém sabe de nada, como de costume, pois a única coisa que podem fazer é acionar a loja e pedir para a loja me ligar. De novo. Looping eterno desse sistema infernal de passar o problema pra 500 pessoas e ninguém resolver nada. Ligo de novo e dessa vez atendente digita digita digita e me diz que a entrega estava marcada das 13h00 as 18h00. Micro (mentira, macro) surto. Vocês me expliquem porque diabos eu marcaria a entrega para o período da tarde sendo que eu trabalho no período da tarde, seus gênios? Ligo pra escola e aviso que não vou, já pode matar um?

Almoço um sanduíche do posto do outro lado da rua e fico sentada na calçada, único lugar onde o 3G da TIM funciona. 3 da tarde ligo pro namorado pedindo pra ele acionar o Reclame Aqui de novo já que com 3G cagado não consigo. Estou no celular com ele quando vejo um cidadão descer de um caminhão com uma prancheta com o logo da Leroy. Sim, é a minha entrega. Carregador olha os 300 metros que separam a portaria da entrada do prédio e diz:

"A gente só carrega até 7 metros, a Leroy não avisou?"


Risos. Tô tão puta nesse momento que já estou quase tirando as caixas do caminhão eu mesma (só que não, são 10 e cada uma deve pesar uns 20 quilos) e começo a chorar.

Sim, eu chorei na frente dos entregadores da Leroy Merlin e do porteiro do prédio.

Não, eu não me orgulho disso.

E não, eu não estava usando o choro como uma tentativa de manipular os sentimentos deles. Eu estava emputecida mesmo, de saco cheio de falar com gente que não tem a menor ideia do que está acontecendo, de ter que lidar com um sistema burrísimo, de ficar no calor, no chão duro, de ter milhões de coisas pra fazer e estar lá esperando aquela bendita entrega pela segunda vez. Estava classemédiasofrendo de maneira belíssima.

Mas o fato é que o entregador  colocou as caixas no carrinho e levou até o meu apartamento. E agora eu tenho um lindo piso laminado cor nogueira italiana pronto para ser colocado.

Ainda tem o instalador. No aguardo de novas emoções.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Post atrasado de carnaval

Essa coisiquinha tchuc tchuc toda feliz na foto abaixo sou eu:



Essa outra, não tão feliz, também.




Essa última, meio "num tô entendendo issaqui", euzinha:


Eu gosto de me fantasiar até hoje, imaginem então quando criança. Era uma festa. Tenho muitas, incontáveis fotos minhas vestindo fantasias de todos os tipos, menos um: eu nunca tive fantasia de princesa.

Não, lá em casa não éramos feministas nem descoladas (se bem que minha mãe é sim, feminista sem saber). Só acho que nos anos 80 as coisas não eram tão quadradinhas como são hoje - menina gosta de rosa, de princesas, de coisas fofinhas. Eu tive Barbies, muitas. Mas mais do que Barbies, eu tive opção. Eu podia entrar numa loja de roupas e de brinquedos e escolher qualquer coisa - inclusive as rosas e fofinhas, se me agradassem (não agradavam, vide minhas fotos de criança).

Tente comprar qualquer coisa para uma menina de seis anos hoje (sim, eu tentei) pra ver o que acontece: você fatalmente será soterrado por bonecas, joguinhos e fantasias de princesa. Se quiser comprar livros, olha, tá quase que igualmente lascado - é praticamente tudo no mesmo naipe. E, sem generalizar mas já fazendo: experimente tentar presentear a pequena com alguma coisa mais ~alternativa ~. Grandes chances de levar um olhar reprobatório dos pais.

Ano passado, no bailinho de carnaval da escola, as meninas se dividiam em princesas, obviamente, e uma ou outra fantasia clássica (havaiana, baiana, odalisca, etc.). De repente no meio delas, surge aquela que sempre foi meio descolada mesmo - vestida de ovo frito. Juro. Felizona. Me deu vontade de procurar a mãe na saída pra dar um abraço.

Porque eu não quero um mundo de menininhas vestidas de ovo frito. Quero um mundo de menininhas felizes porque podem vestir qualquer coisa. .