terça-feira, 31 de março de 2015

Dia de limpar a geladeira.

Dia de limpar a geladeira é sempre tenso, né? Se você mora sozinho ou mal come em casa pior ainda. Lá em casa somos dois que comem na rua todo dia então a limpeza da geladeira é praticamente um passeio na ladeira da memória.

Tem aqueles dois pães doces enfiados num saquinho atrás do queijo. Mas a gente nunca compra pão doce, ainda mais daquele tipo, cheio de creme e coco. Daí lembra, opa, minha mãe esteve aqui há, o que, três semanas? Tem cara de coisa dela esse pão doce.

Na gaveta de vegetais um pepino japonês e dois kiwis molengas - foi aquela semana em que a gente começou a dieta, lembra? Faz o que... uns 15 dias... Pensando bem, foi depois do carnaval. Mais de mês e esse pepino aí, gente.

E a cenoura? A cenoura brotou e eu nem lembro quando comprei. Cenoura dura tanto, né? Tanto que a gente esquece que ela existe. O gengibre também. Comprei naquela vontade de desinchar, jurando que ia fazer suco detox todo dia. E ele, que também dura horrores, ficou preto.

Mas a gaveta dos vegetais é a parte fácil. Salvo casos extremos de uma abobrinha aniversariante derretendo dentro de um saco do Extra, vegetais e frutas não cheiram tão mal mesmo quando passados. Se bem que teve aquelas amoras que fermentaram, enfim. Casos raros.



Difícil mesmo são os tuppewares. Porque só deos sabe o que pode sair de dentro de um tupperware esquecido no fundo da geladeira. Pior ainda se for daqueles caros, de vidro, com tampa vedada que não deixa escapar o cheiro da morte que emana do que quer que seja que está lá dentro. Tuppewares de vidro sobrevivem semanas, meses despercebidos até que alguém finalmente se pergunte: "mas o que será que tem aqui?" e tenha a corajosa atitude de abri-lo. Requeijão também é temerário. Dependendo do tempo é capaz de você abrir o pote e ganhar um abraço do que estava lá dentro. Geladeira de solteiro é a prova de que a vida se forma por geração espontânea sim.


Ovo. Ovo é drama. Dura pra sempre, mas há limites. A gente puxa da memória quando foi a última vez que comprou uma bandeja de ovo e... nada. Nenhuma pista. Melhor descartar a descobrir que ele virou uma arma de destruição em massa. porque cheiro de ovo podre, vocês sabem. Só sai com sessão de descarrego.


Geladeira de república é pior que de solteiro, porque está sempre cheia de coisa sem dono. Ninguém quer se responsabilizar por aquele iogurte que venceu no governo Lula ou aquela panela cheia de um negócio verde peludinho que, desconfia-se, tenha sido arroz um dia. E aquele ovo de páscoa mal embrulhado ali no canto, já pode cantar parabéns pra ele?


Limpeza de geladeira deveria pagar adicional de insalubridade pra faxineira. Como lá em casa é a gente mesmo que faz, o negócio é colocar as luvas, a máscara, e rezar pra não sair nada vivo de lá de dentro. Desejem-me sorte.


sábado, 28 de março de 2015

Sábado na firma

Sábado de manhã, escola bombando, gente pra tudo quanto é lado, molecada amontoada na secretaria pra tentar adivinhar quantos chocolates há dentro do pote da brincadeira de Páscoa, tá tudo lindo, tá tudo indo bem. Uma senhora chega puxando uma menininha de uns 9 anos cheia de livros:

"ELA TEM PROVA SEGUNDA FEIRA NA ESCOLA, TEM ALGUÉM AÍ PRA TIRAR UMAS DÚVIDAS DELA?"

"Bom dia, precisa marcar um horário, agora os professores estão dando aula."

"MAS ELA TEM PROVA SEGUNDA-FEIRA, NÃO TEM NINGUÉM PRA RESPONDER UMAS PERGUNTAS?"

"Infelizmente plantão de dúvidas só com hora marcada."

"MAS COMO É QUE ELA VAI FAZER PROVA, QUEM É A COORDENADORA?"

"Sou eu mesma, prazer."

"ENTÃO VOCÊ VAI RESPONDER UÉ, FULANINHA, PEGA O LIVRO!"

A menina abre o livro do curso de inglês.

"Então, mas se a dúvida é daqui do curso pode ficar tranquila, ela não vai ter prova ainda."

"MAS A DÚVIDA NÃO É DA ESCOLA, FULANINHA?"

Menina: "Não, é daqui... da escola eu sei a matéria"

"MAS VOCÊ NÃO SABE FAZER ISSO? (Aponta para um exercício em branco) A PROFESSORA NÃO ENSINA A FAZER ISSO, COMO PODE?"

Menininha já está com os olhos marejados.

"Mas isso é normal, as vezes a professora explica e eles ficam com dúvida depois, não tem problema, a gente marca um horário e ajuda com a lição."

"AFF FULANINHA, COMO É QUE VOCÊ NÃO DISSE QUE ERA DÚVIDA DAQUI, AFF, VAMOS EMBORA!"


Agora vamos brincar de Corra, Lola, corra e reencenar a história mudando alguns detalhes:

Sábado de manhã, escola bombando, gente pra tudo quanto é lado, molecada amontoada na secretaria pra tentar adivinhar quantos chocolates há dentro do pote da brincadeira de Páscoa, tá tudo lindo, tá tudo indo bem. Uma senhora chega acompanhada de uma menininha de uns 9 anos cheia de livros:

"Bom dia, minha neta tem prova na escola segunda-feira e está com umas dúvidas, tem algum professor livre agora  que possa ajudar?"


"Pois não, qual é a dúvida?"


Tão mais fácil, né coleguinhas? A menininha não iria chorar, os outros alunos da escola não iriam olhar para a mulher como se ela fosse louca (como se ela fosse, heim? heim?), eu não agarraria ódio eterno dela pra sempre e todo mundo ficaria feliz.

Seres humanos, qual o problema de vocês?


quarta-feira, 4 de março de 2015

Blog da Peppa

Olá coleguinhas.

Gostaria de anunciar que a partir de hoje mudarei o nome deste blog para "Blog da Peppa" e o mesmo passará a conter apenas fotos e histórias da minha gata recém adotada.

Mentira.

Mas foi um processo duro de convencimento do ómi lá em casa e em uma semana eu já estou completamente apaixonada pela bichinha (na verdade, eu fiquei completamente apaixonada no minuto em que a tutora entrou no apartamento com ela no colo, enfim) então me deixem ser a tia louca dos gatos um pouquinho.

A pequena Peppa mal chegou ao seu lar e já passou por uma prova duríssima: a faxina. Quem tem gatos sabe a aversão que eles nutrem por móveis arrastando, coisas saindo do lugar e, o horror o horror: aspiradores de pó. Com minha tigradinha não foi diferente.

Faxineira (que é comitê também) chegou, foi devidamente apresentada ao bebê e começou o que tinha que fazer. Eu só entraria no trabalho mais tarde, então fiquei no quarto com a gata colocando os estudos em dia. Faxineira foi embora, terminei minhas coisas, tomei banho e estava saindo quando resolvi procurar Peppa para me despedir.

Nada.

Nem um bigode.

Fucei o apartamento (quem tem 60 metros quadrados gente, não é uma mansão), abri gavetas, olhei debaixo dos móveis, atrás da geladeira. Nada.

Saiu pela porta da frente com a faxineira, pensei. Como moro no térreo, saí desesperada, chorando, crente que tinha falhado miseravelmente no papel de mãe de gato, me sentindo a mais irresponsável das criaturas. Andei pelo estacionamento, procurei no jardim, acionei porteiro, pessoal da limpeza, vizinhos, uma beleza. .

Decidi voltar e colocar o bichinho de pelúcia dela e o pote de comida no capacho da entrada e esperar ela voltar pelo cheiro. Deixo os dois lá e, quando me viro de volta lá está ela, me olhando com cara de "q" em cima da mesa. Não tenho a menor ideia de onde ela pode ter se escondido.

Terça-feira teve faxineira de novo. E teve whatsapp da faxineira nervosa achando que tinha perdido a gata. E teve toda a conversa do "se não foi pela porta da frente não tem por onde ela ter saído". E teve faxineira me pedindo notícias a noite. E teve Peppa toda faceira me esperando na porta quando cheguei.

Precisamos resolver essa coisa dela com o aspirador. Nosso coração não vai aguentar perdê-la duas vezes por semana.

E para encerrar uma foto dela por motivos de: nhóim.