sexta-feira, 30 de março de 2012

Primeiro de Abril

Amigo também professor estava aí todo desapontado porque primeiro de Abril esse ano cai num domingo e por isso ele não poderia zoar com seus alunos. Amigo não dá aula para os pequenos do fundamental I. Porque olha, deixa eu explicar como é primeiro de Abril numa instituição de ensino fundamental I.

Eu não posso zoar os alunos porque eles são pequenos, burrinhos inocentes e levam tudo a sério. Daí se eu der susto neles, disser que tem prova surpresa, fingir que vou embora do país, sei lá, é capaz de eles chorarem e daí as mães ficam sabendo e minha vida vira um inferno, onde já se viu trollar criancinhas?

Mas eles? Eles podem me zoar. E podem zoar uns aos outros. Dar aula para as crionças no primeiro de Abril é passar o dia inteiro ouvindo: "tiiiiiia, sua calça tá suja!"; "tiiiiiiiiia, tem alguma coisa no seu cabelo!", "tiiiiiiiiiiiiiiia, não trouxe apostila, mentira primeiro de Abril!". Além disso, é ter que separar duzentas brigas porque os zoados não gostaram de ser zoados. Porque criança não entende que se ela esconder as coisas do colega o colega vai lá fazer o mesmo e ela vai ter que se virar sem gritar e chorar histericamente para a tia. Não é fácil nem divertido, coleguinhas.

Alegria de tia é primeiro de Abril cair no fim de semana, falo mesmo.

terça-feira, 27 de março de 2012

O happy hour dos bibliotecários

Talvez por tomarem conta do segundo maior acervo do país, o pessoal da biblioteca Mário de Andrade leva as coisas muito a sério. Hoje levei bronca da funcionária porque tinha usado as orelhas do livro como marcador de página. Eu sei, eu sei, vocês aí estão dizendo "ué, mas eu sempre uso a orelha como marcador de página!". Se o livro tiver saído de lá, não pode. Se for novo, então, como era o caso, pior ainda. Crime. A moça atrás do balcão, se pudesse, teria suspenso minha carteirinha. Imagino os bibliotecários da Mário de Andrade tomando uma cervejinha depois do expediente:

"Tem um cidadão que só pega livro do Dan Brown. A gente deveria suspender a carteirinha dele."

"Suspender? Acho que três Dan Browns seguidos já é motivo pra cancelamento."

"E Marley e eu, que tem lista de espera até hoje?"

"Tem uma menina que renova todos os empréstimos. Minha filha, se você não consegue terminar um livro em duas semanas é melhor voltar pro ensino fundamental."

"Ontem veio uma tiazinha perguntar de livro da Zíbia Gasparetto de novo."

"Ai, outra vez? Não é possível. Vou aumentar aquela placa com o endereço da biblioteca espírita. Será que dois por dois o povo enxerga?"

"Eu acho essa placa muito educada. Por mim ia ser algo tipo 'Zíbia Gasparetto de c.. é rola, aproveita que está aqui e pega um livro que preste!'"

"Umazinha aí hoje devolveu um Dostoiévski novinho com as orelhas de marca página. AS ORELHAS! Que gente é essa, meu deus?"

"O mundo está perdido. Ontem eu vi um cara lambendo a ponta do dedo para virar a página. Quase arranquei o Machado de Assis da mão dele."

"Se eu visse uma coisa dessas era capaz de arrancar e ainda dar com o livro na cabeça dele."

"Nããããão, que é isso, estragar um Machado de Assis na cabeça de uma criatura dessas? Pega um Nicholas Sparks, então."

"E Crepúsculo? Gente que empresta Crepúsculo deveria ter foto em todas as bibliotecas da cidade - persona non grata."

"É o fim do mundo do mundo."

"Vem ni mim, 2012."

"Ôôôôô Peixoto, traz mais uma Brahma aqui, faz favor."

"E uma porção de fritas, que não tá fácil pra ninguém."

segunda-feira, 12 de março de 2012

Manual prático de bons modos em agências de intercâmbio (parte II)


Gente, não tem jeito. Trabalhar no salão do estudante é passar o dia inteiro ouvindo essas lindezas.

Cena 1:

A situação é a seguinte: um stand em uma feira de intercâmbio. Uma mesa, algumas cadeiras, quatro expositores, dois cartazes imensos com o nome da agência e sua área de atuação e uma tonelada de material promocional em um display na entrada do stand. A criatura pega um folheto do display e, o abanando em frente à expositora, pergunta:

“Oi, como funciona?”

Expositora mostra-se confusa. Como funciona o que? O folheto? Você abre e lê, moça. Intercâmbio? Você paga e a gente te manda estudar em outro país e morar na casa de uma família local. Feira de intercâmbio?  Você entra, pega um monte de sacolinhas, canetas e folhetos e fica infernizando pobres expositores.  Respondi à sua pergunta?

Manual prático de bons modos em agências de intercâmbio: Não faça perguntas genéricas. Os agentes amam vocês, clientes, mas gostam mais daqueles que sabem o que querem.
               
            Cena 2:
            
            Mesmo stand. Mesma feira. Criatura se aproxima do expositor e pergunta:
               
“Oi, vocês fazem o que?”

                Diante dos cartazes enormes atrás do expositor que dizem “Agência Schlebts: intercâmbios”, o que o mesmo deve responder?

                “Fazemos pastel – quer de carne, queijo ou palmito?”
                “Fazemos despacho – trouxe a galinha preta?”
                “Fazemos programa – porque qualquer coisa está melhor que ficar aqui ouvindo essas coisas.”
                “Fazemos promessa pra ver se ano que vem recebemos clientes mais espertos.”

Manual prático de bons modos em agências de intercâmbio: Como já foi dito, nós amamos todos os clientes, inclusive os que não sabem ler. Mas, se esse for o seu caso, compareça à feira com alguém que saiba, por favor.

sábado, 10 de março de 2012

Manual prático de bons modos em agências de intercâmbio

Post em homenagem a um dos melhores blogs dos últimos tempos, o Manual prático de bons modos em livrarias.

Cliente: "Boa tarde, eu estou interessado em cursos de francês."
Agente: "Pois não, você já tem algum lugar em mente?"
Cliente: "Eu estava pensando no Haiti."

Agente se transforma em um Q gigante. Cliente explica:

"É que eu ouvi dizer que o custo de vida lá é baixo."

BUUUUUUUUUUUUUUUUUUM!!!

Manual prático de bons modos em agências de intercâmbio: Miserável is the new baixo custo de vida. Anotem aí. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

A dinâmica do ônibus

Estou trabalhando em um lugar novo e isso significa pegar um ônibus diferente.Meu horário neste lugar é bem flexível, o que significa pegar um ônibus diferente em horários diferentes. E esta linha especificamente tem me irritado bastante porque em um mês eu ainda não consegui entender direito a dinâmica dela.

Eu explico. O transporte coletivo, principalmente os ônibus, que circulam por mais lugares que o metrô, costuma ter uma dinâmica. Isso diz respeito a horários nos quais a tal linha vai estar mais desumanamente lotada, o trânsito vai estar mais cagado, ou os motoristas vão estar a passo de tartaruga ou possuídos pelo espírito do Ayrton Senna. Quando você pega o mesmo transporte todo dia acaba entendendo como essas coisas funcionam e percebe que 10 minutos vão fazer toda diferença. Você consegue se decidir entre subir naquela lata de sardinha motorizada ou esperar o próximo porque sabe que ele chegará logo e mais vazio. Conhece os pontos onde ele esvaziará e sabe que portanto deve ficar esperto para sentar quando isso acontecer. É capaz de dispensar aquele motorista porque ele jura de pés juntos que está pilotando um carro de fórmula Indy, não um coletivo e evita horário tal porque é saída do colégio e você terá que dividir seu espaço com dezenas de adolescentes gritando e ouvindo música sem fone.

Mas nesta linha não. Essa linha não tem uma dinâmica. Essa linha aparece lotada 3 horas da tarde e vazia numa segunda-feira as 7:30 da manhã. Há dias em que um motorista brinca de montanha russa com a galera em plena Cerro Corá e outros em que o mesmíssimo cidadão não engata a terceira marcha nem que esteja transportando Jesus Cristo atrasado para o trabalho. Numa sexta-feira, seis da tarde, mundo caindo de chuva, eu juro que vou levar 3 horas para chegar em casa e 40 minutos depois estou lá, de banho tomado inclusive. De vez em quando não sobra uma alma no coletivo quando ele para no metrô Vila Madalena, mas há situações em que não desce ninguém e sobem mais umas 15 pessoas. O 847-P é pura emoção minha gente.

Saudade do meu previsível 8400, viu?

quinta-feira, 1 de março de 2012

Porque nós amamos o trash

Dai amiga querida Carlitcha publica isso no twitter e eu quase caio da cadeira de rir:


Snooki grávida e você ainda acreditando em seleção natural. Chupa, Darwin.


Segundos depois bate a vergonha. Eu podia estar lendo Kafka, eu podia estar aprendendo francês, mas né? Estou é assistindo Jersey Shore  e me matando com tanta gente tosca junta num programa só. Nem Big Brother. E o pior de tudo isso - a Snooki não está nem no top 10 de subcelebridades trash que eu conheço. 


Li uma vez que nós amamos o trash porque ele faz com que a gente se sinta superior. Portanto, eu assisto Jersey Shore só para me certificar que sou melhor que aquelas biscats cor de laranja com francesinha postiça. Deve ser mesmo. Consumir o trash deve ser uma maneira que as pessoas encontram para lidar com seus problemas de auto estima. Faz bem para o ego perceber que há no mundo gente infinitamente mais tosca, loser ou burra que você. Antes isso que cirurgia plástica mensal, ou não?


Apesar destas destas considerações, coleguinhas, só peço uma coisa: não duvidem do meu amor pelo trash. Ele é genuíno. Ele é puro. Ele não é só minha terapia semanal. 


Como assim vocês não amam isso, gente?