terça-feira, 30 de março de 2010

Planos desfeitos

Eu tinha planos para meu futuro sobrinho que ainda não está nem no projeto. Eu pretendia calçá-lo com All Stars antes mesmo dele aprender a andar. Pretendia também apresentá-lo à discografia do White Stripes antes dos cinco anos e ensiná-lo inglês com os livros do Dr. Seuss. Mas, acima de tudo, meu projeto mais importante consistia em transformá-lo em um ponte-pretano apaixonado.
Não, coleguinhas, não sou uma fanática pela Macaca campineira. Aliás, mal gosto de futebol e acompanho o Curíntia com algum interesse por culpa de Queridão. O projeto de transformar meu ainda não nascido sobrinho em ponte-pretano tinha o único intuito de irritar o futuro pai dele, meu cunhado, sócio torcedor do Guarani. Aos não iniciados em rixas futebolísticas campineiras, explico. Não há desgraça maior na vida de um fanático pelo time do indiozinho que ter um filho ponte-pretano. Que seja gay. Que seja maconheiro. Mas que não vibre pela Macaca.

Infelizmente minha irmã muda-se com o marido para Brasília daqui a dois meses, me obrigando a abortar tão nobres planos. Terei que me conformar com o fato de que meu sobrinho, na melhor das hipóteses, vai torcer pelo Gama. É a vida.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Minha desgraça é vossa diversão

Porque, né? Se eu não der risada depois que passa cometo suicídio. Ou alunicídio.

Texto sobre Elizabeth I. Pergunto:
"Então, pessoal, o que vocês estudaram sobre a Elizabeth I na aula de História?"

"Que ela aboliu a escravidão."]
Professora morre um pouquinho por dentro.

A aula segue. Percebo uma movimentação estranha no fundo. Me aproximo. Duas meninas depilavam o buço com cera fria. No meio da aula de Inglês.

Quase usei a cera pra arrancar as sobrancelhas das fofas. Quem me condenaria por isso?

sábado, 27 de março de 2010

Diálogos bizarros

A molecada do oitavo ano tinha terminado de fazer a prova e estava enrolando antes do sinal do intervalo. Um garoto pergunta pro outro:

"Verdade que você é judeu?"
"É."
"E por que você não usa aquele bagulho na cabeça?"
"Ninguém na minha família usa."
"E cortaram a ponta do seu pau?"
"Cortaram."
"Aff!"
"Eu era bebê, não lembro."

Nisso uma menina sentada por perto grita: "Eca teacher, olha eles aqui falando de PERU!"

terça-feira, 23 de março de 2010

Constrangimento define

Cheguei hoje de manhã para dar aulas na corretora de seguros e encontrei uma das duas alunas já na sala. Cumprimentei, perguntei do fim de semana e da outra moça que faz aula com ela. Ela foi respondendo, educadamente, mas eu sentia um constrangimento esquisito no ar. Minutos depois a companheira de curso chegou. Esta segunda aluna, que é uma mocinha toda fofa e alegrinha já começou perguntando:

"Tchítcher, que mensagem foi essa que você me mandou hoje cedinho?" E em seguida foi sacando o celular da bolsa pra me mostrar - era um emoticon de um boneco nervosinho que tinha realmente vindo do meu aparelho. As duas alunas tinham sido as últimas pessoas com quem troquei mensagens, para confirmar a aula de hoje, e meu celular aramazena os números de mensagens recentes. Ao checar, percebi que meu aparelho, que é slide mas não anda travando as teclas como deveria, tinha também enviado sem querer um emoticon à primeira aluna- um buquezinho de flores.

Será que rola processar a Sony Ericsson?

quinta-feira, 18 de março de 2010

Apocalipse

Ontem as crias (a.k.a. meus aluninhos) resolveram que era dia de se comunicar num tom vários decibéis acima do recomendado pela OMS. Todos. De todas as dez salas pelas quais eu passo na quarta feira. A balbúrdia era tanta que ao chegar em casa, um pouci mais surda que o normal, vislumbrei um futuro aterrador.

Começo a achar que está próximo o dia em que nós (professores do Brasil-il-il) simplesmente não conseguiremos mais. Em um futuro não muito distante será impossível juntar mais de dez crianças em uma sala de aula e efetivamente lecionar, já que elas, num processo evolutivo (ou involutivo, sei lá) from hell perderão de vez a capacidade de permanecer sentadas por mais de dois minutos consecutivos ou de conversar em um tom administrável pelo ouvido humano. Seis anos nessa vida tem me mostrado que as coisas caminham nessa direção.

Pode ser só minha fértil imaginação. Mas algo me diz que vai acontecer.

terça-feira, 16 de março de 2010

Cilada

A pessoa atinge a notável marca de dois anos de namoro e decide comemorar com um fim de semana romântico na Serra da Cantareira. Demora quase um mês para conseguir um fim de semana livre com queridão (sem aniversários, casamentos, reuniões de banda, etc, etc), reserva um chalé em uma pousadinha rústica e vai, crente que vai ter um fim de semana de aconchego, conforto e silêncio.

Aconchego? Vejamos. Rústico seria um termo que poderia definir perfeitamente nossas instalações se isso significasse “empoeirado e cheirando a mofo”.

Conforto? Opa! Um colchão péssimo jogado sobre um estrado é exatamente a minha idéia do termo. Aliado a um sofazinho coberto com um pano suspeito, torna-se a imagem da perfeição.

Bom, pelo menos é silencioso, diriam vocês. Respirar um ar da montanha, ouvir somente os passarinhos e grilos. Isso, claro, se ao lado de nossa pousada não ficasse um bar com música ao vivo, que nos presenteou com um show de reggae até as quatro da manhã. Voltamos pra casa no domingo horas antes do check out com aquela sensação de que o Bruno Mazzeo nos acompanhara durante todo o final de semana.
Pousadinha na serra? Corre que é cilada, Bino!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Confusa II

Eu já contei por aqui a história da doce senhora que confundiu Che Guevara com Jesus Cristo. Hoje ouvi outra de uma velhinha que confundiu um pouquinhos as coisas.

Colega de trabalho conta que a tia, evangélica, resolveu montar um presépio. Decepcionada, percebeu que um rei mago tinha se quebrado ao longo do ano e sai, decidida a repor a peça perdida. Entra em uma loja de artigos religiosos e compra uma estatueta negra, pois lembrava ser logo este o mago que faltava. Volta para casa e monta seu presépio, toda orgulhosa.

Na mesma noite recebe a visita da sobrinha e corre para mostrá-la o presépio recém montado, tão lindo. Diante da obra, a sobrinha, um pouco mais iniciada nas "coisas da vida" não se contém e retruca:

"Mas tia, porque é que a senhora botou um PRETO VELHO no seu presépio?"

quarta-feira, 10 de março de 2010

RIP


Se você é mulher e tem cerca de trinta anos deve ter, em algum momento da sua adolescência, arrancado uma foto do Corey Haim da Capricho e colado na porta do guarda roupa ou na capa do fichário. Ele era esse menino loirinho, de olhos azuis e boca carnuda que fazia dupla com outro Corey menos agraciado pela beleza, o Feldman, em vários filminhos bobinhos dos anos 80, entre eles dois dos mais legais da época, Goonies e Garotos Perdidos.

O menino fofinho cresceu, ficou feio e sem a carinha bonita não conseguiu seguir carreira em Hollywood. Começou a usar drogas e morreu hoje, de overdose.


Corey, eu podia perdoar suas tatuagens cagadas, o ganho de peso, a decadência. Mas precisava ter um fim tão clichê?

quinta-feira, 4 de março de 2010

Da série: eu não acredito que estou tendo esta conversa

Então eu resolvi dar um celular de presente para minha mãe visto que o aparelho dela dá sinais de que falecerá em breve. Mãmis não é uma senhora muito exigente e ficará bem contente com um celular que tenha flip, uma câmera razoável e rádio FM para que ela ouça a Nova Brasil enquanto faz caminhada. Procura daqui, procura dali, encontrei um telefone bonitinho, com todas as características necessárias e com um preço ótimo na loja virtual da TIM. Mais fácil do que eu pensava, imaginei. Pobre de mim.



A loja virtual da TIM não funciona. Meu cadastro não se completa e é impossível adquirir qualquer coisa lá, visto que ao final de um longo processo sou presenteada com uma mensagem de erro e uma ordem para que eu tente de novo. Eu tento. Venho tentando há uma semana. Três dias atrás telefonei para a central de atendimento e fui aconselhada a esperar e tentar de novo. Hoje telefonei outra vez:


Cena 1:
"Senhora, o problema aparentemente é do site mesmo e a senhora terá que esperar a normalização e tentar de novo para concluir a compra."

"Eu estou tentando há uma semana. O site de vocês não funciona há uma semana e vocês não estão fazendo nada para resolver?"

"Ninguém tinha nos avisado que o site estava com problemas."

Cai o pano.

Cena 2:
"Senhora, no rodápé da página cliquem em 'atendimento online'.

"Já cliquei, está inoperante. Eles requisitam o envio de um e-mail."

"Um momento senhora." digitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigita

"Senhora, mas o atendimento online não é via e-mail!"

"Eu sei, está escrito 'chat'. Mas como eu disse, está inoperante!"

"Então a senhora deve mandar um e-mail."

"Eu mandei. Há três dias. Não me responderam."

"Um momento senhora." digitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigitadigita

"Senhora, eu não posso ajudá-la, a senhora terá que aguardar a normalização da operação."


TIM, para uma empresa de tecnologia, sua loja virtual é uma caca. Beijos.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Símiles

E depois de algumas semanas bem ruins, de insegurança e aquela sensação de que as coisas estão caminhando na direção oposta da que deveriam, eis que me sinto bem. Em paz.

Impossível não lembrar de uma das comparações mais excelentes que já ouvi por aí, vinda de um amigo que hoje está meio distante mas de vez em quando aparece:

"A vida é como um caminhão de melancia." E diante do olhar confuso do interlocutor ele completava, candidamente: "Quando ele sai da distriubuidora, está uma zona - as melancias todas jogadas, desordenadas. Daí passa um buraco aqui, dobra uma esquina ali e de repente elas estão tão encaixadinhas que nem dá pra acreditar que agora mesmo estavam de outro jeito."