quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Das compras inúteis

Estou arrumando as malas para passar 15 dias nazoropa. Entre um check list enorme e todo o desespero de, até quarta-feira que vem, só poder usar as roupas que eu não vou levar, minha mãe trouxe da casa dela algo que, sei lá, ela achou que eu poderia querer usar na viagem:

Eu comprei essa coisa em 2003. Eu era estudante universitária fodida. Não tinha a menor perspectiva de ir nem pra Campos do Jordão, imagina para algum lugar onde essa coisa fosse realmente necessária. And still, eu comprei. E usei. Nas duas vezes em que fez menos de 10 graus em São Paulo nos últimos dez anos. Embora tenha sido barato (acho que custou 30 reais, o que na época correspondia a 15 dias de almoço no bandejão), numa relação custo-benefício ele ainda saiu caríssimo. E não, não vou levá-lo para conhecer Londres porque ele é meio grande e com meu atual corte de cabelo joãzinho fica parecendo que estou careca. Além de rolar toda uma vibe "excursão da terceira idade pra Monte Verde" nele. 

Lembrei então deste post da coleguinha Bruna, sobre coisas caras e inúteis que já compramos nessa vida. Decidi listar as minhas sabendo que obviamente nada vai bater um berimbau, uma bota peruana ou CD do Shaquille O'Neal, mas ainda assim, estão bem colocadas no quesito "inutilidade".

1. Uma edição nova de Casa Grande e Senzala - Muitíssimo inútil por três motivos: a) Eu me formei em Letras, não em História ou Ciências Sociais; b) A matéria que tinha esse livro na bibliografia era optativa e c) Tinha pelo menos uns 10 exemplares dele na biblioteca da FFLCH para emprestar. 

2. Uma camisa vermelho-sangue da Zoomp - Inutilidade grau 9 porque era horrenda, tinha mangas compridas bufantes (naipe cantor de mambo) AND botões dourados AND gola chinesa. Não leva 10 porque foi usada uma vez numa festa brega. 

3. Um CD do Counting Crows por causa dessa música - Bem inútil porque todas as outras músicas são chatérrimas. Serviu para a gente decorar a letra de Mr. Jones e pagar de super fã na balada (sim, tocava Mr. Jones nas baladas que eu frequentava).

4. Uma faca de cortar queijos em formato de: queijo. - Quão inútil é uma faca que só serve para UMA coisa e pode ser substituída por qualquer outra faca?

5. Comprei e dei de presente para o namorado: uma lata com 379 DVDs de shows de blues - absurdamente inútil porque a gente nem gosta de assistir DVD de show e acha blues meio chato, ainda por cima. 

Minha sorte é que eu sou um raríssimo caso de consumista muquirana, o que me impede de gastar grandes quantias em coisas toscas, mas ainda assim. Sempre tem mais alguma porcaria que a gente TEM CERTEZA que precisa comprar, senão nunca mais vai ser feliz na vida.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ah, os anos 90!

Muitos posts atrás escrevi sobre como éramos felizes nos anos 90, sendo descabeladas e usando vestido florido com coturno. Porque a moda nessa época era isso, essa coisa meio brecholenta, tudo tinha cara de barato ou de herdado da prima mais velha. E sim, era praticamente tudo pavoroso. Os anos 90 testemunharam a ascensão do sutiã aparecendo, da calça santropeito e, o horror, o horror, do cabelo repicado estilo Jennifer Aniston na primeira temporada de Friends.


Nem nela ficava bom, imagina na gente.

Daí que moda é aquela coisa cíclica e blábláblá e galera resolveu chafurdar na lama dessa década perdida como se lá houvesse alguma coisa para se aproveitar. E decidiram que no verão 2013 toda fashion victim que se preze vai usar bustiê.


Mostra pras bunitas o que é um bustiê, titia.

Não é por ser curto, gente. Não é porque a barriga fica aparecendo. É só porque é feio mesmo. Muito feio. A maioria parece sutiã e a menos que você seja a Cindy Lauper nos anos 80 ou a Dita von Teese há grandes chances de ficar parecendo um pinup gone wrong. Experiência própria. Eu era da turma da camisa de flanela, mas por pressão social (aka mãe dizendo que eu me vestia feito um moleque) tenho minhas fotos com um belíssimo exemplar preto com bolinhas brancas desse troço e a palavra para definir minha expressão é: desgosto.  Na época eu já achava esquisito. Agora então não tem desculpa. 

Já ressuscitaram a calça santropeito e agora o bustiê. Se lembrarem da jaqueta jeans do Hard Rock Café eu não me responsabilizo, sério. 


Linda, só que não.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Sobre o dia do Saci

Verdade seja dita quando criança eu nunca comemorei Halloween. Mas eu sou velha, né, na primeira vez que eu pisei numa escola (Instituto Santa Amália, lá na Saúde) ainda tinha governo militar. A gente desfilava de soldadinho de papel crepom no Sete de Setembro e aprendia todos os hinos de tudo nas aulas de música da tia Irma. Aliás, devo ser a última geração que sabe o hino da independência sem ser a versão "Japonês tem sete filhos." Fui saber o que era dia das bruxas na escola de inglês quando tinha uns 10 anos. E nessa época só os Fisks da vida falavam nisso.

A questão é: pensa numa coisa que é divertida pra criança. Comer doces, se fantasiar, tomar susto. Daí as crianças das escolas de inglês contavam para as que não estudavam lá e elas se animavam e um dia, quando eu percebi, tudo quanto era escola comemorava o Halloween. Mas aí eu já não estudava em uma há tempos.

Sim, não tem nada a ver com as nossas tradições. Como papai noel vestido de veludo vermelho também não. Quem se importa? Curtir uma coisa não exclui a outra, não me torna menos brasileira. E cada um que me vem com "abaixo halloween, viva o dia do saci" me dá vontade de perguntar quantas folias de reis já participou na vida, se sabe dançar maracatu ou falar tupi. Não vejo mal nenhum em ensinar para as crianças as tradições de outros países. Não me impede de ensiná-las as do país dela. Aliás, deixa eu contar um segredo para vocês - criança pode se divertir um pouco, viu? Não vai virar marginal se não for educada 24 horas por dia, sete dias por semana.

E, pela última vez, dia do Saci já existe, podem olhar no calendário - é o dia do folclore, dia 22 de Agosto. Não é culpa minha se nesse dia, ao invés de contar histórias bacanas (que eu aprendi lendo a Turma do Chico Bento, aliás) da mula-sem-cabeça ou do Curupira as professoras simplesmente dão uma máscara de Saci para as crianças pintarem. Querer comemorar dia do Saci no dia do Halloween é criancice, é picuinha. É "aaaai, se eles podem eu também poooooosso."

Cresçam, por favor. Beijos.

Ziraldo virou um velho chato e gagá mas o Pererê é simpático.