quinta-feira, 30 de março de 2017

Porque às vezes a gente precisa chorar um pouco

E no último dia da viagem eu chorei no chuveiro.

Pode ter sido a garrafa de vinho de 2,49 euros que eu comprei no Dia% e que eu tinha tomado sozinha.

Pode ter sido mesmo a tristeza de deixar Lisboa, um lugar que em pouquíssimo tempo tocou meu coração de um jeito que eu não esperava. 

Mas pode ser também porque, no último dia, encasquetei de pensar em você. 

Essa viagem foi planejada sem te incluir quando ainda estávamos juntos. Teve sim ares de afronte, já que nos últimos tempos suas únicas prioridades eram suas viagens de montanhismo, nunca nossas viagens como casal. E isso me machucava demais porque viajar com você era uma coisa que eu gostava muito de fazer. Mas, ao mesmo tempo, nossas viagens juntos sempre foram muito suas. Você planejava tudo, escolhia as datas, reservava os hotéis, alugava os carros, lia os mapas, escolhia os roteiros. Eu só ia. 

Essa viagem foi minha. Só minha. Eu planejei, comprei, paguei, organizei tudo. Sozinha. Eu morri de orgulho de mim mesma, metendo a cara na cidade, mapa na mão, andando, me perdendo, me virando. E no último dia eu quis demais que você tivesse me visto fazendo tudo isso apenas porque você não achava que eu seria capaz. 

E eu tive raiva de mim por pensar em você. E acho que foi por isso que eu chorei (mas o vinho de 2,49 euros definitivamente ajudou). 

Não é justo. 

Mas é a vida.


Lisboa me recebeu fria e chuvosa mas no fim do dia me deu um arco-íris de presente. Fui embora morta de amor jurando que volto.

terça-feira, 14 de março de 2017

Manda sifud

Daí tarra toda trabalhada na desilusão com os ómi porque ómi só serve pra isso mesmo né, pra decepcionar geral e tals. Segue o diálogo com uma amiga de 20 anos que é uma das pessoas mais maduras que eu já conheci:

Eu: Pqp a gente é gata, gente boa, inteligente, paga nossas contas
Eu: Gosta de dar, não enche o saco que mais que esses ómi quer?

Miga:  A questão é essa mesma, quando a muié é top atrapalha o homi de ser um merda, ele fica sem desculpa pra ser merda                      

Eu: Hahahaha                      

Miga: Aí ele corre e arruma uma esfunhanhada e mete o louco kkkkkk                      

Eu: Ou ele vira um fdp manipulador e faz ela se sentir uma merda                      
Eu: Que era o meu caso                      

Miga: Isso aí é manifestação de ser um homi merda kkkkkkk querer q a topper se sinta menos topissima                      
Miga: Absurdo                      
Miga: Manda sifud                      



Trágico

quarta-feira, 8 de março de 2017

As mulheres da minha vida

Tem quatro mulheres nessa foto. Uma está escondidinha na barriga da minha irmã, chama Cecília e vai conhecer esse mundão em Junho (geminiana, help).

Quando minha irmã foi pega de surpresa por essa gravidez (descoberta uma semana depois da chegada da Amanda, imaginem o desespero) eu desejei secretamente desde o início que fosse uma menina. Claro que que a gente vai amar anyway, etc mas nós, mulheres Foltran Borges, sabemos criar mulheres. E quando eu soube que era Cecília, e não Caio, que crescia naquela barriga, rolou um alívio sim, não vou mentir pros senhores.

Minha mãe saiu de casa aos 18 anos com um diploma de ensino médio e uma passagem de trem nas mãos. A cidadezinha de 30 mil habitantes a 100 quilômetros de São Paulo era claramente pequena pra ela. Já trabalhava desde muito cedo, a penúltima de 9 irmãos, criados pela minha avó sozinha, que tinha ficado viúva muito jovem.

Minha mãe também ficou viúva jovem, 40 e poucos anos, duas adolescentes tristes e confusas pra cuidar. Trabalhou muito, dormiu pouco, construiu uma casa sozinha (não levantou parede, mas cês entenderam) e mandou nós duas pra faculdade. A gente também ralou, acordou cedo, pegou ônibus de madrugada. Valeu muito a pena. A Paula de 38 anos está exatamente onde a Paula de 18 anos gostaria que ela estivesse. Independente, pagando as próprias contas, viajando, fazendo o que gosta, se amando. A Paula de 18 anos já sabia que não queria casar nem ter filhos. A Paula de 18 anos no meio do caminho esqueceu disso um pouco, mas já tinha aprendido que não precisava de homem pra nada. As mulheres Foltran Borges nunca precisaram.

Eu detesto quando, principalmente no dia de hoje, se referem a nós mulheres como "guerreiras". A gente leva tanto chumbo de tudo quanto é lado desde que nasce que a gente não tem escolha. A gente luta porque é o único jeito. E vamos continuar lutando pra que quem sabe um dia a Amanda e a Cecília, ou as filhas, ou as netas delas possam viver num mundo mais justo.

Amo vocês.


terça-feira, 7 de março de 2017

Elogios

Daí eu saí com esse moço e ele disse, rindo, que eu era uma contadora de histórias.

E esse foi o melhor elogio que ele podia ter feito pra mim.


quarta-feira, 1 de março de 2017

Please Like Me

Talvez, assim, só talvez eu tenha comemorado cedo demais. Ontem a bad bateu feio, bateu rude e me deixou chorando e sem ar ao fim de um episódio de Please Like Me.

Não foi por causa dele. Nem sei mais porque foi. Mas de repente veio toda aquela ansiedade, aquela sensação de que vai ser tudo uma merda daqui pra frente, de que nunca mais ninguém vai me amar, etc etc. Quem já passou por uma separação conhece o sentimento. Bateu a tristeza de novo.

Pode ter sido o fim do remédio (e a consulta com o psiquiatra que eu por relaxo só consegui marcar pra dia 14) ou o fim de um carnaval daqueles no qual eu vi a plaquinha escrito "limites" e passei mostrando o dedo do meio. Foi o carnaval da catarse, eu diria. E me deixou mal.

Tenho saudade dele não. Nenhuma. Mas tô morrendo de medo do que vem pela frente.



Inclusive assistam Please Like Me pois: muito amor. Mas melhor não fazer isso se estiver meio triste