terça-feira, 24 de novembro de 2009

Queridão pop star

Não sei se é do conhecimento dos doze seguidores deste blog, mas meu namorado (vulgo "Queridão") toca em uma banda que é composta por mais sete membros.
Vocês devem imaginar, caros leitores, que um banda pouco conhecida, que toca repertório próprio e não faz cover do Jota Quest não costuma arrastar multidões a seus shows nem servir como meio de sustento a ninguém, portanto Queridão segue com seu trabalho remunerado e fica na banda digamos assim, por diversão. E por diversão fomos parar em um estabelecimento bem peculiar na Zona Norte de São Paulo domingo retrasado.
Minha reação ao estacionarmos o carro no endereço que nos fora dado foi clichê: "Tem certeza que é aqui?" Era. Duas garagens pequenas grudadas uma na outra - de um lado o bar, com um finado piso de ardósia coberto por azulejos brancos encardidos, balcão da década de 70, adesivos velhos colados por todos os cantos, uma geladeira residencial com uns bons dez anos de uso, uma TV grande exibindo um DVD de ska e um fantoche de diabo pendurado no aparelho. Na porta um sujeito de meia idade acima do peso que ostentava dezenas de tatuagens dignas de figurar no ugliesttattoos.com varria uma quantidade assustadora de bitucas de cigarros de dentro do estabelecimento para a calçada. Era o dono do lugar. A banda tocaria literalmente dentro garagem ao lado enquanto a audiência ficaria na calçada ou na rua "curtindo o som".
Queridão e eu, como sempre, fomos os primeiros a chegar. O dono nos cumprimentou, muito simpático. Avisou que não tinha feito flyers anunciando o evento porque senão "apareceria muita tranqueira" e continuou a operação limpeza, explicando que na noite anterior tinha ocorrido um evento ali. Em seguida me ofereceu um assento no sofá velho que ficava na porta do bar, mas diante do estado de conservação do móvel achei melhor recusar. A única coca-cola do lugar era uma de dois litros aberta que provavelmente era usada para misturar com cachaça.
Pouco mais de uma hora depois a banda já estava toda lá se preparando para tocar enquanto a platéia ia chegando. Era composta basicamente de sujeitos carecas com coturnos e granadas, teias de aranha e até campainhas tatuadas na cabeça. Alguns vestiam camisetas com os dizeres "Sangue Ruim", que depois descobri ser a banda que se apresentaria depois da do Queridão.
As poucas mulheres do lugar tinham ares de que dariam uma surra em pelo menos três integrantes da banda de uma vez se eles as olhassem meio de lado. De fato, antes da apresentação uma delas deu uma surra em outra, que saiu de lá sangrando bastante. Desconheço os motivos da peleja. Os rapazes carecas também gostavam de brincar de briga, se agarrando e rolando no chão "só por diversão". Eu e as outras namoradas da banda tínhamos duas opções: ficar na rua e ser atropeladas por um ônibus ou ir para a calçada e ser atropeladas por punks brincando de jiu-jitsu.
Apesar de tudo, devo dizer que a apresentação foi ótima. O som estava melhor que o de alguns lugares mais "chiques" nos quais a banda já tocou e e todo mundo se divertiu bastante. Os moços punks eram bonzinhos, o dono do bar uma simpatia e dois Cds foram vendidos. Um sucesso retumbante que marca mais um degrau na escalada de Queridão rumo ao estrelato. Certeza.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Direito básico do cidadão

Recebi ontem este email de um ex aluno meu:

Vote contra a criminalização da homofobia
Irmãos e amigos:

O Senado está querendo saber a opinião dos brasileiros sobre o PLC 122,(Homofobia)
perguntando se você é a favor ou contra esse projeto. Para votar, vá à
enquete deste link, É SÓ COPIAR E COLAR O LINK ABAIXO:

http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0

OBS. - a Enquete está na coluna da direita, abaixo do ícone "Senado em 2 Minutos".

Para quem não conhece a PLC, segue link:
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=79604

Se pensa em votar a favor, pesquise algo no Google à respeito da lei. Informe-se bem antes de praticar este ato de cidadania.

Vote, e mobilize seus contatos!!!!



Eu já votei.

Divulguem

JESUS VOLTARÁ, PREPARE-SE !



Como nunca recebo mensagens desse moço, calculo que ele não seja do tipo que repasse qualquer merda para sua lista de contatos inteira. Imagino, portanto, que ele tenha lido o email. Mais ainda - concordou com ele e o considerou importante a ponto de ser repassado.
Não tendo mesmo nada pra fazer (I wish), resolvi perquisar o tamanho da besteira. Lembrei que já tinha ouvido sobre o assunto, mas não fiquei sabendo o desenrolar da história, então fiz o que a mensagem me sugeria e joguei PLC 122 no google.
Fora o site do Senado (o primeiro na busca), praticamente todos os links da primeira página eram de gente indignada com o tal projeto de lei. Desnecessário dizer que a maioria coloca Jesus no meio e alega que a lei nega a eles um "direito básico" de todo cidadão: o de hostilizar o outro baseado em sua orientação sexual. Vocês leram corretamente, amiguinhos - essa gente acha que tem esse direito.

Pois olha só que idéia boa. Resolvi reivindicar meu direito básico de esculachar o outro baseado em sua falta de cérebro. Será que o governo deixa? Vou lá preparar uma petição e já volto. Mas antes vou responder o email do moço com um: "Tomara que você tenha um filho viado, beijos."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Bibelôs

Segunda feira fomos recebidas no colégio por um bilhete bem mal educado de página inteira, no qual uma mãe zelosa acusava as professoras de negligência pois seu querido filho voltara de um passeio da escola com o rosto vermelho.
Considerando que o garoto é branquinho e passou o dia todo em um clube nadando, correndo e suando debaixo de 30 graus, nem todo Sundown da nação aplicado a cada duas horas seria suficiente para evitar que ele voltasse para casa no mínimo corado. Mas claro que esse não foi o caso. Tratava-se, afinal de um bibelô frágil e desprotegido que passou o dia nas mãos de gente malvada que fez de tudo para que ele se queimasse bastante. Porque para certas mães é isso que nós somos: pessoas ruins, que gritam com seus anjinhos e maltratam os pobrezinhos diariamente. Nós perseguimos os pobrezinhos, damos notas baixas injustamente, enchemos os coitados de lição de casa, olha que absurdo! Escola que dá tarefa e manda estudar! Também não cuidamos das coisas deles, pois toda semana há pelo menos um bilhete dizendo que a escola perdeu um agasalho que o bebê de dez anos largou embaixo de um banco no pátio.

Criança precisa de cuidado, claro. Não é um saco de batata que você tira da cama, joga na perua e despeja na frente do colégio com cinco reais para o lanche (embora para outros pais seja assim que as coisas funcionam). O que incomoda é essa falta de fé no nosso trabalho, a confiança cega na bondade dos filhos e o zelo que chega num grau que beira a neurose. Já vi mãe inventar histórias de que o filho estava com problema urinário para que a professora deixasse ele ir ao banheiro toda hora.

Se tem algum pai ou mãe lendo isso aqui, eu rogo: confie na gente. Sabemos o que estamos fazendo. E por mais difícil que possa parecer, acredite - seu filho não é feito de cristal e, salvo grande fatalidade (toc toc toc), chegará quase sem arranhões à adolescência.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Como faz?

Conversando com meu coordenador do curso de línguas ele me pergunta se tenho experiência com crianças.

"Bom, eu dou aula para ensino fundamental há cinco anos..."

"Jura? E tá com essa cara boa, descansada?"

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Jantar portenho

Na falta de acontecimentos relevantes nos últimos dias, resolvi desenterrar uma história daquelas que parecem só acontecer com a gente.
Janeiro de 2007. Esta moça que vos escreve encontrava-se em Buenos Aires com seu hoje ex namorado e dois amigos gays. Procurando um lugar para jantar, encontramos um resto-bar que parecia simpático. Tendo achado tal estabelecimento no mapa gay da cidade, eu já esperava não ver muitas mulheres por lá, mas até segunda ordem tratava-se de um restaurante, e para lá nos dirigimos por volta das dez da noite.
Tudo como o esperado: ambiente iluminado, moderninho, pessoas sentadas comendo e conversando civilizadamente - esperávamos o que? Era um restaurante, afinal de contas. Pedimos entradas, umas cervejas e ficamos lá, jogando conversa fora.
Por volta das onze da noite as luzes diminuíram. Os frequentadores da casa continuaram comendo seus raviólis enquanto eu e meus companheiros estranhávamos a situação, já que em seguida a música suave do ambiente foi trocada por um batidão a la clube das mulheres. Segundos depois, sabe-se lá de onde, surge um cidadão bombado com uma roupa de motoqueiro rebolando entre as mesas - tudo muito normal. Tão normal que o moço se sentiu super a vontade e prosseguiu seu número tirando a roupa e se esfregando nos clientes, que obviamente já esperavam por aquilo. Meu namorado ameaçava se enfiar debaixo da mesa, meus amigos entraram na brincadeira e eu não sabia se ria ou se saía correndo. Só tinha certeza de uma coisa: iria certamente deixar minha pasta no prato depois daquele show. Especialmente porque nosso stripper não se contentou em ficar de sunga. Sim, crianças, ele ficou pelado. Completamente nu protegendo seu "equipamento" com uma toalhinha e passando a bunda na cara de todo mundo que deixava. No meio das massas, das sopas, das carnes e sobremesas.
As luzes se acenderam, o peladão sumiu por onde tinha surgido e os trabalhos do jantar foram retomados. Para os outros, porque meu namorado ficou puto e eu acabei indo embora com ele.
Meus amigos me contaram que as perfomances continuaram noite adentro com médico, Zorro, operário e outras cafonices que a imaginação humana permitisse. E a imaginação humana permite coisas que até deos duvida.

Fica a dica, coleguinhas. Quem quiser curtir um jantar/strip masculino em Buenos Aires não pode deixar de ir ao restaurante Inside, no centro da capital. Mas se você estiver com fome de verdade, acho melhor procurar outro lugar.