sexta-feira, 31 de julho de 2015

Sobre aceitar derrotas

Quando eu penso em aceitar derrotas minha referência imediata é a final de qualquer temporada de Ru Paul's Drag Race, quando ele anuncia a vencedora e a outra finalista fica lá, tendo que bater palmas e fazer aquela carinha de "graceful loser" quando na verdade queria mesmo era dar na fuça da que ganhou. 


Ou o Leo, né? Leo entende de derrota como ninguém, dá cá um abraço, miga. 

No meu caso, especificamente, eu não fui derrotada por ninguém, apenas (*alarme de clichê chegando*) por mim mesma. E pelos critérios de avaliação de Cambridge, talvez. Deixa eu tentar explicar o babado rapidinho para quem não é da área.

O Delta (Diploma in Teaching English to Speakers of Other Languages) é um certificado internacional emitido pela Universidade de Cambridge que eventualmente me qualifica como tutora de outros professores que estão tirando certificados anteriores, como o CELTA. É composto de 3 módulos independentes que podem ser feitos em qualquer ordem. O primeiro é uma prova longa e exigente para a qual eu me preparei durante seis meses em um curso que não era baratinho não. E a prova em si custa 700 reais parcelados no cartão, estou pagando até agora. A nota para passar? 50%. Fiz o curso, fiz simulados e estava indo bem em todos, por isso estava relativamente confiante no resultado da prova que saiu hoje.

Como vocês podem imaginar pelo título deste texto, eu não passei. Não consegui fazer fucking 50% de uma prova para a qual eu me preparei, afinal de contas. Das sete pessoas que prestaram, até agora quatro reprovaram, duas passaram e uma ainda não se manifestou no grupo do whatsapp. 

O frustante disso tudo, na verdade, é que a prova é composta de duas partes, cada parte com papers diferentes, e nos meu resultado eu recebo apenas um belíssimo FAIL. Não tem um feedback, não tem uma estatística, não sei em que partes eu fui bem (se alguma) e em quais me fodi, para poder focar nisso. Eu respondi tudo, segui o layout, fui bem nos simulados, tive acesso a provas que passaram para ver modelos. E não consegui uma bosta de um 50%. Frustração define, principalmente porque eu sempre fui o tipo de pessoa que tira prova de letra. Eu não fico nervosa, eu foco, eu sei quais são meus pontos fortes e fracos. Eu treino e fico íntima do formato. Eu me preparo. 

Eu nuca tinha reprovado em prova nenhuma antes, nem no vestibular, nem na faculdade. Nunca. Acho que por isso esta derrota está sendo tão difícil de engolir. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Sobre como a Bela Gil talvez não esteja querendo acabar com o bacon do mundo

Primeiro foi a melancia grelhada. Depois veio a lancheira da filha e agora a cúrcuma para escovar os dentes. Bela Gil tá aí mostrando para a galera que o jeito Humanas de ser tem espaço no mundo e em rede nacional.

Eu curto a Bela Gil. Eu acho sim que ela as vezes exagera e quase sempre usa uns ingredientes que eu não vou encontrar no Mercadão da Lapa (e se não tem no Mercadão da Lapa não existe, desculpa) tipo "feno-germinado-vermelho-do-Cazaquistão", mas ela pra mim representa uma coisa que eu venho buscando faz tempo: pensar no que eu como e parar de simplesmente colocar dentro do meu corpo coisas que podem fazer mal pra ele de alguma forma.

Mas esse texto não é pra falar dessa minha jornada em busca da alimentação saudável porque eu mal a comecei. É pra falar de como as pessoas reagem à Bela Gil.

As pessoas reagem com raiva a ela. Não só a ela, mas a qualquer um que ouse questionar o sagrado direito ao bacon. E eu, nessa minha caminhada naturebinha, começo a entender por quê.

Eu vejo aqui no trabalho, por exemplo. O pessoal sabe que eu evito açúcar, como fruta de sobremesa e não divido o requeijão da galera, prefiro minhas pastinhas vegetais. A reação imediata de quase todo mundo então é ficar constrangido de comer na minha frente. É de quase pedir desculpa quando abre um pacote de bolacha recheada. As pessoas pressupõe que quem optou por uma alimentação diferente vai imediatamente começar a cagar regra para a humanidade, mas deixa eu contar um coisa: eu não virei testemunha de Jeová, amiguinho. Eu não vou bater na sua porta confiscando seu queijo, não vou fazer cara de nojo diante da sua coxinha, não vou julgar sua lasanha congelada. Eu estou fazendo escolhas para mim e só para mim.

A Bela Gil tem um programa de TV e obviamente está dialogando com muita gente. Mas você, amiguinho que come carne e fritura, não precisa ter raiva dela. Ela não está falando diretamente com você. Ela fala com quem está disposto a ouvir. Se a lancheira da filha de uma apresentadora de televisão te ofende e te irrita, o problema talvez seja seu, não dela. Porque até onde eu sei a Bela Gil não anda por aí invadindo escolas no meio do recreio confiscando os cheetos da molecada e trocando por granola caseira, né?

Então sossega, galera. It's not about you. E a Bela Gil sozinha não tem como acabar com o bacon do mundo. Podem relaxar.


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Domingo tivemos aplicação de uma prova de Cambridge aqui na escola.

É possível que você, coleguinha, nunca tenha feito uma prova de Cambridge, mas certamente já prestou vestibular ou concurso público, então sabe do que eu estou falando.

É uma prova que custa uns 400 reais. Que no final dá ao aprovado uma certificação internacional, reconhecida no mundo inteiro e blá blá blá muito importante de que ele sabe inglês. O bagulho é sério galerinha, não é a prova final do teu curso da Microlins.

Para aplicar a dita prova nós precisamos providenciar mil coisas, carteiras especiais milimetricamente separadas por 1,25m, armário de ferro para guardar provas, treinamentos, gente trabalhando no domingo, provas em envelopes lacrados, um milhão de instruções etc e tal. 44 candidatos.  Eu falei que o negócio era sério? O negócio é sério.

Daí eu te pergunto, coleguinha. Tu vai fazer uma prova que custa uns 400 reais. Que no final dá ao aprovado uma certificação internacional, reconhecida no mundo inteiro e blá blá blá muito importante de que ele sabe inglês. Uma prova que tu nunca fez antes. Na véspera dessa bagaça você faz o que?

a) Dá uma lida de novo nas instruções só pra garantir.

b) Oi?

Começa com bonito aparecendo aqui sem lápis, sem caneta, sem vergonha na cara. Migo, tu saiu de casa 7 horas da matina num domingo pra fazer uma prova e não trouxe nada para escrever? Tipo NADA? Achou que ia ter camelô na porta vendendo Bic? Achou que tinha vindo pra tomar um sorvete?

Daí a gente já estava contando com isso e providenciou bastante coisa pra emprestar pra essa turma que se a grama mudar de cor morre de fome, ok. Dá-lhe gente perdida sem achar a sala sendo que né, tem uma lista na porta com o nome do cidadão.

Mas a gente (Cambridge, na verdade) sabe que não dá pra confiar nessa gente que diz que tem entre 90 e 109 de QI mas há controvérsias, e providencia uma lista de instruções gigantes para os fiscais lerem antes da prova. Não sei porque, né, já que eu tive que preencher umas 10 fichas de malpractice porque nossos gênios preencheram o gabarito à caneta tendo sido orientados previamente de que era a lápis. Duas vezes.

Tem mais. Uma linda constatou que sue nome estava impresso errado na FOLHA DE RESPOSTAS OFICIAL DE CAMBRIDGE e achou que, né, tudo bem, nem vai dar nada rasurar um z por cima desse s aí em Sousa. Gente? Cês aprenderam inglês mas não aprenderam vida, né?


Organizar a aplicação da prova foi fichinha. Duro é lidar com tanta esperteza junta.




quarta-feira, 1 de julho de 2015

Desabafinho

Uma mãe apareceu aqui na escola com as duas filhas gêmeas para fazer teste de nível. As meninas tem 9 anos e só estudaram inglês na escola mesmo, nunca fizeram curso. Conversei com cada uma individualmente, uma sabia algumas coisas a mais que a outra mas nada gritante. As duas muito fofas e espertinhas. Coloquei as duas no nível 1 porque abordagem de escola de idiomas é diferente, costuma ser mais puxada que a de colégio, e tal. Disse exatamente isso para a mãe que foi embora sem nem querer falar com o divulgador do curso.

Pois a mulher ligou aqui hoje alterada dizendo que as meninas "CLARAMENTE TEM UM NÍVEL DIFERENTE E QUE ESSE COORDENADORA AÍ ESTÁ QUERENDO PUXAR UMA PARA BAIXO PARA PAGAR UM SEMESTRE A MAIS DE CURSO." E que ela estava decidida a matricular as meninas aqui mas depois da falta de profissionalismo dessa coordenadora aí (no caso euzinha) ela vai repensar.

É bem chato ter que lidar com gente que acha que sabe fazer uma coisa que eu estou aí fazendo há o quê? Quinze anos. Ter que lidar com mãe super controladora e com mania de perseguição que achou por bem me esculachar de graça sem nem ter conversado comigo, questionado a avaliação. Eu sei que é parte do meu trabalho lidar com gente louca, mas quando gente louca questiona minha competência é mais puxado. Me deixa mal.

Nessas horas eu sempre lembro de uma colega minha que dizia que o sonho dela era dar aula numa escola de órfãos - porque as crianças são incríveis, os pais é que estragam tudo.