quinta-feira, 26 de maio de 2011

A banda mais bonita da cidade - um estudo (fail) de caso

Quando o tal clip da "banda mais bonita da cidade" começou a pipocar pelo twitter, facebook e afins eu resisti bravamente ao primeiro clique uma vez que anos de FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP) me treinaram bastante para intuir o que viria de uma banda com esse nome e uma música chamada Oração. Mas aí as pessoas insistem, continuam falando sobre o assunto e eu me senti impelida a assistir à bagaça para pelo menos falar mal com propriedade ao invés de apelar para o "não vi e não gostei".
Pra quem não viu e quer sofrer também:


A primeira experiência foi traumática, acreditem. O rapazinho com a margarida no bolso da camisa brecholenta, os pratos sujos na pia da cozinha, as saias rodadas, aquela sensação de que a qualquer momento aquela música chata ia parar e eles iam começar a entoar Morena Tropicana, isso tudo foi me dando uma gastura, um aperto no peito, uma falta de vontade de viver que precisei parar de assistir. Eu não suportaria até o final. E percebi que a coisa é tão grave que merece um estudo de caso. Vem comigo, gente:

A pergunta crucial que este estudo de caso tentará responder é, por que, coleguinhas, POR QUE em 2011 ainda há gente que quer se parecer com uma versão hipster dos Novos Baianos?

Os Novos Baianos eram legais, sabem? Lá nos anos 70 eles viviam todos juntos, faziam musiquinhas engraçadinhas, não tomavam banho e batizavam os filhos que eles mal sabiam de quem era com nomes esquisitos. Nos anos 70 eles eram legais. Em 2011 dividir o mesmo teto com mais 50 pessoas é po-bre-za, não estilo de vida e usar saiotes de paninho ordinário e camisas brecholentas não é bacana. Não é vintage. É, no máximo, "caixa de doação style".
Talvez eles se identifiquem com a cultura hippie. Eles curtem a natureza, a música, o amor. Eles também curtem chocolate Kopenhagen e xampu da Boticário, porque há limites, não é, minha gente? E eles são tão fofuxos, as meninas com suas franjas cortadas pelas priminhas de 5 anos, todo mundo tão feliz, dançando, cantando, celebrando a vida, olha lá o baterista com um vira-lata no colo! Pensando bem, por que em 2011 ainda há gente que quer se parecer com uma versão hipster do grupo de jovens da paróquia de Nossa Senhora da Canoa Quebrada? 

A verdade é que este estudo de caso está fadado ao fracasso e a culpa é da minha total incapacidade de assistir esse vídeo mais uma vez para concluí-lo. Meu cérebro derreteria. 

Neo-hippies. Até quando? 

terça-feira, 24 de maio de 2011

Tá pensando que internet é bagunça?

Uma vez eu estava lá, no meio de aula observada, e ao listar para os alunos os países que compõe o Reino Unido, esqueci de mencionar o País de Gales. Meu observador, na hora do feedback, gentilmente apontou esse deslize e finalizou com um: "Tá pensando que País de Gales é bagunça?". Só eu ri e ele, coitadinho, ficou ali, enfrentando a cara de "q" do resto da sala.
Dia desses uma turma de adolescentes formou duplas e como a sala tinha número ímpar de alunos, um deles ficou sozinho. Quando um retardatário chegou eu abri um sorrisão e disse: "Olha, Vitor, que bom, você não está mais forever alone!" Silêncio sepulcral. Dez alunos na sala e NENHUM entendeu. Isso sem contar os colegas que vem te corrigir no facebook quando você escreve "todos chora" ou "corrão". É muito frustrante usar gírias de internet e ninguém entender, gente. É triste. De que adianta saber tudo sobre a questão do Oriente Médio se a pessoa não conhece os "bons drink"?

Lembrei de tudo isso porque a amiga de uma amigo, num bar, sábado, contou a seguinte história: diz que o professor de faculdade da irmã dela vivia usando essas referências em sala de aula e todo mundo fazia aquela cara de "oi?", só a irmã entendia. O professor, um dia, entrou na classe e disse: "olha, estou cansado de interagir só com a fulana aqui, lição de casa esse fim de semana é entrar na internet e procurar isso, isso e isso..." e tacou na lousa coisas tipo Luísa Marilac, Katylene, Cleyciane, Fica vai ter bolo.

Curso superior dos novos tempos, minha gente.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Gastronomia de República

Muito se fala sobre a gastronomia de boteco. Hoje, inclusive, a tal é alvo de estudos seríssimos e apreciada por gourmets, chefs e qualquer outra raça que se denomine “entendido de comida”. De repente frango a passarinho virou um negócio chique. Nada se discute, entretanto, sobre outro ramo pouco nobre da culinária – a gastronomia de república, a irmã (mais) pobre da gastronomia de boteco.

Been there, done that, pessoal. Vivi cinco anos dividindo apartamentos bagunçados com muita gente esquisita. Briguei por telefonemas de 20 reais sem dono na conta, aturei namorados alheios enrolados na minha toalha, acordei mais cedo para usar o banheiro sabendo que minha roommate curtia fumar um cigarrinho enquanto fazia o número 2 de manhã, comi miojo em mesas de metal descascado.  Glamour, tem mas acabou.

Eis que colega Paula Scarcelli me brinda com este vídeo e me relembra os anos em que pilotei um fogão que contava com apenas uma boca ativa. Com isso, decidi resgatar algumas delícias da culinária de república, arte especializada em se virar com os recursos materiais e financeiros mais parcos possíveis:

1. O miojo festivo
Desista, companheiro – você não passará por uma república sem recorrer ao bom e velho macarrão instantâneo.  Hoje em dia é possível passar praticamente um mês comendo a iguaria diariamente sem nunca repetir um sabor (e, por favor, ignore o de caldo de feijão. Quem foi que teve essa idéia meu deos?). Isso se você não morrer de overdose de sódio em 15 dias. Enfim, nos dias em que a pessoa dispõe de tempo, disposição e ingredientes (coisa rara numa república), pode-se sempre apelar para velhos truques para enfeitar aquele Nissin de galinha caipira que vai vencer semana que vem. As possibilidades são infinitas – requeijão, tomate, peito de peru, ervilhas, tudo misturado e jogado dentro da panela formando uma maçaroca branca quase apetitosa. Mas não se engane – o miojo continua lá, impávido, deixando bem claro que sim, você vai jantar numa mesa de metal descascado.

2. O atum
Não se preocupe se você pertence à estranha categoria de “gente que odeia peixe”. Atum enlatado por pouco não se qualifica como produto do mar. É barato e surpreendentemente mais rápido que miojo. Se você nunca almoçou atum direto da lata, não sabe o que é alegria de viver – mas se dispuser de uns minutos a mais, misturá-lo com um tomatinho e colocá-lo entre dois pães de forma não fará mal nenhum.

3. O feijão
Mentira. Ninguém come feijão em república. Aliás, se uma casa de estudantes tiver uma panela de pressão, nem pode ser considerada uma república.

4. O churrasco
Ok, sejamos honestos – o nome correto seria “a linguiçada na grelha da geladeira”, mas a gente chama de churrasco e pede para cada um trazer sua cerveja (e especifica que não, não pode Kaiser nem Bavária).

5. A parmegiana de nuggets
Os nuggets, depois do miojo e do atum, são os melhores amigos do estudante/preguiçoso com fome. Depois de fritos, são cobertos com outro ingrediente básico de uma despensa de república, o molho de tomate enlatado e aquela mussarela esperta, colocados no microondas e voilá. O mais próximo de uma parmegiana de frango que você vai chegar. Pode ser feito com catchup numa versão mais roots e é uma ótima receita para aproveitar aquele queijo velho que ninguém lembra quando comprou.

6. A caipirinha alternativa
Acontece. Um dia a pessoa decide se embebedar com seus roommates e a cerveja acaba no meio da madrugada. Não há supermercados ou lojas de conveniência 24 horas por perto. No armário apenas uma garrafa de Velho Barreiro e na geladeira um pacotinho de limões do Habib’s esquecidos da última entrega (porque alguém os guardou permanece um mistério). Pronto. O resto da noite está garantido.

Vejam bem, diante desta dieta eu sobrevivi. Estou aqui, saudável e bem nutrida 10 anos depois. E dizendo com orgulho que não vejo uma garrafa de Velho Barreiro e uma grelha de geladeira fora da mesma desde então. 

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Natura, devolve meu dinheiro!

Estou lá dando a primeira aula do curso para um grupo X. Como é de praxe, faço aquela brincadeirinha de escrever informações aleatórias sobre mim no quadro para que eles adivinhem do que trata. Escrevi 14, que é há quanto tempo eu dou aula. Eis que um dos moços, um gentleman, diz: "É a sua idade!". Rio, digo, claro, claro que é. O outro, menos educado, dispara, dessa vez a sério: "Você tem um filho de 14 anos!"

Really? REALLY?

Ok, supondo que tivesse começado cedo, eu até tenho idade para ser mãe de alguém de 14 anos (aimeodeosdocéu). Mas né? A Natura me prometeu que eu não aparentaria isso.

E agora, Chronos, como é que a gente fica?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Trabalho insalubre

Daí meu colega de trabalho (oe!) resolveu ontem otimizar a preparação de aulas e tocou a mesma música para todas as turmas dele. Todas, e com agravantes.
Agravante 1 - Colega é daquela raça de professores de inglês que gostam de divas-pop-que-gritam-bastante.
Agravante 2 - Colega dá aulas na sala colada à minha.
Agravante 3 - Colega aparentemente tem problemas auditivos e ouve música em um volume bem acima do considerado aceitável.
Isso significa que ontem eu dei quatro aulas com Mariah Carey se esgoelando na sala ao lado da minha. Quatro aulas, o que equivale a cinco horas. Se isso não é insalubridade, eu não sei o que é, gente.