sexta-feira, 24 de abril de 2015

Mágoa de caboclo

Conheço o cara há alguns anos mas nunca fui amiga dele, a gente só trabalhava junto. Cálegas. Ele mudou de país, casou, mudou de profissão, ficamos anos sem nos falar. Daí ele voltou pro Brasil ano passado e continua trabalhando em outra área mas queria umas aulas aos sábados para fazer um dinheiro a mais e comprar um apartamento e tals. Me procurou, eu estava precisando, contratei.

Daí ele comprou o apartamento e fez um chá de casa nova. Me convidou via evento no facebook. Eu não sou próxima dele, não confirmei participação e em momento nenhum ele me perguntou pessoalmente se eu iria (o que ele poderia ter feito, já que a gente trabalha junto).

Uma pessoa apareceu na festa. Uma.

Como é que eu sei se eu não fui?

O marido do cara fez um textão magoadinho no Facebook choramingando que tinha acordado 5 horas da manhã para preparar a festa, reclamando que as pessoas não tem consideração e mimimi. E me marcou.

Eu que não sou amiga deles. Que não confirmei participação nem pelo facebook. Que nem fui convidada pessoalmente.

Apenas um grandessíssimo vá procurar um lote pra carpir meu senhor. Obrigada.

Em tempo: o casalzinho em questão é homofóbico (ser gay tudo bem, a gente também é, mas não precisa ser afeminado nem promíscuo, por favor), misógino (lésbica então, senhor amado, mulher nem gente é, não é mesmo?) e compartilha post do Marco Feliciano. Por que não estou surpresa de não ter aparecido ninguém na festa?

Bianca me representa

Update: Eu tinha rascunhado esse post e não ia publicar, mas o cara se mostrou ser ainda pior tipo de gente do que eu achava que ele era. Ficou nervosinho porque eu estava cobrando as ~burocracias~ de escola dele, preencher lista de presença, ficar em dia com planejamento, não ser grosseiro com mãe de aluno (yes, ele fez isso) e decidiu simplesmente abandonar as aulas. E fez isso pelo Facebook, as seis da manhã do dia que ele dava aula as oito. Ainda não inventaram um palavrão pra quem faz isso.

Pior: os alunos já sabiam. Ele poderia, deveria na verdade ter me avisado antes, mas decidiu fazer do outro jeito com a única intenção de me irritar. Fucei no facebook dele e descobri que ele tinha ido para Buenos Aires no dia em que deveria estar em sala de aula. Curti o post porque eu guardo rancor sim. Ele me bloqueou. Gentinha.

Ganhei um desafeto, gente. Por essa eu não esperava.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Se eu pudesse voltar no tempo...

O Felipe, que tem um blog ótimo, fez este post igualmente ótimo sobre arrependimentos. Eu tenho alguns arrependimentos na vida, mas se for pra contar um, lá vai. Se eu pudesse voltar no tempo eu teria escolhido a alternativa C.

2008 (ou 2009). O Roberto Justus tinha um programa chamado 1 contra 100 na Band ou na Record, preguiça de procurar. Era um quiz de perguntas e respostas onde um candidato concorria a um milhão de reais contra cem pessoas numa platéia. Ele tinha que ir acertando as perguntas até eliminar todo mundo dos cem que também estivessem acertando. Se ele errasse, o prêmio que ele tinha ganhado até então era dividido entre quem tinha acertado na platéia.

Eu estava na platéia. E estava matando a pau, acertando tudo porque se tem um negócio que eu domino nessa vida é cultura inútil. Até que veio a fatídica pergunta:

"Se você estivesse irritado com o Carlos Caetano Bledorn Verri, estaria na verdade irritado com quem?" (as perguntas eram sempre formuladas assim)

a) Com o Rivellino
b) Com o Cafu
c) Com o Dunga

Mas Paula, minha fila, como você errou isso? Como assim você não sabia que o nome do Rivellino é Roberto e que com esse sobrenome Bledorn tava meio ruim de ser o Cafu?

Primeiro eu não lembro se a alternativa B era mesmo o Cafu. Talvez fosse uma opção mais plausível. Segundo que a gente tinha tipo 10 segundos pra responder cada pergunta. E em 10 segundos ali valendo um milhão a gente faz as associações mais imbecis possíveis. A minha foi: "Ok, o Rivellino é Roberto e o Dunga é técnico da seleção brasileira. Não é possível que eu nunca tenha ouvido o nome completo do técnico da seleção brasileira." Fui no Cafu. E fui eliminada.



Mas o problema nem foi ter sido eliminada em uma pergunta tão besta. O problema é que a pergunta seguinte era:

"Um mitômano é uma pessoa que tem mania de:"

a) Mentir
b) Se lavar
c) Liderar

Essa pergunta conseguiu ser mais ridícula que a anterior. E o um, o cara que estava concorrendo sozinho a um milhão, errou. Ele tinha ganhado 200 mil até então, e sobraram 9 na platéia que tinham acertado essa pra dividir o prêmio. Eu teria acertado se não tivesse cagado na do Dunga. E teria levado pra casa 20 mil.

20 mil, né gente? Não é uma fortuna nem nada, mas ganhar 20 mil reais assim, num domingão, só por ter apertado uns botõezinho certos, não teria sido nada mau. Quando é que vocês acharam que saber o nome do Dunga valeria 20 mil reais, heim?


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Converse com seus filhos sobre tinta de cabelo

Eu clareei o cabelo. Depois de anos cobrindo os brancos teimosíssimos que não aceitam que eu sou xófem e continuam aparecendo desisti de lutar e resolvia aceitar o fato que eu não vou ficar velha, vou ficar loira.

Ficou bom? Não ficou bom.

Tinha muita tinta no meu cabelo e o produto não conseguiu abrir a cor o suficiente, então nesse momento está um negócio meio mico-leão dourado meets Ana Maria Braga. Enquanto a cabeleireira secava meu cabelo eu já planejava como eu ia escapar do trabalho no meio do expediente pra cobrir aquela cagada em outro salão. Daí ela secou, e eu aceitei que ser loira exige persistência e que se eu quiser que isso dê certo vou ter que sobreviver ao amarelo pelos próximos dois meses, que é o tempo de tentar clarear de novo sem sair por aí parecendo que eu coloquei uma vassoura na cabeça. Antes mico leão dourado que vassoura.

Merda no cabelo, quem nunca fez?

Eu sei que tenho essa carinha de bebê, mas nasci em 78, coleguinhas. Isso significa que eu fui adolescente no começo dos anos 90, vocês tem noção do que era isso? Não tinha Netflix. Não tinha internet. Mal tinha computador, a gente jogava Prince of Persia no Itautec brancão do tio rico. Nossa referência de vida era a revista Capricho. Quão cagada deve ser uma geração que tinha como referência a revista Capricho?

E não tinha tinta fantasia. A gente descoloria com água oxigenada no banheiro de casa e cobria com papel crepom. Durava duas horas. Daí como também não tinha máscara de hidratação que prestasse, a gente passava meses com aquela piaçava na cabeça achando tudo maravilhoso. Ou cobria tudo com preto azulado e andava por aí parecendo a Mortícia Adams de Keds cor de rosa.

A mãe deixava? A mãe não deixava.

Mas a mãe trabalhava o dia inteiro e papel crepom custa baratinho. Por isso eu digo, mães: deixem as minina. Os minino também. Levem num salão bão. Não permitam que eles aprendam nas ruas.
Conversem com seus filhos sobre tinta de cabelo antes que seja tarde demais.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Fazendo crítica musical do meu jeitinho

Daí eu queria levar uma música muderna para a minha aula de Básico e pedi uma sugestão para o pessoal que entende dessas coisas, a.k.a a secretária de 18 anos lá da escola. Me sugeriram o Ed Sheeran. Tive que jogar no google.


Bonitinho ele, né? Parece um cachorrinho. Dá vontade de adotar e batizar de Floquinho, depois levar pro Pet Shop pra ele voltar com uma gravatinha. Tudo bem inho mesmo.

Não, pera

Daí fui procurar a música, Cliquei na primeira que o youtube me sugeriu com o nome dele. E veio isso:


A música é chata, né? Deve estar bombando em casamento. Eu, se um dia me casar, vou querer um negócio bem cafona tocando, tipo "Bed of Roses" do Bon Jovi, não um negócio cafona que o pessoal acha que é legal, tipo isso. Fora o clip. 2015 e vocês me fazendo um clip desse, galera? Essa mulher de camisola rodopiando, ele com essa cara de tonto fazendo dois pra lá, dois pra cá, esse cenário, tudo, tudo, tudo muito ruim. Soube que vai ter (ou teve) show desse moço por aqui e que vai custar (ou custou) muitas centenas de reais.

Dessa vez não deu, heim, Ed? Fica pra próxima.