segunda-feira, 20 de abril de 2015

Converse com seus filhos sobre tinta de cabelo

Eu clareei o cabelo. Depois de anos cobrindo os brancos teimosíssimos que não aceitam que eu sou xófem e continuam aparecendo desisti de lutar e resolvia aceitar o fato que eu não vou ficar velha, vou ficar loira.

Ficou bom? Não ficou bom.

Tinha muita tinta no meu cabelo e o produto não conseguiu abrir a cor o suficiente, então nesse momento está um negócio meio mico-leão dourado meets Ana Maria Braga. Enquanto a cabeleireira secava meu cabelo eu já planejava como eu ia escapar do trabalho no meio do expediente pra cobrir aquela cagada em outro salão. Daí ela secou, e eu aceitei que ser loira exige persistência e que se eu quiser que isso dê certo vou ter que sobreviver ao amarelo pelos próximos dois meses, que é o tempo de tentar clarear de novo sem sair por aí parecendo que eu coloquei uma vassoura na cabeça. Antes mico leão dourado que vassoura.

Merda no cabelo, quem nunca fez?

Eu sei que tenho essa carinha de bebê, mas nasci em 78, coleguinhas. Isso significa que eu fui adolescente no começo dos anos 90, vocês tem noção do que era isso? Não tinha Netflix. Não tinha internet. Mal tinha computador, a gente jogava Prince of Persia no Itautec brancão do tio rico. Nossa referência de vida era a revista Capricho. Quão cagada deve ser uma geração que tinha como referência a revista Capricho?

E não tinha tinta fantasia. A gente descoloria com água oxigenada no banheiro de casa e cobria com papel crepom. Durava duas horas. Daí como também não tinha máscara de hidratação que prestasse, a gente passava meses com aquela piaçava na cabeça achando tudo maravilhoso. Ou cobria tudo com preto azulado e andava por aí parecendo a Mortícia Adams de Keds cor de rosa.

A mãe deixava? A mãe não deixava.

Mas a mãe trabalhava o dia inteiro e papel crepom custa baratinho. Por isso eu digo, mães: deixem as minina. Os minino também. Levem num salão bão. Não permitam que eles aprendam nas ruas.
Conversem com seus filhos sobre tinta de cabelo antes que seja tarde demais.

2 comentários:

  1. Papel crepom azul no cabelo descolorido... Porq eu era punk e tinha q radicalizar! =D

    CAGUEI o meu cabelo... coitado...

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