sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Respostas cretinas para perguntas idiotas

Só para esclarecer: é mau humor sim. As aulas voltam segunda, está chovendo, tenho que lavar o cabelo com uma mão só e prometi que não vou comer doce até sexta-feira que vem, quer dizer. Não está sendo fácio

"Boa tarde, moço, eu queria fazer um carimbo."

"Pois não. De que tipo?"

"Do automático. Dá pra colocar um desenho, uma carinha feliz, ou o Mickey?"

"Dá sim. Você é professora?"

"Sou."

"Além do desenho, o que você quer escrito no carimbo?"

"Escreve em letra cursiva: teacher Paula." 

"VOCÊ É PROFESSORA DE INGLÊS?"

Agora é com vocês, coleguinhas. Coloquem aí nos comentários respostas criativas para esta pergunta tão necessária.  Obrigada.





quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A saga da farpa

Esta pessoa aqui acordou na segunda-feira e percebeu que, olha, tem uma farpa no meu dedo! Fui à primeira reunião antes das aulas e meio dia resolvi dar uma passada no pronto socorro para me livrar do corpo estranho, crente que iria para o ambulatório e uma enfermeira mal-humorada retiraria a bendita farpa avó style, sabem como é, né? Quem nunca teve uma farpa arrancada na base da agulha de costura em casa?
Pois é. Doutor ortopedista diz que não pode fazer nada e me encaminha para doutor cirurgião de mão. Oi, cirurgião? É só uma farpa, gente. Doutor cirurgião de mão olha, olha e diz:

"É, tá meio fundo, né? Melhor cortar. Que horas você comeu pela última vez?"

Eu tinha comido um pão de queijo dez da manhã na reunião.

"Ótimo. Não come mais nada, nem bebe água. Vou te encaminhar para internação e hoje as nove da noite eu te opero. É coisa simples, depois você pode até ir pra casa."

Oi? Oi? Oi? Jejum? Internação? É UMA FARPA NO DEDO, PELAMORDEDEOS!

Pois é. Enfermeiro simpático me bota no soro enquanto procuram um quarto para me colocar. Ligo pra todo mundo avisando que vou chegar tarde em casa mas não, não é nada não, é só uma farpa no dedo. Namorado diz que vai me buscar depois do inglês. Eu estava realmente achando que ia para casa no mesmo dia.

Seis da tarde enfermeiro simpático aparece para me levar para o quarto. Preciso mesmo ir na cadeira rodas, moço? Precisa. E lá vou eu, passear de cadeira de rodas com uma perigosíssima farpa no dedo.

Nove da noite namorado chega ao hospital. Nem sinal do doutor. Desde as dez da manhã sem comer nada, meu saco lá na lua. Enfermeira aparece com um vidro de acetona e uma camisolinha de bunda de fora. Moça, vocês tem certeza que não estão me confundindo? Eu só vou tirar uma farpa do dedo, não vou fazer transplante de coração. A esperança de não dormir no hospital me abandonou e namorado vai para casa tomar um banho e buscar uma malinha para mim.

Onze horas enfermeira me manda botar a camisolinha. Ganho um passeio de maca até o centro cirúrgico. Ganho também uma anestesia no braço, monitoramento cardíaco (gente?) e o braço direito furado porque o enfermeiro gênio tinha colocado o soro no braço esquerdo que tinha que levar anestesia. Ah, sim, ganho também uma veia estourada e uma injeção no dedo, porque a anestesia no braço não pegou direito e eu senti o doutor dando o primeiro talho. Foi lindo. 

Saio do centro cirúrgico duas da manhã. Fiquei um tempão na recuperação ouvindo a anestesista conversar sobre o FORTAL com o motoqueiro da mão fodida se recuperando ao meu lado. Dormi um sono dos infernos com dor no braço e sem conseguir me mexer direito por causa do soro e fui acordada cinco da manhã pela enfermeira para tomar remédio.

Tomei café e almocei no hospital. Fui liberada uma hora da tarde e ganhei um atestado de uma semana que pretendo ignorar já que a cirurgia foi na mão esquerda e eu recebo por hora trabalhada, né?  Por causa de uma farpa no dedo.

Contando ninguém acredita.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Desengolindo os sapos

Oi seus lindos, tudo bem?

Antes de prosseguirmos acho bom dar um avisinho: se você veio hoje procurando os textos engraçadinhos habituais, pode pular esse aqui e voltar semana que vem - hoje eu vou falar sério.

Eu até entendo a cabeça das pessoas, sabem? Eu entendo que nós fomos programados, desde os tempos das cavernas, talvez, a acreditar que é assim que as coisas funcionam. Eu entendo por que eu já estive desse lado.

Eu também já achei que, porque uma menina deitou ao lado de um cara, ela necessariamente vai ter que ficar com ele.
Eu já acreditei, um dia, que uma garota de saia curta está pedindo para um sujeito mexer com ela.
Eu já tive plena convicção de que se um homem bolina uma mulher apagada de bêbada o problema é dela, que é adulta e assumiu as consequências de tomar um porre.

Mas eu mudei. Eu evoluí. Eu não permiti que décadas de ideias erradas me transformassem numa pessoa que não consegue ver a gravidade das coisas.

Não estou irritada nem com raiva das pessoas. Ninguém tem culpa de ter sido criado e educado dentro de padrões equivocados. Mas tem culpa de não se informar e não tentar aceitar que, olha, de repente não é como você sempre acreditou. E eu sei que é difícil se despir de tudo que a gente sempre achou que fosse verdade absoluta. Chega a doer. Mas vale a pena.

P.S.: O fato de ter acontecido no Big Brother, realidade supostamente frequentada por "gente inferior", não muda em absolutamente nada a situação. Podia ter acontecido em qualquer lugar. Na festa de formatura da faculdade. Ou naquela casa em Peruíbe que você dividiu com 20 pessoas no carnaval de 2003.

P.P.S.: Se a moça diz que foi consensual, ok. Melhor pra ela. O que me assusta são as reações do tipo "mas mesmo que não fosse, a culpa é dela." ou "vocês estão exagerando, foi só uma bolinadinha." Nunca é só uma bolinadinha, beijos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Eu, turista

Antes devo explicar que este post surgiu porque a matriarca da família visitará Buenos Aires pela primeira vez na companhia das duas lindas rebentas (eu e minha irmã, para quem não entendeu). Eu e irmã já conhecemos a terra do alfajor mas, sendo a primeira vez da véia, estávamos debatendo ontem (mentir, estávamos quebrando o pau por telefone) se deveríamos ou não levá-la a um show de tango.

Não que eu seja uma cidadã do mundo, mas o pouco (bem pouco mesmo) que rodei por aí foram suficientes para deixar bem claro que tipo de turista eu sou: eu sou a anti-turista.

Para começar eu não tiro fotos. Tenho bons olhos (mais ou menos, olha os seis graus de miopia aí, gente) e acho que eles são bem mais eficientes que uma lente para reter minhas memórias de viagem. As fotos que trago na bagagem costumam ser de anônimos na rua, placas, bichos, pichações. Não vejo sentido em tirar fotos ruins de uma coisa que todo mundo já viu zilhões de vezes em imagens muito melhores, como a torre Eiffel.



Naipe das fotos que eu tiro, tenho 15 ano, beijos.

Mas não são só as fotos. Eu não curto fazer coisas de turista. Quando fui a Nova York estive, obviamente, na Estátua da Liberdade, mas essa não foi nem de longe a melhor parte da viagem. Ao contrário, foi meio como visitar aquela tia chata que, se você não aparecer, vai telefonar para a família inteira reclamando que você esteve na cidade e não foi vê-la. A vista de Manhattan de dentro do barco que nos leva até a ilha é mil vezes mais legal. A estátua é só uma estátua. Verde e menor do que a gente pensa. Você chega lá, dá uma volta na ilha, entra na moça (ops!) se tiver ingresso, come um sanduíche ruim e tem que esperar o horário do próximo barco para voltar.

Minhas melhores lembranças da maçãzona são a primeira vista da cidade pela janela do ônibus, com as pessoas atravessando a rua numa manhã deslumbrante; andar pela 5ª avenida lotada de gente a meia-noite voltando da Broadway (a caminhada muito mais do que a peça); o sinal sempre fechado na esquina do hotel que nos obrigava a esperar três minutos no vento mais gelado que se em notícia; o velhinho tocando m instrumento misterioso na plataforma do metrô de Chinatown; minha cara diante de um queijo quente para viagem que vinha com um pepino em conserva inteiro do lado. Sou dessas: olho para os detalhes, para as coisas pequenas, para tudo que não é turístico num lugar.

Manhattan me diz "oi!"

Em Buenos Aires foi a mesma coisa. Fiquei lá 10 dias, o que é uma eternidade para um turista tradicional. Para mim, foi pouquíssimo. Eu fui me apegando à cidade, às nectarinas gigantes da quitanda da esquina, às empanadas de queijo e cebola do outro lado da rua, aos velhinhos, às roupas bonitas das moças, aos cães e gatos com livre acesso aos restaurantes.

Sim, fui a Palermo, ao Caminito, comprei bugigangas na calle Florida e visitei o túmulo da Evita. Mas lembro com carinho mesmo é de um bar em San Telmo no qual entramos a princípio por causa do nome interessante: Simón em su laberinto. Ficamos amigos das donas e do cachorro delas e descobrimos que lá funcionava um tango gay – homem com homem, mulher com mulher, até homem com mulher. Era chegar e dançar. Tudo tão natural, tão amigável e tão divertido que voltamos lá todos os dias até o fim da viagem.

Tango Queer


Não fui a nenhum show de tango tradicional, daqueles caros e cafonas. O do Simón era muito mais legal.

Pois é, ou dessas.