quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O bingo do cabelo cacheado

Confesso que a ideia não foi minha. Veio pelo twitter através das coleguinhas Rafa e Gizah, mas acho que toda mulher de cabelo cacheado já passou pelas mesmas coisas, tantas vezes e tão repetidamente que dá vontade de andar por aí com uma cartelinha riscando cada opinião idiota sobre nossos cachos que nós ouvimos por aí. Seguem alguns exemplos:

"E aí, quando você vai fazer a progressiva?"
"Quer bom que PELO MENOS sua raiz é lisa."
"Ai, cabelo cacheado dá taaaanto trabalho."
"Seu cabelo é cacheado mas é BOM, né?"
"Mas ele sempre foi enroladinho assim?"
"Assim como o seu ATÉ que é bonito, mas tipo Vanessa da Mata não dá."

Quero morrer quando topo com minhas aluninhas cacheadas de seis, sete anos ostentando aquele escovão. Minha mãe nunca alisou meu cabelo. Nunca. Minha primeira escova veio por vontade própria aos 20 anos e eu detestei, me olhava no espelho e não me reconhecia. Quando criança nunca ninguém me disse que meu cabelo não era legal, pelo contrário, e na adolescência eu morria de orgulho dos meus cachos escuros e compridos. Por que agora, adulta, eu deveria ter algum problema com eles?

E se eu não tenho problema nenhum com eles, por que os outros deveriam?

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Aventuras no baixo Augusta

Coleguinha Bruna me contou outro dia que foi a um bar cujo nome não direi mas que fica na Lapa. E o lugar queria fazer o hippie-roots na decoração, com uns bancos de madeira, balcão podrinho, iluminação deficiente, faltava só o chão de terra batida para nêgo se sentir no bar do sô Vicente em São João Batista da Canastra. Mas ao contrário do bar do sô Vicente, onde você pega sua própria cerveja, come porção de torresmo peludo e faz xixi na casa do dono, o lugar servia sushi e Stella Artois long neck. E quando você acha que não dá pra ficar mais hipster do que boteco roots que serve sushi, eis que ela me conta que a trilha sonora do lugar era jazz. Juro.

Lembrei desse lugar porque sábado fui parar em um do mesmo nível com agravante - fica na hipsterlândia, vulgo "Baixo Augusta". Também não vou dizer o nome para não correr o risco de galera vir aqui me xingar, mas só digo uma coisa: bar que só serve long neck. I rest my case. Deveria ter ido embora assim que olhei o cardápio, mas já viu, né? Já estava lá, sentada, com fome e com sede, ok, a gente toma duas, come qualquer coisa e vai para outro lugar. Pega que essa coisa de "toma só duas e vai para outro lugar" não existe na minha vida. Fiquei.

Não é uma questão de pobreza ou pão-durice (ok, é sim), mas vejam: eu gosto de beber. Eu gosto de beber cerveja. Eu gosto de beber muita cerveja e diante deste cenário não dá para sentar em um bar que só serve long neck sem deixar quase 100 reais na saída. E eu não estou podendo, coleguinhas. Decoração tipo "você está num filme do David Lynch", porções pretensiosas e serviço ruim, cheio de garçons descoladinhos que esqueciam meu pedido. Isso sem falar da desgraça de um Mojito com gengibre (Mojito é a coisa mais perfeita que já criaram em termos de drinks, pra quê cagar colocando gengibre?) e rum de quinta que me deu uma dor de cabeça daquelas que dá vontade de ir para a luz no dia seguinte. Fim de carreira. Tipo de lugar que desafia a essência tosca do baixo Augusta.

Da próxima vez vou ao Ibotirama, só digo isso.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Paternidade consciente

Dia desses professora chega me dizendo que está tendo problemas com uma aluna adolescente, que a menina não se interessa pela aula, se recusa a falar inglês, fica apática e não participa, enfim, SE COMPORTA COMO ADOLESCENTE. O nome da fofa? Dayanny Katherine (esse eu inventei para preservar a menina, mas é algo nesse nível).

Fui puxar a ficha de Day para ver notas do semestre anterior, reuniões com os pais, etc. E descubro que ela tem mais duas irmãs estudando na escola, Suellen Tathianny e Jéssika Emmanuelly (inventei também, mas eu não minto, senhores, é bem por aí).

Daí eu lhes pergunto, coleguinhas: pqp, o quê será que essa mãe fumou antes de batizar essas pobres coitadas? Um CD do Calcinha Preta? Bebeu um balde de creolina? Porque sinceramente, nem isso explica.

Não é a toa que Day anda rebelde. Dayanny Katherine eu me chamasse, fogo no carro dos meus pais eu já teria colocado.

Detesta criança não procria, gente. Pra quê castigar desse jeito depois que já nasceu?

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Não existe amor na fila dos frios


Aquela cena linda que todo mundo já conhece - casal com fome resolve passar no supermercado para garantir o lanche do fim de domingo. No Záffari. Do shopping Bourbon. Muita criança, muita família carregando algo que parece uma mudança mas é só a tralha dos filhos, muito velhinho, muita gente que não sabe o que está fazendo nem no planeta Terra, que dirá no Záffari do shopping Bourbon num domingo a noite.

Casal quer queijo. Pensa que há bandejinhas pré-fatiadas? Claro que não. Há uma fila quilométrica num balcão de frios pilotado por três atendentes que, tomando conta juntos de uma tartaruga, deixariam a bichinha fugir. E há muitas velhinhas.

As velhinhas da fila dos frios são um caso que merece estudo. Esta é, de longe, a parte preferida delas no mercado inteiro. Elas pedem quilos e quilos de frios estranhos (presunto e queijo é para os fracos), perguntam detalhes de cada uma das 13 marcas de salame e mandam o peito de peru voltar três vezes porque as fatias não estão na espessura certa. É quase um hobby para elas - algumas jogam tranca, outras infernizam atendentes na fiambreria do Záffari. As velhinhas compram tantos frios que fazem a gente se perguntar se por acaso estaríamos na iminência de um ataque nuclear e só elas foram avisadas. Por essas vocês já imaginam nosso desgosto ao dar de cara com uma fila digna de brinquedo da Disney cheia de senhoras.

Acontece que a fila dos frios não é composta apenas pelas velhinhas. Ela também atrai bastante aquele pessoal citado lá em cima que passa pela vida como se tivesse acabado de cair de um disco voador a caminho de Saturno. É justamente esse povo que chega no balcão após passar quase meia hora esperando e... não tem a menor ideia do que quer comprar. Você está lá atrás, morrendo de fome, cogitando abrir um polenguinho que está dando sopa quando vê o cidadão ali, olhando para a cara do atendente como se de lá pudesse surgir alguma inspiração divina que dissesse quais frios, afinal, ele deve comprar. Porque vejam, meia hora não é tempo suficiente diante do mundo maravilhoso dos salames, queijos gordos e lombinhos defumados que se apresenta diante do pobre incauto. E quando este, após minutos de seríssima ponderação, resolve quer vai levar o presunto, eis que o atendente põe tudo a perder: "Sadia ou Perdigão, senhor?" Nesse momento duas pessoas se matam na fila. Enquanto isso nós, que queremos só 200 gramas de queijo prato, somos obrigados a esperar até criar raízes ao lado de um gorgonzola gigante.

Sendo então essa sucursal do inferno já descrita, a fila dos frios não se contenta e nos apresenta outro tipo que testa nosso amor ao próximo - o cara-que-compra-frios-por-fatia. Vejam bem, coleguinhas - talvez eu até compreenda que você compre frios por fatia se for pobre ou morar sozinho. Não é este, obviamente, o caso do cara que pede 25 fatias de mussarela. Eu disse 25. Para aquele atendente que faz o Patrick do Bob Esponja parecer um ganhador do Nobel de Física. Vão imaginando o drama. Quando o segundo cara-que-compra-frios-por-fatia encosta no balcão o casal já cogita cometer suicídio à la Didi Mocó ou assassinar alguém. Ao invés disso, entretanto, segue aguardando não-tão-pacientemente-assim sua vez.



Não há amor possível na fila dos frios, coleguinhas.