terça-feira, 30 de junho de 2009

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Minha história com MJ

Em 1988, antes da globalização, da China dominar o mercado das cópias baratas e da galeria Pajé, a coisa mais legal do mundo era ir para o Paraguai e voltar abarratado de cacarecos - Ataris, walkmans, bonecas falantes, aparelhos de som, video cassetes e etc. Se você tivesse muita sorte, tinha uma tia morando nos Estados Unidos que vinha pra cá de vez em quando e trazia badulaques ainda melhores que os do Paraguai.
Eu, olha só, era uma dessas crianças "de sorte". Minha tia voltava todo natal com a mala cheia de tranqueiras para a sobrinhada, que não era pouca. Seis meninas, todas mais ou menos regulando nas idades - as mais velhas: eu, Mônica e Katu, com dez anos e nossas irmãs, Patrícia, Roberta e Vanessa, com oito ou nove. No ano anterior tínhamos ganhado Barbies americanas lindas, muito mais loiras e bem vestidas que as daqui. Passamos dezembro inteiro esperando a chegada da tia Vanda, loucas de curiosidade pelos presentes que viriam.
O natal chegou, fomos todos para Santos na casa da minha avó e nos reunimos na sala para a distribuição. Tia Vanda abriu a mala e foi tirando os pacotes - um a um, do mesmo tamanho, lembravam uma caixa de Barbie. Seria dessa vez o Bob, o namorado?
Não lembro quem foi a primeira a abrir, mas lembro exatamente do rosto de todas quando viram o conteúdo da caixa. Era um boneco do Michael Jackson. Para ser exata, seis bonecos do Michael Jackson:

O das sobrinhas mais velhas era o de óculos escuros, o das mais novas era o terceiro da esquerda pra direita. Com direito a microfone e luvinha prateada.
Dá pra imaginar a decepção? Seria como dar um boneco do Ronaldinho pra uma menina que está esperando uma Polly. Nessa foto não dá pra ter uma idéia real da feiúra do boneco mas eu garanto - era triste. Sorte que nesse mesmo ano eu ganhei uma bicicleta nova e minha irmã ganhou a confeitaria da moranguinho - o desastre não foi tão grande. O Michael? Ficou jogado no fundo do armário - nunca deixaríamos essa coisa pavorosa interagir com nossa Barbie Malibu.
Ontem, diante da notícia da morte de MJ me perguntei por onde andaria essa brilhante aberração. Deve ter sido doada há muito tempo. Pena. Bem conservada poderia fazer uma grana no Mercado Livre...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ABC

Uma professora do colégio estava contando ontem que a melhor amiga da filha dela se chama Wemilly, com som de U no começo. A professora do primeiro ano então começou a se queixar da trabalheira que dá ensinar os pequenos pré-alfabetizados a escrever esses nomes escabrosos. Por mim acho ótimo, já chegam todos ao segundo ano familiarizados com kk, ww e yy da língua inglesa, que aliás agora pertencem oficialmente ao nosso alfabeto também. Poupa trabalho meu de ensiná-los a fazer um k cursivo (dificílimo) ou diferenciar um w de dois uu.
Por coincidência hoje testemunhei a seguinte conversa entre o motorista e a cobradora do ônibus:
"Poxa, fulana, estou tão feliz, minha filhinha nasceu ontem!"
"Parabéns, fulano, como vai chamar?"
"Eu queria colocar Alice, mas minha mulher não gosta..."
"Olha, minhas três filhas se chamam Isabelly, Marianny e Tamires Gabrielly - todas com y!" (as letras dobradas são licença poética minha, mas alguém duvida que sejam?)
Concluí que na classe média baixa o K, W e Y já faziam parte do nosso alfabeto muito antes do acordo ortográfico. E temi pela pobre filha do motorista, que provavelmente não terá a chance de ter um nome decente. Ou então será Hallycy.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Escolinha do professor Raimundo

Conversa no fundão da quarta-série:

"Fulaninho é mó burro, nem sabe o que é ornitorrinco!"

Fulaninho (retrucando): "Claro que eu sei... É médico de ouvido!"



E só para que não pairem dúvidas, caríssimos, isto:





É um otorrino.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Uma questão delicada

Todo ano, nos meses mais quentes, os pais recebem bilhetes nas agendas alertando para a já habitual infestação de piolhos e pedindo que verifiquem as cabeças de seus petizes. Ninguém se ofende com isso já que a coisa mais normal do mundo, por mais limpinha que a criança seja, é que essas pestes apareçam em algumas cabecinhas uma vez por ano.
Entretanto, quando o segundo semestre se aproxima, um outro problema relativo a higiene se manifesta na quarta série, esse mais delicado: o cecê.
Sabemos que a quarta série marca o início da puberdade para algumas crianças - nos meninos principalmente , essa explosão de hormônios pode acarretar cheiros desagradáveis com os quais eles, até então, não estavam acostumados a lidar. O resultado disso é que, nessa época de frio em que provavelmente muitos meninos não tomam banho de manhã, o fedor na sala de aula atinge níveis preocupantes. E eles, incrivelmente, não percebem.
A questão é: como alertar os pais sobre isso sem causar constrangimento? Versinhos, talvez?

"Seu menino está crescendo
Para que ele fique bem galante
Mamãe, amanhã não esqueça
De passar desodorante."

Já disse e repito: e o adicional de insalubridade, cadê?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ei, Pânico, vá tomar no c...

Não é que eu não goste do "Pânico". Eu não suporto. Tenho asco, pavor, aversão. Quando eles começaram, nem sei há quanto tempo, eu ainda assistia com uma certa curiosidade de "tem uns caras engraçadinhos fazendo um negócio diferente na TV". Mas a coisa toda perdeu a graça tão rápido que eu, de verdade, não consigo entender com tem gente que ainda não percebeu.
Primeiro eu tenho um certo nojinho do elenco. Fora o Emílio, que me parece ser um cara asseado (apesar do gosto discutível pelas camisetas de tiozão), todos os outros pra mim têm cara de que tem cecê. Vai dizer que você, caro leitor, não vê o Bola e logo imagina as pizzas enormes debaixo do braço dele (eca)? Além disso há o indefectível ar de superioridade daquele pessoal, que ainda acredita que está revolucionando a televisão brasileira e a breguice descarada que eles imprimem naquelas camisetas vagabundas e na mulherada pelada (que não passam de uma versão bombada das moças que rebolavam maquiadas de tigre no João Inácio show da TV diário que eu pegava pela parabólica em mil novecentos e bolinha). Mas isso não é nada.
O que me mata mesmo no Pânico é o quanto eles tornam minha vida de professora um inferno. Porque hoje em dia é praticamente impossível fazer uma pergunta em sala de aula sem que um idiota qualquer resmungue ao fundo "Ronaldo" fazendo os outros 30 idiotas gargalharem histericamente. E não importa quantas vezes o idiota faça isso - os outros idiotas sempre acharão graça. Também não há meio de a quarta série permanecer 5 minutos no lugar sem que um mini babaca se levante e começe a fazer "peitinho" nos colegas, gerando uma reação em cadeia de "peitinhos" que só acaba ao sinal do intervalo. Sem falar nos que correm pela sala chutando mochilas e gritando a lá Amy Winehouse do Pânico.
Não é que eu não tenha senso de humor. Eu dou aula pra crianças e eu sei que é assim mesmo, que elas assimilam e repetem porcaria com um desenvoltura assustadora e blá blá blá. Mas pelamordedeus, uma piada que já não era assim tão boa repetida diariamente à exaustão vira uma arma de deflagração de mau humor em massa. Alguém precisa fazer esses caras pararem antes que alguma professora maluca resolva tomar uma atitude... Não que eu pretenda fazer isso, mas... professores do Brasil, fica a sugestão.

PRONTODESABAFEI.

domingo, 14 de junho de 2009

Matando o tempo

Todo mundo gosta de falar de si mesmo, então roubei este meme da Amanda. Já entenderam, né? Tem que responder as perguntas usando só imagens:

QUEM É VOCÊ?


O QUE TE FAZ SORRIR?


O QUE TE FAZ CHORAR?


SUA COR:



A MELHOR LEMBRANÇA:



MÚSICA É:


CHEIRO A:
SEU PECADO:


SUA VITÓRIA:

(opa, já pensou?)

SEU SONHO:

Confusa

Queridão tinha me contado essa história há algum tempo, mas ontem tive a oportunidade de conhecer a personagem principal pessoalmente.
Diz que a senhora em questão (senhora mesmo, passada dos 50, filhos crescidos, jeitão de professora aposentada) ostentava na sala de sua casa um quadro do Che Guevara. Pessoas entravam e saíam e estranhavam a imagem do argentino ali, na sala daquela senhora que provavelmente assistia à Palmirinha todos os dias para a notar as receitas.
Um dia, depois de muito tempo, alguém questionou que raios o Che Guevara estava fazendo ali ao que a senhora, laconicamente, respondeu: "Que Che Guevara o quê? É Jesus Cristo!"

Agora me digam se a senhora é ou não uma autêntica personagem do Luís Fernando Veríssimo...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Eu e o futebol

Vejam só vocês, caros leitores, que aos 30 anos de idade eu nunca tinha ido a um estádio de futebol. Seu Borges, meu pai, embora se declarasse São Paulino, sempre foi do tipo, digamos, mais contemplativo. Não era um sujeito que pegaria uma bandeira e se juntaria a outros sujeitos para xingar o juiz no Morumbi em pleno domingão. Imaginem então fazer isso levando as filhas pequenas. Melhor ir à feirinha do MASP.
A falta de entusiasmo paterno e completo desinteresse materno pelo futebol talvez tenham alguma coisa a ver com isso, mas a verdade é que o esporte nunca foi parte significativa da minha vida. No colégio, eu dizia ser São Paulina só pra me integrar, pois quem não gostava de futebol era um "cuzão".
Minha irmã se animava mais. Teve camisa oficial (formulários IBF - 1991) que usou até virar pano de chão, assistia aos jogos, acompanhava os campeonatos. Chorou pela Libertadores perdida nos pênaltis em 94. Quando finalmente foi ao Morumbi, que emoção, resolveu ser logo no fatídico São Paulo x São Caetano que foi encerrado com um jogador do São Caetano morto em campo. Traumatizou e jurou que nunca mais pisaria no estádio.
Eu pisei, anos depois, para ver a Madonna. Temendo que o pé frio fosse de família, minha irmã tratou de ponderar: "Vai que a tia morre..." A tia não morreu, o show foi um porre e eu não vi o gramado do Morumbi. Não valeu enquanto experiência futebolística, portanto.
Sábado passado, um frio do cão em São Paulo, fui ao Pacaembu ver o Curíntia com Queridão. Achei divertidíssimo. Você senta, come um monte de porcaria, bebe cerveja sem álcool sabor detergente (mas o vendedor garantiu que, qualquer coisa, descolava uma cuba), tem passe livre para gritar os palavrões mais cabeludos e, se der sorte, seu time até ganha o jogo. Na improvável eventualidade de eu ter um filho, pretendo levar o guri ao Pacaembu antes mesmo de ele entender o significado de "filho da p..."
Não há nada mais catártico que uma partida de futebo in loco.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Cara mamãe...

Eu juro que tento a todo custo evitar o discurso do "não sou pedagoga" na hora de justificar certas crenças que tenho quanto aos meus métodos de ensino, já que tal discurso da a impressão que estou "tirando o meu da reta" quando alguma coisa dá errado. Mas eu realmente não sou pedagoga e se hoje dou aulas para Ensino Fundamental I é porque a legislação permite que licenciados em Letras Inglês o façam, sendo que as outras professoras precisam, necessariamente de um diploma de Pedagogia.
Eu sinto que a tal pedagogia as vezes me faz falta. Mas entendo também que, com 50 minutos de aulas semanais há pouco que eu possa fazer para assumir uma responsabilidade maior na alfabetização dos pequenos. Não tendo formação na área, aliás, nem sei se deveria. O fato é que em reais 40 minutos (pois devo descontar os 10 que gasto fazendo a classe se acalmar ou pedindo aos alunos que voltem aos seus lugares, guardem as figurinhas e parem de atirar borrachas)eu preciso corrigir 30 apostilas (correção na lousa só para a quarta série), ler e responder recados nas agendas, cantar musiquinhas, revisar a aula anterior, passar a lição nova e conferir em 30 agendas se a lição de casa foi anotada. Sobra mesmo muito pouco ou nenhum tempo para me certificar de que os pequenos (principalmente a primeira série)estão escrevendo tudo direitinho. Principalmente porque o foco da aula de Inglês nos primeiros anos nem é a escrita. Considere-se ainda que os pequenos erram pouco, pois a pouca escrita que é feita ainda é muito baseada na cópia. Afinal, eles estão sendo alfabetizados.
Semana passada passei uma tarefa escrita para a primeira série. Dois dias depois recebo um recado da mãe avisando que a menina tinha escrito algo errado na tarefa e questionando a falta de correção. Educadamente respondi que as crianças tem aula de Inglês uma vez por semana e que portanto não tinha havido tempo para a correção que é sempre feita em sala. No dia da aula, pego a apostila da menina. Tudo certo. Dou visto bem grandão para a mãe ficar contente.
No dia seguinte a agenda volta com outro recado. O "erro" era uma letra D escrita ao contrário na palavra "and".
Eu entendo que na primeira série muitos pais ficam apreensivos e querem a todo custo participar ativamente da vida escolar das crianças. Apóio completamente tal comportamento, pois já cansei de dizer que pais relapsos são uma causa fortíssima de problemas na escola. Mas tem gente que exagera. Se eu pudesse teria respondido:
"Cara senhora mamãe da C...,
Sua filha é uma menininha fofa e muito inteligente que gosta bastante da aula de Inglês. Ela gosta desta aula principalmente porque não precisa fazer cópias imensas da lousa e passa a maior parte do tempo cantando, aprendendo palavras novas e associando significados. Ela só tem sete anos e até o fim desta série provavelmente escreverá algumas letras ao contrário, pois isso faz parte do processo de alfabetização. Se eu, como professora de Inglês, não dei a devida atenção ao D ao contrário foi porque o mesmo realmente não merecia tal atenção já que sua filha fez a tarefa com tanta alegria e capricho e ainda por cima acertou todo o conteúdo. Agora a senhora por favor vá arrumar uma pilha de roupa para passar e dê um pouco de crédito à professora polivalente, que é quem está mais habilitada a alfabetizar sua menina.
Grata,
Tia Paula"

Obviamente não pude responder isso. Tive que pedir desculpas e garantir que prestaria mais atenção da próxima vez. E ai das próximas letras ao contrário que cruzarem meu caminho. Caneta vermelha nelas.

Bobagens linguísticas

De saco cheio dos óculos, ontem telefonei para a central de atendimento do meu plano de saúde atrás de informações sobre a cobertura da cirurgia de miopia. O atendente, muito simpático, lá pelas tantas me pergunta: "Qual seria o seu 'degrau' de miopia, senhora?" Precisei de cinco segundos para digerir a informação e responder, juro, sem rir: "sete."
A verdade é que as pessoas confundem as coisas. Muito. O tempo todo. Ou então falam de um jeito que simplesmente cria uma nova língua. Uma aluna minha sempre me contava de uma empregada que ela teve e cuja especialidade na cozinha era o delicioso "musgo de pesgo". Claro que ao ouvir isso pela primeira vez, conta minha aluna que quase sugeriu à família que fosse almoçar na churrascaria. Com um pouco de boa vontade, entretanto, descobriu que tratava-se de um singelo e bem gostoso "musse de pêssego."

Eu mesma já tive a seguinte conversa com um pedreiro:
"Dona Paula, diz pro seu Roberto que ele precisa comprar uma vavaída."
"Uma o que, Gilberto?"
"Uma vavaída, dona Paula."
"Vavaída?"
"É, pro banheiro!"
Um certo esforço linguístico me trouxe a luz. O Gilberto precisava de uma válvula hidra.
Estrangeiros também padecem. Uma outra amiga minha conta que a avó, francesa, falava bem o Português mas de vez em quando confundia as coisas, principalmente expressões idiomáticas. Um dia, impaciente com certos acontecimentos na família, a velhinha murmurou, desanimada: "Ai, ai, ai, Marina, em que galho eu fui amarrar o meu macaco?".
Termino com a história de um professor meu, americano, que tinha uma certa dificuldade em diferenciar "aumentar", "crescer" e "levantar". Tal dificuldade gerava frases esdrúxulas do tipo: "Quem quer falar aumenta o braço" ou "O número de pesquisas na área levantou bastante nos últimos anos." Posso imaginar mais uma dúzia de situações nas quais esse problema pode ter criado frases bem constrangedoras.
E você, caro leitor? Qual foi a última bobagem linguística que atingiu seus calejados ouvidos?