sexta-feira, 5 de junho de 2009

Bobagens linguísticas

De saco cheio dos óculos, ontem telefonei para a central de atendimento do meu plano de saúde atrás de informações sobre a cobertura da cirurgia de miopia. O atendente, muito simpático, lá pelas tantas me pergunta: "Qual seria o seu 'degrau' de miopia, senhora?" Precisei de cinco segundos para digerir a informação e responder, juro, sem rir: "sete."
A verdade é que as pessoas confundem as coisas. Muito. O tempo todo. Ou então falam de um jeito que simplesmente cria uma nova língua. Uma aluna minha sempre me contava de uma empregada que ela teve e cuja especialidade na cozinha era o delicioso "musgo de pesgo". Claro que ao ouvir isso pela primeira vez, conta minha aluna que quase sugeriu à família que fosse almoçar na churrascaria. Com um pouco de boa vontade, entretanto, descobriu que tratava-se de um singelo e bem gostoso "musse de pêssego."

Eu mesma já tive a seguinte conversa com um pedreiro:
"Dona Paula, diz pro seu Roberto que ele precisa comprar uma vavaída."
"Uma o que, Gilberto?"
"Uma vavaída, dona Paula."
"Vavaída?"
"É, pro banheiro!"
Um certo esforço linguístico me trouxe a luz. O Gilberto precisava de uma válvula hidra.
Estrangeiros também padecem. Uma outra amiga minha conta que a avó, francesa, falava bem o Português mas de vez em quando confundia as coisas, principalmente expressões idiomáticas. Um dia, impaciente com certos acontecimentos na família, a velhinha murmurou, desanimada: "Ai, ai, ai, Marina, em que galho eu fui amarrar o meu macaco?".
Termino com a história de um professor meu, americano, que tinha uma certa dificuldade em diferenciar "aumentar", "crescer" e "levantar". Tal dificuldade gerava frases esdrúxulas do tipo: "Quem quer falar aumenta o braço" ou "O número de pesquisas na área levantou bastante nos últimos anos." Posso imaginar mais uma dúzia de situações nas quais esse problema pode ter criado frases bem constrangedoras.
E você, caro leitor? Qual foi a última bobagem linguística que atingiu seus calejados ouvidos?

6 comentários:

  1. HAHAHAHAHA!!! A história da vavaída é clássica!

    Sem dúvida, o gerundismo me embrulha as vísceras. "Queria estar confirmando", "Vou estar transferindo", "Não posso estar lhe informando", sempre acompanhado do famoso "senhora" em tom de nariz entupido. Juropordeus que já desisti da humanidade nesse sentido.

    ResponderExcluir
  2. Adorei a "vavaída". Essa eu nunca tinha ouvido.
    O que eu mais ouço é pedreiro pedindo pra comprar mais "broco".

    ResponderExcluir
  3. "Você viu, Paula? Fulano veio de "cano" na minha festa!!" Cano = Bico. Isso partiu de um ser muitissimo inteligente, porém desligaaaaaaaaada...........

    ResponderExcluir
  4. Minha falecida avó, ao pedir pro meu pai uma lavadora "mulher" e com um pouco de esforço, descobrimos ser a "Müller". Um cartaz numa loja anunciando "linha primiere de sobrimesa". Chamarem a gripe aviária de gripe aérea, e assim vai...

    ResponderExcluir
  5. "vavaída" foi ótimo.

    Uns anos atrás eu conheci um chinês no DA da faculdade, e ele gostava de ler jornal pra aprender melhor o idioma e sempre q tinha dúvidas perguntava. Uma noite viu uma matéria sobre colheita e me perguntou o que era "madura". Eu expliquei que no caso de fruta, era aquela q estava boa pra comer.

    Na mesma noite ele começou a falar de um prato típico de lá, o "Pato Pequim". Aí soltou um "quando o pato tá maduro...".

    ResponderExcluir
  6. O meu pedreiro na lista de material para a reforma do telhado, disse carbim de invés de caibro. E eu tentando imaginar que troço era isso...

    ResponderExcluir