quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Minha FFLCH querida

Sou uma cria da Faculdade de Letras da USP, como negar? Guardo meus manuais de linguística como se valessem uma mega-sena acumulada e ando por aí com uma camiseta que ostenta "New York City" em caracteres fonéticos. Apesar de ter passado meus cinco anos lá reclamando, de vez em quando sinto falta de um ou outro professor, das tardes passadas no Centro Poliesportivo, das festinhas em outros blocos de sexta a noite, da imensidão da biblioteca. Mas uma visitinha à faculdade na terça feira a noite me fez lembrar de tudo que NÃO me faz a menor falta na querida FFLCH:

- Os gordinhos histéricos afeminados gritando nos corredores.
- O café expresso nojento da lanchonete.
- Os hippies espalhados por todos os cantos (os que fumavam maconha entre as árvores perto do prédio das Sociais, principalmente).
- As filas eternas no xerox.
- As centenas de calouros perdidos atravancando os corredores todo começo de ano.
- A completa falta de sentido do Sistema Júpiter (que controlava nossas matrículas, trancamentos, notas e etc...).
- O sofá sujo e lotado do centro acadêmico.
- As perguntas sem sentido do povo que se achava espertão só porque leu 40 páginas do "Ulysses", do James Joyce.
- As "professorinhas" com camiseta do Smilinguido.
- Por fim, a certeza de que Renato Russo compôs o verso "festa estranha com gente esquisita" numa "ManiFesta" de sexta a noite da Letras USP.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Cineminha de domingo

Em Amor sem escalas (Ew! para o nome em português. Ew, ew, ew) George Clooney é um executivo que viaja pelos Estados Unidos com um único propósito: demitir pessoas no lugar de chefes que não tem coragem de fazê-lo. Ele gosta bastante dessa vida nômade e tem verdadeiro pavor de voltar para casa. Inclusive dá palestras sobre desapego nas horas vagas. Tentando evitar spoilers o máximo possível, o filme se desenrola e entre um ou outro diálogo divertido acaba se transformando naquele velho clichê do "todo mundo precisa de um par" (ou um co-piloto, como eles dizem) e "não há lugar como a sua casa". George Clooney, coitado, deixa de ser um cara que curte sua vida e vira um sujeito amargurado porque não consegue cumprir a "função primordial do ser humano" que é se juntar e procriar.

Jason Reitman, você dirigiu The Office e Obrigado por fumar. Esperava mais de você, beijos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Reality bites

Certa vez li uma reportagem sobre saúde mental que listava atitudes que poderiam colaborar para manter o cérebro funcionando direitinho. Uma delas era assistir novela. Segundo o estudo, novelas criam nas pessoas redes de contato imaginárias (com os personagens) que, assim como as reais, são importantes para garantir uma mente em boas condições. Em outras palavras, quem acompanha novelas ganha amigos de mentirinha, que para nosso cérebro cumprem o mesmo papel que os de verdade.

Eu concordo. Quantas vezes não me peguei falando da Lorelai e da Rory (Gilmore Girls, mais alguém era viciado?) como se elas fossem minhas vizinhas ("não acredito que você fez isso, Lorelai, sua imbecil!")? Acredito que todo mundo já fez isso em maior ou menor escala. Mas, de verdade, ler os comentários deste site me fez achar que tem gente levando isso longe demais.


Medo. Muito medo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Sobre livros

Para alguém que ama livros eu mantenho uma atitude bem peculiar com os meus. Não me apego a eles (com exceção, obviamente, das obras completas do Lewis Carroll na linda capa dura amarela). Gosto de emprestá-los, ou melhor, faço questão de emprestá-los de coração tão aberto que não me importo que eles não voltem, desde que façam tanta diferença para quem os levou quanto fizeram pra mim. Perdi a conta de quantos livros eu vi desaparecer das minhas prateleiras, mas como tudo é questão de reciprocidade no universo os volumes que se foram nunca deixaram um espaço vazio - foram sempre preenchidos por outros, surgidos misteriosamente, emprestados por alguém que nunca os pediu de volta. Porque se você me emprestar um livro terá que pedi-lo de volta e eu o devolverei sem mágoa nenhuma. Mas ninguém nunca me pediu.

Se eu gosto de um livro quero compartilhá-lo. Preciso fazê-lo. Da minha estante já se foram, para nunca mais voltar, "Jangada de Pedra" e "Todos os nomes", do Saramago, "O Senhor das moscas", "Espere a primavera, Bandini", "O mundo de Sofia", "O apanhador no campo de centeio", "Por quem os sinos dobram", "O túnel", "Demian" e tantos outros. Não tenho a menor idéia de quem os tem agora, mas não importa. O que importa é que outra pessoa deve ter gostado tanto deles quanto eu, mas um retorno positivo é sempre bem-vindo.

Como hoje de manhã, quando uma pessoa muito querida me escreveu um e-mail todo delicado me agradecendo depois de terminar de ler "A menina que roubava livros". Este livro não foi exatamente compartilhado, mantive meu exemplar (que também me fora dado por um amigo querido) e comprei um novo para presentear no natal.

É pra isso que servem os livros. Para dividir alegria, para deixar um dia meio morto com uma carinha mais saudável. E só custou um muito obrigado.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Enquanto isso, na quinta série..

"Pssst, fulaninho, você é idota ou quer dois reais?"

"Quero dois reais."

"Então você é idiota, porque eu não vou te da-ar."