terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sobre livros emprestados

A coleguinha Bruna propôs no Facebook que listássemos os livros que emprestamos a alguém e que nunca nos devolveram. Eu jamais conseguiria fazer esta lista por motivos de: sou uma emprestadora compulsiva de livros. Sou daquelas que, no meio de uma conversa, solto um "Você já leu livro tal? Não? Você vai adorar, quer emprestado?" E se ele não voltar mais pra mim é porque nunca me pertenceu, risos.

Eu tenho prazer em dividir histórias boas com as pessoas. Livros são pra isso, para ser compartilhados. Há toda uma satisfação em ouvir minha mãe dizendo o quanto tinha gostado de 1933 foi um ano ruim ou receber um e-mail fofo do meu sogro me contando que tinha se identificado muito com A menina que roubava livros. Tenho uma lista interminável de livros que não tenho a menor ideia de onde estão - espero que tenham sido passados pra frente, daí sim a missão deles seria mais que cumprida.

Acabei de dar minha trilogia Divergente para a secretária da escola. Tinha emprestado o primeiro e quando ela me pediu o segundo já levei logo o terceiro e deixei com ela definitivamente. Vou ler de novo? Não vou. Vão ficar lá juntando poeira. Que outros leiam então.

O diário de um cucaracha, do Henfil, um dos meus livros mais adorados na pré-adolescência, foi um livro "roubado." Era da minha tia, meu pai pegou emprestado e nunca devolveu. Eu e minha irmã escondíamos o livro toda vez que a tia ia nos visitar, de medo que ela resolvesse pegá-lo de volta. Ela nunca pegou. Meu pai e minha tia já partiram e, vejam vocês: um livro emprestado/roubado é uma das lembranças mais doces que eu tenho dos dois.

Emprestem seus livros, amiguinhos. Vocês não imaginam a felicidade que isso proporciona. Para todo mundo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Enquanto isso na firma...

Divulgadora entra na minha sala dizendo que tem um cliente que quer porque quer falar com um professor, porque só o professor vai poder tirar as dúvidas dele com relação ao curso e piriri pororó.

Chamo o cara na minha sala.

A conversa começa naquela maravilha, cidadão não me deixa dizer nada e já vai confundindo professor de inglês com milagreiro:

"Eu nunca estudei inglês mas eu não quero saber de gramática, eu quero é logo conversação."
"Eu vou para a Itália daqui a dois meses, eu preciso estar falando inglês até lá."
"O inglês que vocês ensinam é britânico ou americano? Porque o britânico é mais correto, né?"

Enquanto eu tento responder alguma coisa ele saca o celular com uma mensagem em inglês e enfia na minha cara:

"Eu recebi esse e-mail de um alemão ontem, você pode me ajudar a responder?"

E eu achando que não conseguiria mais me surpreender com os clientes, sério.


sábado, 20 de setembro de 2014

Causos corporativos

As decorações de Halloween estão se acumulando na minha sala. Assistente pergunta se pode guardá-las ou se a gente já vai começar a decorar a escola. Respondo que vou fazer a decoração sexta-feira que vem.

Sexta-feira minha assistente não trabalha por motivos de: tem nada pra fazer nessa escola.

"Então sexta-feira eu venho pra te ajudar?"

"Não precisa fulana, sexta é um dia bem tranquilo, eu consigo fazer isso só com as secretárias..."

"NOOOOOOSSA, já entendi, você não precisa da minha ajuda pra nada."

Na verdade pra fazer decoração de Halloween eu não preciso mesmo porque ela tem um gosto péssimo, é mega atrapalhada e sempre tenta fazer tudo da maneira mais complicada possível, mas a questão não é essa. A questão é que eu não vou faze-la sair de casa num dia que ela não tem que estar aqui para pendurar morcegos no teto. Respiro fundo e tento explicar:

"Não é isso, fulana, é que sexta-feira não é seu dia de estar aqui, não tem aluno, não tem necessi..."

"Ai, nossa, você não entendeu, eu estava só brincando com você! Hahahahahahaha!"

Ser absolutamente insuportável é motivo pra demissão? Não? Cês juram?

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O que eu aprendi com o Masterchef

Eu não sei se já disse isso por aqui, mas eu sou viciada em programas de culinária. Qualquer um. Tem uma pessoa atrás de um balcão ensinando a fazer ravióli, bingo, eu tô assistindo. E melhor que um programa de culinária só mesmo se o juntarmos com a segunda melhor coisa que a televisão recente já produziu: reality shows.

É óbvio então que eu estava dando pulinhos e fazendo contagem regressiva para a estreia do Masterchef Brasil. Pra quem não tem a menor ideia do que eu estou falando, é tipo um "Ídolos" de cozinheiros amadores. Os caras vão passando por provas, fazendo pratos e sendo avaliados por chefs que não tem o menor pudor em esculachar as gororobas que são obrigados a provar. É lindo.

Eu amo tanto reality shows de culinária e já assisti a tantos na minha vida (Top Chef, que é feito com profissionais há 11 temporadas, Masterchef Estados Unidos, Masterchef Austrália, Mastechef Reino Unido, Masterchef Júnior, Desafio dos Confeiteiros, The taste etc etc etc) que eu deveria ser contratada para dar consultoria pra essa galera do Masterchef Brasil. Eu não sei cozinhar, faço o basicão mas gente. Se eu fosse os jurados tinha resetado e mandado todo mundo pra casa, porque esses 16 selecionados são apenas ruins demais. O cara faz um baião de dois, que é tipo minha comida preferida da vida e ao invés de queijo coalho coloca um queijo nojento curtido no vinho. Porque vinho e baião de dois: tudo a ver. E ELE PASSOU! Gordon Ramsay chora.



Ontem o desafio foi comida de boteco. Teve vinagrete de polvo, abobrinha recheada, arroz com ovo, x-tudo no pão francês, churros. Queria saber que botecos essa galera anda frequentando que é pra eu não ir lá de jeito nenhum porque né? Porra gente, frita um pastel! Para de passar vergonha!



A situação está tão caótica que o programa deveria ser patrocinado pelo Eno, não pela 51. Por isso hoje eu vim aqui humildemente oferecer meus conhecimentos adquiridos em anos de reality shows para ajudar os jurados do programa que, coitados, estão passando bem mal.

1) Não faça risoto.

Risoto é prático, versátil e todo mundo gosta. Por que não?
Porque vai dar merda. É estatístico, 90% dos participantes que fizeram risoto foram eliminados. Risoto é um negócio amaldiçoado, do capeta, que vai desandar propositalmente só pra foder a vida do incauto que tentar se safar com ele. Repito, não faça risoto.



2) Se está no prato é para ser comido. 

Nada de guarda-chuvinhas, borboletinhas, rosinhas de tomate, casca de abacaxi enroladinha em cima do musse. Botou no prato, é pra comer. Se só serve pra enfeitar, vai servir também pra levar cagada dos jurados.



3) Se você fez uma coisa parecida com tal negócio, não diga que é o negócio.

"Ain, eu fiz um purê de batata, só que com inhame."
ENTÃO NÃO CHAMA DE PURÊ DE BATATA, CÁSPITA! Os jurados vão esperar que seja, vão ficar putos quando descobrirem que não é e você será eliminado.


4) Na dúvida, faça vieiras.

Eu nunca comi vieiras, tenho a menor ideia de que gosto elas tem, mas uma coisa é certa: ninguém jamais será eliminado por causa de vieiras


5) Se entre os dois piores ficar uma sobremesa, a sobremesa sai.

A regra é clara: não faça sobremesa.


Adendo: Namorado, que é tão viciado nestes programas quanto eu, me lembrou ontem de mais uma regra.

6) Se o negócio deu errado, sirva assim mesmo e nunca diga "eu queria ter feito x, mas saiu y"

"Era essa bosta mesmo que eu queria servir, chefe."

Afinal de contas, diz a lenda que o petit gateau surgiu da cagada de um cozinheiro. Nunca se sabe.