quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O que eu aprendi com o Masterchef

Eu não sei se já disse isso por aqui, mas eu sou viciada em programas de culinária. Qualquer um. Tem uma pessoa atrás de um balcão ensinando a fazer ravióli, bingo, eu tô assistindo. E melhor que um programa de culinária só mesmo se o juntarmos com a segunda melhor coisa que a televisão recente já produziu: reality shows.

É óbvio então que eu estava dando pulinhos e fazendo contagem regressiva para a estreia do Masterchef Brasil. Pra quem não tem a menor ideia do que eu estou falando, é tipo um "Ídolos" de cozinheiros amadores. Os caras vão passando por provas, fazendo pratos e sendo avaliados por chefs que não tem o menor pudor em esculachar as gororobas que são obrigados a provar. É lindo.

Eu amo tanto reality shows de culinária e já assisti a tantos na minha vida (Top Chef, que é feito com profissionais há 11 temporadas, Masterchef Estados Unidos, Masterchef Austrália, Mastechef Reino Unido, Masterchef Júnior, Desafio dos Confeiteiros, The taste etc etc etc) que eu deveria ser contratada para dar consultoria pra essa galera do Masterchef Brasil. Eu não sei cozinhar, faço o basicão mas gente. Se eu fosse os jurados tinha resetado e mandado todo mundo pra casa, porque esses 16 selecionados são apenas ruins demais. O cara faz um baião de dois, que é tipo minha comida preferida da vida e ao invés de queijo coalho coloca um queijo nojento curtido no vinho. Porque vinho e baião de dois: tudo a ver. E ELE PASSOU! Gordon Ramsay chora.



Ontem o desafio foi comida de boteco. Teve vinagrete de polvo, abobrinha recheada, arroz com ovo, x-tudo no pão francês, churros. Queria saber que botecos essa galera anda frequentando que é pra eu não ir lá de jeito nenhum porque né? Porra gente, frita um pastel! Para de passar vergonha!



A situação está tão caótica que o programa deveria ser patrocinado pelo Eno, não pela 51. Por isso hoje eu vim aqui humildemente oferecer meus conhecimentos adquiridos em anos de reality shows para ajudar os jurados do programa que, coitados, estão passando bem mal.

1) Não faça risoto.

Risoto é prático, versátil e todo mundo gosta. Por que não?
Porque vai dar merda. É estatístico, 90% dos participantes que fizeram risoto foram eliminados. Risoto é um negócio amaldiçoado, do capeta, que vai desandar propositalmente só pra foder a vida do incauto que tentar se safar com ele. Repito, não faça risoto.



2) Se está no prato é para ser comido. 

Nada de guarda-chuvinhas, borboletinhas, rosinhas de tomate, casca de abacaxi enroladinha em cima do musse. Botou no prato, é pra comer. Se só serve pra enfeitar, vai servir também pra levar cagada dos jurados.



3) Se você fez uma coisa parecida com tal negócio, não diga que é o negócio.

"Ain, eu fiz um purê de batata, só que com inhame."
ENTÃO NÃO CHAMA DE PURÊ DE BATATA, CÁSPITA! Os jurados vão esperar que seja, vão ficar putos quando descobrirem que não é e você será eliminado.


4) Na dúvida, faça vieiras.

Eu nunca comi vieiras, tenho a menor ideia de que gosto elas tem, mas uma coisa é certa: ninguém jamais será eliminado por causa de vieiras


5) Se entre os dois piores ficar uma sobremesa, a sobremesa sai.

A regra é clara: não faça sobremesa.


Adendo: Namorado, que é tão viciado nestes programas quanto eu, me lembrou ontem de mais uma regra.

6) Se o negócio deu errado, sirva assim mesmo e nunca diga "eu queria ter feito x, mas saiu y"

"Era essa bosta mesmo que eu queria servir, chefe."

Afinal de contas, diz a lenda que o petit gateau surgiu da cagada de um cozinheiro. Nunca se sabe.

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