sexta-feira, 26 de abril de 2013

Papo profundo

Porque eu e namorado somos pessoas que discutem assuntos profundos e relevantes para a sociedade. Apenas para ilustrar, compartilho nosso diálogo de ontem.

Namorado está de férias nos Estados Unidos e ontem estava em Las Vegas.

"Hoje eu fui visitar a loja do Trato Feito."

"E aí, foi legal?"

"Ah, hoje em dia é mais uma loja de lembranças do programa do que qualquer coisa. E pra variar a brasileirada gritando, putos porque os caras do programa não estavam lá."

"Aff, mas é lógico que os caras não ficam lá, ou você acha que a Honey Boo Boo ainda mora naquela casa tosca do lado da linha do trem?"

Somos cultos, lidem com isso.


Finesse ~risos~

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O inferno dos perdedores de livros emprestados

Aos que me conhecem pessoalmente ou virtualmente, vou logo avisando: eu não sou essa pessoa engraçada e agradável que aparento ser. Eu não sou uma cidadã respeitável. Eu não deveria estar solta por aí interagindo com outros seres humanos.

Eu perco livros.

Eu perco livros que não são meus.

Sim, caríssimos, vocês entenderam. Eu perco livros emprestados, sou ou não sou um perigo para a sociedade?

Começamos a história no banheiro masculino de uma lanchonete não muito católica na esquina da Consolação com a Paulista. O feminino estava sendo utilizado, pela demora era tóxico, eu estava apertada e com pressa, blábláblá. Já no ônibus em direção ao trabalho, me dou conta: o livro!

(Pausa para contar a história do empréstimo porque é boa. Um rapaz que trabalha comigo ganhou o exemplar de uma moça pela qual ele anda interessado. O caso é que o livro é em inglês, língua que ele não domina e ficou com vergonha de dizer isso a ela. Pediu para que eu lesse e contasse a história pra ele, e não querendo ser eu aquela que vai atrapalhar uma história de amor, topei.)

Pois o livro ficou no banheiro masculino de uma lanchonete não muito católica na esquina da Consolação com a Paulista. Eu não podia voltar para pegar pois estava atrasada - fui no caminho pesquisando o bendito em livrarias e sebos virtuais - nadica de nada. Fui no street view achar o telefone do lugar na fachada do mesmo - não havia. Joguei o nome no google - telefone desligado. Eu estava condenada a arder no inferno daqueles que perdem livros emprestados (que segundo um colega seria "um lugar em q vês todos teus livros favoritos, mas antes de alcançá-los, teus inimigos os rasgarão e rirão perante a ti, arremessando-os em seguida numa gigante fornalha"mas resolvi tentar a sorte e voltar lá depois da aula - vai que.

"Moço, eu esqueci um livro aqui hoje de manhã..."

Moço do caixa abre um sorrisão e puxa a lombada de capa roxa de alguma gaveta: "Mas logo no banheiro masculino, gata?"

Dou aquele sorriso amarelo que diz "longa história" e ele continua:

"Sorte sua que fui que entrei logo depois e eu gosto muito de livros, viu? Tava cuidando bem desse aqui, pena que eu não sei inglês."

Me entregou: "Que bom que você voltou pra buscar."

Estou salva. Desse inferno pelo menos, graças ao caixa da lanchonete não muito católica na esquina da Consolação com a Paulista que gosta de livros.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Não sei, me deu vontade de dizer isso.

Eu já fui aquela moça que julga outras moças pela maneira como elas se vestem, pelas escolhas que elas fazem com relação aos seus corpos, pelo jeito como elas decidiram exercer sua sexualidade.

Mas um dia eu percebi que eu também era julgada. Pelo meu cabelo curto, pelas minhas cervejas no fim de tarde, pelos palavrões soltos aqui e ali. Porque ter cabelo curto, beber cerveja e falar palavrão talvez não sejam coisas de ~menina~

E perceber isso me libertou. Me ajudou a me aceitar, a resgatar uma autoestima jogada na lama por anos de comparações e julgamentos injustos. Me ajudou a entender que a menina da saia curta talvez apenas se sinta bonita e feliz daquele jeito como eu me sinto com meus óculos enormes e meus lenços na cabeça. E que eu sou bonita assim. E que todas são bonitas em suas várias cores, tamanhos e comprimentos de roupa. E que a menina que beija e dá pra quantos quer pode estar apenas sendo livre e não tentando compensar alguma coisa.

Porque não julgar não melhora apenas sua relação com o mundo. Melhora sua relação com você mesma.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Huge ego, sorry.

Acho que todo mundo já deve ter tido o desprazer de cruzar, no Facebook, com aquelas imagens do House com frases pau-no-cu pride tipo "eu não sou antipático, só não consigo fingir que amo todo mundo". Eu gostaria que todo mundo que postas essas coisas lesse esse texto. Se vocês estiverema fim de se indispor com os cálega podem colar o link do post nos comentários do próximo que colocar isso na sua timeline.

Eu curto muito o House, sabem? Mas o dotô me parece estar bem longe de ser um exemplo de felicidade e saúde mental, isso sem mencionar o fato de que ele é um personagem fictício. Porque na vida real um doutor House, por mais genial que fosse, não duraria um mês. O mesmo povo que posta essas imagens se orgulhando de ser imbecil não sobreviveria uma semana ao lado dele, já que a turminha do movimento "falo na cara" é a primeira que se ofende e faz "mimimi você é grosso" quando leva coice de seus pares.

Ser mal-educado não é legal. Se orgulhar de não dar bom dia pro porteiro porque "não é obrigado" só atesta o quanto você é idiota. Sinceridade e agressão gratuita são coisas completamente diferentes. Mau-humor faz parte da vida mas gente esperta se recolhe e fica na sua ao invés de usá-lo para justificar patadas. Ser querido é bom. De verdade.

E o Hugh Laurie, que é um lindo, provavelmente concordaria comigo.


Cês tem alguma dúvida disso?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Constrangimento pouco é bobagem


Outro dia teve palestra da ~firma~ com o tema "gestão de pessoas". Como agora sou coordenadora achei que de repente seria uma oportunidade de aprender alguma coisa diferente da minha área, sei lá. Me inscrevi.

Eu estava enganada.

Eu estava muito enganada.

Eu estava absurdamente enganada.

Eu estava tão enganada que olha, faltam advérbios.

Nem vou mencionar todo o clichê corporativo-motivacional-liderança-proatividade-pensar-fora-da-caixa e blábláblá porque essa foi a parte boa em comparação ao que veio depois.

No final o palestrante nos fez formar um trenzinho e massagear as costas da pessoa da frente enquanto a pessoa de trás massageava as nossas.

Um.trenzinho.de.massagem.





Nem quando eu jantei no meio de um show de strip em Buenos Aires rolou tanto constrangimento.

Foi isso gente, só queria desabafar.