sábado, 21 de abril de 2012

Gente fina, elegante e sincera

Essa é mais uma daquelas histórias nas quais eu posso contar o milagre mas não posso contar o santo. Entendam, eu PRECISO compartilhar isso com vocês.

Mãe de um amigo tem uma empresa que fornece serviços de segurança para condomínios. Dia desses a síndica de um desses condomínios, composto por apartamentos de cerca de um milhão de reais, chamou a mãe do meu amigo para uma reunião. Chegando lá, a dona da empresa encontra a síndica e uma moradora. A moradora começa:

"Sabe o que é, dona fulana, tem acontecido uma coisa muito desagradável por aqui e acho que a segurança tem que tomar providências."

"Pois não, dona moradora, o que houve?"

"É que é a terceira vez essa semana que minha filha encontra pelos de saco pubianos masculinos na maçaneta do carro dela!"

Pausa para imaginar o esforço sobre-humano da empresária para manter a seriedade diante de tal notícia.

Inicia-se então um C.S.I. condomínio. Mão do meu amigo leva para casa um saquinho com as provas do crime esperando que os três filhos homens possam confirmar que se tratavam mesmo do que a moradora diz que se tratavam. Filhos, possivelmente mortos pelo constrangimento, não conseguem emitir um parecer definitivo sobre a origem dos pelos.

Pergunta daqui, pergunta dali, descobre-se então que a vítima, moça nova, bonita e chegada em roupinhas agarradas, andava dando em cima do marido da vizinha. A mesma vizinha, inclusive, já tinha deixado claro quem mandava na área apagando um cigarro na cara da periguete. E agora os pelos na maçaneta.

Apartamentos de um milhão de reais, minha gente. Só digo isso.


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Sobre mudanças

Eu sempre mudei muito. De escola, de casa, de cidade, de cabelo, de casa de novo, de cidade de novo, de casa, de cabelo, de trabalho.

E eu detestava essas mudanças. Tinha pavor. Sendo essa pessoa mega-ultra-blaster sociável que alguns de vocês tem a sorte (cof, cof) de conhecer pessoalmente, vão imaginando o problema. Numa dessas mudanças, mais precisamente a de 2004, de São Paulo para Sorocaba, eu chorava sozinha ouvindo Life for Rent da Dido e fazendo aquele drama gostoso tipo eu-vou-perder-todos-os-meus-amigos-de-São-Paulo-e-vou-morrer-de-tédio-nessa-cidade-onde-sinal-de-status-é-parcelar-bolsa-da-Victor-Hugo (Sorocabanos, vocês são lindos, mas tô mentindo?).

Mas aconteceu o seguinte - eu fui me adaptando. Oito anos e muitas outras mudanças depois, me conformei que elas são parte desse pacote chamado "existência" e elas não me assustam mais, nem um pouco. Pelo contrário. Eu as abraço, até as procuro e as recebo com um sorriso - elas são um sinal de que a vida segue.

Adendo: faltou dizer que, com a mudança para Sorocaba, eu não só não perdi meus amigos de São Paulo como ganhei uma amiga queridíssima e para a vida inteira, a Carlota. Prova de que mudanças, por mais assustadoras que pareçam, sempre podem trazer algo de bom. As vezes algo de muito bom.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Por uma vida mais interessante

Daí ontem eu estava assistindo ao programa do Datena (estou sem tv a cabo, me julguem). Mas nem era o programa do Datena aquele, que a avós adoram, é outro. É um tipo game show, de perguntas e respostas e gente, eu sou viciada nessas coisas a ponto de ter participado daquele do Roberto Justus (100 contra 1, se não me engano). Me julguem de novo. E voltei pobre daquela merda porque eu não sabia o nome do Dunga (você aí, sem jogar no google, sabe?).

Enfim, estava assistindo ao programa do Datena. E uma das meninas que estava lá respondendo perguntas era o tipo hipster-geek-que põe foto de calcinha no lingerie day. O Datena quer fazer o simpaticão e fica batendo papo com os participantes, revelando momentos vergonha alheia fatos interessantes sobre a vida deles e tal. E o fato interessante da hipster-geek-que põe foto de calcinha no lingerie day era que ela já tinha mostrado os peitos no alto da torre Eiffel. Chocante, não?

Então vejam, coleguinhas, e se fosse eu ali? Será que eu teria algum interesting fact digno de ser mencionado pelo Datena? Porque, vejam, eu nem a Paris fui. Eu fui ao Empire State, mas estava fazendo menos 3 graus mais o vento então mostrar os peitos lá também não seria opção. E eu nem sou do tipo hipster-geek-que põe foto de calcinha no lingerie day para mostrar os peitos por aí. Eu tenho medo da banana boat, portanto esportes radicais também não entram na minha lista. Eu não curto piercings, tatuagens, eu não tenho nenhum hobby muito louco. Eu não tenho 12 irmãos, eu não nasci no Acre, não torço para a Portuguesa, não perdi nenhuma parte importante do meu corpo, nunca escrevi um livro. Acho que a coisa mais esquisita interessante que já me aconteceu na vida foi ter dado aula de inglês para o filho de uma cafetina, dentro de um bordel, mas sei lá se o Datena ia querer tocar nesse assunto, quer dizer.

Só me pergunto se isso inviabilizaria minha participação no programa, porque olha. Curto muito. Aguento até o Datena, se for preciso.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Caro 847P

Caro 847P (A.K.A. Terminal Pirituba- Itaim Bibi),

Sei que nosso relacionamento não foi bem o que se pode chamar de longo. Durou exatos 68 dias. Durante estes dois meses nos encontramos todos os dias úteis, pela manhã, nos fins de tarde e, esporadicamente, na hora do almoço. 

Você nunca foi muito pontual, eu sei. Com exceção do das 11:30, era difícil um encontro no qual você comparecesse no horário. Normalmente eu me pegava ali, debaixo do sol, olhando o relógio a cada dois minutos enquanto esperava sua figura verde e reluzente despontar na esquina. Os encontros noturnos, então, eram os mais penosos. Você me deixava lá, no meio da Vila Madalena, em frente a um bar com banquinho e violão (e isso, veja bem, não se faz, 847P) por 20, 30, 40 minutos até aparecer, todo pimpão, como se nada tivesse acontecido. 

Ainda nos encontros noturnos, 847P, por duas vezes você me desapontou e simplesmente não apareceu. Tive que recorrer ao seu colega azul cujo número não fiz questão de memorizar (a gente só chama pelo número quando tem intimidade, você sabe) e ainda trair você usando o metrô. Eu não queria fazer isso, sabe, ainda mais porque o metrô me deixa longe de casa enquanto você me deixa na porta, mas você não me deu alternativa. 

E os encontros matinais, então? Eu era obrigada a dividir você com mais umas 80 pessoas. Ficava espremida ali, entre a porta de saída e os bancos mais altos, tendo minha bolsa arrastada, meu pé pisado, meu orgulho ferido. Entenda, 847P, eu não sou possessiva. Compreendo que você é um só e precisa atender muita gente, mas olha, duas pessoas já andavam realmente ocupando o mesmo espaço no nosso encontro das 7:30. Isso para não mencionar os preciosos minutos perdidos no trânsito da Cerro Corá todas as manhãs, o que vinha me obrigando a antecipar cada dia mais nosso encontro da manhã. 

Eu me cansei, 847P. Percebi que nosso relacionamento estava se tornando cada vez mais difícil. Eu te tratava bem, te dava carinho, chegava no horário mas você não se importava comigo. Decidi ampliar meus horizontes e me valorizar. Pois hoje, meu querido, eu encontrei alguém que se importa comigo. Alguém que me trata bem. Que chega no horário e não me deixa na mão. Alguém que me dá o conforto de uma viagem sentada e que eu não tenho que dividir com tanta gente. Hoje meu coração pertence ao 875C.

Foi bom enquanto durou, 847P. Siga seu caminho, seja feliz e não se engane: o problema é você sim, não eu. 

Com carinho,

Cheshire Cat.