quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Nomes pouco apropriados II

Retomando um assunto já discutido no meu falecido blog antigo, eis que estou andando pelo shopping quando dou de cara com isso:

A qualidade da foto está discutível, eu sei, mas ainda não desenvolvi a cara de pau necessária para tirar fotos estranhas em público. De qualquer maneira os comerciantes me ajudaram - eles têm um site para provar que a Sucos Bagaço existe. Podem conferir.

Ok, ok, eles venceram

Eu vou ter que falar do Big Brother.
Graças a deos eu passei janeiro bem ocupada, então não tive tempo de começar a me apegar naquela porcaria. Mas fevereiro veio, ficou mais sossegado acabei assistindo.
Ontem terça-feira de carnaval vi a eliminação de um talzinho lá com chapéu de caubói. Pelo visto foi tarde. E se não tivesse ido eu faria questão de ficar votando nele no próximo paredão só pela declaração final do sujeito: a de que é um cara espontâneo, que fala o que pensa na cara e que nunca vai mudar.
Sinceramente, se tem uma coisa que me deixa emputecida é nêgo que vem com essa conversa de "fala mesmo, na cara". Porque é mentira. Deslavada, daquelas bem sujinhas e sem vergonha mesmo.
Alguém conseguiria sobrevivar ao ensino fundamental "falando tudo na cara"? Dizendo para a menina da frente que ela é uma biscate ou para o fortão do terceiro ano que ele tem fama de viado? Imagine você, caro leitor, chegando para o seu chefe e dizendo que ele tem mau hálito. Ou que você passa horas baixando filmes no trabalho. Contando para o seu namorado que não ficou estudando coisa nenhuma, que passou a noite de quinta no bar, com aquelas sua amigas periguetes. Alguém seria capaz de viver em sociedade sendo "sincero e espontâneo" o tempo todo? Um sujeito assim não namora, não se relaciona, não arruma emprego. Aliás, um sujeito assim não pode sair na rua sem ser perseguido por uma horda enfurecida carregando tochas.

Caubói e todo mundo que se gaba da sua sinceridade sem limites, façam um favor pra gente? Vão tomar naquele lugar, vão. Obrigada

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Histórias de carnaval

Tenho muitas. Carnaval pra mim sempre foi divertidíssimo, exceto por aqueles penumbrosos anos de pré adolescência nos quais eu já me achava velha para a matinê mas não podia ainda ir sozinha ao baile dos adultos. Sim, eu tive carnavais de baile - até os 18 anos passei TODOS na casa das minhas avós no interior ou em Santos. Foi num desses no interior, inclusive, que tomei meu primeiro porre.
Os avós de um amigo tinham se mudado e colocado a casa da cidade a venda. Desnecessário dizer que a casa vazia virou quartel general carnavalesco do povo que mais uma vez tinha sido arrastado pela família para o interior. Eu tinha uns dezoito anos e não gostava de beber. Tomava de vez em quando um martíni, que era docinho. Hoje não posso ver essa merda nem em taças de ouro. Cerveja eu não gostava, tomava um pouquinho e fazia careta. Era uma fresca. Quatro dias de churrasco, bebida o dia todo e baile a noite. Quatro dias aparecendo em casa só pra tomar banho, para desespero da minha mãe.
Molecada, né? Ninguém tinha dinheiro e, pra beber, não podia ficar pedindo aos pais. No segundo dia perceberam que a cerveja estava dando muita despesa e ninguém estava ficando bêbado (porque moleque bebe com essa única finalidade), então decidiram apelar - surgiu, não se sabe de onde, uma vodca Stefanoff que vinha em uma finíssima garrafa de plástico. Barata e letal, dessas que a gente cheira e tem vontade de limpar uma janela. Misturada com coca-cola, então, poderia ser considerada uma arma de destruição em massa. Meu fígado, hoje em dia, se visse uma dessas, provavelmente se rebelaria e se uniria ao resto do meu corpo para promover uma ressaca de proporções continentais. Mas aos dezoito anos a gente aguenta. Ou pensa que aguenta.
Eu bebi aquilo. Não me lembro quanto, obviamente não deve ter sido muito. O engraçado é que eu me lembro exatamente do momento em que tive consciência de que estava alcoolizada. O banheiro do andar de baixo estava vazando, então nós tínhamos que usar o banheiro de cima. Subi as escadas, fiz meu xixizinho e, na hora de descer, encarei os degraus e tive um insight: eu não ia conseguir. Me dei conta de que, pela primeira vez na vida, eu estava bêbada. Fiquei ali, sentada no topo da escada encarando o que, naquele momento, parecia o Everest. E ri. Ri muito, enquanto chamava minha irmã para me ajudar. Vejam bem, não é que eu não conseguia descer as escadas. Apenas fiquei paralisada diante da costatação de que tinha sido afetada pelo álcool.
Parou por aí. Pois é, a história do meu primeiro porre não conta com episódios de vergonha alheia extrema nem nada parecido. Ou melhor, conta. Naquela noite eu beijei o menino mais bonito de cidade e, horas depois, o irmão dele. Com a desculpa de "eu não moro aqui, eu não sabia." Mas eu sabia. Ah, se sabia.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Vamos estar te atrapalhando

Quem me conhece já me ouviu contando as 37268794173840 histórias de como a Faculdade de Letras da USP se esforçou durante anos para tornar minha vida um inferno. Para ter uma idéia, uma semana depois do periodo de matrícula a secretaria organizava a semana de retificação de matrícula. Já contavam que ia dar alguma merda.
Muito bem, me formei, me livrei daquela zica e agora é a vez da Faculdade de Educação me sacanear.
Terminei meus estudos de licenciatura naquela renomada instituição em 2005, mas por preguiça e falta de necessidade, nunca apareci para colar grau. Esa semana resolvi colocar minha papelada em dia e fui até lá ver minha situação. Na secretaria, me mandam para a seção de estágio para ver se tinha alguma pendência. Na seção de estágio, surpresa: faltava a folha de estágio de Psicologia da Educação, a ÚNICA que eu tinha certeza de que estava em dia. Sim, eles PERDERAM minha folha de estágio.
Eu: "Como resolve, moço?"
Moço: "Procura a professora que te deu a matéria e vê o que aconteceu com a folha."
Eu: "A professora não dá mais aula aqui."
Moço coça a cabeça. Faz cara de "se fodeu". Me manda para o departamento.
Eu: "Moça, não consta meu estágio de blá blá blá..."
Moça: "Com quem você cursou a matéria?"
Eu: "Com a fulana de tal."
Moça coça a cabeça. Faz cara de "se fodeu". Rabisca um e-mail numa folha:
Moça: "Contata a chefe do departamento e vê se ela consegue entrar em contato com a professora."
Volto para a seção de alunos:
Eu: "Moça, eu não posso cursar a matéria de novo?"
Moça: "Mas consta que você foi aprovada. Não pode cursar de novo."
Eu: "Se eu fui aprovada, como o estágio está pendente?"
Moça: "A professora deve ter esquecido de dar baixa na seção."
Eu: "Só ela pode resolver?"
Moça: "Só."

Agora eu pergunto: E SE A PROFESSORA TIVESSE MORRIDO? Podia acontecer, já que a maioria lá é tão velhinha. Eu nunca mais ia encontrar essa folha de estágio. Podia perder os anos de tortura que foram aquela Faculdade de Educação.

Essa á USP - Fazendo de tudo para tornar sua vida cada vez mais difícil.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Tem como não amar?

Estava por aí procurando imagens dos fofissimos (de uma maneira um tanto negra, mas ainda assim fofissimos) Bunny Suicides quando me deparei com outra fofura do mesmo autor: Great lies to tell small kids. Divirtam-se:


E as minhas preferidas:



Confesso: Eu não tenho coração.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O e-mail tosco de adolescência

Verdade seja dita, eu tive meu primeiro e-mail aos 19 anos, portanto tecnicamente não tinha mais idade para ter um e-mail tosco. Mas tive. Era p_pandora@bol (bol, gente, bol! Que mundo era aquele?). Se eu tivesse internet aos 15 anos provavelmente teria feito coisas tipo nkotbforever@bol ou paula_gata@aol. Coisa fina. E-mails toscos de adolescentes se dividem em certas categorias:

  • A fã ardorosa - Hoje em dia seria algo tipo hsm_amor_eterno@hotmail. com ou twilight_rules@gmail.com. Assumir o sobrenome do amado já esteve mais em voga (vide amigas da época do colégio que assinavam Mariazinha Cobain), mas de repente a gente se depara com um jucicleide.efron@yahoo.com.br

  • A gótica "odeio-todo-mundo"- Adota e-mails como angelofthenight; dark_princess; creuza.vampire e etc... As opções são tantas que deve haver um "gothic name generator" em algum lugar dessa internet de deos.

  • A boba alegre - Gosta de vogais, abreviações e coisas fofas. Seus e-mails costumam ser maaaaah.dias, fabi_florzinha, gabs.estrela. E grande parte delas se apega a estes e-mails até sairem da faculdade.

  • O adolescente punheteiro - Acontece. Você entra no msn e dá de cara com algo do tipo "mimi_piranhao@hotmail.com adicionou seu endereço". Pode escrever: mimi piranhão tem 14 anos, é virgem e mora em Taboão da Serra. Nessa categoria podemos encontrar também pérolas como wesley.stronda e marquitopegador.
E você, caro leitor? Qual foi seu e-mail tosco de adolescência?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Depois de duas semanas de tortura, venho aqui informar que a nota recomendada do CELTA saiu. Recomendada porque a tia Cambridge ainda vai analisar meu portfólio, minha cara, meus antecedentes criminais, meu exame antidopping e só daqui a três meses terei a nota final, verdadeira.
Tirei B. Fiquei entre os míseros 15 % que tiram B. O resto passa com C e uma vez a cada milênio, dizem, um ser de luz escolhido passa com A. Mas tem uma coisa me incomodando.
Os tutores assinalam conceitos entre A e E (A sendo excelente e E sendo insatisfatório). Eu tirei B (muito bom) em todos os itens menos em profissionalismo. Fiquei com D (satisfatório). COMO ASSIM, BIAL? Cumpri todos os prazos, nunca me atrasei, ajudava os colegas do grupo, me vestia de acordo.
Será que foi porque eu chorei na frente do tutor? Aquele dinamarquês sem coração me paga!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Corações no espeto

O marido de uma amiga é chef de cozinha. É, portanto, um sujeito gastronomicamente curioso. Assim como eu fico salivando assim que ouço falar de um filme novo do Woody Allen, meu amigo saliva diante da menção de qualquer tipo de comida diferente. Isto posto, decidimos nos aventurar pela feira boliviana do Pari domingo passado. Para quem não é de São Paulo, o Pari é um bairro industrial, pouco aprazível, localizado nas imediações do terminal Rodoviário do Tietê. É o reduto dos imigrantes bolivianos (que são muitos) aqui nesta terra.
A feira é aquela coisa, né? Meia dúzia de barraquinhas com artesanato andino - e isso inclui calendários com montagens do Evo Morales com o Lula e o Che Guevara - , outras com produtos industrializados da região - entre elas cerveja boliviana Paceña e a popular Inca Cola, que é amarela cor de "vocês imaginem o quê" e sim, pertence à Coca-cola - e muitas, mas muitas barracas de comida.
A comida é um caso a parte. Andamos, andamos e, sinceramente, não tive coragem de comer. Em uma das barracas havia um cartaz alertando que tosse há mais de cinco dias pode ser tuberculose. A combinação empanadas + tuberculose não me pareceu apetitosa. Um dos pratos populares por lá é o anticucho:

Parece um inofensivo espetinho, não? Espere, pois a iguaria é feita de coração de boi. Nem meu amigo chef encarou. Enquanto eu, queridão e minha amiga optávamos pelas aparentemente seguras salteñas (deliciosas, por sinal), o chef pediu um fricase de porco. Apimentado e feio. Muito feio, feito com aquele milho gigante branco, uma batata preta bem esquisita e um caldinho ralo. Não deu vontade.

Imaginem isso servido numa cumbuca de isopor, num calor de trinta graus.

Lembrei de um professor meu, norueguês, contando da primeira vez que viu uma feijoada. Analisando friamente, uma feijoada não é assim, a coisa mais apetitosa do mundo de se olhar. É escura, de uma textura indefinida, e se bobear de repente você dá de cara com um pé ou uma orelha de porco surgindo daquela massa amorfa. Nham! Para nós, que encaramos feijoada a partir do momento que temos dentes pra isso, é a coisa mais natural do mundo. Para um gringo nem tanto. Acho que foi mais ou menos assim que eu me senti diante do fricase - não gostei da cara do negócio, não comi. Na verdade, arrisquei um teco da batata preta, que tem gosto de batata (jura?) com uma textura meio arenosa. Não é bom não. Mas nem é pior que uma almondega de soja, que eu como feliz da vida.
Pelo menos não tinha "My heart will go on" versão flautinha como trilha sonora. E a tal da cerveja Paceña, se estivesse gelada, aposto que seria boa.

Salteña: parece empanada argentina, mas a massa é mais grossa, e o recheio tem um caldinho.

A lendária Inca Kola - Não tinha gelada em barraquinha nenhuma, então não tomei. E eu li o rótulo - não é de abacaxi. Nem quero saber do que é.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

To whom it may concern

Há cerca de seis meses eu visitei um cidadezinha que, para efeitos de segurança legal chamarei de Calcanhar do Judas, visto que as botas o mesmo deve ter perdido muito antes. Ao voltar, publiquei um post no meu blog antigo (hoje fechado pelos mesmos motivos) que pretendia ser APENAS uma crítica ácida a certo evento pouco civilizado que lá ocorre uma vez por ano. Sendo meu blog antigo um verdadeiro sucesso acompanhado por cerca de vinte pessoas (numa estimativa otimista), das quais quinze não me conheciam, jamais imaginei que tal post pudesse eventualmente chegar às mãos de qualquer nativo de Calcanhar do Judas. E, ainda que chegasse, não tratava-se de algo que pudasse ser considerado ofensivo. Isso, claro, se lido por pessoas alfabetizadas.
Pois recentemente um nativo semi-alfabetizado chegou ao tal post. E, furiosamente, o imprimiu e o espalhou pela cidade inteira. Pessoas que mal sabem o que é internet, que dirá um blog passaram a me deixar scraps enfurecidos. Recebi telefonemas anônimos de gente me chamando de vagabunda. Coisa linda de deos. Pessoas da minha família que frequentam tão aprazível local estão sendo igualmente hostilizadas e não, eu não estou exagerando.
Por esse motivo, optei por me tornar um fake orkutiano e fechar os outros dois blogs em definitivo. Não quero essa gente me perseguindo por aí - e eles continuarão por muito tempo, eu sei. É gente que mora num lugar esquecido por deos e que precisa de um motivo para viver. O novo motivo é me odiar. A partir de agora blogo aqui, me esforçando para que pelo menos aquela gente não me encontre.
Atenciosamente,

Vocês sabem quem.