quarta-feira, 30 de maio de 2012

Pérolas da publicidade


Publicitários do meu Braseel, não quero generalizar, mas vocês tem que admitir que alguns dos seus coleguinhas se esforçam bastante para queimar o filme da categoria.

Não bastasse os gênios que produzem comerciais de produtos de limpeza pintando as mulheres como criaturas  cuja maior alegria na vida é passar as tardes limpando limo do banheiro, agora a turma dos carros resolveu tirar uma com a nossa cara também.

O spot de rádio do Fiat Brava é uma das coisas mais cretinas que eu ouvi nos últimos tempos e olha, dado o Festival de Besteira que Assola o País (by Stanislaw Ponte Preta), taí uma façanha. O comercial sugere que o cidadão compre um Fiat Brava porque, como o carro é rápido, ele vai chegar mais cedo ao trabalho, vai impressionar a chefe, ela vai pedir uma carona no final do expediente e, ao chegar em casa, vai convidá-lo para subir. De onde se conclui que:

A) Mesmo sendo chefe ela não tem carro porque dirigir "é coisa de homem" (século XIX mandou um beijo).
B) Se você tiver um Fiat Brava sua chefe vai querer dar para você.

Porque quando não estão esfregando o chão ou limpando ranho de criança, é isso que as mulheres fazem - andam por aí indo para a cama com os caras só porque eles tem carros bacanas.

Responsáveis por essa obra-prima, dica: carro não é critério para transar com um homem, mas nível de babaquice sim. E por esse referido critério vocês já perderam qualquer chance que tinham de comer alguém.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

PS do Ensino Fundamental

Estou lá na sala dos professores tomando um café frio quando a coordenadora entra com uma pinça na mão solicitando a presença da professora X:

"Professora, você que é mais jeitosa, pode me ajudar? É que o Joãzinho (sempre ele!) enfiou a tampinha de trás da caneta no ouvido."

Professora X vai até a sala da coordenação. Após cuidadoso exame, conclui que é melhor encaminhar o "acidentado" ao pronto-socorro mais próximo. Volta para a sala dos professores.

"Ué" comento "Dei aula agora na sala do primeiro ano e o Joãzinho não veio hoje."

"Não foi o Joãzinho do primeiro ano" esclarece a colega "Foi o do nono."

Agora vejam vocês, coleguinhas - e pensar que o espermatozoide que deu origem ao Joãzinho  do nono era o mais esperto do bando...

terça-feira, 22 de maio de 2012

Das coisas que irritam

Tive que assumir um aluno numa empresa. A aula dele começa as 7 da manhã.

Não é que eu goste de acordar cedo, mas, sinceramente? Das coisas que me incomodam na vida madrugar deve estar lá na vigésima colocação. Não ligo mesmo, inclusive funciono melhor de manhã. O caso é que a empresa é longe. Digo, longe para os padrões de uma pessoa que não tem carro - fica no shopping Cidade Jardim.

Namorado me levou hoje - demora 20 minutos. De ônibus será uma hora e meia, agora calculem a que horas a peoa aqui terá que sair de casa. Mas nem é disso que estou reclamando.

O lugar é muito bonito, muito fino como já era de se esperar pela localização, mas sinceramente? Não foi feito para pessoas.

Como eu já disse, é um saco chegar lá de ônibus. E calculo que boa parte das pessoas que trabalham lá (seguranças, faxineiros, recepcionistas, estagiários) não tem carro.

Não há UM lugar que seja para tomar um café. Não há uma lanchonete, uma máquina de moedinha, não tem nem uma tia vendendo bolo e café coado na rua, como de costume. Nada. O único lugar para se almoçar ali é o próprio shopping, que é feito para a classe AAA e por isso mesmo só conta com restaurantes caríssimos.

E a recepção da torre corporativa? Enorme, chiquérrima. Não tem um sofá para contar a história. Pessoa chega mais cedo e espera lá, de pé. Ou sentada num banco de madeira do lado de fora, o que com a temperatura que anda fazendo é bem agradável.

Não é luta de classes. Não é raiva de rico. É só um odinho de leve pelo descaso total com quem não faz parte daquele mundo - e que, por ironia, é quem faz aquilo tudo funcionar.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Manual prático de bons modos em reuniões de pais

Inspirado pelo  post da coleguinha Bruna.

Reunião de pais: professora de História, daquelas antigas no colégio. Saco na lua de aguentar lenga-lenga de pai nível "mas ela estuda tanto, por que essas notas??" ou "ele está passando por uma fase difícil, sabe, professora?". De repente uma mãe se supera:

"Ah, professora, eu sei que ela vai mal em História, mas também, né? Pra que serve saber essas coisas de Napoleão, de segunda guerra?" Ao que nossa querida mestra laconicamente responde:

"É verdade, mãe, a senhora tem razão. Você por exemplo tenho certeza que não sabe nada sobre nenhum desses assuntos e tá aí, né? Sobrevivendo."

Outra, reunião, outra mãe, mesma professora:

"Mas professora, ele vai ficar mesmo de recuperação?"

"É, mãe, não tem jeito ele foi muito mal na prova final."

"Mas essa resposta aqui, sobre os fatos que desencadearam a Segunda Guerra Mundial, não está certa?"

"Não, esses foram os fatos que desencadearam a Primeira Guerra Mundial."

"Ah, professora, mas Primeira, Segunda Guerra, não é tudo a mesma coisa?"

"Olha mãe, acho que os judeus, principalmente, discordariam da senhora."

Pais do meu Brasil, deixo a sugestão: melhorem ficarem quietos da próxima vez.

domingo, 13 de maio de 2012

A faca mais afiada da gaveta parte II - a missão

Namorado diz que eu sou destrambelhada. Acho justo. Meus problemas com atenção, pensamento rápido e resolução de problemas me levaram a desistir, por exemplo, de dirigir, atividade essa que me torna instantaneamente um perigo em potencial para mim e para a sociedade.

Namorado deveria, entretanto, conhecer os pais do colégio onde trabalho. Imagino que sua opinião sobre mim mudaria na mesma hora.

Ontem de manhã tivemos a ~maravilhosa~ festinha de dia das mães. As genitoras amam. As professoras enlouquecem tendo que, um dia a mais na semana, tomar conta não só das crianças que correm feito loucas por todos os lados bem dos adultos que aparentemente não fazem ideia do que estão fazendo lá.

E não sabem mesmo, coleguinhas. Ontem estava eu mais uma vez correndo de um lado para o outro atrás de nem lembro o que quando sou interrompida por uma mãe aflita:

"Professora, sabe o que é? Meu marido perdeu o carrinho do meu filho em algum lugar aqui na festa. Se alguém encontrar você poderia me devolver?"

"Claro, como é o carrinho?"

"É um carrinho de bebê. Do meu filho mais novo."

UM.CARRINHO.DE.BEBÊ. O pai tinha perdido o carrinho onde ele transporta o filho que ainda não sabe andar.

Quase perguntei se o bebê não estava no carrinho na ocasião. Porque dada as circunstâncias, né?

Pais do meu Brasil fica o pedido: antes de procriar façam pelo menos um teste psicotécnico, por favor.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Desconstruindo mitos - no inverno as pessoas ficam mais elegantes

Aconteceu hoje no metrô, mais uma vez. Estava eu sentadinha na linha amarela em direção à Faria Lima quando avistei a moça parada na porta do vagão. Minha primeira vontade foi de dar um toque, sabem. Avisá-la que aquilo que ela tinha vestido de manhã não era uma legging e sim uma meia calça grossa e que o que colocou por cima disso não era um vestido de lã e sim um suéter meio comprido. Em seguida imaginei que a notícia de que estaria praticamente de bunda de fora dentro do transporte coletivo deixaria a moça um pouco ~chatiada~ e ela precisaria de um abraço, então achei melhor deixar para lá.

Não foi a primeira. Eu não sei sinceramente qual é a dificuldade dessas moças em colocar uma peça de roupa esticada contra a luz e perceber que, olha, ficou transparente. O frio chega e as fias todas começam achar que meia calça de lã (quer dizer, de acrílico né gente?) e legging são a mesma coisa. Não são. Definitivamente. Inverno é aquela época do ano na qual nós somos obrigados a conviver com pessoas vestindo coisas parecidas com essas:



Podem chamar os Mythbusters - essa história de que as pessoas ficam mais elegantes no inverno é BA-LE-LA.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Só o vinho salva

Antes de mais nada mãe e irmã podem ler isso aqui então aviso já:
Dona Neide e dona Patrícia, amo vocês. Amei viajar com vocês e pretendo fazer isso muitas outras vezes, mas me deixem zoar um pouco!

Daí que a viagem em família para Buenos Aires miou por culpa da Pluna mas, decididas a levar a matriarca para passear no feriado, embarcamos com destino a Gramado.

E aí, Adele, troca Buenos Aires por Gramado?

Enfim, mãmis ficou feliz com a troca porque poderia visitar uma amiga que não via há muito tempo em Porto Alegre, irmã ficou feliz porque adora Gramado e eu... Bom, quatro dias comendo e tomando vinho não devem ser tão ruins, então taquei o casaco na mala e fui.

Gramado, como disse um amigo, parece um show room de casas de boneca. Tudo tão bonitinho, organizadinho, construído para parecer uma vilinha alemã. É lindo e não tem mesmo nada para fazer a não ser comer e tomar vinho. Quer dizer, tem um parque, um teleférico e a casa do papai noel. 

E aí, Adele, troca Porto Madero pela casinha do papai Noel?

E tem a Maria-fumaça de Bento Gonçalves. E a Maria-fumaça é legal, e tals, como eles gostam de vender o passeio é "uma viagem ao passado". Poderia ser um programinha divertido e inócuo, mas não. Essa coisa do capeta chamada indústria do turismo tem que transformar algo que seria tranquilo num programa de índio  nível extreme - porque dentro da Maria-fumaça tem performance. Tem teatrinho, música gaúcha e grupo de tarantela. E enquanto a tarantela rolava eu só conseguia pensar nesse vídeo, gente, não dava pra levar a sério. Me agarrei ao Miolo tinto seco (alô enófilos, é o que tem pra hoje) e segui em frente enquanto mãmis morria de vergonha das filhas pinguças comprando vinho dentro da Maria-fumaça. 

Miolo é meu amigo, miolo é meu colega


Resumão da viagem: comi e bebi tanto que ontem subi na balança e ela me mandou tomar vergonha na cara.    E se eu nunca mais ver um galeto com polenta frita na minha frente não vou sentir a menor falta.