terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Fazendo as pazes com o passado

O ano era 1986. Num colégio de freiras na Saúde aproximava-se o grande evento do ano: a festa junina. Com ele, o concurso mais aguardado da segunda série, a eleição da Miss Caipirinha.
Não que eleição seja a palavra exata. Para ser Miss Caipirinha a petiz não precisava ser a mais bonita nem a mais simpática ou estudiosa. Bastava vender rifas. Muitas rifas da festa do colégio.

Eu não era a personificação da simpatia, digamos assim. Entretanto, tinha (tenho) a mãe mais próativa que o Instituto Santa Amália já conheceu, e o resultado foi o esperado. Graças a uma mobilização familiar e condominial nunca vista antes, minha mãe vendeu centenas de rifas e eu ganhei o bendito do concurso. E lá fui, no dia da festa, mal humoradíssima com a roupa de caipira, a meia calça pinicando e o excesso de atenção não solicitada, receber meus super prêmios: uma coroa de cartolina com glitter e um jogo de relógios que trocava pulseira.

Pensem em decepção, leitores. Lá estava eu, do alto dos meus incompletos oito anos de idade, recebendo um kit de relógios de plástico enquanto a segunda colocada, nomeada "Princesa", ganhava um Pequeno Pônei lindinho, colorido e cheiroso. Com o coraçãozinho cheio de ódio fui pra casa, larguei aquele relógio xexelento num canto e nunca mais soube dele. Isso para não mencionar o trauma de festas juninas desenvolvido desde então.

Mas o tempo passa minha gente. E 23 anos depois, vejam só que ganhei de mãmis no Natal:


Os meus têm, claro, cores mais discretas - ao invés do lilás e do vermelho, há um cinza e um transparente.

Posso falar? Adorei. Fiz as pazes com os anos 80. Mas não com as festas juninas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A maçãzona

Tudo que aprendi nos anos de cursinho de línguas sobre os americanos é verdade. Eles são educadíssimos e gastam seus "please", "sorry" e "thank you" sem medo de ser felizes. Me ajudaram sem a menor má vontade quando me enrolei com as benditas moedinhas de cents que não têm o valor bem grandão cunhado nelas, como as daqui. Me explicaram como passar nas catracas do metrô, que não esperam ninguém: passou o cartãozinho tem que ir correndo senão ela trava. Pararam na rua oferecendo informações ao ver Queridão e eu meio perdidos com um mapa na mão. Se esforçam para atender quem não fala a língua deles, talvez porque já estejam acostumadíssimos a isso - difícil mesmo é achar um americano de verdade nas ruas de Nova York. Gente tão diferente, falando tantas línguas ao mesmo tempo, todas misturadas em todos os lugares - diversidade cultural é lá, minha gente, não aqui onde cada um mora no seu guetinho.
São Paulo se orgulha de ser cosmopolita, multicultural e blábláblá, mas a verdade é que perto de Nova York somos um bando de caipiras. Não é conversa de deslumbrada: qualquer um que já esteve lá vai concordar. É tudo muito grandioso, muito brilhante, muito muito. Deve ser um dos poucos lugares do mundo (junto com Tóquio) que ainda utilizam neon sem ser em motéis ou casas de tolerância. E haja neon.
Tem as chatices de qualquer metrópole: trânsito caótico, sujeira, lotação - tentem entrar numa Starbucks qualquer numa tarde fria de sábado. O metrô é mais deprimente do que dizem, sujo, escuro, caindo aos pedaços, mas funciona - vai para todos os lados e todo mundo usa. O café é péssimo (e isso pra mim é a morte), os doces são muuuito doces e a comida é aquela pasmaceira de desanimar: massa, hamburger, pizza, comida chinesa ou omelete. Mas o cachorro quente das carrocinhas de cada esquina é ótimo, pão e salsicha mas salsicha de verdade, não de jornal como a nossa.
Claro que não estou contando novidade nenhuma. Qualquer pessoa que tenha assistido mais de 10 filmes na vida chega a Nova York e se sente em casa. É como se já tivesse visto tudo aquilo. Eu andava procurando a lanchonete do Seinfeld, pois tinha a impressão de que ela a qualquer momento ia pular na minha frente. O próprio soup nazi do seriado se manifestou na forma do panini nazi, que diante do pedido de dois paninis to go as onze da noite respondeu com um clássico: "NO PANINI THIS TIME! ONLY SANDWICH!" Porque, né, absurdo pedir um panini as onze da noite na cidade que se orgulha de nunca dormir.
E teve o Guggenheim. Estava lá sossegada com Queridão na fila dos ingressos quando ele aponta (discretamente): Olha lá o Pierce Brosnan. E era. Em carne, osso e cabelo branco, que o ex James Bond já virou um senhor de respeito. Fez o audio tour com a gente, todo mundo tão civilizadinho, ninguém foi encher o saco dele. Se bem que o Pierce Brosnan em NY nem deve ser assim meega estrela, o povo deve estar acostumado a ver gente mais famosa. Não, não tirei foto com ele nem fiz piadinha tosca tipo "My name is Borges, Paula Borges", mas não duvido nada que algum outro brasileiro fizesse. Nossa cara.
Dá vontade de morar lá. Seria como morar num filme. Desde que não fosse "Independence day", claro.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Tathyanny vai ao cinema

Querido diário,

Hoje o Cléberson estava de folga no ônibus e me convidou para ir ao cinema. Nós pegamos o Terminal Barra Funda e fomos lá no shopping Bourbon, que é um shopping de playboy mas tem um cinema bem grandão, maior que o do shopping Pirituba.
Eu quis assistir "O fantástico senhor Raposo" porque eu vi no cartaz que é um desenho animado e eu adoro desenho animado - meu preferido é "A Bela e a Fera". Eu choro toda vez que eu vejo.
Ai diário, que arrependimento! Nem é desenho de verdade, é aqueles bonequinhos. E é tudo meio laranja, meio da mesma cor. Não é nem um pouquinho engraçado, nem tem umas musiquinhas legais pra gente cantar junto, e ainda por cima era legendado! Onde já se viu desenho legendado? Até tem um par romântico lá, o Sr. e a Sra. Raposo, mas eles começam o filme juntos, passam o filme inteiro juntos e terminam juntos. E só brigam uma vez. Fora que os bonequinhos são feios pra caramba. Ah, e do nada aparece um povo cantando, tocando violão, muito sem pé nem cabeça. Odiei.

O Cléberson tem razão - a gente devia ter assistido o 2012.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Livre arbítrio

Ouvi pelo rádio há alguns dias que a Anvisa tinha proibido o uso de câmaras de bronzeamento artificial sem requisição médica. Até aí, pouco me importei, visto que tostar o couro artificialmente numa câmara é algo que sempre passou longe da minha idéia de saudável, ainda mais com as sardas que enfeitam meu rosto e meus ombros e um histórico familiar de câncer de pele. Mas hoje, passeando pela internet, deparei-me com esta peculiar (pra não dizer insólita) notícia:

Em SP, grupo protesta contra proibição do bronzeamento artificial

Se fossem só proprietários e funcionários de clínicas, vá lá. Mas se você, coleguinha, leu a matéria, viu que as clientes também tiraram suas bundinhas do sofá e foram lá fazer estardalhaço, o que me leva a concluir o seguinte:

Tanta gente por aí desenvolve câncer sem querer... Então por que não deixar que essas antas desenvolvam câncer voluntariamente (de preferência antes de procriar) e livrem a humanidade de tanta burrice e falta do que fazer? Libera as câmaras aí, Anvisa!