sábado, 24 de outubro de 2015

Day 8 - Your favorite internet friend

Oi pessoal,

Quando eu decidi entrar naquela comunidade obscura do Orkut sem nem entender direito sobre o que ela era, eu nunca imaginei que dez anos depois eu estaria em uma mesa de bar em Curitiba com o grupo quase completo, consumindo muito mais cerveja e carboidratos do que o recomendado pela OMS.

Em dez anos nós nos casamos, nos separamos, tivemos filhos, fomos morar em outro país, voltamos, ficamos bem doentes, brigamos, realizamos o sonho da casa própria, nos embebedamos, nos apaixonamos, quebramos a cara. É um privilégio acompanhar tantas histórias de tanta gente maravilhosa que, se não fosse pela internet, jamais teria cruzado meu caminho.

Eu aprendo com vocês todos dias sobre música, cinema, política, feminismo, cultura pop, finanças, ciência, literatura, filosofia... Obrigada por serem são incríveis.




TÁ TODO MUNDO ENVORVIDO!

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Day 7 - Your Ex-boyfriend/girlfriend/love/crush

Engraçado é que você me escreveu um longo e-mail de agradecimento dia desses e eu não consegui responder. A terapeuta achou que eu deveria, mas eu não quis, na verdade, porque eu hoje tenho uma ideia de você completamente diferente da que eu tinha quando a gente terminou, nove anos atrás. Hoje eu não teria nada de bom para te escrever então decidi ficar calada.

Não tem dor, ressentimento e muito menos saudade, mas hoje eu só posso te desejar sorte na vida. Porque eu sinto que você vai precisar.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Day 6 - A stranger

Oi desconhecida,

Eu gostaria de poder andar por aí carregando uma plaquinha tipo aquelas de obra: "Desculpem-nos o transtorno, estamos trabalhando para construir uma pessoa melhor." Infelizmente a plaquinha atrapalharia minha mobilidade e as pessoas achariam um pouco estranho e tals, mas enfim. Ela seria sincera, desconhecida. Juro.

Naquele dia em que eu fui escrota com você na espera do consultório médico eu estava cansada, muito cansada. Eu estava doente há semanas, eu estava sinceramente preocupada com o meu estado de saúde e eu não achava justo ter ido até lá e não poder fazer minha mamografia só porque eu tinha usado desodorante naquela manhã, cerca de 8 horas antes. E daí que eu tinha recebido um e-mail com instruções de preparo? Quem lê e-mails com instruções de preparo? Vocês por acaso esperavam mesmo que eu passasse 8 horas sem desodorante no calor que faz nessa cidade?

Nada disso justifica, desconhecida, eu sei. Porque você também certamente estava cansada, provavelmente mora longe pra caramba do trabalho e tinha pego mais de um ônibus lotado para chegar lá. Talvez você estivesse preocupada com a sua filha que você vê tão pouco e passa a maior parte do dia na casa da sua mãe. Pode ser que você estivesse doente também, ou alguém da sua família. Ou sua conta de luz atrasada, a pensão do pai da sua filha que inclusive já casou de novo e não a vê há, sei lá, três meses, enfim. Life sucks most of the time.

Então peço desculpas, desconhecida. Por mim e por mais uma penca de gente que já deve ter sido escrota com você atrás daquele balcão. A maioria não fez por mal. O que ainda assim não justifica.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Day 5 - Your dreams

Caros sonhos,

Os senhores estão obviamente atrasados pois de acordo com a previsão a essa altura da minha vida já era para eu ser tipo a J.K. Rowling. Favor tomar providências.

(Mas sim, eu assisti a um show do Mika em Barcelona. Aliás eu já fui duas vezes a Barcelona, bom trabalho).

Atenciosamente,

Paula

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Day 4 (atrasado) - Your siblings

Oi cão (é assim que você me chama, eu não lembro por quê. Você lembra?),

Eu poderia escrever esta carta de várias maneiras, mas vou fazer isso do jeito que eu mais gosto: contando histórias. É uma história que você já conhece, desculpa, você sabe que eu sou assim repetitiva as vezes.

Quando eu assisti a Frozen a primeira coisa que eu fiz foi ligar para você e dizer que você tinha que assistir também. Mais de um ano depois estamos aqui, 36 e 35 anos, obcecadas por um desenho da Disney.

Qualquer um que nos conheça minimamente sabe que eu sou a Elsa e você a Anna. Eu sou séria, meio antissocial, cheia das minhas próprias questões. Você é borbulhante, alegre, praticamente um raio de sol. Além disso, nossas diferenças físicas também não permitem que as pessoas vejam o quanto somos parecidas.

Mas nosso sorriso, ele é exatamente o mesmo, embora você saiba usar o seu muito melhor que eu.

Dizem que os amigos são a família que a gente escolhe, então eu tenho muita sorte, porque eu não precisei procurar a melhor amiga de todas. Ela me foi dada de presente e eu não preciso fazer esforço nenhum pra isso - você vai sempre estar ali. Assim como eu vou sempre estar aqui.


Gatas demais, aff.

sábado, 17 de outubro de 2015

Day 3 - Your parents

Queridos pai e mãe,

Antes de mais nada eu queria dizer que vocês são ótimos. Incríveis mesmo. Queria parabenizá-los pelo trabalho que fizeram aqui na criação da Paula inc. Embora no momento eu seja a única responsável por fazer este empreendimento vingar, acho importante dizer que vocês tiveram um papel importantíssimo na estruturação do que eu chamo de "pessoa que eu sou hoje".

Pai, você me ensinou o valor do estudo. Você me deu livros, mas mais do que isso, leu pra mim, leu na minha frente e me fez querer fazer parte desse seu mundo que me parecia tão fascinante. Você gostava de contar histórias e eu aprendi isso com você também. Talvez eu nunca me torne escritora (embora, como uma amiga disse outro dia, "escritor é quem escreve, não importa o quê") mas eu sou uma contadora de histórias com muito orgulho por sua causa. Você tinha essa alma antiga de quem já viu de tudo no mundo mesmo não tendo visto e eu admirava isso em você. 18 anos foram muito pouco para que nós nos conhecêssemos completamente, mas eu me consolo pensando que 100 anos seriam pouco também.

Mãe, você me ensinou empatia. Você me ensinou que todo mundo é importante e que tudo que a gente faça por alguém conta mesmo que pareça pouco. Você me mostrou o que é resiliência e me fez acreditar que nós, mulheres da família Foltran, somos feitas desse material misterioso que estica, encolhe, deforma, sobrevive a todos os baques mas volta sempre à forma original mais forte do que nunca. Eu aprendo com você todos os dias e espero ter o privilégio de continuar aprendendo durante muito tempo.

Eu sei que sou uma boa filha. Mas isso é obra de vocês dois. Podem se orgulhar disso.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Day 2 - Your crush

Oi moço, você sabe quem é.

Estamos juntos há muito tempo. Uma criança nascida no dia em que nos conhecemos já está alfabetizada. Já anda de bicicleta.
Já fala palavrão.

O negócio começou num carnaval, no tempo que a lata de Brahma era branca. Temos fotos para provar. Você bêbado, sujo, de camiseta furada dos jogos Panamericanos do Rio de Janeiro. Você tem até hoje essa hábito de usar camisetas de souvenir. Eu ainda tinha cabelo cacheado, usava um vestido que eu amava e naquele dia tinha desanimado de beber apenas porque usar o banheiro num bloco de carnaval em São Luís do Paraitinga era muito próximo do que eu consideraria "missão impossível". Não beijei você naquele dia porque estava sóbria demais para dar bola para aquele moço tão bonito mas tão cagado. Sorte nossa que tínhamos essa amiga em comum e, naquele tempo, MSN e Orkut.

Você curtia Cake e Encontros e desencontros e diante desse cenário percebi que você só podia ser mesmo um cara legal. Tão legal que quase 8 anos depois eu estou aqui, te escrevendo essa carta.

Você me ensinou que o amor pode ser tranquilo.
Você também me ensinou que o amor pode ser turbulento.
Você me mostrou que eu sou mais forte do que eu achava que era.
Você me irrita quando tenta consertar essa minha alma bagunceira e delusional, mas eu agradeço a paciência.

Eu poderia escrever cartas para você todos os dias. Você é meu crush, meu namorado, meu boy, meu ómi, meu melhor amigo, meu amô.




A lata branca e a foto com data para comprovar a antiguidade

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Day 1 - Your best friend

Este desafio das cartas já estava fadado ao fracasso logo de cara por motivos de: neste momento eu não sei que é você, melhor amigo.

Eu tenho bons amigos, daqueles que a gente fica meses sem se ver e quando se encontra parece que foi ontem. Eles já foram meus melhores amigos mas a vida, o tempo, a distância dificultaram um pouco as coisas para nós.

Se melhor amigo é aquele para quem a gente liga quando falta o chão debaixo dos nossos pés eu teria necessariamente que incluir aqui pessoas da minha família, mas já existem cartas destinadas a vocês neste desafio, então prossigamos.

Tem você, a amiga da faculdade, aquela com quem dividi os anos de dureza monetária e moleza emocional. Aquela que, não fosse porque sim, jamais teria se tornado minha amiga. A gente se torna amigo porque sim. Com você eu já fiquei bêbada em um rodeio em São Roque, já briguei com você nesse mesmo rodeio nem lembro o motivo, já fui a festa boa e a festa miada, já consolei e fui consolada nas dores de cotovelo. Já passamos tardes tomando café e falando até o maxilar doer, porque se tem uma coisa que nunca faltou entre a gente foi assunto. Já colamos em prova, já reprovamos na mesma matéria. Já fizemos coisas daquelas que a gente dizia que só poderia contar aos netos, jamais aos filhos.

Eu admiro a sua disposição em fazer as coisas, em agir. Admiro a facilidade com que você se envolve, a paixão com a qual lida com a vida. Eu sempre fui mais distante, mais no meu canto. Eu gosto de pessoas, mas não sei lidar muito bem com elas.

Ano passado num momento em que eu precisava muito, você me deu a mão e bons conselhos também. Engraçado que na nossa relação quem normalmente dava os conselhos era eu, mais velha, mais ponderada, sempre observando as coisas de uma perspectiva mais pragmática. Mas naquele momento quem observava de fora era você. Você era a mais experiente ali, a expert em corações partidos me ajudando a lidar com meu primeiro em muitíssimo tempo. Sobrevivi, superei, e as melancias na caçamba do meu caminhão acabaram se ajeitando, pra usar esse símile que a gente gosta tanto.

Eu poderia dizer que nos afastamos porque nos tornamos pessoas diferentes, mas isso nós sempre fomos. Muito. Nos afastamos como nos juntamos: porque sim. Um dia a gente se junta de novo, sem cobrança, sem pressão. Amizade é assim mesmo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

30 day letter challenge

O desafio é esse aqui:

http://heckyeahtumblrchallenges.tumblr.com/post/6077918938/30-day-letter-challenge

Escrever uma carta por dia durante 30 dias para as pessoas (ou coisas) desta lista. Estou procurando motivos para escrever e esse me pareceu bom, então vamos tentar. Não garanto uma por dia certinho mas prometo que farei o possível.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A síndrome da reação inadequada

A síndrome da reação inadequada (SRI) é um mal que afeta aquela parte da população que claramente tem um defeito no pedaço do cérebro que regula a maneira como reagimos em determinadas situações. Em outras palavras, o mecanismo do "para que tá feio".

Um dos exemplos clássico da SRI é a popular gargalhada em velórios, que a maioria de nós já testemunhou, quando não protagonizou. A SRI, entretanto, manifesta-se nas mais variadas ocasiões.

1) Você e seus colegas estão aproveitando aqueles preciosos minutos de ócio na firma para compartilhar fotos do cachorro mais feio do mundo. Uma colega que estava passando se aproxima do seu monitor e exclama, afinando a voz como se tivesse acabado de avistar um bebê panda de pijama acariciando um gatinho: "Meo deos que BONITIIIIIIINHO!"


Oi

2) Você está andando tranquilamente quando seu pé dá aquela vaciladinha, você tomba levemente para a direita sem perder o prumo e segue andando. A pessoa vindo atrás de você berra "JESUS AMADO CUIDADO MEU FILHO, ACHEI QUE VOCÊ FOSSE MORRER!"



3) Seu colega pede sua ajuda para editar o vídeo surpresa de aniversário de casamento pra mulher dele no Movie Masker. Você sobre uma música do Ed Sheeran, arrasta meia dúzia de imagens e pronto. Colega diz: "NOOOOOOSSA CARA, VALEU MESMO, VOCÊ É MUITO FODA! GENTE, O EDMILSON É CARA, CÊS PRECISAM VER!"


4) A pessoa se atrasa 5 minutos para o trabalho e quando chega parece que acabou de correr 20 quilômetros em Teresina meio dia no verão "NOSSA GENTE MINHA MÃE ACORDOU E NÃO TAVA SENTINDO O BRAÇO MAS ESTÁ TUDO BEM ELA SÓ DORMIU EM CIMA DO BRAÇO MESMO!"



Se você convive com um portador de SRI grave, minha solidadriedade. Eu compreendo sua dor. Se você se identificou com o texto e desconfia que talvez tenha SRI, busque tratamento. Ainda dá tempo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Lapa, Pompéia e Perdizes

Eu moro na Lapa há quase 10 anos. E eu adoro morar na Lapa. A Lapa é daqueles bairros cheios de velhinhos, de armazéns e, nos últimos tempos, de hipsters que começaram a achar que a Vila Madalena estava virando mainstream. Na Lapa tem balada gay, tem rua de comércio popular cheia de camelôs onde você compra de cartões de memória a lingerie e agasalhos da "Adidas". Tem praça, tem feirinha, tem estação de trem, tem boteco do povo de humanas e quadra de escola de samba. A Lapa cresceu colada, quase misturada com dois outros bairros, Pompéia e Perdizes, mas a Lapa e a Pompéia são as primas pobrinhas de Perdizes que de repente ficaram ricas também.

A Lapa ainda não sabe que é rica e continua se comportando como quando ganhava salário mínimo. A Lapa faz churrasco na laje, vai pra Mongaguá no feriado e parcela televisão de 865 polegadas em 24 vezes no carnê das casas Bahia. Já Pompéia anda mais refinada, resolveu fazer curso de harmonização de cervejas, mas continua usando chinelinho de couro fedido e indo acampar em Trindade. A Pompéia é de humanas e será eternamente, para o desgosto da prima Perdizes, que sempre foi patricinha. Perdizes tem aquele narizinho empinado de quem nasceu em berço de ouro e não gosta de se misturar com as primas que não foram pra Disney quando fizeram 15 anos. Perdizes se irrita, inclusive, quando alguém confunde suas esquinas e acha que elas fazem parte da Pompéia. Aconteceu ontem, aliás.

Eu estava em um rolê do povo de humanas. Era um rolê tão de humanas, mas tão de humanas, que estava tocando Tim Maia racional e tinha seda para vender no caixa do bar. A comida era servida no quintal e como a casa ficava num ponto bem alto do bairro sem prédios na frente, dava pra ver a cidade lá embaixo. Moça na fila puxa conversa:

"Nunca vi isso aqui tão lotado."

"Pelo menos a vista é bonita. Dá pra ver a Pompéia inteira daqui."

"Aff, aqui é Perdizes, Pompéia é aquele lixo do outro lado da avenida."

Eu fiquei meio chocada, sabem? Porque embora de acordo com os correios ela tenha razão, estávamos em um ponto especialmente FFLCH de Perdizes, quase na divisa e se perguntássemos a qualquer um naquele estabelecimento que bairro era aquele, todo mundo responderia "Pompéia", tenho certeza. E você não sai por aí chamando de lixo o pedaço onde 90% do povo daquele bar mora. Não importa o que sua correspondência diga: a avenida Alfonso Bovero é Pompéia e pronto.

Talvez um moço da Pompéia tenha partido o coração daquela moça. Dizem que eles são muito sedutores. Isso explicaria, mas não justificaria, tanta amargura. Eu sigo gostando muito dos três bairros, mas de Perdizes um pouquinho menos. Perdizes faz você tirar os sapatos para entrar na casa dela.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A saga do oftalmologista parte 532

Atenção: este texto contém linguagem inapropriada para menores pois estou putíssima

Eu sou míope dessas da vida, né? Uso óculos desde criança e hoje tenho cerca de 6 graus de cada lado plus um pouco de astigmatismo, o que significa que no fundo, no fundo, eu não enxergo direito nem com óculos, nem com lentes, que dificilmente dão conta dos dois defeitos juntos. E com isso eu vivo no consultório do oftalmologista.

Anos de consultório. Quase 30. E nos últimos tempos tenho tido uma dificuldade imensa em encontrar algum oftalmo que não seja grosso, sem noção ou simplesmente não tenha aquela atitude de "I don't give a shit se você enxerga mal, minha filha". Cheguei à conclusão que oftalmologista é aquele cara que odeia gente mas queria ser médico de qualquer jeito.

Teve um que, dois anos atrás, olhou meus exames e tacou na minha cara "isso aí é ceratocone" sem me explicar o que isso significava, sem propor um tratamento, nada. Tive que procurar um particular caríssimo que olhou na minha cara, me fez perguntas, me examinou direito e me acalmou. Não era. Era só uma córnea meio cagada mesmo, mas que não me deixaria cega a longo prazo. Daí, depois de mais algumas consultas com o tio caríssimo e a certeza de que eu era só mesmo muito míope, decidi voltar aos oftalmos do plano de saúde por motivos de: pobreza.

Passo pela cidadã. Exame de acuidade visual sempre um drama, né, eu sou indecisa, cês querem que eu me decida entre duas lentes que pra mim não tem diferença nenhuma, é complicado. Odeio. Diante da suspeita de ceratocone de dois anos atrás a tia decide me pedir exames que poderiam ter sido feitos ali na hora, na clínica mesmo mas que por motivos de oftalmologista é tudo filho da puta ela me faz ligar na central pra marcar. "E já marca o retorno no mesmo dia que assim a gente dilata sua pupila uma vez só."

Dilatar pupila, essa delícia.

Ligo na central e só consigo marcar os exames e o retorno pra dali a três semanas. Três fucking semanas para um negócio que ela podia ter resolvido ali na hora. Fico putíssima pois estou sem lentes e com a receita dos óculos vencida e vou ter que esperar mais três semanas. Ligo em outra clínica e marco os mesmos exames e a consulta para dali a 3 dias.

O arrombado do oftalmo dessa segunda clínica faz os exames mas se recusa a me dar a receita das lentes. Assim mesmo, "não vou te passar a receita das lentes porque você veio de outro médico". Cês sabem por que, coleguinhas? Porque estes mercenários do caralho recebem comissão pelas lentes de contato e se ele me passasse a receita estaria roubando a comissão da coleguinha.

Foda-se que eu estou sem lentes. Foda-se que eu não estou enxergando direito. Miopia não mata, né, não dá processo.

Mas pode deixar. Tem um espacinho especial no inferno para oftalmologista de plano de saúde. Fica bem lado da galera que ouve música sem fone no transporte público e dos motoristas de táxi que tem saudade da ditadura.