quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Vida de aeroporto

Quem ouve pensa que sou um jet-setter, mas não é o caso. Foi pura coincidência eu ter que visitar Guarulhos duas vezes em uma semana, mas enfim. Porto Alegre foi casamento, agora estou em Brasília para o natal com minha irmã.

Cheguei ontem ao aeroporto munida de uma dose extra de paciência. Fim de ano, aeroviários putinhos e tramando greve, todo mundo de saco cheio - seria um longo dia.

Começou mal, com uma hora de espera para o check-in. Nunca vi tanta gente enrolada, cada um que parava no balcão ficava 15, 20 minutos. Nêgo que não sabe o número do voo, nêgo que não sabe o horário, até gente no aeroporto errado tinha. Sério, se você está na Tailândia e não consegue ler placas nem nada poda haver uma possibilidade de ir ao aeroporto errado - mas se você é brasileiro e não sabe a diferença entre Congonhas e Cumbica, ó, se mata.

Meu pânico de atraso me fez ir para a sala de embarque quase duas horas antes do voo. Nesse período o portão mudou quatro vezes - péssimo sinal. Mal sabia eu que minha sorte estava prestes a mudar.

Pra começar o avião saiu no horário. Como assim, minha gente? Como assim em um voo marcado para as 18:40 eu embarquei as 18:15? Oi?

Meu assento, para variar, era o do meio. Amo. Mas de novo, eis que o destino me sorri - ninguém senta na janela. E lá vou eu, contentinha, sem uma alma do meu lado disputando meu espaço com o cotovelo.

No trajeto, nenhuma criança chorando. Nenhuma tia sentada longe da amiga gritando pelos corredores. A mais absoluta paz. Incrível.

Para completar meu dia iluminado eis que eu, a rainha da esteira, a que sempre fica mofando eternamente a espera da bagagem, vejo despontar minha mala - a primeira da leva. Nunca antes na história deste país.

Gastei minha cota de sorte de fim de ano em um dia só. Espero que tenha sobrado um pouquinho, pois ainda tem reveillon em Juqueí. (Bate na madeira)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Como entreter seus filhos no aeroporto

Estava lá na sala de embarque vendo o horário do meu vôo para Porto Alegre apresentar-se cada vez mais distante. Já tinha jogado Tetris, feito palavra cruzada, lido a revistinha náutica do queridão, me xingado mentalmente por ter esquecido meu livro, tentado tuitar pela internet de bosta do celular, ido ao banheiro 20 vezes. Assunto com queridão acabou. Me restou prestar atenção aos meus companheiros de atraso.


Crianças, né? Sempre tem. As pessoas gostam de procriar. E criança entediada, falo com conhecimento de causa, é o instrumento do capeta. A mãe tem duas opções - uma é dar atenção ao petiz. Os pequenos em geral são fáceis de entreter - um guardanapo e uma caneta, um livrinho de colorir comprado na banca, um joguinho idiota no celular e para os maiores uma brincadeirinha boba de ir falando os nomes de animais em ordem alfabética (taí uma coisa que TODA criança gosta - bicho). O importante é que as atividades se alternem a cada dez minutos no máximo.

Mas né? Dar atenção aos filhos as vezes dá um trabaaaalho. Bom mesmo é largar o bundão na cadeira e deixar a molecada correndo e gritando ensandecida entre os outros passageiros. Porque afinal de contas, seus filhos não são problema seu - os outros que aguentem, já que você tem anos de treino para não se incomodar com a zona que eles fazem.

Eu fico besta de ver como certos pais resolvem simplesmente ignorar o fato de que seus filhos estão organizando uma mini gincana do Gugu em lugares públicos. Eles correm, berram, se batem, batem na mesa, mexem nas coisas dos outros, choram - e a mãe lá, fazendo que não é com ela. Um casal de amigos contou que no vôo Curitiba - Porto Alegre foram na frente de uma criança que tinha feito cocô - sim, eles sentiram o cheiro - e a mãe não trocou. Deve ter pensado "ah, é um vôo de uma hora, e daí que está fedendo? Se eu aguento todo mundo pode." Gente?

Daí que na sala de embarque havia famílias dos dois tipos. Em uma pai e mãe se revezavam distraindo a menina (que tinha uns cinco anos). Brincavam com i-pad, davam uma música para ela ouvir, de vez em quando levantavam para dar uma voltinha sem incomodar ninguém. Outras duas mulhers com três crianças faziam exatamente o contrário. Um menino de uns oito anos, e duas meninas pequenas, de três ou quatro. O menino mergulhava no chão, corria atrás das duas, puxava cabelo, brincava de se esconder atrás das cadeiras dos outros. As meninas gritavam com aquele pulmão que só quem convive com crianças dessa idade conhece. As mães? Nem tchum. Afinal, se não as estava incomodando, danem-se os outros. É assim que funciona.

Noção, não trabalhamos.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Personal hide button

E eu ultimamente ando fazendo muito uso do botãozinho "hide" do facebook, sabem? Começou a postar foto de micareta e letra do Chiclete, deu de fazer chat no status, contagem regressiva até pra tratamento de canal, resolveu postar em alemão, me marcou em milhares de fotos cagadas? - hide nocês. Limpa a página, alivia o stress e não prejudica ninguém.

Agora imaginem vocês se todo mundo contasse com um "personal hide button", que maravilha seria. Num clique você desliga o cidadão que está lá enchendo o saco e ele não percebe. A vida dele segue, ele continua incomodando os outros. A você? Não mais.

No more taxistas conversadores. No more bêbado galanteador na balada. Chega de colega de trabalho reclamona, de vizinha que grita no elevador, de criança chata comendo bem ao seu lado no shopping, de comentaristas de cinema. Off com esse povo todo, não seria lindo?

Meu sonho. Rola me dar um desses no Natal, Papai Noel?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Eu não queria

Eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas estou só reclamando aqui no meu cafofo.

Hoje eu não queria, sabem?

Não queria sair na chuva.
Não queria substituir a professora que resolveu parir 15 dias antes do planejado.
Não queria sorrir e fazer a simpática para uma penca de alunos que eu não conheço.
Não queria olhar para a cara daquela aluna chatésima que me interrompe na hora do café para fazer perguntas do nível: "por que aqui é is e não are?"
Não queria almoçar um folhado de espinafre.
Não queria dar aula na salinha do financeiro cujo controle do ar condicionado está desaparecido e onde faz 14 graus o tempo todo.

Eu tenho o direito de não querer, né? Mas fiquei na vontade.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Descobertas

Aos onze anos eu descobri que era hora de começar a ter vergonha das minhas bonecas.


Aos quinze anos eu descobri que um coração partido dói muito mais que uma topada no dedão.

Aos quinze também descobri que um coração partido cura-se com sorvete e sapatos novos.

Aos dezesseis anos eu descobri que detestava Clarice Lispector e amava Lygia Fagundes Telles.

Aos dezoito anos eu descobri que uma das pessoas que eu mais amava no mundo podia me machucar completamente sem querer partindo em silêncio numa manhã de sábado.

Aos vinte e um descobri que cheques pré datados, um dia, caem.

Aos vinte e dois descobri que três minutos parecem três horas diante de um teste caseiro de gravidez.

Aos vinte e dois descobri também que havia chegado o dia em que menstruar não seria uma chateação, mas um alívio.

Aos vinte e três descobri que três horas parecem três minutos ao lado do cara certo.

Aos vinte e três também descobri o quanto o cara certo pode estar errado.

Aos vinte e cinco descobri que não tinha nascido para ter cabelos compridos.

Aos vinte e oito descobri que seria escrava da tintura castanho médio da L'Oreal para sempre.

Aos trinta descobri que o amor pode ser tranquilo.

Fiz trinta e dois sexta-feira passada, e descobri que ainda não sei passar protetor solar direito. Tá ardendo, tia!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Woody Allen me entende

Incorporei a crítica de cinema, dá licença?

Já falei por aqui do meu amor pelo Woody Allen, né? Pois voltei para reafirmá-lo depois de ter assistido Você vai conhecer o homem dos seus sonhos.
Eu amo Woody Allen por um motivo simples: ele coloca o dedo na ferida delicadamente. Ele sabe o que nos incomoda, o que nos machuca, e faz questão de nos lembrar disso o tempo todo. Ele narra as relações humanas de um jeito tão verdadeiro e tão universal que é impossível não se identificar com pelo menos meia dúzia de personagens dele. E ele faz isso com charme. Eu adoraria viver num filme dele, na Nova York ou, mais recentemente, na Londres que ele retrata.
Muita gente não entende. Sai do cinema ou desliga o DVD achando que não viu nada de especial ali, talvez porque esperasse de um diretor tão cultuado algo espetacular, e mr. Allen não faz nada de espetacular. Ele fala de pessoas que podiam ser nossos vizinhos, colegas de trabalho, irmãos. Todo mundo tem um personagem dele na família. E todo mundo, em algum momento, vai assistior a uma cena qualquer, de um filme qualquer e pensar: "uai, e não é que é isso mesmo?"
Em Igual a Tudo na Vida o personagem do Jason Biggs é mais um escritor frustado perdido em Nova York e preso a uma relação completamente neurótica com uma atrizinha pé-no-saco interpretada pela Christina Ricci. Ele pega um táxi e começa a filosofar sobre a vida, o universo, sobre porque as pessoas são assim e blábláblá e, do nada, o taxista diz: "É, meu filho, já viu... É igual a tudo na vida." É tão óbvio e faz tanto sentido que acaba sendo genial.
Você vai conhecer o homem dos seus sonhos fala de ilusão - o homem de meia idade que se casa com uma garota de programa e paga para que ela diga o que ele quer ouvir, a divorciada que crê piamente em tudo que uma vidente charlatona diz porque a vidente diz o que convém a ela (a divorciada), o escritor frustado que acha que ainda vai emplacar um sucesso editorial, a mulher do escritor, infeliz no casamento, que acredita que pode ter uma chance com o chefe rico e charmoso. Todo mundo já passou por isso. Todo mundo já se iludiu com um amor, uma carreira, uma amizade, um bem material que supostamente resolveria qualquer problema.
Ao mesmo tempo o filme conclui que, ilusão ou não, no fundo é tudo questão de ponto de vista - as chances são sempre 50%. O livro pode ser aceito ou não, o chefe pode se interessar por ela ou não, o filho que a garota de programa espera pode ser do homem de meia idade ou não. É meio a meio. O problema é quando esse meio a meio também vira ilusão. Quando ele deixa de existir e passa a haver apenas uma opção, e nós contiuamos fingindo que a outra possibilidade ainda está lá.
O filme deixa isso no ar. Não sabemos quais eram as chances reais de cada um. Saímos do cinema com aquela sensação de semi-derrota mas de certo conforto, do tipo "olha aí, o Woody Allen me entende..."

sábado, 4 de dezembro de 2010

Sobre cinema

Malzaê, mas tenho preguiça de filme nacional. Tenho preguiça de sotaque nordestino (e gente, eu amo sotaque nosdestino), tenho preguiça de favela, tenho preguiça de garota de programa, tenho preguiça do elenco da Globo achando que faz cinema, tenho preguiça do Wagner Moura, do Lázaro Ramos e do Selton Mello. Para os três últimos faço uma concessão a Saneamento Básico, um filme feito no Sul que ninguém viu e que eu acho divertidíssimo e O Cheiro do Ralo, que é o tipo de filme que eu gosto, que dá um soco no estômago sem dar lição de moral depois. O resto acho uma bosta. Sempre que eu assisto um filme brasileiro tenho a sensação de que o diretor queria mesmo é ter aparecido no final dizendo: "desculpaí, gente, foi o que deu pra fazer." E acho pior ainda quando comparo com as coisas que chegam até aqui feitas pelos nossos vizinhos cuja capital é Buenos Aires.

Não é por nada não, mas os argentinos sabem fazer as coisas. Ganharam o Oscar esse ano com um filme que está há anos-luz de qualquer filme nosso que já concorreu à estatueta, O Segredo dos seus Olhos. História bem contada, bem executada (quem assistiu me explique o que foi aquela cena do estádio), atuações de cair o cu da bunda. Filme. De verdade. Na minha lista de top 10 tenho esse e Nove Rainhas muito bem colocados.

E hoje eu assisti Abutres. E de novo saí embasbacada do cinema. Mais uma vez os hermanos foram lá e jogaram na nossa cara que sabem fazer um thriller que nós aqui ainda vamos ter que comer muito feijão para conseguir chegar perto.

E o Ricardo Darín, ao contrário do Antônio Fagundes, está ficando velho mas ainda dá um caldo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Esquadrão da moda

Os fofuxos estão aprendendo os nomes das roupas em inglês. Uma das atividades do livro era ler um textinho e colorir as peças de uma menina de acordo com as instruções. Fofuxa me chama:

"Teeeacher, foi você que fez esse exercício?" (Não sei porque eles SEMPRE acham que fui eu quem escreveu o livro didático).

"Não fui eu não, Malu, foi a fulana de tal, aí na contracapa."

"Aaah, tá, então eu posso falar."

"Falar o que?"

"Poxa, teacher, que falta de gosto, né? Mandar pintar o vestido de rosa e o sapato de verde? Nem combina!"

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

I said no, no, no...

Motivos pelos quai eu não vou ao show da Amy Winehouse:

- A meia entrada para a pista já esgotou. (Oi, professora fodida?)
- Vai ter pista e pista VIP. E pista VIP pra mim é o apartheid do entretenimento, é jogar na cara dos outros que, olha, vocês são pobres, feios e maloqueiros e por isso merecem ficar lá atrás enxergando o cabeção dos ricos que pagaram 500 reais.
- Por mais que eu goste da Amy admito que há uma chance considerável do show: a) não acontecer por falta de condições da atração principal; b) durar três músicas e ser encerrado por falta de condições da atração principal ou c) durar duas horas e ser uma bosta por falta de condições da atração principal.

É Amy, fica pra próxima.