segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Como entreter seus filhos no aeroporto

Estava lá na sala de embarque vendo o horário do meu vôo para Porto Alegre apresentar-se cada vez mais distante. Já tinha jogado Tetris, feito palavra cruzada, lido a revistinha náutica do queridão, me xingado mentalmente por ter esquecido meu livro, tentado tuitar pela internet de bosta do celular, ido ao banheiro 20 vezes. Assunto com queridão acabou. Me restou prestar atenção aos meus companheiros de atraso.


Crianças, né? Sempre tem. As pessoas gostam de procriar. E criança entediada, falo com conhecimento de causa, é o instrumento do capeta. A mãe tem duas opções - uma é dar atenção ao petiz. Os pequenos em geral são fáceis de entreter - um guardanapo e uma caneta, um livrinho de colorir comprado na banca, um joguinho idiota no celular e para os maiores uma brincadeirinha boba de ir falando os nomes de animais em ordem alfabética (taí uma coisa que TODA criança gosta - bicho). O importante é que as atividades se alternem a cada dez minutos no máximo.

Mas né? Dar atenção aos filhos as vezes dá um trabaaaalho. Bom mesmo é largar o bundão na cadeira e deixar a molecada correndo e gritando ensandecida entre os outros passageiros. Porque afinal de contas, seus filhos não são problema seu - os outros que aguentem, já que você tem anos de treino para não se incomodar com a zona que eles fazem.

Eu fico besta de ver como certos pais resolvem simplesmente ignorar o fato de que seus filhos estão organizando uma mini gincana do Gugu em lugares públicos. Eles correm, berram, se batem, batem na mesa, mexem nas coisas dos outros, choram - e a mãe lá, fazendo que não é com ela. Um casal de amigos contou que no vôo Curitiba - Porto Alegre foram na frente de uma criança que tinha feito cocô - sim, eles sentiram o cheiro - e a mãe não trocou. Deve ter pensado "ah, é um vôo de uma hora, e daí que está fedendo? Se eu aguento todo mundo pode." Gente?

Daí que na sala de embarque havia famílias dos dois tipos. Em uma pai e mãe se revezavam distraindo a menina (que tinha uns cinco anos). Brincavam com i-pad, davam uma música para ela ouvir, de vez em quando levantavam para dar uma voltinha sem incomodar ninguém. Outras duas mulhers com três crianças faziam exatamente o contrário. Um menino de uns oito anos, e duas meninas pequenas, de três ou quatro. O menino mergulhava no chão, corria atrás das duas, puxava cabelo, brincava de se esconder atrás das cadeiras dos outros. As meninas gritavam com aquele pulmão que só quem convive com crianças dessa idade conhece. As mães? Nem tchum. Afinal, se não as estava incomodando, danem-se os outros. É assim que funciona.

Noção, não trabalhamos.

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