quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Diário do mês sem álcool III

Mês sem álcool não resistiu à beleza e à malemolência do Rio de Janeiro e terminou num copo de chope no Leblon. E numa caipirinha em Santa Teresa. E numa garrafa de Original na Lapa. 

Eu já disse que amo o Rio? 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Diário do mês sem álcool II

Acho que ter escolhido o final do ano para colocar em prática meu mês sem álcool só comprova que eu não sou assim muito esperta porque né? Novembro e Dezembro são aqueles meses de altas comemorações e tals.

Sábado teve aniversário do meu padrasto, na chácara dele no interior. Festa começou meio-dia, eu tive que trabalhar e só cheguei às cinco da tarde.

Fui chegando no portão e ouvi os parabéns. Cheguei bem na hora, pensei. Resolvo ir até a piscina (onde rolava a festa) cortando caminho por dentro da casa e encontro minha prima tirando o bolo de dentro da geladeira. Sim, estavam cantando parabéns sem o bolo, calculem o estado da galera. Minha prima pede minha ajuda pois está bêbada e o bolo está pesado. Carrego o bolo até a piscina enquanto sujo minha roupa com glacê - não tem lugar pra colocar. Galera estava cantando parabéns para uma mesa cheia de copos plásticos e restos de churrasco.

Nisso estou eu, um bolo de 10 quilos e 547 tios e primos bêbados querendo me abraçar. Arruma um lugar na mesa, gente, pelamor. Me livro do bolo e a filha da vizinha da minha mãe, que tem 2 anos e sei lá porquê me ama sai correndo da piscina e se joga no meu colo. Então agora sou eu, um vestido cheio de creme, uma criança de dois anos molhada no meu colo e 547 tios e primos bêbados querendo me abraçar. E sóbria.

Uma coisa é fato: nada como estar sóbria no meio de gente bêbada para se sentir muito querida.


domingo, 1 de novembro de 2015

Saindo do armário

Prazer, meu nome é Paula e eu sou introvertida. 

Durante 36 anos eu evitei usar essa palavra porque me ensinaram desde pequena que ela representava uma coisa ruim. Você tem que sorrir, Paula. Você tem que conversar com todo mundo, Paula. Ninguém gosta de gente quieta. Não fica no seu canto lendo o tempo inteiro senão vão achar que você é chata. Vai lá com as crianças, faz uns amigos. 

Pois levou 36 anos e um pouco de terapia para que eu pudesse vir aqui e dizer o seguinte: eu não preciso sorrir o tempo inteiro. Eu preciso ser educada e respeitosa, mas eu não preciso ser a melhor amiga de infância de todo mundo. Eu posso ficar no meu canto lendo sim e se alguém me achar chata por isso, desculpa, não preciso ser amada por todo mundo. Tudo bem ser amada por algumas pessoas incríveis e só. Eu não posso ser grossa ou desagradável, mas tudo bem não querer ficar rodeada de gente desconhecida o tempo todo.

Se você tem um pequeno introvertido em casa, não diga para ele "dá um sorriso para a tia, vai lá brincar com seus primos." Diga pra ele que tudo bem. Muita gente legal é introvertida: a J.K. Rowling, a Emma Watson, o Bill Gates, a Christina Aguillera. Einstein e Audrey Hepburn eram também. Ser introvertido não é ser antissocial. Não é ser triste nem ser sério e é totalmente diferente de ser tímido. Não é ruim, não é um defeito, não é algo que atrapalha a minha vida - a não ser quando me cobram ser diferente.