domingo, 1 de novembro de 2015

Saindo do armário

Prazer, meu nome é Paula e eu sou introvertida. 

Durante 36 anos eu evitei usar essa palavra porque me ensinaram desde pequena que ela representava uma coisa ruim. Você tem que sorrir, Paula. Você tem que conversar com todo mundo, Paula. Ninguém gosta de gente quieta. Não fica no seu canto lendo o tempo inteiro senão vão achar que você é chata. Vai lá com as crianças, faz uns amigos. 

Pois levou 36 anos e um pouco de terapia para que eu pudesse vir aqui e dizer o seguinte: eu não preciso sorrir o tempo inteiro. Eu preciso ser educada e respeitosa, mas eu não preciso ser a melhor amiga de infância de todo mundo. Eu posso ficar no meu canto lendo sim e se alguém me achar chata por isso, desculpa, não preciso ser amada por todo mundo. Tudo bem ser amada por algumas pessoas incríveis e só. Eu não posso ser grossa ou desagradável, mas tudo bem não querer ficar rodeada de gente desconhecida o tempo todo.

Se você tem um pequeno introvertido em casa, não diga para ele "dá um sorriso para a tia, vai lá brincar com seus primos." Diga pra ele que tudo bem. Muita gente legal é introvertida: a J.K. Rowling, a Emma Watson, o Bill Gates, a Christina Aguillera. Einstein e Audrey Hepburn eram também. Ser introvertido não é ser antissocial. Não é ser triste nem ser sério e é totalmente diferente de ser tímido. Não é ruim, não é um defeito, não é algo que atrapalha a minha vida - a não ser quando me cobram ser diferente. 

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