segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Como fazer uma pesquisa escolar

- Jogue no google: pintor francês.
- Vá parar na página da wikipedia sobre o Picasso*.
- Ligue a impressora.
- Aperte o print screen.
- Entregue para a sua professora.


* Como a criatura vai parar no Picasso digitando "pintor francês"? Não faço idéia, mas as mentes da quarta série funcionam de um jeito que desafiaria até Freud.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

É disso que eu estou falando!

Acompanhem atentamente o vídeo:

http://tvig.ig.com.br/164208/flagrante-em-escola-do-rs.htm

A professora não podia ter ofendido o moleque. Acabou perdendo a razão. Mas ver a mãe do vândalo com aquela cara de lesa querendo nos convencer de que seu filho pichador é um coitadinho e está traumatizado por ter sido obrigado a pintar a parede é demais para o meu pobre coração docente.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Psicologia infantil

Estou a caminho do trabalho ouvindo o rádio hoje de manhã quando entra no ar uma psicóloga para responder dúvidas sobre educação dos filhos. Ela recebe uma mensagem de um pai reclamando que todo dia recebe bilhetes dos professores a respeito do mau comportamento de seu filho de 8 anos. O bonitão então questiona se a escola não deveria lidar com essas questões de disciplina e se ele é obrigado mesmo a saber de TUDO que o moleque apronta na sala de aula.
Fosse eu no lugar da psicóloga teria prontamente respondido: "Se o senhor desse uma boa chinelada nesse garoto cada vez que chegasse uma reclamação garanto que elas diminuíriam de frequência em pouquíssimo tempo."
Mas eu não sou psicóloga. Eu sou a professora incompetente que não sabe lidar com um moleque que não aprendeu em casa a respeitar os outros e que tem um pai que está pouco se lixando pra isso. E sou obrigada a ouvir logo cedo a psicóloga responder que isso é mesmo problema da escola e que essa cultura do bilhetinho tem que acabar.
É uma batalha perdida. Definitivamente.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Educação sexual (muito) precoce

Estou eu fazendo minha ronda diária pelos sites de fofoca quando me deparo com a seguinte nota:

Bárbara Borges autografa 'Playboy' para os filhos de Huck e Angélica
A atriz lançou seu ensaio nu no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 17
Do EGO, no Rio

Bárbara Borges surpreendeu ao autografar um exemplar da "Playboy" para Joaquim e Benício, filhos de Luciano Huck e Angélica, nesta quinta-feira, 18. A atriz lançou seu segundo ensaio em uma livraria do Leblon, Zona Sul do Rio, com a presença da empresária, Marcia Marbá, irmã de Angélica. Será que a titia vai levar o presentinho de Bárbara para os meninos?!

Pode ser brincadeira. Aliás, eu espero sinceramente que seja brincadeira e que essa tia louca esteja planejando guardar essa revista e entregar para os moleques quando eles efetivamente tiverem idade pra isso. Por que os dois hoje tem quantos anos? Cinco, seis?
Eu já tinha falado sobre isso no meu blog antigo - eu tive um aluno que na quarta série baixava conteúdo da playboy no celular. Criança pode até ter curiosidade sobre essas coisas, e tal, mas só chega a esse ponto se for incentivado por alguém, normalmente pelo pai que é um ogro e morre de medo do filho crescer e "virar viado", ou pelas mulheres da família que são um bando de reprimidas e acham bonitinho que aos cinco anos o moleque já saiba o que é "buceta". Coisa de gente que no meu mundo perfeito teria reprovado no teste pra ser pai e mãe.

Agora, se a tia louca der a revista para os moleques hoje, só espero uma coisa: que pelo menos um dos dois loirinhos fofos manifeste nojinho e corra para brincar com as Barbies da prima.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Estes são meus alunos

Falando durante a aula sobre aparência e clichês afins (enganam? não enganam? importam?) numa turma de empresa, uma aluna conta uma história com a maior cara de corrente repassada por e-mail.

Diz que, numa dinâmica de grupo, o povo todo estava na sala de reuniões esperando o avaliador chegar. Aquela tensão, nêgo nem respira de medo de ser avaliado por isso. A porta da sala se abre e entra a faxineira do escritório empurrando um carrinho com produtos de limpeza. Alguma coisa cai no chão, ela pede ajuda a um candidato e ele, não querendo sujar a roupa, nega. Outra pessoa a ajuda e ela sai da sala. Minutos depois a porta é aberta outra vez e quem entra é a mesma faxineira, mas agora vestida de executiva. Ela era na verdade a diretora de RH da empresa e imediatamente dispensa o candidato que recusara ajuda minutos antes.

Ao ouvir essa história um outro aluno retruca:
"Deus me livre, eu é que não ia querer trabalhar nessa empresa de gente louca, que tem um diretora de RH que se veste de faxineira pra brincar de pegadinha do malandro!"
´
Eu "si" divirto. Muito.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ignorância sem limites

O sujeito dá aula de Geografia. Eventualmente, portanto, falará sobre Geopolítica com os alunos do ensino médio. Inevitavelmente, nesta época do ano, mencionará o 11 de setembro.
E aí o sujeito solta a seguinte pérola na sala dos professores: "Até que morreu pouca gente no 11 de setembro. O que são 3 mil pessoas perto do tanto de gente que os Estados Unidos já mataram?"
Alguns professores concordam. Outros ficam quietos. Eu, em nome da boa educação e da convivência, me levanto e vou buscar um café. Porque não fosse por estes detalhezinhos de civilidade e tal, eu teria retrucado:
"Então tá liberado. Deixa o Paraguai invadir o Brasil e matar uns 250 mil, que pelas minhas contas é o que a gente ficou devendo pra eles. E o povo da América Latina pode ir pra Espanha e dizimar a população inteira do país que ainda assim não vai fechar a conta dos nativos que a espanholada dizimou. E Hiroshima na verdade foi bem feito, o que aqueles japas tinham que se meter lá em Pearl Harbor? Porque é assim que gente esperta pensa, né?"
Ou talvez, se eu tivesse um pouco mais de senso de humor, teria dito alguma coisa do tipo: "Meu irmão morreu no World Trade Center."

E esse cara vai dizer essas coisas para a molecada, que já acha lindo odiar os Estados Unidos. Sério, que energúmeno.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cheshire Cat e a CPTM

Não tendo nascido com o sobrenome Safra, Grendene ou Diniz, eis que agora toda terça e quinta tenho que estar as sete e meia da manhã na avenida das Nações Unidas para dar aulas a um pessoal em uma corretora de seguros. Sendo eu uma habitante não motorizada da Zona Oeste me restam as seguintes opções para chegar lá em horário tão salubre:



a) Acordar as cinco da manhã e ir de ônibus

b) Pegar um helicóptero

c) Enfrentar o trem da famigerada Companhia Paulista de Transporte Metropolitano.

A primeira opção está aí só pra constar. Na verdade ela não existe. Eu não tenho roça pra carpir para acordar cinco da matina, né minha gente? A segunda opção também não me parece das mais acessíveis uma vez que não pertenço a nenhuma das famílias supracitadas, portanto só me restou o comboio mesmo.
Devo confessar que eu, menina criada em apartamento acarpetado na Praça da Árvore, sempre tive uma imagem péssima dos trens de São Paulo. Tinha uma leve lembrança de pegar o trem para Osasco com papis (que pagava para não ter que dirigir) quando ele ia até lá receber um aluguel. Isso nos anos 80, quando a coisa não deveria ter metade da lotação que tem hoje. Enfim, tive que enfrentar meus temores e lá fui eu, bela e faceira, até a estação da Lapa.
Os trens de São Paulo se dividem em duas categorias: os feios, trash e sujinhos e o bacana, que faz a linha da marginal Pinheiros. Esse é limpinho, tem ar condicionado, as estações tem até escada rolante. Para chegar ao trem bacana eu enfrento três estações no trash e de lá troco de linha. Em meia hora estou na estação Vila Olímpia.
O caso é que nestas minhas viagens descobri uma coisa: o pessoal do trem é infinitamente mais civilizado que o do ônibus. Tudo bem que eu faço a maior parte do trajeto na linha "boa", mas ainda assim, transporte coletivo é aquela coisa: tudamemamerda. E em quinze dias pegando o trem com certa regularidade ainda não cruzei com nenhum mano ouvindo black invocadão sem fone, nenhum bando de creiças gritando e comendo cheetos, nenhuma mãe com cinco crianças chacoalhando e enchendo o saco de todo mundo. Tem sido, enfim, uma experiência muito menos dolorosa do que eu supunha. Espero que continue assim.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Descendo até o chão

Então eu ligo a TV e vejo pela milésima vez a tal da professora baiana que perdeu o emprego por dançar até o chão num vídeo do Youtube. Não vou colocar o vídeo aqui por que todo mundo já deve ter visto e este blog tenta manter o nível sempre que há essa possibilidade. As cenas são constrangedoras - a música se intitula "Tudo enfiado" e a moça em questão não se contenta em agachar em posição praticamente ginecológica como levanta o vestido para ilustrar o nome da música enquanto um cidadão realiza um papanicolau na mesma com o celular.
A moça, professora de ensino fundamental, foi mandada embora e agora aparece em tudo quanto é programa lado B para se dizer injustiçada. Ela alega que estava bêbada. Eu já fiquei muito bêbada nessa vida, mas caramba, quão breaca uma pessoa precisa ficar para levantar a saia e mostrar a bunda em cima de uma palquinho xexelento ao som de "tudo enfiado"?

Não, pessoas, não me venham com essa história de "fora do trabalho ela pode fazer o que quiser." Pode mesmo, fazer a merda que quiser. Eu poderia dizer que ela deu foi um tremendo azar por ter sido filmada, por ter sido colocada na inernet, enfim. Puro azar. Mas não me venha reclamar de ter perdido o emprego por isso.

Não é moralismo. Imaginem essa moça na próxima reunião de pais. Imaginem essa moça circulando na hora do intervalo entre os moleques do ensino médio. Imaginem os alunos dessa moça vendo o fiofó dela exposto ali, pra quem quiser apreciar. Não dá. Não daria em qualquer situação profissional, se ela fosse bancária, secretária, funcionária pública, qualquer coisa. Estaria ferrada de qualquer jeito. Mas sendo professora, lidando com crianças, a coisa obviamente toma proporções muito maiores.

Ela foi azarada. Só isso. Tivesse ficasse quieta, daqui a seis meses ninguém ia lembrar da história e ela voltaria a trabalhar normalmente. Mas não né? O povo precisa aparecer, se fazer de coitado. Agora aguenta, filha. Por que com essa cara, nem um contratinho com a Sexy tu vai conseguir.