quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cheshire Cat e a CPTM

Não tendo nascido com o sobrenome Safra, Grendene ou Diniz, eis que agora toda terça e quinta tenho que estar as sete e meia da manhã na avenida das Nações Unidas para dar aulas a um pessoal em uma corretora de seguros. Sendo eu uma habitante não motorizada da Zona Oeste me restam as seguintes opções para chegar lá em horário tão salubre:



a) Acordar as cinco da manhã e ir de ônibus

b) Pegar um helicóptero

c) Enfrentar o trem da famigerada Companhia Paulista de Transporte Metropolitano.

A primeira opção está aí só pra constar. Na verdade ela não existe. Eu não tenho roça pra carpir para acordar cinco da matina, né minha gente? A segunda opção também não me parece das mais acessíveis uma vez que não pertenço a nenhuma das famílias supracitadas, portanto só me restou o comboio mesmo.
Devo confessar que eu, menina criada em apartamento acarpetado na Praça da Árvore, sempre tive uma imagem péssima dos trens de São Paulo. Tinha uma leve lembrança de pegar o trem para Osasco com papis (que pagava para não ter que dirigir) quando ele ia até lá receber um aluguel. Isso nos anos 80, quando a coisa não deveria ter metade da lotação que tem hoje. Enfim, tive que enfrentar meus temores e lá fui eu, bela e faceira, até a estação da Lapa.
Os trens de São Paulo se dividem em duas categorias: os feios, trash e sujinhos e o bacana, que faz a linha da marginal Pinheiros. Esse é limpinho, tem ar condicionado, as estações tem até escada rolante. Para chegar ao trem bacana eu enfrento três estações no trash e de lá troco de linha. Em meia hora estou na estação Vila Olímpia.
O caso é que nestas minhas viagens descobri uma coisa: o pessoal do trem é infinitamente mais civilizado que o do ônibus. Tudo bem que eu faço a maior parte do trajeto na linha "boa", mas ainda assim, transporte coletivo é aquela coisa: tudamemamerda. E em quinze dias pegando o trem com certa regularidade ainda não cruzei com nenhum mano ouvindo black invocadão sem fone, nenhum bando de creiças gritando e comendo cheetos, nenhuma mãe com cinco crianças chacoalhando e enchendo o saco de todo mundo. Tem sido, enfim, uma experiência muito menos dolorosa do que eu supunha. Espero que continue assim.

3 comentários:

  1. Peguei o sujinho durante um ano.Aguarde: o seu dia de Cheetos vai chegar.

    ResponderExcluir
  2. E anda do namorado levar a menina tb...

    Bjs

    ResponderExcluir
  3. Oi amiga. O trem que eu pego da ZL até a Luz é dos bonitos: vidro fumê, ar-condicionado, silencioso e semi-expresso. Isso não me dispensa de presenciar certas coisas. Confira: http://tioxavier.blogspot.com/search?q=TREM

    ResponderExcluir