quarta-feira, 27 de julho de 2011

Eu queria muito que meus colegas "tchítchers" entendessem de uma vez que bom mesmo era não ter que trabalhar. Que não existe trabalho perfeito (existem, é claro, alguns mais bem pagos que os outros, mas se você escolheu ser professor de inglês, beibe, vê-se logo que não é muito apegado a essa coisa de dinheiro). Que todo coordenador é chato e mais burro que você. Que toda escola tem problemas, e eles, incrivelmente, são SEMPRE iguais, as escolas só fingem que são diferentes para que você, tolinho, aceite trabalhar para elas. Que não é uma lousa interativa que vai fazer de você um professor melhor ou transformar seus alunos gênios da noite para o dia.

E parem, please, de reclamar na minha orelha. Porque a vida já é bem complicada sem esse baixo astral todo atrás de mim. 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Fofa II

Eu dei uma resumida na história no facebook mas bateu essa necessidade de desenvolver, sabem?

Eu estou dando aula para dois grupos num órgão público que prefiro não identificar porque, né? vai que nêgo dá um google no lugar e vem para aqui?

Enfim, órgão público. Centro de São Paulo, prédio meio velho (ontem a tampa do ar condicionado quase caiu na minha cabeça, configura acidente de trabalho?). Mas eles são legais, guardam meu material, o aparelho de som não desaparece, sempre tem canetão funcionando e não me fazem mudar de sala toda aula.

Não que aquelas pessoas precisem aprender inglês. Não precisam mesmo. Mas a empresa está pagando, os caras vão. O primeiro grupo é bacana, pessoal interessado, espertinho, engraçado, pontual (eles fazem lição de casa, gente!). O segundo vai acabar com minha alegria viver logo, logo.

São duas mulheres e um cara que se revezam nas aulas - nunca vem os três. Quando eu pergunto alguma coisa para o cara ele não dá dois segundos para pensar e responde: "Não sei."
As mulheres querem que eu traduza tudo. TU-DO. E ficam bravas se eu digo um sinônimo ou tento explicar. Última aula uma perguntou o que era modern. Respondi que era como em português e ela ficou me olhando com aquele Q maiúsculo brilhante na cara. Juro. E no final da aula disse, meio rindo: "mas nunca que eu ia perceber que aquilo significava moderno!"

Eu já dei aula pra gente que não reconhecia nome próprio em inglês ("tchítcher, o que é Jack?") mas nêgo que não tem um mecanismo básico de sobrevivência em língua estrangeira tipo reconhecer cognato é a primeira vez.

Mas piora. Depois da história do modern ela perguntou como se pronunciava uma frase que eu tinha escrito na lousa. Eu disse. Ela não conseguiu repetir. Disse de novo, mais devagar. Ela não conseguiu de novo. Daí ficou irritada e soltou:

"Dá pra falar mais devagar? Se eu soubesse inglês não tinha entrado no grupo de básico."

O bom é que eu não dou um mês pra essa criatura desistir do curso.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Os alunos e suas surpresas

Acordo na segunda feira com aquela preguiça de férias mas tenho que estar na Faria Lima as sete da manhã para repor uma aula particular que eu desmarquei porque, oi, queria ficar mais um pouco mais no bar.

O aluno é aquele moço do interior todo bonzinho, bem barbeado, nenhum fiozinho de cabelo fora do lugar que vai casar em setembro com a namoradinha de adolescência, sabem como é? Cara de quem não bebe cerveja, não gosta de gosta de futebol e ouve o acústico do Bon Jovi até hoje. Então.

Daí numa conversa a toa descubro que esse moço todo arrumadinho certa vez trancou a faculdade e foi morar um ano em Trancoso. Em Trancoso, gente. Quase perguntei se ele ficou fazendo tererê na praia, mas né? Ainda não estou com essa intimidade toda.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Fofa

Eu sei que eu não sou assim, um exemplo de bom humor. Reclamo bastante, costumo olhar feio para gente folgada no transporte público e não tenho lá muita paciência com quem não se esforça para resolver as coisas. Mas eu tento, na medida do possível, ser agradável com as pessoas e usar todos os meus "por favor", "obrigada", "desculpe" e "com licença" porque, fazer o que?, foi assim que minha mãe e as freiras do Instituto Santa Amália me ensinaram.

E eis que ontem eu precisei de um favor. Não era assim, um favor gigantesco. Não envolvia dinheiro, tempo, ou sair de casa de madrugada no meio de uma nevasca. Era algo que demandaria cinco minutos da única pessoa que poderia fazer aquilo por mim. Eu precisava da cópia do meu holerite de maio, que por uma razão misteriosa escafedera-se da pasta onde guardo essas documentações preciosas para uma futura financiada da Caixa Econômica Federal. Era só o holerite de maio de 2011, minha gente, não de janeiro de 1998.

Chego à secretaria da escola com aquela cara de quem sabe que fez coisa errada (burra, bagunceira, desorganizada, que absurdo perder um holerite!):
"Tudo bem, fulana? Eu preciso de um favor seu. Será que você poderia me arranjar uma cópia do meu holerite de maio?"
Pois a fofa respondeu em caps lock: "ISSO É ARQUIVO MORTO! EU ESTOU SAINDO DE FÉRIAS E NÃO VOU PARAR TUDO QUE EU ESTOU FAZENDO PARA PROCURAR ISSO PRA VOCÊ!"

Olha, não sei não. Mas anos de convivência com outros seres humanos meio que me ensinaram que há maneiras mais civilizadas de dizer a alguém que não pode resolver o problema dele. Especialmente se esse alguém trabalha com você.

Minha colega professora no colégio, que também já foi vítima da ira da secretária mal comida, tem razão. Isso é coisa de gente que não faz cocô.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Diálogo imaginário no cartório eleitoral

"Boa tarde, eu gostaria de regularizar a minha situação."

"Pois não, documentos." Digitadigitadigitadigita "A senhora não votou no segundo turno da última eleição, é isso? Estava fora do país?"

"Não moça, estava bêbada na praia mesmo."