quinta-feira, 28 de julho de 2016

Ah, os anos 2000!

Daí pessoal está conversando sobre todas as atrocidades fashion que cometeu na juventude:

"Eu usei estrelinha de plástico na testa igual a Mia do Rebelde"

"Eu usei muita regata por cima da camiseta, mas as Spice Girls usavam, então podia"

"E EU QUE CORTEI O CABELO IGUAL AO DA MARJORIE ESTIANO NA MALHAÇÃO?"


Ganhou, miga

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Superpoderes da vida real

Eu procurei mas não encontrei uma tirinha que eu vi uma vez sobre superpoderes da vida real. Não lembro de todos, mas entre eles tinha o poder de sempre achar uma vaga boa no estacionamento do shopping lotado ou de lembrar de tirar as latas de cerveja do freezer antes que elas congelem.

Eu também tenho um superpoder da vida real: eu sempre chego adiantada nos lugares. SEMPRE. Não tem chuva, não tem manifestação, não tem despertador quebrado, não tem trânsito cagado que façam com que eu me atrase. Jamais.

Eu já me programei pra chegar atrasada (porque sabia que ia ter que esperar) e ainda assim o ônibus passou antes, o trânsito estava ótimo, peguei todos os sinais abertos e cheguei: adiantada.

Ontem por exemplo, eu tinha que estar em um lugar bem longe de casa as 8 da manhã. Neste caso eu não queria chegar atrasada, mas chegar muito cedo também não seria uma boa ideia pois eu não conhecia a região e não sabia se teria algum lugar para eu ficar esperando, um café ou algo assim. Eu já tinha ido a lugares próximos a esse antes e tinha mais ou menos uma ideia de quanto ia demorar. Com base nesse cálculo tracei o caminho e fui. Saí de casa no horário planejado? Não, saí 10 minutos antes porque sou dessas.

Daí eu fui né? Pelo único trajeto que me ocorreu que era saindo do meu endereço antigo.

Meu endereço antigo fica a cerca de 4 km do endereço novo. Os dois são próximos a estações de trem, com uma diferença básica. Para ir até onde eu precisava, saindo do endereço novo, eu pego apenas uma linha de trem. Do endereço antigo preciso fazer uma baldeação e percorrer umas seis estações a mais. Mas é incrível como a gente faz as coisas no automático, e ontem, as seis da manhã, eu me vi PEGANDO UM ÔNIBUS para a estação de trem perto do meu apartamento antigo.

Sim.

Cês querem saber o que aconteceu?

Sete da manhã eu estava desembarcando na estação de trem próxima do lugar aonde eu tinha que estar as oito. Tendo feito o caminho mais sem noção do mundo, com direito a baldeação e seis estações de trem a mais. Porque eu sou dessas.

Não falei que era tipo um superpoder? Pena que não serve pra salvar a humanidade.


Nunca na história dessa pessoa aqui. 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Ainda sobre a mudança

- Eu que nunca gostei de perfume agora sinto falta dos meus, perdidos no fundo de alguma caixa.

- O apartamento novo empoeira demais. Muito mais que o antigo.
 
- É difícil controlar meus impulsos bagunceiros quando está tudo absolutamente fora do lugar.

- Também não é fácil se sentir em um lar quando tudo que a gente tem está escondido dentro de caixas. 

- Trocar de roupa leva tempo. Muito. Cada peça de roupa está em um lugar diferente. Por um lado isso vai ser bom, acabo usando sempre as mesmas peças por preguiça e quando os armários chegarem terei me desapegado de muita coisa.

- Elza Soares está se adaptando à nova realidade. Explora tudo, mas passa a maior parte do tempo encolhida em algum canto. Peppa faz FUUU de longe e não deixa a irmã entrar no meu quarto. Estou esperando para ver quando é que elas vão começar a se amar. 

- Eu ainda pego a chave do apartamento antigo para abrir o novo. 



Elza amassando pãozinho na main em seu primeiro dia na casa novo. A gente também ainda está se acostumando, Elzinha. 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Projeto casas - rua Rio Grande

Nos capítulos anteriores: fui expulsa da república onde eu morava na Alameda Santos e passei uns meses na casa da minha tia no Jardim Patente. Eu estudava na USP e o Jardim Patente é longe, amiguinhos. É mais perto ir pra praia do que pra USP saindo do Jardim Patente. Eu trabalhava na Vila Mariana e pegava umas lotações clandestinas bem sinistras que brincavam de Velozes e Furiosos zona Sul edition 10 da noite pra voltar pra casa, não era legal não. Precisava urgente morar mais perto. Daí um amigo me disse que uma colega dele estava saindo da república onde ela morava, perto do metrô Ana Rosa, e me deu o contato da "dona" da república. A casa ficava walking distance do trabalho e a um ônibus só de distância da USP. Achei perfeito.

A casa da rua Rio Grande era um sobrado desses de 3 pisos onde o térreo é a garagem. No nosso caso era um chaveiro. Eu dividi o aluguel por dois anos com a M e a L, de quem eu inclusive já falei aqui e aqui.

A casa era bem velha e meio improvisada. Meu quarto dava para a rua, onde passavam ônibus o tempo inteiro. A M fumava igual a uma chaminé, tinha dois cachorros e a gente nunca limpava a casa - acho que eu me curei da asma por super exposição a alérgenos. Mas no fim das contas era grande, absurdamente bem localizada (por bem localizada na época da faculdade entenda: bar pra tudo quanto é lado nas imediações, um Habib's na esquina e táxi que não custava as calças pras ~baladas~) e mais uma vez fizemos muita festa, fiquei bêbada algumas vezes no Barxaréu (hahaha sim!), namorei o vizinho e até serenata eu recebi lá. Fora que a M era veterinária, a casa vivia cheia de catiorríneos que ela cuidava nos finais de semana e catiorríneos são sempre bem vindos. E dava pra ir a pé ao parque do Ibirapuera, não conheço privilégio maior que esse. Pra variar me arrependo de ser "a pessoa que odeia fotos" pois não tenho nenhuma foto minha na rua Rio Grande.

Fui embora de lá no começo de 2004 por algo que hoje vejo que talvez fosse depressão sim, mas na época eu não entendi. Era um ruim no peito, uma ansiedade incontrolável, uma vontade de chorar que não passava. Corri de volta para a família para me curar. Deu certo demais e conto isso pra vocês no próximo post.



Hoje em dia é amarelo, em 2003 era azul. O chaveiro continua lá. Fun fact: joguei o endereço no google e descobri que onde eu tomei muito cerveja e chorei muito pé na bunda de boy hoje funciona uma sauna gay. 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Notícias de Elza Soares

Elza Soares está bem. Foi para minha casa ontem de carona com minha fellow crazy cat lady, dona Suzete e passou a noite de quarentena, separada da Peppa, pois eu ainda não sabia do estado de saúde dela. Hoje ela conheceu o veterinário, dr. Rodrigo que me disse que ela está bem de saúde, aparentemente. Vai ficar na clínica, onde fará exames e se estiver tudo ok mesmo será vermifugada, vacinada, tomará um banho anti-pulgas e será castrada. No fim de semana poderá conhecer sua irmã tigrada e circular livremente pelo apartamento da rua Girassol.

Deixo aqui uma foto do nosso encontro, tô horrorosa mas ilustra bem o amor que essa mocinha já está recebendo.


Coração quentinho.jpg

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Porque meu coração está quentinho

Eu tive um fim de semana lindo lindo. Encontrei gente querida que eu não via há um tempão, conheci mais um bando de gente legal, ouvi gente muito foda e muito apaixonada pela minha profissão e voltei a me apaixonar por ela também. Meu coração voltou explodindo de amor e eu achei que nem cabia mais amor nele, mas a vida nos surpreende.

Eu tinha acabado de chegar ao trabalho quando vi uma gatinha frajola assustadica se escondendo atrás de um vaso na porta da escola. Uma mulher foi se aproximando delicadamente, ganhando a confiança da bichinha, e a pegou no colo. Crazy cat lady que sou, perguntei para a mulher se a gatinha era dela e ela disse que a mulher da corretora de seguros ao lado da escola tinha acabado de jogar a bichinha na calçada.

"Você vai ficar com ela?"

"Queria muito, mas já tenho cinco..."

Na mesma hora eu disse que ficaria com ela. Era uma gatica magrela, assustada mas absurdamente boazinha e de colo. A mulher ficou tão agradecida (crazy cat ladies, assemble!) que se ofereceu pra me levar pra casa hoje e ajudar pagar a castração.

Foi assim que a frajolinha que estava obviamente tendo um dia péssimo ganhou uma casa, uma irmã, uma madrinha e um cobertor de onça pra se aconchegar. Nesse momento ela está em uma sala aqui da escola com água, comida e até caixinha de areia. Mais tarde vai conhecer seu novo lar.


Estamos pensando em chamá-la de Elza, as in Elza Soares: pequena, sofrida, porém lutadora.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Veganismo, linchamento virtual e qual a necessidade disso?

Daí que eu, como boa falsetariana que sou, virei o emoji com coraçõezinhos nos olhos ao me deparar com um hambúrguer de abóbora com castanhas no bar na esquina de casa. É fácil ganhar o coração de uma vegetariana falsificada como eu: basta incluir no cardápio uma opção sem carne que não seja queijo com salada nem hambúrguer de soja. O sanduíche veio e estava uma delícia. O de mozão, com carne desfiada, também foi aprovado.

Resolvi fazer uma avaliação no facebook porque eu sou dessas. O lugar é gostoso, não muito caro e na esquina de casa, quero mais é que muita gente vá lá e eles fiquem ali por muito tempo. Entrei na página deles e descobri que o lugar tinha uma avaliação média de 2.7 estrelas, o que eu achei bem injusto. Fui fuçar nas avaliações e descobri por quê.

Aparentemente um tempo atrás uma moça vegana esteve lá e teve o pedido trocado, recebendo um sanduíche de frango desfiado no lugar. Ela só percebeu que era frango quando estava terminando de comer, ficou revoltadíssima e chamou os migos veganos dela pra fazer linchamento virtual na página do bar. Conseguiu 170 comedores de alface pra ir lá dar uma estrelinha e xingar o estabelecimento.

Fica a pergunta, coleguinhas: como é que uma pessoa que não come carne recebe um sanduíche que não apenas é de frango mas provavelmente também não se parecia nem um pouco com o que quer que ela tenha pedido E NÃO PERCEBE? Tem que ser muito lesa. Gente assim, em caso de apocalipse zumbi, não chegaria na primeira esquina. Outra pergunta: o que é que uma criatura ganha promovendo linchamento virtual de um lugar que fez o que milhares de restaurantes fazem todos os dias: trocou um pedido? Será que só faltava esse carimbo pra completar a cartelinha do vegano insuportável?

Eu simpatizo com a causa, mas já começo a achar que veganismo é tipo Jesus: a ideia em si é boa, o que estraga é o fandom.



quinta-feira, 7 de julho de 2016

Diário da mudança - Continuação

Mudamos. Depois de muito choro, muito stress, Paula surtando porque comprou uma esfiha a menos, gata achando que o mundo ia acabar, chegamos à rua Girassol. Não temos armários e minhas roupas estão em malas espalhadas pela casa toda, mas temos cama, chuveiro e redes de proteção nas janelas, o que já torna o cafofo habitável. Peppa se adaptou mais rápido que o pai humano dela, visto que mozão ainda está muito tristonho com as caixas espalhadas pela casa, situação que só se resolverá daqui a um mês, quando teremos armários (se a Todeschini colaborar). Já a gata parece ter gostado muito de seu pequeno paraíso de papelão. No primeiro dia já tinha explorado todos os 70 metros quadrados de seu novo reino e aparentemente curtiu bastante poder sair pela janela do banheiro, passear pela área de serviço e voltar pela porta.

Também não temos televisão nem internet porque a NET criou um pedido de instalação novo no apartamento quando eu na verdade tinha só solicitado a mudança de endereço. Agora só podem transferir a instalação quando cancelarem este pedido QUE EU NÃO FIZ. Leva cinco dias úteis. Ainda bem que tem bastante caixa pra botar no lugar e amanhã estou viajando para Minas Gerais para aplicar prova oral (minha primeira viagem de trabalho ever, que emossaum).

Descobri que tem um pet shop a literalmente 100 metros do apartamento e que, contrariando o senso comum, é mais barato dar banho na gata na Vila Madalena que na Lapa de baixo. Ontem na esquina de casa tinha um evento numa galeria de arte (não entendi direito, mas tinha um telão na calçada e tals) e um food truck vendendo hambúrguer e cerveja gelada. Mais pra baixo tem uma praça linda e um cara que assa e vende focaccias no quintal da casa dele.

Apesar da bagunça, acho que tá fácil gostar da casa nova.


terça-feira, 5 de julho de 2016

Projeto casas - Avenida Paulista

Eu sempre fui fascinada pela avenida Paulista, desde criança. De pequena ia lá duas vezes por ano, no número 800 e pouco, onde ficava meu oftalmologista. Adolescente, passei a ir toda semana ao cinema, às matinês da Woodstock na rua da Consolação (alerta de idade avançada) ou só bater perna com as amigas mesmo. A gente dizia que ia crescer e morar juntas num prédio perto do Trianon.

A gente cresceu, se separou, mas não é que anos depois eu fui mesmo morar na Paulista? Quer dizer, na Alameda Santos, pertinho do metrô Brigadeiro (é quase a mesma coisa vá), no primeiro ano da faculdade em 2000. Conheci três meninas que moravam num pensionato de freiras nos Jardins que a gente chamava de "conventinho" e elas, doidas para se livrar da rigidez das irmãs, convenceram os pais a montar uma república. Nos mudamos as quatro para o apartamento de dois quartos no nono andar coladinho com o América.

No meu quarto eu tinha uma cama e uma cômoda doadas e um quadro do Friends da minha roommate que eu detestava: talvez a Tati leia isso então desculpa, Tati, mas parecia que os seis estavam me olhando, não importava em que lugar do quarto eu ficasse.


This!

Daí aquele oba-oba de morar sozinha pela primeira vez. A gente começou a fumar, a gente atravessou a Paulista bêbada de madrugada pra comprar mais cerveja no Extra da Brigadeiro, a gente fez caipirinha com limão do Habib's, a gente acordou no sábado de manhã desviando dos boys umas das outras dormindo no sofá, batemos cartão no Prainha Paulista, bar dos engravatados que ficava na esquina. Engraçado que a gente não tinha dinheiro pra nada, mas o chopinho da sexta a noite era sagrado. A gente aprendeu a cozinhar, a limpar banheiro, a economizar energia elétrica, a comprar os produtos mais baratos no mercado. A gente fez muito arroz de forno com mussarela e carne moída no domingo. A gente começou a se estranhar lá pelo meio do ano e em Novembro eu fui ~convidada a me retirar~

Em retrospecto eu não acho que tenha realmente acontecido nada de mais. Acho que faltou mesmo maturidade de todo mundo para lidar com os pequenos perrengues de dividir sua rotina com gente que você não conhece direito porque fácil: não é. Morei quase um ano no 927 da Alameda Santos e fui muito feliz lá apesar de todas as tretas.


A única foto que achei da república da Alameda Santos. Eu amava esse sofá listrado. Tapei a carinha das meninas porque não tenho mais contato com elas e não sei se elas gostariam de fazer uma participação especial neste bloguinho. 



A fachada da rep segundo o google street view