sexta-feira, 22 de julho de 2016

Projeto casas - rua Rio Grande

Nos capítulos anteriores: fui expulsa da república onde eu morava na Alameda Santos e passei uns meses na casa da minha tia no Jardim Patente. Eu estudava na USP e o Jardim Patente é longe, amiguinhos. É mais perto ir pra praia do que pra USP saindo do Jardim Patente. Eu trabalhava na Vila Mariana e pegava umas lotações clandestinas bem sinistras que brincavam de Velozes e Furiosos zona Sul edition 10 da noite pra voltar pra casa, não era legal não. Precisava urgente morar mais perto. Daí um amigo me disse que uma colega dele estava saindo da república onde ela morava, perto do metrô Ana Rosa, e me deu o contato da "dona" da república. A casa ficava walking distance do trabalho e a um ônibus só de distância da USP. Achei perfeito.

A casa da rua Rio Grande era um sobrado desses de 3 pisos onde o térreo é a garagem. No nosso caso era um chaveiro. Eu dividi o aluguel por dois anos com a M e a L, de quem eu inclusive já falei aqui e aqui.

A casa era bem velha e meio improvisada. Meu quarto dava para a rua, onde passavam ônibus o tempo inteiro. A M fumava igual a uma chaminé, tinha dois cachorros e a gente nunca limpava a casa - acho que eu me curei da asma por super exposição a alérgenos. Mas no fim das contas era grande, absurdamente bem localizada (por bem localizada na época da faculdade entenda: bar pra tudo quanto é lado nas imediações, um Habib's na esquina e táxi que não custava as calças pras ~baladas~) e mais uma vez fizemos muita festa, fiquei bêbada algumas vezes no Barxaréu (hahaha sim!), namorei o vizinho e até serenata eu recebi lá. Fora que a M era veterinária, a casa vivia cheia de catiorríneos que ela cuidava nos finais de semana e catiorríneos são sempre bem vindos. E dava pra ir a pé ao parque do Ibirapuera, não conheço privilégio maior que esse. Pra variar me arrependo de ser "a pessoa que odeia fotos" pois não tenho nenhuma foto minha na rua Rio Grande.

Fui embora de lá no começo de 2004 por algo que hoje vejo que talvez fosse depressão sim, mas na época eu não entendi. Era um ruim no peito, uma ansiedade incontrolável, uma vontade de chorar que não passava. Corri de volta para a família para me curar. Deu certo demais e conto isso pra vocês no próximo post.



Hoje em dia é amarelo, em 2003 era azul. O chaveiro continua lá. Fun fact: joguei o endereço no google e descobri que onde eu tomei muito cerveja e chorei muito pé na bunda de boy hoje funciona uma sauna gay. 

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