quinta-feira, 31 de março de 2011

Desculpa, Glee

Eu sei que TODOS AMA GLEE e eu só assisti a três episódios (oi, sou por fora), mas já desisti.

Me incomodam aquelas meninas com roupa de líder de torcida o tempo inteiro - é um seriado americano ou um gibi da mônica? Me incomodam as histórias bobinhas demais, quase infantis. Me incomodam os estereótipos. Me incomodou profundamente o moralismo de colocar uma menina para fazer o Dr. Frank-N-Furter em Rocky Horror Show. E podem rir, eu AMO Rocky Horror Show. Sei cantar todas as músicas. 

E ontem, golpe de misericórdia. Colocam uma das atrizes que eu mais abomino no universo para fazer o papel de professora talentosa-revolucionária-que-aparece-para-mudar-tudo - Gwyneth Paltrow. Gwyneth Paltrow pra mim representa tudo de mais sem graça e sem talento que Hollywood já produziu. Foi dela um dos dois únicos filmes que eu abandonei pela metade por falta de saco de ver até o final - Duets. Odeio. E aí vem Glee, que já andava cambaleando na minha preferência, e tenta me convencer que a Gwyneth Paltrow é foda.


Desculpa, Glee. Não deu. 


quarta-feira, 30 de março de 2011

Atualizando

Lembram da professora-carioquinha-malandra-bronzeada?

Bom, primeiro que é ela nem é carioca, é do Espírito Santo e só força o sotaque.

Segundo, Carlota, ganhaste o bolão. Saindo da escola hoje encontro a pessoa na secretaria reclamando com o coordenador do que? Do que? Do que?
Dos adolescentes que não calam a boca e não a deixam dar aula.


Cancela os jagunços e macumbeira, por favor.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O evento, a professora e a boate.

Como diz a amiga Bruna, é tudo verdade.

No tempo em que internet banda larga ainda era luxo, lá pelos idos de 2001, eu trabalhava em uma escola de inglês na Vila Mariana. O fim do ano se aproximava e nossa coordenadora resolveu organizar uma confraternização com os alunos.
Uma professora sugeriu um lugar ali perto, segundo ela "um barzinho ajeitadinho que tem uma pista de dança". A grande vantagem é que podia-se ir a pé, da escola, depois das aulas.
A coordenadora achou a idéia boa, mas por via das dúvidas resolveu conhecer o lugar antes de marcar o evento. O que narro a seguir nos foi contado pela própria.

(parênteses: a coordenadora era uma senhora, tiazinha mesmo, cara de professora primária das antigas)

Diz ela que chegou até o local acompanhada do marido por volta das sete da noite. Foi barrada pelo segurança:

"A senhora quer entrar?"

"Quero, claro."

"Mas, minha senhora, isso aqui é uma boate."

"Sei, e...?"

"Minha senhora, BO-A-TE."

Minha ex-chefe esticou o pescoço para tentar dar uma espiada lá dentro. E viu umas moças assim, pouco vestidas, dançando sobre um queijinho.

Quer dizer, a gente por pouco não levou os alunos para confraternizar num puteiro. Fim.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Outros tempos

Turminha de uns 11, 12 anos aprendendo a falar sobre música em inglês. Quando estou indo embora, a menininha que tinha ficado mais quieta durante a aula chega até mim e diz, baixinho, praticamente um segredo gravíssimo:

"Teacher, eu fiquei com vergonha de falar na frente dos outros, mas eu gosto de rock. Meu pai tem uma banda e eu amo Iron Maiden."

Ela ficou com vergonha de gostar de rock. VER-GO-NHA.

Tristes tempos pra se viver, meus amigos.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Speechless

Daí o menino volta da escola com um hematoma porque, gente, ele tem oito anos, joga futebol loucamente na hora do intervalo e é meio ruim de bola.

O que o pai da criança faz?

Liga para o colégio e diz que vai mandar o garoto fazer um EXAME DE CORPO DE DELITO.

Sério. Depois a psicóloga da Band News diz que a culpa é nossa.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Desabafo

Deixa eu desabafar aqui que eu estou sofrendo.

Eu dou aula em curso de idiomas, né? E em curso de idiomas, com aquele salário milionário que eles pagam, a gente tem que se virar nos 30 e pegar todas as turmas que aparecerem.
E eu peguei adolescentes. E eu já esclareci alguns posts abaixo que adolescentes não são minha categoria preferida de gente. Numa lista, inclusive, estão só um pouquinho mais bem colocados que os atendentes da TIM, para vocês sentirem o drama.
Essa minha turma, por exemplo, tem oito. Ontem eu cheguei na sala e só estavam três deles, NO ESCURO, cada um completamente alheio ao outro no celular mandando SMS ou ouvindo música. Perspectiva animadora num curso de inglês onde espera-se que as pessoas interajam.
Aí acontece o seguinte. A molecada entra com três anos no curso de inglês. Com catorze neguinho já está no nível avançado e, adivinhem - os livros do nível avançado foram feitos para adultos. E lá estou eu, tirando leite de pedra para fazer render uma aula de uma hora e meia sobre viagens com adolescentes que foram, no máximo até o Guarujá. Com gente que nunca entrou num avião ou num ônibus sozinho, nunca comprou uma passagem, nunca fez reserva num hotel ou check-in no aeroporto. Com gente que nunca fez a própria mala.

E vai piorar, coleguinhas. A lição dois é sobre emprego.

P.S.: Eu sei que nem todos os adolescentes são idiotas e que minha birra provavelmente colabora para que os mais chatos cruzem meu caminho, mas oi? Juntar oito adolescentes completamente apáticos na mesma sala de aula é muito azar. Só pode ser.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Da série: Não sei lidar

Eu juro que é tudo verdade.
Chefe me chama para mostrar as provas preparadas pela professora do turno da manhã. Me apresenta umas folhas de sulfite com uns exercícios xerocados, recortados e colados feito o fiofó. Sim, recortados com tesoura, colados com cola. Literalmente . Diagramação, Microsoft Office, não trabalhamos. Quase pergunto se estamos em 1990 e ninguém me avisou, enfim. Me pede para refazer já que a moça é nova, coitada, não conhece o esquema do colégio. Oi? No primeiro dia de aula, que eu me lembre, recebemos uma lista de instruções que dizia: provas DIGITADAS em VERDANA tamanho 11. Acredito que isso imediatamente inviabilize tosquices recortadas e coladas. Eu estava errada. 

Procuro a professora. Ela justifica a colagem com um: "eu não tenho muitas figuras no meu computador e quando eu escaneio elas ficam muito claras."

Gente. Gen-te. Que ano é hoje? Que pessoa é essa que tem curso superior e não conhece google imagens?

Não sei lidar. Não sei mes-mo. 

quarta-feira, 16 de março de 2011

Saint Patrick's Day

Taí uma festa que eu curto. Adoro recortar trevinhos, fazer cartolas e comer gelatina de limão com a molecada. Acho fofinhos os leprechauns sorridentes com suas casacas verdes cuidando do pote de ouro no fim do arco-íris. E poder beliscar quem não está de verde (não que eu incentive, tá gente, eu digo que não pode)? Priceless. Mais divertido que Halloween.

Tô gato?
Claro que de vez em quando aparece um pai mala reclamando da comemoração "colonizadora", perguntando porque não celebramos o dia do saci. Meu senhor, o dia do saci é 22 de agosto e se chama DIA DO FOL-CLO-RE. O senhor não sabia? Então vai lá comprar um Gurgel, joga fora seus DVDs do Jogos Mortais e para de encher o saco da professora de inglês.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Delicadeza

Daí chega a professora nova, toda carioquinha-bronzeada-malandra dizendo que A-MOU sua turma de adolescentes das duas e meia. Respondo com um "ainda bem que alguém gosta, porque eu tenho pavor de adolescente" ao que a bonitinha justifica:

"Ah, mas é que eu AINDA lembro de quando eu tinha a idade deles."

Quer dizer... Vou ter que arrumar uns jagunços pra dar uma coça nessa daí. Ou uma macumbeira daquelas poderosas. Alguém conhece?

quarta-feira, 9 de março de 2011

Cada enxadada é uma minhoca

A frase acima foi proferida pelo namorado para descrever a sagacidade de Sô Vicente, dono do boteco de mesmo nome localizado na vila de São João Batista em São Roque de Minas, aos pés da Serra da Canastra, Minas Gerais, Brasil.

Megalópole

Sô Vicente tem idade indefinida e resposta pra tudo, como só tem quem já viveu muito e já viu até "o diabo amarrado pelo saco". No bar, perdido no meio de um lugar no qual, se o mundo acabar, a notícia leva uns cinco dias para chegar, você acorda o dono do estabelecimento as sete da noite, ele abre a porta da frente e volta para casa, que fica ao lado. Você pega sua própria cerveja e marca num bloquinho no balcão para pagar no dia de ir embora. Se for mulher, pode usar o banheiro da casa dele mesmo, atravessando a cozinha e cumprimentando as netas na sala. Se for homem, vai na horta.

Só entra se estiver com a pulseirinha

O almoço precisa ser encomendado. Não é chegar e ir comendo não, que a mulher dele não vai ficar fazendo comida pra marmanjo aparecer a hora que quiser. Aliás, minha lista de últimas refeições ganhou um novo primeiro lugar neste carnaval - se eu pudesse escolher, antes de ir de vez, não teria dúvidas - arroz, feijão, torresmo, farofa de couve e abóbora refogada de dona Elza, servidos direto do fogão de lenha e degustados ali, na varanda da casa dela.

Só os VIPs

E pra chegar lá? 100 quilômetros de terra, 30 por dentro do parque nacional numa estrada que, depois de uma semana de chuva ininterrupta, daria medo a muito 4X4 metido. E o Voyage de namorado fez lindo, não atolou nenhuma vez, embora tenha perdido duas calotas e adquirido todo um novo tom de marrom depois da brincadeira. Uma hora e meia para atravessar o parque.

Imaginem isso aqui depois do dilúvio

E a chuva não parou. Quatro dias de carnaval e de roupas permanentemente úmidas, de passeios cancelados devido a estradas intransitáveis e lama, muita lama. Mas olha o visual:

Faz de conta que eu vi assim

Carnalama Canastra 2011 - eu sobrevivi. E um dia volto para ver o sol.

Nota: com exceção das fotos do bar, todas as outras são do ano passado, porque esse ano o céu deve ter ficado azul por uns 20 minutos em quatro dias.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ódio de estimação

Respondi agora num comentário mas acho que vale compartilhar aqui. Tenho um ódiozinho especial por dois tipos de pessoa que devem ter faltado em alguma aula do curso de Comunicação Humana I.

O primeiro é aquela pessoa que, diante de uma pergunta que contém duas opções, responde "isso". Exemplo:

"Você prefere o de morango ou o de creme?"

"Isso."

O segundo é gente que, no telefone, responde "alô" com outro "alô".

Telefone toca. Pessoa atende:
"Alô?"

"Alô?"

Oi? Foi você quem ligou meu filho. O curso de Comunicação Humana I deve ter ensinado, em algum momento, que só diz "alô" quem ATENDE o telefone. Você matou essa aula? Ficou passando trote? Azar o seu - agora você passa por idiota toda vez que liga para alguém. E eu odeio você.

quarta-feira, 2 de março de 2011

1/3/1996

Ontem fez 15 anos que meu pai morreu. E eu nem me lembrei. Nem minha mãe ou minha irmã.
Eu deveria me envergonhar de dizer essas coisas, mas a verdade é que, há pelo menos uns 10 anos, eu só me lembro que meu pai morreu dia primeiro de março de 1996 no dia 2, porque é o dia em que os Mamonas Assassinas morreram e aí todo mundo me lembra.

Seu Adelphi foi um cara sensacional, e isso não tem nada a ver com ser meu pai. Pergunte a qualquer um que tenha tido a sorte imensa de conhecê-lo. Ele era um cara inteligentíssimo, que passou em segundo lugar na FEA (e gostava de dizer: "na minha frente só tinha um japonês") mas que um dia se aposentou e resolveu levar uma vida diferente. E comprou um boteco no interior. Boteco, boteco mesmo, pé sujo, com chão de piso vermelho e pôster do Esporte Clube Votoram, vice-campeão varzeano de 1977.

Ele se foi um ano depois. Mal teve tempo de curtir o bar, mas no seu velório vários bêbados notórios da cidade apareceram, visivelmente sentidos. O velório dele não foi o dia mais triste da minha vida, porque foi o fim de um sofrimento terrível, de quase um ano de muita dor, idas e vindas de hospitais e por fim, a perda da consciência. Esse foi o dia mais triste da minha vida - o dia em que meu pai não me reconheceu mais.

Eu só voltei ao cemitério uma vez depois disso. O túmulo nem sei como está, não sei se minha mãe ainda vai lá. Para mim não importa. Meu pai não está naquele lugar. Não há nada dele naquele bloco de concreto. A dor que eu sinto hoje é a da injustiça. De como me parece errado que um cara tão sensacional tenha morrido aos 53 anos, sofrendo absurdamente e que não tenha visto as filhas se casarem, se formarem. Que não vá ver seus netos.

De vez em quando eu ainda choro muito. Porque a verdade é que a gente se conforma. Aceitar, acho que nunca.

terça-feira, 1 de março de 2011

Trabalhices II

A mesma pessoa que não podia receber um resposta urgente via email dia tal porque dia tal ela não estaria no trabalho neste momento está me devendo uma resposta a uma pergunta enviada na sexta-feira passada. Dessa resposta depende boa parte do meu planejamento para o semestre. Eu tenho certeza que trata-se de uma pergunta. Inclusive usei pontos de interrogação corretamente e creio ter deixado claro que a mesma não era retórica.

Essa pessoa fez isso semestre passado. Escrevi pedindo a data do início das aulas e a distribuição de turmas para me organizar. Pessoa respondeu sua mensagem? Nem a minha. Telefonei para o cidadão e descobri que minhas turmas começariam no dia seguinte, não é mágico? E para coroar a habilidade da criatura com o mundo virtual, uma semana depois do início das aulas recebo a tal resposta. Qual era? "Ok".

Ok, minha gente. Ok! Eu pergunto quando começam as aulas e ele, uma semana depois, me responde Ok.

Eu tento respeitar, mas assim fica difícil.