terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Nosso saco de merda

"Todos nós precisamos enfrentar, mais cedo ou mais tarde, o nosso saco de merda. E ele fede muito e não dá pra ignorar. Você vai pro trabalho com aquele saco fedido, você vai encontrar com seus amigos com aquele saco fedido (...) Tá todo mundo na sala sabendo que aquilo tá cheirando ruim. E aí você fala não, mas tem um fiapo aqui, tá ótimo esse fiapo, vou me apegar a ele"


E quem diria que tão cedo eu estaria feliz e verdadeiramente em paz por ele ter tido coragem de mexer no nosso saco de merda ;)



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Renascendo

Tem essa moça que eu conheço e com quem eu tenho uma relação basicamente profissional. Tenho essa relação com a família toda dela na verdade apesar da mãe, ao saber que eu tinha me separado, ter se lamentado "ai, minhas duas filhas separadas agora..."

Ela se separou depois de 12 anos casada. Dois filhos pequenos, 5 e 4 anos. Ex-marido maluco, surtado, cheio de manias e que não a deixava fazer nada. Família rica. Ontem, no final do período de aplicação das provas de Cambridge, comentou na secretaria da escola que queria ver o bloco do João Suplicy no Largo da Batata mais tarde. Eu primeiro me surpreendi com o fato de que o João Suplicy ainda existe, em seguida com a informação de que ele tem fãs e por fim ao saber que ela, que eu considerava toda certinha, queria ir a um bloco de carnaval. Estando eu nessa nova fase da vida chamada "pista", disse que iria com ela. E fui.

Chegamos e o bloco nem tinha começado. Encontramos o João Suplicy na padaria comendo um pão de queijo. Ela ganhou beijo, tirou foto. Dividimos, eu e ela, uma cerveja e um cigarro. Falamos mal dos ex. O som começou, umas 20 pessoas se juntaram para pular na frente do caminhão. Suplicy pai apareceu, tirou foto com todo mundo, vestiu colar de flor e fez trenzinho. Dividimos mais uma cerveja e um cigarro. Eu nem sonhava que ela fumava e bebia. Dançamos também, rimos, cantamos. Estávamos livres como há muito tempo.

A gente renasce sim. Nas situações mais improváveis. E como.


Não posso mais conversar com reles mortais, ganhei um beijo do Suplão

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Como eu estou

Oi gente, cês tão bem? Eu tô bem também.

Talvez seja o antidepressivo. Talvez eu tenha me recuperado do coração partido mais rápido do que eu esperava. Talvez eu esteja me enganando e daqui a pouco a bad bata de novo, vai saber.

O fato é que estou comendo bem. Dormindo bem. Eu já consigo rir das coisas. Eu não fico mal por passar o sábado a noite em casa com a gata e o netflix. Eu consigo enxergar minha vida daqui pra frente com muita clareza.

E eu não lembro de quando eu fui feliz com ele pela última vez.

Olha que loucura, né? Hoje eu olho pra trás e enxergo quão bosta estava nossa relação há tanto tempo. Tanto que eu não lembro da última vez que foi boa. Quer dizer, lembro, vai, e acho que foi lá por Abril do ano passado.

Eu vivi 9 meses anestesiada. 9 meses acreditando que aquela relação precisava ser salva de qualquer maneira porque não havia outra possível. E eu estava muito errada.

Tem muito amor no mundo. E se não tem amor tem diversão, tem gente interessante sim. Em duas semanas eu descobri coisas sobre mim que eu tinha esquecido. Eu descobri que ainda sei flertar. Eu mandei um "boa noite, bonitão" pelo whatsapp pra três moços na mesma noite. Eu fiquei até duas da manhã conversando com um rapaz bonito que eu não conheço pessoalmente. Eu chamei um cara pra sair. Eu nunca tinha chamado ninguém pra sair. Eu cortei o cabelo, eu fui ao cinema sozinha, eu cozinhei uma comida gostosa e abri uma cerveja só pra mim.

Eu tô vivendo. Tô brincando sem expectativas. Tô mandando prints de perfis toscos do tinder prazamiga. Estou lembrando que eu existi por 29 anos antes dele, e eu era muito legal.



A gente podia abolir tudo quanto é livro de autoajuda e passar a utilizar apenas gifs da Leslie Knope

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Mais um lembrete

"E ninguém merece viver sem amor, eu não tinha nem meu amor próprio mais porque até isso ele tirou."

Eu escrevi essa frase para uma amiga hoje no whatsapp. Parece rancorosa agora e, no meu caso, equivocada. Ele não me tirou nada, eu é que atrelei meu amor próprio ao amor dele e quando o amor acabou eu estava outra vez detestando minha imagem no espelho como quando eu tinha 15 anos. Porque o amor já tinha acabado muito antes do fim e eu estava me agarrando naquele relacionamento como se ele fosse a única coisa que fazia sentido na minha vida.

Por que a gente faz isso?

Quando eu me dei conta de que ele não me amava mais (o que não aconteceu semana passada não) eu imediatamente comecei a acreditar que eu não tinha valor. Que se ele não era capaz de me amar ninguém mais seria. Mais ainda: que eu só teria valor se outra pessoa visse esse valor em mim. E isso está errado em muitos níveis porque a gente tem que ser capaz de ser completa sozinha, sempre. Não é fácil. Eu mesma estou reaprendendo a fazer isso, a me olhar no espelho e ver de novo aquela mina foda, gata, gente boa e independente que eu fui um dia.

Não foi ele quem me tirou isso. Fui eu que depositei isso nas mãos dele.


Diz aí Leslie

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Lembrete

O fato de você não me amar mais não diz nada sobre mim, só sobre você.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Vai passar

Hoje faz 5 dias. Ontem eu tive fome pela primeira vez e comi um sanduíche de pasta de amendoim e um iogurte até o final, com gosto. Os efeitos colaterais do antidepressivo melhoraram um pouco, eu dormi bem e hoje de manhã me olhei no espelho antes do banho e me achei muito gata. Eu sei que tem muito pra chorar ainda porque se tem uma coisa entristece é o desamor e foi exatamente isso que eu vivi nos últimos meses. Mas uma hora vai passar, tem que passar e enquanto isso tem trabalho, família, amigos e alopatia pra ajudar a gente. E tem as coisas que só acontecem comigo.

Eu saí terça-feira no estacionamento da escola pra fazer não sei o que. Milagrosamente eu não estava chorando nem nada. Tinha uma van escolar parada na entrada e eu fui até lá ver se era de aluno porque né, tava bloqueando a passagem. Duas mulheres no banco da frente. A motorista me acenou dizendo que já estava saindo que o marido estava na escola resolvendo alguma coisa. Eu ia me afastar quando ela me chamou:

"Oi, vem cá, como é seu nome? Você é muito bonita. Vem cá, por favor!"

Eu fui porque né? Amo gente doida. A motorista e a mulher do lado eram claramente evangélicas, dessas de cabelão e saia jeans pra baixo do joelho.

"Jesus te ama, viu? Você é muito bonita. Você está na vitrine de Deus, tudo que o diabo tirou de você Deus vai devolver!" E tocou a cantar um hino desses de igreja de vitória, de sua página vai virar e sei lá o que mais. E daí eu desembestei a chorar porque esses dias tá fácil, tô chorando com comercial de danoninho como diria Luís Fernando Veríssimo. "Você vai vencer, moça, você é muito especial pra Deus!"

Apenas que eu sou: ateia. E em situações normais de temperatura e pressão eu estaria rindo da crentelhice sim, desculpem os evangélicos. Mas eu não estou passando por uma situação normal. E quando a gente está assim, as vezes tudo que a gente precisa é de uma palavra de conforto vinda de um estranho.

Vai passar. E espero sinceramente que as situações absurdas que acontecem na minha vida continuem aparecendo, porque eu preciso muito voltar a achar graça nas coisas.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sobre a separação

São várias pequenas mortes.

A gente morre um pouco antes quando sente que vai acontecer.
A gente morre no dia em que acontece.
A gente morre quando vai comprar alguma coisa pela internet e seu endereço antigo ainda está lá cadastrado na Amazon.
A gente morre quando o facebook, esse sacana, desenterra uma lembrança qualquer.
A gente morre quando aceita que não vai ter volta.
A gente morre no dia da mudança.
A gente morre no primeiro feriado sozinho.
A gente morre quando encontra um amigo depois de um tempo e tem que falar sobre isso de novo.
A gente morre quando tem que falar com o outro pra resolver pendências da vida prática.
A gente morre quando aparece AQUELE filme nas sugestões do Netflix.
A gente morre quando ouve AQUELA música.
A gente morre quando come AQUELA sobremesa.
A gente morre quando volta NAQUELE lugar.
A gente morre quando descobre que o outro seguiu em frente.

Mas é preciso morrer pra renascer. Melhor. E mais forte.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sobre o fim

Eu queria escrever uma carta linda e triste sobre o fim de nove anos incríveis, mas ainda não tenho condições.  Por hora deixo aqui a Fiona Apple, porque ninguém cantou o fim de um relacionamento como ela.