segunda-feira, 24 de abril de 2017

Hoje é dia de reclamar

Cês me desculpem o post meio genérico mas é que vou reclamar do trabalho então quanto mais genérico melhor.

Eu trabalho numa escola de inglês cês sabem né?

E os nossos alunos, quando terminam o curso, fazem uma prova de certificação internacional e não pagam nada por isso, etc.

E eu sou a pessoa que inscreve esses bonitinhos para essa prova.

O processo de inscrição tem 495 passos e todos eles podem dar errado em algum momento e, acreditem, eles dão.

Pra começar a maioria dos alunos é menor de idade e por isso eu não tenho no sistema o CPF deles. Então pra facilitar peço para eles preencherem uma ficha com nome completo, e-mail, CPF e um código que eles recebem junto com os livros didáticos que são as informações que preciso para fazer a inscrição.

Eles entregam a ficha com o e-mail ilegível (e se eu cadastrar errado eles não conseguem confirmar a inscrição).
Eles erram o próprio CPF.
Eles colocam o código faltando número.

Daí eu corro no telefone para consertar tudo isso.

Quando vou colocar o código do livro ele está: inválido.

Por que ele está inválido, tia Paula?

Porque até semestre passado o código não precisava estar cadastrado no sistema para ser validado, agora precisa. E ninguém avisou a gente.

Daí eu corro no telefone avisando aos alunos que eles tem que cadastrar o código no sistema para que eu consiga fazer a inscrição. E o prazo rolando.

Daí nos 45 do segundo tempo (ou 54, se for jogo do Palmeiras) eu consigo inscrever todo mundo.

Cês pensam que acabou?

Pra poder fazer a prova no fim do semestre os alunos tem antes que fazer um simulado online que é obrigatório. Teoricamente eles receberiam por e-mail um link com as instruções para fazer tal simulado até dia tal.

Teoricamente porque dois dias depois da data prevista ninguém tinha recebido nada. Ligo para a central de suporte e a resposta é: "ah, muitos e-mails estão bloqueando as mensagens porque são em massa, melhor você entrar no sistema e enviar esse link um por um pros alunos"

Sei lá, a gente tem uns 4 mil alunos fazendo essa prova todo semestre. VOCÊS PODIAM TER PREVISTO QUE ESSE VOLUME DE E-MAILS SENDO ENVIADOS DO MESMO SERVIDOR NO MESMO DIA IA DAR RUIM, NÉ?

Não previram. E lá fui eu enviar os links e senhas um a um para os alunos. E telefonar para garantir que eles receberam porque também tinham prazo.

Mas esperem, isso não é tudo!

O prazo para fazerem os simulados encerrou sábado. Hoje tecnicamente eu teria acesso aos resultados e poderia alocar os alunos para fazer prova no local mais conveniente para eles.

Mas é claro que 600 escolas acessando o mesmo sistema ao mesmo tempo não ia dar certo, né? Tá fora do ar. E a galera tá arrancando os cabelos porque todo mundo quer alocar seus alunos o quanto antes senão só sobram aquelas escolas lá nos cafundós do Judas.

E depois de alocados, os alunos tem que confirmar a inscrição por e-mail até dia tal senão não fazem a prova. E os jovens, vocês sabem, não olham e-mail, ou seja, vou ter que telefonar pra todo mundo de novo lembrando de confirmar.

Eu estou há um mês lidando com isso. Um.fucking.mês.


É só o que eu tenho a dizer a respeito

domingo, 23 de abril de 2017

Talvez eu queira que você leia isso, talvez não

Tenho pensado muito em você nos últimos dias. Acho que é normal. Foram 9 anos e eu até gostaria de brincar de brilho eterno de uma mente sem lembranças mas não vai rolar. 
Eu sinto saudade de você. 
Eu ainda lembro dos seus olhos verdes e do seu sorriso de dentes tortos por causa do trompete. 
Eu não esqueço como eu gostava do jeito como você puxava conversa com todos os caixas de supermercado e garçons do mundo. 
Eu admirava a maneira como você se preocupava com todo mundo. 

Mas no final você não se preocupou comigo.

Nosso relacionamento não acabou no dia 9 de Janeiro. Acho que nenhum relacionamento acaba de um dia para o outro.
Ele já tinha acabado quando você decidiu mais uma vez que iria escalar sozinho ao invés de tirar ferias comigo.
Já tinha acabado quando nós discutimos na frente dos seus amigos porque você tinha decidido participar de uma corrida no dia e horário da comemoração do meu aniversário.
Já tinha acabado quando você defendeu uma atitude escrota que me chateou muito só porque a pessoa escrota em questão era sua amiga. 
Tinha acabado anos antes quando, em tom de brincadeira, você me disse: "eu quero ter filhos, mas não com você" (eu nunca quis ter filhos mas hoje percebo que nós deveríamos sim ter terminado naquele dia, porque essa frase foi agressiva demais. E eu ainda fiquei por mais 2 anos depois disso) 
Já tinha acabado quando você cobria todas as suas atitudes paternalistas com o manto do "eu me preocupo com você" 

Você não se preocupava comigo, você se preocupava com sua imagem de bonzinho. 

E ainda assim eu às vezes sinto sua falta porque antes de começar a acabar a gente foi sim muito feliz.  

Mas eu acho que é normal. E que uma hora vai passar.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

As aventuras de tia Paula solteira

Pra vocês verem né:

Conheci o boy no tinder e a gente foi conversando. Barbudo, alto, gordinho, mora perto. Meu número. A gente se viu uma vez, tomamos um café, demos uns beijinhos, tudo como manda o figurino, mas daí não batia de nos encontrarmos. Ele tem uma filha adolescente que mora com ele, difícil sair a noite, depois fui viajar duas semanas, minha mãe ficou lá em casa, enfim.
Eu já tinha reparado que o barbudinho fazia a linha carente, seja por ser mesmo ou por achar que mulher curte, enfim. Era um tal de bom dia minha vida, boa noite meu amor de uma cara que eu tinha beijado uma vez que estava incomodando.

Daí a gente combinou de se encontrar de novo. E ele não deu sinal de vida. Não atendeu celular, não respondeu mensagem. Mandou whatsapp meia noite como se nada tivesse acontecido perguntando se eu estava acordada. Fiquei putaça, mandei à merda, ele sumiu 4 dias. Daí tentou de novo e como eu não tarra fazendo nada e ele era mesmo bem gatinho resolvi dar corda. Só que naquele dia eu não podia. E deixei claro bem cedo que não podia, não dei o cano nele como ele tinha feito comigo.

Ele?

Ficou bravinho e disse que eu seeeempre tinha alguma coisa mais importante pra fazer do que ver ele. E começou a mandar mensagem de cinco em cinco minutos cobrando que eu não respondia.

38 anos na cara, macaca véia né?

Bloqueei. Não quis nem argumentar porque o alarme de barca furada estava não apenas apitando, estava berrando "SAI DESSA MINHA FILHA QUE ESSE BOY É TRETA"

Mas daí vocês veem como ser mulher é uma merda. No começo das nossas conversas ele me mandou uma foto que tinha tirado durante uma corrida matinal e eu comentei que trabalhava na frente daquela praça, que coincidência. Bloqueei o boy treta e ele sabia onde eu trabalhava. E o medo?

"Ah, mas tem mulher louca que vai fazer escândalo no trabalho dos ómi também"

Deve ter, né? Mas nenhuma ameaça a integridade física do cara, no máximo vai arranhar o carro dele. Já um cara de 1,85 e 100 quilos que eu nem conheço direito mas deu sinais de ser meio descompensadinho pode me ameaçar sim. E muito. E por nada, só por achar que "tem direito".

Tô nova nessa coisa de solteirice mas já aprendi uma lição: só digo pro boy onde eu trabalho depois de ele conhecer minha mãe.


Sai macho

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Quando eu me separei bateu aquele medo de ficar sozinha, né?

Não ficar sozinha-encalhada-sem-ómi, esse medo eu nunca tive. 

Eu também sempre me orgulhei de ser aquela pessoa que se dá super bem consigo mesma, que vai ao cinema sozinha, que aprecia a própria companhia.

Daí eu me separei. E todo mundo correu para me ajudar naquela hora. Todo mundo me ligava, me tirava de casa, inventava programas, coisas pra fazer. E eu sou muito grata a todos por isso. Só que naquela ânsia de ser socorrida eu não tive tempo de reaprender a estar sozinha.

Mas uma hora passa né? Porque todo mundo tem sua vida e tals. Não dá pra todo mundo ficar comigo o tempo inteiro. E eu nem espero isso deles. E de repente eu estava sozinha comigo mesma de novo. E eu não estava feliz.

Eu sei que é só uma fase e que daqui a pouco eu vou estar de bem comigo de novo, mas por enquanto não tá muito bom não.


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Um contra o outro

Daí no primeiro dia em Lisboa choveu sem parar e o jeito foi embarcar num hop on hop off pra tentar ver um pouco da cidade. E entre as descrições dos pontos turísticos na gravação tocavam músicas portuguesas. E tocou essa, que me fez procurar o grupo e me deixou obcecada:



Anda
Desliga o cabo
Que liga a vida
A esse jogo
Joga comigo
Um jogo novo
Com duas vidas
Um contra o outro

Já não basta esta luta contra o tempo
Este tempo que perdemos a tentar vencer alguém
E ai fim ao cabo
Que é dado como um ganho
Vai-se a ver desperdiçarmos
Sem nada dar a ninguém

Anda
Faz uma pausa
Encosta o carro
Sai da corrida
Larga essa guerra
Que a tua meta
Está deste lado da tua vida

Muda de nível
Sai do estado invisível
Põe o modo compatível
Com a minha condição
Que a tua vida
É real e repetida
Dá-te mais que o impossível
Se me deres a tua mão

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens (2x)

Anda
Mostra o que vales
Tu nesse jogo
Vales tão pouco
Troca de vício
Por outro novo
Que o desafio
É corpo a corpo

Escolhe a arma
A estratégia que não falha
O lado forte da batalha
Põe no máximo o poder
Dou-te a vantagem
Tu com tudo
E eu sem nada
Que mesmo assim desarmada
Vou-te ensinar a perder

Sai de casa e vem comigo para a rua
Vem, que essa vida que tens
Por mais vidas que tu ganhes
É a tua que mais perde se não vens (2x)



Mais um presente que Lisboa me deu <3 nbsp="" span="">

sábado, 1 de abril de 2017

Os homens que odeiam as mulheres que tiram fotos beijando golfinhos ou Tinder: um estudo de caso

Daí eu fui parar no Tinder, né?

Vocês conhecem o Tinder: é aquele lugar incrível onde pessoas decidem se querem transar com outras pessoas baseadas em meia dúzia de fotos e, se tiver sorte, uma descrição engraçadinha. Eu, sendo mulher hétero, tarra procurando homem hétero. E homem hétero, minha gente, homem hétero tem mania de cada coisa que eu vou contar pra vocês.

- Selfie no elevador: porque aparentemente homem hétero não tem espelho de corpo inteiro em casa. Deve ser um item que só vende no vale dos homossexuais.

- Selfie dentro do carro: deve ser para esclarecer que tem carro, né? Deveriam então tirar foto ao lado do veículo pra gente saber qual é. Não que eu me importe, se eu um dia testemunhar um crime espero que os bandidos fujam de fusca ou Uno antigo, etc.

- Foto hang loose: ou qualquer outro gesto com as mãos. Hang loose e heavy metal tem bastante saída, mas as vezes aparece um joinha ou um v. É babaca, não façam.

- Selfie no travesseiro: pra transmitir aquela ~sensualidade~.

- Foto com cachorro ou gato: a gente saber que é uma tentativa sem-vergonha de caçar like. Com gato principalmente.

- Foto na corrida: olá moço, quer dizer que você regularmente gasta 150 reais ou mais em kits vagabundos de corrida. Você e mais um bilhão de paulistanos de classe média, seu floquinho de neve especial.

- O cavaleiro sem cabeça: na maioria das vezes é casado, obviamente. Mas as vezes não é e diz que "não gosta de se expor". Agora eu pergunto: quem diabos dá like num cara que não cumpriu praticamente o único requisito pra conhecer alguém naquela merda?

- Os homens que odeiam as mulheres que tiram fotos beijando golfinhos: honestamente, eu não beijaria um golfinho. Acho golfinhos pouco confiáveis e sei que os animas neste tipo de atração turística são maltratados, então escolho não tomar parte nisso. Por outro lado, também não conheço ninguém que tenha uma foto beijando um golfinho, portanto não sei se isso realmente é algo que acontece tanto a ponto de reclamarem. De qualquer maneira, há sim toda uma categoria de homem hétero no Tinder que deixa bem claro que não dá like em mulheres que tiram fotos beijando golfinhos. Direito deles, vejam bem, eu também deixo de dar like por causa de foto besta mas não declaro isso no meu perfil, tipo "Se você tem foto em frente a torre Eiffel sai daqui".

E pra encerrar:

- Os homens que gostam de futebol, de churrasco, dos parça, mas não de mulher: só isso explica o tamanho da lista de exigências no perfil.


Clarice Linspector ~risos~