segunda-feira, 30 de maio de 2016

A família Foltran Borges vai ao Rio

Eu fui pro Rio de novo no feriado. Eu não canso de ir pro Rio. Dessa vez fui com mãe e irmã porque a gente é dessas. A gente briga, se estressa, mas não se larga.

- Quinta feira pode ser considerado um dia histórico no Rio de Janeiro pois encontramos um taxista que:

a) Topou levar 5 pessoas;
b) Topou levar 5 pessoas pra Santa Teresa;
c) Ligou o ar condicionado estando menos de 45 graus do lado de fora.

- Em Santa Teresa teve bar do Mineiro. No bar do Mineiro tem cerveja geladíssima e pastel de feijoada. A pessoa que teve a ideia de colocar feijoada dentro de um pastel merecia um prêmio, gente. Inventem um, por favor. No fim da tarde teve café e doce na confeitaria Colombo lotada. Teve minha irmã escolhendo sempre os piores doces possíveis. Na confeitaria Colombo a pessoa conseguiu pedir um doce de ovo. De ovo.

- Sexta teve o Cristo pela terceira vez porque minha mãe tinha ido lá há mais de 30 anos e fez questão. O bondinho do Pão de Açúcar a gente conseguiu vetar, custa 80 reais. E eu iria pela terceira vez também. Preferimos converter esse dinheiro em cerveja na mureta da Urca. Não sei se a mureta da Urca é um passeio clichê, mas se não é deveria ser. Que por-do-sol lindíssimo.

Eu sou péssima fotógrafa e tirei essa foto com o celular. Diz aí se o Rio não é o lugar mais bonito do mundo? 

- Eu e minha mãe brigamos um monte, sempre, mas em certas coisas somos tão parecidas que até assusta. Estávamos descendo no elevador apertadinho do hotel quando ele parou no primeiro andar e seis pessoas queriam entrar. Dissemos ao mesmo tempo, as duas "Não cabe todo mundo!". Sim, compartilhamos o pavor de elevador lotado. Entraram duas mulheres e resmungaram: "É, aqui tá escrito que cabem oito pessoas". A senhora estava no primeiro andar, pelamordedeos, tá achando ruim descesse de escada.

- Já fui tantas vezes ao Rio e nunca tinha ido ver a estátua do Drummond. Comentei brincando que queria ver a estátua do ~Dumont~ e esqueci que minhas companheiras de viagem não moram na internet como eu. Dia seguinte chega minha amiga no café: "Perguntei pro taxista e ele não conhece nenhuma estátua do Santos Dumont." Trolei minha família sem querer.

Santos Drummond de Andrade (e fotos clichês também são legais)

- Viramos fãs de uma sanduicheria pequenininha e simpática em Copacabana chamada Montagu's. Jantamos lá todo dia. Sabe lugar que você decora o cardápio e faz o pedido planejando o que vai pedir no dia seguinte? Essa base.

- Eu brigo com a minha mãe porque ela para a cada cinco minutos para tirar fotos, mas no fundo se dependesse de mim este post não teria nenhuma, então obrigada, mãe.

- Sábado teve samba e pastel de costela e de brigadeiro (sim, pastel pra mim is serious shit) no centro.

~corações~

O Rio mais uma vez foi legal comigo. E mais uma vez eu fui embora já marcando o dia pra voltar.

Foto conceitual da minha mãe para encerrar ~risos~ 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

In a world of Kardashians be whoever the fuck you want to be

Eu podia estar roubando, eu podia estar matando, eu podia estar planejando minha próxima aula mas eu vim aqui hoje para defender as Kardashians.

Keeping up with the Kardashians é meu guilty pleasure eterno. Sim, elas são lindas, ricas e famosas, mas são tão gente como a gente ao mesmo tempo que não tem como não se apegar. Elas choram, brigam, ficam bêbadas, falam merda, erram o look, sofem por causa de ómi bosta, fazem concurso de peido. Elas fazem besteira sim, (Kim casou com Kanye né, quem besteira maior que essa?) mas gente: quem nunca? 

Daí a Anne Hathaway, que eu sempre achei uma linda, talentosa, empoderada e tals vai lá no instagram e me posta isso:


Num mundo de Kardashians... Seja Helena Bonham Carter

Tem tanta coisa errada com essa imagem que eu nem sei por onde começar. A primeira é essa ideia meio difundida no mundo das celebridades de que tudo bem esculachar as Kardashians dizendo que elas são fúteis, cafonas, biscats etc. 

A segunda é: mulher julgando mulher. Mulher cagando regra pra mulher. A gente já tem os homens por aí pra fazer isso pra gente, carece nós mesmas fazermos não. 

A terceira: Anne, gata, a gente não tem como ganhar essa briga. A própria Helena Bonham Carter que é incrível e talentosa é julgada o tempo inteiro como desgrenhada, esquisita, mal vestida. Mas se uma mulher ousa fazer o contrário, ser vaidosa e exibir o corpo acontece o que? Vira saco de pancada. 

Aparentemente mais gente se incomodou com a postagem, o que fez a Anne retirar a imagem e colocar essa:


Postagem removida por indireta não intencional

Daí a gente vê que a Anne não entendeu nada porque a indireta dela não teve nada de "não intencional". Nem foi indireta, né? E ao invés de tentar compreender porque ela estava tão errada ela simplesmente disse: "Vocês é que não entenderam. Não foi minha intenção".

Anne, tamo junta. As Kardashians são mulheres como você, como eu e acho que a gente deveria era se unir ao invés de trocar farpa na internet. Mas se uma de nós diz bobagem a gente tem que apontar sim e tentar educar para que isso não aconteça de novo. Pelo jeito com você ainda não funcionou, mas a gente segue tentando. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Whippets e ladeiras

Eu vou me mudar em breve para um apartamento que fica um pouco mais perto do trabalho do namorado. Pra mim vai fazer pouca diferença, vou de 1 quilômetro de distância do trabalho para 3. Ok, não vou mais poder trabalhar a pé, mas são 15 minutos de ônibus. E estarei a 10 minutos e um ladeirão do metrô. Já para o namorado a distância vai cair de 16 para 8 quilômetros, ou seja: vai melhorar bastante.

O apartamento novo fica na Vila Madalena. A Vila Madalena é um bairro nobre, de aluguéis caros, ladeiras, restaurantes moderninhos e botecos que cobram muito mais do que o esperado por uma porção de batata frita. Deve ser um lugar agradável de se morar, arborizado e perto do metrô. As opções de delivery também devem ser melhores que na Lapa de baixo, onde eu moro hoje.

Hoje fui levar umas coisas ao apartamento novo e esperar a instalação das redes de proteção. Porque a única condição indispensável para que eu me mude para lá é um chuveiro quente e segurança para a Peppa. O resto a gente sobrevive. Chegando no prédio cruzei com uma vizinha saindo com dois cachorros whippet vestindo agasalhinhos tipo adidas, um vermelho e um preto. Ao invés de cachorrinhos peludos de origem duvidosa como na Lapa de baixo, na Vila Madalena as pessoas tem whippets de agasalhinho adidas e acho que isso diz muito sobre meu bairro novo. Dei uma volta pelo quarteirão e já descobri um restaurante vegano, um loja de produtos naturebas e uma portinha que vende baldes, vassouras e quinquilharias desse tipo. Virando a esquina tem um mini Pão de Açúcar para quando eu me sentir rica e dois quarteirões para baixo tem um Dia, pra eu lembrar que a vida é dura. E as ladeiras. Porteiro me viu esbaforida e já comentou "você acostuma".

Claro que eu acostumo. Neste mesmo bloguinho, 4 anos atrás, eu disse que estava aprendendo a gostar de mudanças e a olhar para elas como um sinal de que a vida anda. Lá vou eu, andar pra uma vida de ladeiras, whippets, restaurantes fofinhos e supermercados feios.


Um whippet de gola rolê porque sim

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Como ser um péssimo turista

Eu estava ontem ensinando direções para um grupo de básico. Lá pelas tantas um aluno chatérrimo, daqueles que pronuncia tudo errado e quando eu corrijo retruca "eu falo como eu quiser, eles que se virem pra entender" disse que não precisava aprender direções porque quando ele fosse viajar "era só perguntar pro taxista."

Por essas a gente já percebe que a pessoa não está muito acostumada a viajar, né?

Olha, tudo bem não ter tido muito oportunidade de viajar na vida. Nem todo mundo tem. Esse cidadão especificamente é jovem, razoavelmente estudado e diz que está aprendendo inglês para "ir morar no Canadá". Pensa numa pessoa iludida ~risos~

Se você não gosta de usar transporte público viajar vai ser um problema para você. Porque táxi é caro e muito pouco confiável em qualquer lugar do mundo. Metrô e ônibus são uma maneira ótima de conhecer os costumes do lugar onde você está, o que é grande parte da graça de ir para outro país.

Se você tem preguiça de aprender idiomas, viajar vai ser um problema para você. Porque as pessoas tendem a ser muito mais simpáticas e solícitas com alguém que se esforça para falar a língua delas, mesmo falhando miseravelmente. Todo mundo fala da falta de educação dos franceses mas eu fui muito bem tratada lá. Eu chegava humildezinha com meu francês ridículo, as pessoas percebiam que eu estava pelo menos tentando e automaticamente me respondiam em inglês, sem drama. Franceses falam inglês, só não gostam de ser obrigados a fazer isso.

Se você é enjoado para comer, viajar vai ser um problema para você. Porque a comida da sua mãe não vai estar disponível do outro lado do Atlântico. Talvez você não se importe em comer no McDonald's todos os dias, mas acredite: vai estar perdendo 50% da diversão.

É como dizia uma amiga minha que trabalhou anos em agência de intercâmbio: todo mundo quer viajar, mas nem todo mundo está preparado pra isso.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

As minas da academia

Sabem aquela rede de academias que custam 49,90 por mês e tem uma em cada esquina? Eu frequento a genérica dessa daí, que também custa 49,90 mas tem uma a cada cinco esquinas apenas.

Eu gosto da minha academia baratinha da esquina porque ela é grande, novinha, os instrutores são legais e como eu não frequento em horários de pico, costuma estar razoavelmente vazia.

Na academia baratinha da esquina tem muitas velhinhas que pegam mais peso que eu e reparam quando a gente fica duas semanas sem aparecer, "esse pessoal jovem trabalha demais, né Lurdes?". Tem também as irmãs jovenzinhas magrelíssimas que ficam horas em cada aparelho mexendo no celular mas levantar peso que é bom nada. E tem a mulher com cara de rica plastificada de idade indefinível (algo entre mais velha que Danielle Winits e mais nova que Glória Maria). Ela usa roupas chamativas e está sempre lá com a personal, não importa o horário que eu apareça. Está dando resultado, porque a bunda dela é ótima. Mas de todas as minas da academia a minha preferida é, sem dúvida, a moça do espelho.

A moça do espelho é alta, magra e tem um cabelo maravilhoso. Quando eu entro no vestiário depois do treino ela está lá, se olhando no espelho e ajeitando a roupa de ginástica. Eu entro no banho, saio e ela continua lá, mexendo no cabelo. Eu me seco, me troco, coloco maquiagem e ela ainda está lá. Eu nunca vi essa moça nos aparelhos, só no espelho do banheiro.

Vejam só, coleguinhas, meu checklist antes do treino consiste em:

1. Eu estou de calça jeans ou de saia?
2. Tem alguma coisa nos meus pés que não seja um tênis?
3. Está aparecendo alguma parte do meu corpo que não deveria?

Se a resposta for não para todas estas perguntas eu me considero apta para treinar com meu abadá do carnaval de Ouro Preto 2004. Sim, nas minas da academia eu sou a magrela esbaforida que usa roupas esquisitas e não tem lá muita intimidade com os aparelhos mas está se esforçando. E indo mais de duas vezes por semana, completo com orgulho.

E essa semana tocou Mika.



Talvez eu esteja me tornando dessas pessoas que gostam da academia. Talvez.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

De como eu caí no submundo da internet sem querer

Olá coleguinhas, tudo bem?

Ontem, sem querer, eu conheci um submundo da internet quase tão assustador quanto fascinante. Um submundo ao qual, em cerca de 20 anos de internet, eu nunca tinha sido apresentada: os fã-clubes de twitter.

Começou que Globo vai fazer tipo um remake com outro nome da novela Sassaricando. E Sassaricando foi daquelas novelas queridas de infância, da qual a gente copiava as roupas, os bordões, amava os personagens. E um dos personagens mais queridos era a Tancinha, uma feirante grandalhona, meio ignorante, atrapalhada que falava tudo errado com um sotaque meio italianado. Quem fazia a Tancinha era a Cláudia Raia. Daí vem a notícia de que quem vai fazer a Tancinha no remake é uma atriz que eu não vou escrever o nome aqui para não atrair mais louquinhos. 

(Pausa para imaginar essa moça como uma feirante grandalhona que fala errado)

Nada contra ela, que é lindíssima e talentosa (OUVIRAM FÃ-CLUBES?). Só acho que não combina. E eu fiz a besteira de externar essa opinião no twitter. 

Sabem o que eu ganhei? Um monte de reply de @s tipo "mypridefulaninha" ou "divafulana" que fazem busca na rede atrás de quem ~fala mal da musa deles~ E eu nem falei mal. 

Aliás, por que eu falaria mal dessa atriz? Ela é essa estrela de primeira grandeza, tão maravilhosa que deveria ganhar o Miss Universo todo ano mesmo sem concorrer. Ela é tão talentosa que o povo do Oscar deveria bater na porta dela para entregar uma estatueta a cada dois anos só pelo conjunto da obra. Ela definitivamente merece cada segundo que esse povo perde a "defendendo" nas redes sociais. E olha que eu sou uma pobre arroba zé-ninguém, com 140 seguidores. E ainda assim essa galera se deu ao trabalho de ir lá me enchouriçar. 

Vocês imaginem só se esse pessoal direcionasse tanta motivação para coisas realmente úteis. A gente já teria curado o câncer e colonizado o espaço. 


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Sobre comida, amor e últimas refeições

Teve este post da Juliana e logo em seguida um filme no Netflix, A história de uma criança com fome. Ai gente, sim, o nome é horrível, o original em inglês é Toast, que era a comida que o personagem principal associava à mãe. A mãe era uma péssima cozinheira que só fazia comida enlatada porque se preocupava "com a origem dos alimentos" ~risos~ e quando ela conseguia errar o jantar enlatado ela fazia torradas. E o menino diz que não tem como não gostar de alguém que faz torradas pra você.

Enfim, o filme é baseado na vida de um chef inglês, o Nigel Slater. Desses chefs de tv (e cês sabem que eu sou fissurada nesses caras) ele é dos meus preferidos. Ele é fofo, calmo, planta as coisas dele, fala mansinho e faz cada coisa maravilhosa com ingredientes que ele pega na própria horta que olha. Ele tem uma relação muito linda com a comida que é certamente um reflexo da relação horrível que a família dele tinha.

Deixa eu falar um negócio muito clichê mas tão verdadeiro: comida é amor. A gente associa comida a carinho, coisas boas. Chegar em casa da escola no fim da tarde e comer o pimentão recheado com purê de batata da minha mãe. As batatas fritas gordinhas com carne moída e rabanada o ano inteiro da minha falecida tia Terezinha. O misto quente no tostex que meu pai fazia no domingo de manhã e que era melhor que os outros sim. O misto quente do meu pai e as torradas da mãe do Nigel, inclusive, são a prova de que na verdade não é preciso saber cozinhar para demostrar amor através da comida. Só precisa de amor mesmo.

E em resposta ao post da Juliana, minha última refeição seria o arroz, feijão, purê de abóbora e farofa de couve que eu comi no bar do Sô Vicente em São João Batista da Canastra num carnaval em 2009. Tenho certeza que tinha muito amor envolvido ali.

Conta aí nos comentários qual seria sua última refeição!

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Um post por dia - Dia 30

Como vocês podem observar eu estava na reta final vendo a bandeirinha para o fim do desafio quando arreguei. Falhei com sucesso no meu projeto de um post por dia e logo no último post, que tragédia. A culpa vocês já sabem: a vida, o tempo, os professores que abandonam turmas no meio do semestre. Mas o importante é que eu volteeeei agora pra ficar e encerrar esse ciclo como ele começou: com vídeos do TED.

Eu amo os vídeos do TED como muitos coraçõezinhos. Eu uso direto para dar aulas para turmas mais avançadas, é uma ótima maneira de praticar inglês e ainda aprender um pouquinho sobre história, psicologia, sociologia, estatística, linguística, política, ciência, ativismo, meio ambiente, etc etc. Hoje vou deixar aqui meu 3 preferidos (não há uma ordem específica no meu coração).

I got 99 problems... palsy is just one (Maysoon Zayid)



A Maysoon Zayid é uma comediante americana, muçulmana e que tem paralisia cerebral. Como ela mesma diz, seríssima candidata à medalha de ouro nas Olimpíadas da opressão. Nesta palestra engraçadíssima ela fala sobre a infância dela e sobre como as minorias ainda são sub-representadas na mídia.

Your elusive creative genius (Elizabeth Gilbert) 



A Elizabeth Gilbert conta aqui como ela lidou com a pressão depois de ter escrito o sucesso absurdo que foi "Comer, Rezar, Amar" (que eu aliás nunca li). Ela fala do processo criativo e de como seguir escrevendo mesmo que pareça que não vai dar certo. Eu tenho um trecho dessa palestra impresso e colado no meu mural para me lembrar de que mesmo quando parece que nada vai dar certo o importante é seguir dançando.

Music is medicine, music is sanity (Robert Gupta) 



Robert Gupta fala sobre o poder curativo da música e de como ela resgatou a sanidade de um violinista esquizofrênico. De quebra ele toca a suite 1 para violoncelo de Bach, que eu acho uma das músicas mais tristes e bonitas do mundo.

O desafio de um post por dia acabou. Eu ainda não sei se ele trouxe as mudanças que eu esperava, mas sigam acompanhando o bloguinho para cenas dos próximos capítulos.