terça-feira, 27 de abril de 2010

Desopilando


Porque o clima por aqui anda meio pesado...

Eu já externei no meu blog antigo o horror que tenho a essa praga que assola a creiçolândia chamada "unha decorada". Eu não sei quem inventou isso, mas tenho certeza que foi um espírito baixo, desses que vaga pela escuridão num limbo eterno e cuja única alegria na vida é espalhar a feiúra pelo mundo. Não há outra explicação.

Ô lindeza...


Não bastasse esta abominação ter tocado a face da terra, ela se difundiu. Hoje, nove entre dez creiças exibem por aí flores dismórficas, cores berrantes, brilhos, purpurinas, bolinhas, combinações que só remetem a uma palavra: pesadelo. Mas eis que minha coleguinha Carlota me mostra que tudo, mas tudo mesmo, pode piorar. Eu lhes apresento, leitores, The Daily Nail.

Siiim, the Daily Nail é escrito por uma baranga americana que resolveu embarcar nessa moda de projetos 365 dias fazendo o que? Unhas decoradas! Um design diferente por dia. Um freak show diário.

Fiquei sem palavras. Achei esse aqui (que merda é essa, meu deos?E ra pra ser um fantoche de meia? Really?) particularmente revoltante, mas não sei nem o que dizer sobre as máscaras de luta livre e o dinossauro.

Quem tiver coragem que dê uma olhada nas outras páginas. As duas primeiras me foram suficientes.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O dia em que eu joguei a toalha

Relação professor-aluno pode ser uma coisa bem delicada. Entre os adultos, principalmente, não é raro aparecer alguém que esteja mesmo é precisando de terapia e não de aulas de inglês. Com aulas particulares, então, o problema é mais sério - são duas pessoas que passam muito tempo juntas e podem muito bem não ter nada em comum. Por mais profissional que seja o ambiente, elas podem acabar se chocando pelo simples fato de que professor NÃO é psicólogo e não pode portanto carregar para si frustrações e problemas alheios. Entretanto esse "choque" normalmente é contornável e gera, no máximo, uma dor nas costas de tensão ao fim da aula.

Não vou entrar nos detalhes burocráticos que me levaram ao choque com esta aluna especificamente. Trata-se de um história longa e cheia de detalhes chatinhos que não vem ao caso. Basta saber que ela é uma mulher arrogante, adepta da filosofia "tô pagando" e muito mal educada com recepcionistas, segurança, faxineiras e qualquer outra pessoa que julgue "subalterna". Comigo, entretanto, sempre tinha sido um doce - sorridente, solícita, cheia dos elogios.

Como aluna era um pé no saco - meio burrinha, preguiçosa e desleixada, mas ainda assim exigente. Questionava meu método e passava horas argumentando que tal estrutura gramatical estava errada porque NÃO EXISTE EM PORTUGUÊS. É o tipo de pessoa que cimenta uma idéia (quase sempre equivocada) na cabeça e nem um guindaste é capaz de convencê-la do contrário. Passar três horas por semana com ela estava se tornando um sofrimento que eu levava adiante porque né, sofrimento é parte do pacote chamado "trabalho."

Até que, depois de uma discussão sobre horas-aula se esgotando (discussão aliás que já tinha acontecido milhões de vezes com o coordenador) ela gritou comigo e me chamou de "moça de recados da secretaria". Nesse momento não vi outra alternativa a não ser dizer: "Fulana, me desculpe, mas eu não consigo mais dar aulas pra você" e sair da sala.

Sim, eu abandonei uma aluna no meio da aula. Desisti. Sim, não fui nada profissional, mas acreditem, era uma situação limite. Era ir embora ou matá-la.

A coordenação me apoiou. Me contaram (pela primeira vez) que a professora anterior tinha desistido também porque precisava tomar remédios para baixar a pressão depois de cada aula. A coleção de desafetos dela na escola comemorava secretamente meu piti, vendo nele uma chance de se livrar de uma vez por todas daquela criatura insuportável - seria o primeiro caso registrado de um aluno sendo expulso de uma escola de inglês.

A expulsão infelizmente não aconteceu. A mulher continuou gritando naquele tom arrogante de sempre, como se tivesse comprado e registrado a razão e o coordenador, com um caminhão de panos quentes, concordou um arranjar um quarto (sim, fui a terceira) professor para ela.

Eu não sei que fim essa história vai ter. Mas algo me diz que envolverá sangue.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Continuando...

Na mesma atividade do post abaixo, os moleques incluíram: "Visitar a Nicole do Pânico."

Inevitável pensar na batalha que as meninas dessa geração vão ter pela frente tentando se igualar aos padrões de beleza nível "travesti anabolizado" das moças desse programa.









Porque, né? Na minha adolescência padrão de mulher gostosa era a Carla Perez pré intervenções cirúrgicas.










Estava fácil de competir.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Ainda morro disso

O sétimo ano estava aprendendo a falar sobre compromissos em inglês. Entreguei a cada um uma folha de agenda em branco e pedi que planejassem o dia perfeito. Enquanto eles faziam a atividade, um moleque grita lá do fundo:

"Tchííítcher, como eu escrevo em inglês - invadir a final da Champions league pelado e marcar um pênalti?"

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Too much information

Minha aluna contando que vai ficar dois meses no Canadá sem o marido:

"Minha irmã achou um absurdo, imagina. Que é isso, teacher, dois meses sem dar a gente tira de letra, né?

A gente sofre mas se diverte

Lendo um texto sobre a África do Sul com a quarta série, pergunto:

"Além de elefantes e leões, que outros animais nós encontramos lá?"

CDFzinha da primeira carteira:

"Muitos, teacher. A SAUNA da África é muito variada!"

domingo, 4 de abril de 2010

Cuidado comigo

O requisito básico para ser um bom turista é paciência, todo mundo sabe. Fazer turismo, pelo menos aquele tradicional, de visitar os pontos mais famosos, tirar fotos pra mostrar pra família, comprar porcarias pra deixar em qualquer canto depois, esse envolve muito saco pra aguentar filas, ingressos caros, guias malas, gente sem educação e funcionários despreparados. E eis que me encontrei mais uma vez numa barca dessas, tentando subir no Pão de Açúcar em plena Sexta-feira santa.

Começou com a fila de cerca de duas horas debaixo de um sol desértico, embalada por um grupo de turistas mineiros atrás de mim que contava com uma versão obesa da Sílvia Design. A fofa gritava o tempo todo o quanto o Rio é lindo e o quanto seus amigos eram maravilhosos por a levarem lá. Claro que a perspectiva de ficar dentro do bondinho, ainda que só por 3 minutos, com aquela criatura, já minou mais um pouco meu entusiasmo pelo passeio - felizmente ela pegou o próximo.

O passeio segue: sobe no bondinho, desce do bondinho. Tira fotos, vê os macaquinhos, acha graça nos gringos, sobe no bondinho, desce do bondinho. Na penúltima descida, entre o Pão de açúcar e o morro da Urca, consigo me instalar com meus amigos na janela pela primeira vez. Não que eu estivesse fazendo muita questão, aconteceu, tínhamos sido os primeiros a entrar, só isso. O bondinho lota e do nada surge uma velha nos acotovelando e berrando: "dá um espacinho, dá um espacinho!" Eu não dei espaço, tive o mesmo arrancado pela delicadeza da mulher. Nisso a neta dela já se enfia entre queridão e eu e a filha fica me encoxando e colocando o braço na minha frente pra tirar fotos. Como a última coisa que eu queria era arrumar um barraco em um lugar fechado com mais sessenta pessoas me resignei a fazer uma cara feia e me apoiar em queridão. A filha da velha então puxa a neta e eu a ouço gritando:

"Vem cá, Júlia, sai daí que você está atrapalhando a moça e ela esta fazendo um monte de caretas!"

Respirei fundo, não me mexi. Ainda deu tempo da louca completar:

"Olha só que cara de malvada!"

É isso. Se você é uma velha folgada ou uma mãe sem educação, é melhor ficar esperta. Eu sou malvada. Eu faço caretas. Cuidado comigo.