quinta-feira, 29 de junho de 2017

Cabelo curtinho é bão demais


1) Não tá sujeito ao tempo, foda-se se tá úmido ou seco, cabelo joãozinho tá sempre no lugar.
2) Acorda lindo e fica lindo até voltar pra casa.
3) Se não acordar lindo taca uma pomadinha rapidão e já tá lindo de novo.
4) Fica sujo e ninguém percebe.
5) Dá pra lavar com xampu furreca baratex que continua lindo.
6) Também dá pra comprar xampu caro cheiroso porque usa pouquinho.
7) A gente fica automaticamente estilosa até de bota de tranceira.
8) Se for tingir uma caixinha dá pra duas vezes.
9) Progressiva é mais barata.
10) Não precisa usar 500 produtos diferentes.
11) No calor é delícia, no frio é só colocar um cachecol lindão.

Porém:

1) Ficam comparando a gente com a Amélie Poulain.
2) A gente ouve "nossa você é corajosa" umas 500 vezes.
3) Ouve várias elofensa tipo "em você fica bom mas eu NUNCA faria isso"
4) Tem que cortar todo mês, o que economiza no xampu gasta no salão.
5) Tem que aguentar as pessoas marcando a gente nos textinhos punheteiros do Xico Sá homenageando mulher de cabelo curto.
6) Ás vezes bate um vento e fica parecendo o Alfalfa dos batutinhas.



quarta-feira, 28 de junho de 2017

Gaslighting

Em poucas palavras, gaslighting é uma tipo de manipulação psicológica e emocional na qual o manipulador utiliza artifícios para fazer a vítima acreditar que ela é desequilibrada, questionando sua própria memória, percepção e até sanidade. O nome se origina de uma peça de 1938 e um filme posterior chamados Gas Light. Neles, uma marido tenta convencer a esposa e as pessoas ao redor deles de que ela é louca. Ele faz isso manipulando elementos do ambiente em volta deles e insistindo que ela está imaginando coisas ao apontar estas mudanças.

Eu vim aqui hoje para contar a minha história de gaslighting, que não daria um filme mas que certamente é muito parecida com várias outras histórias que até hoje não tinham nome.

Começou com uma discussão que eu tive uma vez com a minha mãe porque não queria fazer uma viagem com ela num feriado qualquer. Fiquei bem irritada com a briga e, ao desabafar com meu ex, usei as seguintes palavras:

"E o pior é que ela acha que você quer ir e que eu sou a víbora manipuladora que estou te convencendo a não ir."

Pois o "víbora manipuladora" passou a fazer parte do que eu achava que eram piadas internas de casal, mas que hoje eu vejo que eram gaslighting purinho.

A gente não brigava nunca, eu e meu ex. E não é porque nunca discordássemos ou ficássemos com raiva um do outro. Era simplesmente porque eu não podia demostrar insatisfação. Ao menor protesto meu em relação a qualquer coisa a reação imediata dele era: "Você tem certeza que quer discutir por causa disso? Porque eu faço tudo por essa relação e você sempre quer tudo do seu jeito." Porque afinal de contas, eu era a "víbora manipuladora."

Spoiler: era tudo sempre do jeito dele.

Eu passei anos achando que eu era a desequilibrada, a que chorava a toa, a que puxava briga por besteira, mas adivinhem: não era besteira. Mas ele, dentro daquele personagem que era um poço de equilíbrio e de racionalidade, me fazia acreditar que era errado discutir. E que eu não tinha direito de impor nada porque ele sempre fazia tudo do meu jeito, coitado. Era um pau mandado.

Cês já sabem né? Não era.

Ele fazia o que queria. Na hora que queria. Quando queria. Várias vezes sem me consultar. Mas aaaah, eu não podia reclamar porque ele era um namorado bom, né? Atencioso. Me dava presentes. Era legal com minha família e com meus amigos. Ajudava nas tarefas de casa.


Ano passado ele se inscreveu para a Bravus Race. Ele nem queria ir, mas um amigo insistiu e ele topou. A corrida era no dia que eu tinha marcado para comemorar meu aniversário, um domingo na hora do almoço. Até então ok, corrida é cedo, ele vai, volta, dá tempo. Só que um dia, numa mesa de bar, o amigo dele me disse que a Bravus sai por baterias e a deles era as 11 da manhã.

E aí eu questionei. Porque era uma corrida da qual ele nem queria participar no mesmo horário da comemoração do meu aniversário.

Um tempo depois ele me jogou na cara que naquele dia eu estava bêbada e dei barraco na frente dos amigos dele na mesa do bar. Eu sinceramente não lembrava disso, mas fiquei com aquilo na cabeça afinal de contas esse era um jeito recorrente dele se referir a mim quando eu bebia: eu era a "bêbada barraqueira" e é bem fácil você acusar uma pessoa bêbada de qualquer coisa porque né? Talvez ela não lembre.

Parênteses: eu não sou alcoólatra, beijos. Tomo minha cervejinha e fico bêbada sim de fim de semana, menos que ele, inclusive, que já fez bastante merda bêbado.

Depois que nós terminamos eu comecei a repassar essas histórias na minha cabeça e perguntei para uma amiga que estava no bar naquele dia se ela se lembrava da discussão. Ela disse que eu tinha sido incisiva no quanto não tinha gostado de saber do horário da corrida, mas não classificaria aquele diálogo como "barraco".

Mas ele era o moço bom, né? O correto, o que faz tudo por todo mundo. Imagina se os amigos dele desconfiam que ele por um instante está fazendo alguma coisa que só interessa a ele e que vai sim me deixar chateada. Melhor me fazer acreditar que eu dou barraco sem motivo, coitado.

É aquela velha história né. Hoje eu sou a ex louca dele. Se seu boy tem uma ex louca, melhor ficar atenta. A próxima ex louca pode ser você.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O caminhão de melancias

Aquela história da vida ser um caminhão de melancia etc etc.

Voltei para a terapia e a psicóloga do plano fala meiguinha e usa cachecol fino enroladinho grudado no pescoço sem cobrir o decote, o que me dá coisas. Espero que possamos superar isso. Falamos sobre meu sono excessivo, o desânimo em geral pelas coisas e a vontade louca de me alimentar exclusivamente de carboidratos e ela me sugeriu uma-passadinha-no-psiquiatra-mas-talvez-seja-cedo-vamos-investigar. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Tem menina Foltran Borges nova in da house. Cecília nasceu em Brasília dia 19, pesando 3,6 kg e medindo 49 cm. Segundo minha irmã ela é uma bebezona brava e esfomeada e eu não esperava outra coisa de uma pessoinha que carrega os genes da minha família. Só vou vê-la no final de Julho porque agora começam os exames de Cambridge e vou trabalhar loucamente (o que é ótimo, $$$ é sempre bem vindo) mas até lá vai ter muita chamada de vídeo no whatsapp pra acompanhar o primeiro mês dessa lindeza.


Aqui a doutrinação nerd começa cedo

A propósito - ela se chama Cecília por causa dessa música do Chico Buarque:


Chico todo trabalhado na friendzone ~risos~


Taquei a tesoura no cabelo de novo. Estava com um chanel caretinha e sem graça que definitivamente não combinava comigo (uma amiga o qualificou como "classudo" e se tem uma coisa que pra mim não é elogio pra cabelo é "classudo". Cabelo classudo tinha a minha avó). Está bem joãozinho e peço encarecidamente a todos que não me comparem com a Amelie Poulain pois: odiamos Amelie Poulain, obrigada de nada. 


Num vem com colherzinha aqui não pfv


Inclusive referências mais legais que Amélie Poulain de mulheres de cabelo joãozinho: Mia Farrow em O bebê de Rosemary. Anne Hattaway em Um dia e Elis Regina, beijos.

Hoje falei na terapia sobre um curso caro que eu quero fazer e como eu me sinto culpada por gastar tempo e dinheiro em algo só por prazer. Ela logo me jogou na cara que eu tampouco estava investindo tempo e dinheiro na minha carreira (e não estou por um motivo simples: não vejo sentido nisso no momento) e comparou o curso a uma viagem: uma viagem é uma coisa na qual eu gastaria dinheiro sem pensar duas vezes apenas por prazer. Por que não esse curso então? Decidi fazer (isso se a moça da secretaria responder meus e-mails porque ó: tá difícil).

As melancias estão voltando para o lugar, como era de se esperar.





sexta-feira, 16 de junho de 2017

Dez horas e meia

Ontem eu sentei em um café com um moço às 15h00 e saí de lá com ele à 1h30 da manhã.

Sim, nós passamos dez horas e meia sentados em um café conversando sobre música, cinema, livros, séries, sobrinhos, relacionamentos, terapia, youtubers, buquês de periguetes (mais informações a respeito aqui). Nós passamos dez horas e meia conversando sem álcool envolvido (mesmo porque se rolasse álcool não teríamos sobrevivido a dez horas e meia provavelmente).

Eu nem sabia que era possível passar dez horas e meia conversando com uma pessoa. Eu possivelmente nunca fiz isso na vida.

O que isso significa? Talvez não muita coisa.

Não sei se vou ver esse moço de novo (eu gostaria, na verdade, mas não sei) mas uma coisa é certa: tem gente legal no mundo sim. E eles estão nos lugares mais improváveis - inclusive num aplicativo de celular.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sonhos

Eu vou voltar para a terapia semana que vem. Eu fiz terapia uma vez em 2014, numa época em que falecido e eu quase nos separamos mas acabamos superando. Quer dizer, hoje eu vejo que a gente nunca superou de verdade mas isso é assunto pra outro post.

Minha terapeuta em 2014 era jungiana e eu amava contar meus sonhos pra ela. Esses dias lembrei de um sonho da época e de como o significado dele (ou que ela atribuiu a ele, vá lá) fez muito sentido então e faz mais ainda hoje, 3 anos depois.

Eu sonhei que estava em uma pensão. Era uma pensão escura, feia e suja, no centrão de São Paulo. Ele estava comigo. Entramos num quarto e na parte de cima de um beliche tinha um cara deitado. Ele fumava e batia as cinzas no chão. Nos ofereceram comida. Meu ex não quis. Eu também não queria, mas a pessoa insistiu e eu acabei comendo e achando a comida bem gostosa.

Depois de ouvir meu sonho a terapeuta me falou do simbolismo da comida como uma espécie de passagem para outro universo. Falou das Brumas de Avalon, que eu nunca li, e do Labirinto do Fauno, que é um dos meus filmes preferidos da vida. Ela me falou sobre como, ao entrar na sala do homem pálido, Ofelia é orientada a não comer nem beber nada lá dentro, pois ao fazer isso ela ficaria presa naquele mundo (que era horrível mesmo, no caso).



A pensão era minha vida sem ele. E naquele momento de separação ela me parecia muito ruim. Ao comer a comida eu aceitava fazer parte daquele mundo e ao constatar que a comida era boa eu passava aceitar que talvez ele não fosse tão terrível assim.

Em 2014 nenhum de nós dois teve coragem de aceitar a comida. Em 2017 eu fui obrigada a engolir o que me foi oferecido e no começo foi bem amargo. Ainda é de vez em quando, mas cada dia menos. E nem de longe horrível como no meu sonho.

sábado, 10 de junho de 2017

Why don't you love me?

Eu estava assistindo "Edifício Paraíso" (é uma série bem legalzinha da Fernanda Young, passa no GNT) e em um dos episódios toca uma música linda e tristíssima no final. Amo música triste, etc. Joguei a letra no google e falhei miseravelmente em encontrar a música, apelei para o shazam. Achei, a música é essa (espero que vocês estejam de bom humor):



Fiquei obcecada por esses caras porque sou assim com música. A voz dele gente, meo deos. E sei lá aparentemente eles são um banda de bar, tem vídeos deles com 120 visualizações, menos que "Sr. fofinho comendo ração".

E tem essa:




pick up the pace, it's only a broken heart (vou tatuar isso, mentira nem vou mas...) 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Tenho conversado muito e há muito tempo já sobre essa "vontade-de-largar-tudo-e-fazer-alguma-coisa-completamente-diferente." Acho que todo mundo já passou por isso. Eu amo o que eu faço mas hoje, infelizmente, não vejo mais sentido em investir nisso, em me qualificar mais ainda (eu já sou bem qualificada para os padrões dos profissionais da área e tals mas cês sabem né, o céu é o limite). O que eu poderia investir hoje e que seria uma passo à frente na minha carreira seria em treinar professores, mas  numa área subvalorizada, tratada como bico, os professores são mal pagos e não tem dinheiro para se qualificar, ou seja. Tamo tudo fodido. E como professora de adultos ultimamente o que tenho visto é um monte de alunos desmotivados, cansados, trabalhando demais e que não enxergam o inglês como algo que realmente vai acrescentar alguma coisa na vida deles: é só mais uma dentre as milhares de obrigações que eles já tem na vida.

Daí a gente fica nessa brincadeira de "vou largar tudo e vender marmita vegana" ou "vou aprender costura no SENAC e fazer lingerie vintage" mas parece tudo tão absurdamente distante e irreal que eu só fico aqui inerte fazendo o que eu sempre faço. Inércia foi a palavra dos últimos anos, na verdade, e isso é muito triste. 

Além disso eu tenho essa invejinha das pessoas que tem hobbies de verdade, sabem? Que fazem coisas que elas gostam quando não estão trabalhando. O falecido escalava. Tenho uma amiga que pedala longas distâncias. Um colega que faz guitarras. Eu não tenho. Eu venho aqui, escrevo no blog, saio pra tomar umas cervejas, começo uma série nova e fim. Até que ontem caiu no meu colo uma coisa que me pareceu algo que eu REALMENTE gostaria de fazer: um curso de sommelier de chá.

Sim, isso existe e pra mim parece incrível. O curso é profissionalizante e tudo, tem até TCC. Eu poderia ter uma nova profissão gente!

(Não que eu realmente esteja considerando sommelier de chá uma opção de carreira né, como faz, tem vaga na Catho?)

Mas enfim, eu queria muito fazer isso. Só que custa caro. Bem caro. Mas eu tenho um dinheiro guardado e juro que amei tanto essa ideia que estava a fim de pagar, daí entrei em contato com a instituição pra saber sobre a inscrição e basicamente me passaram uma conta de pessoa física e disseram: deposita uma parte do valor do curso aí e já tá inscrito.

Eu meio que faço isso da vida né gente, vendo curso de inglês. E NÃO é bem assim que funciona. Mandei um e-mail pedindo uma minuta de contrato padrão e a pessoa me respondeu que entregariam o contrato no primeiro dia de aula, em Agosto.

Mas gente, vem cá. Como é que as pessoas esperam que eu deposite 1500 reais na conta de um estranho sem ter um contratinho me garantindo que esse curso existe, que se não existir eles devolvem meu dinheiro, que se eu desistir eu pago uma taxa, etc etc. As pessoas realmente fazem isso?

Tô esperando resposta da galera ainda, pra ver se me mandam o contrato. Há muito tempo eu não ficava tão animada com alguma coisa, espero sinceramente que dê certo. Cruzem os dedos aí.




quinta-feira, 1 de junho de 2017

Então estamos assim:

Minha menstruação está atrasada mais de uma semana e por mais que eu tente racionalizar o tanto que é impossível eu estar grávida (assim, impossível, impossível nível Jesus Cristo não porque rolou sex mês passado porém impossível pois: 3 métodos anticoncepcionais bem seguros aliados, enfim), por mais que eu tente né? Já fiz dois testes de farmácia. Não tô grávida. Mas tô com uma TPM do cão como eu não tinha desde que coloquei o DIU. Aparentemente meu corpo é uma velha carola me punindo por ter transado depois de 6 meses de abstinência. Enquanto isso vou fazer é mais um teste e tomar um chá de canela pra dormir tranquila.

Pra ajudar semana passada um estelionatário me engambelou no caixa eletrônico do Santander, usou minha digital e fez um empréstimo seguido de saque de 2 mil reais. Abri ocorrência e o banco indeferiu pois se ele usou minha digital eu autorizei e pronto. Telefonei xingando muito na agência, me pediram pra registrar um b.o. e ir lá que iriam cancelar o empréstimo. Aparentemente não vou ficar no prejuízo porém: não sabemos ainda.

Tive que ir à delegacia fazer o b.o. pois estelionato não dá pra fazer online. O escrivão estava fumando um Hollywood enquanto digitava meu boletim num teclado apoiado numa revista enrolada. Me senti num filme nacional ruim dos anos 80.

On the bright side: tenho botas novas tão lindas que me casaria com elas se fosse legalmente aceito.



Estou inchada, com cólicas, mal humoradíssima e devendo 2 mil reais pro Santander mas esfriou e posso desfilar por aí com essas lindezas.

Sobreviverei.

Obrigada pela compreensão.