quinta-feira, 21 de março de 2013

Festa na janela da tia Paula


Os cinco leitores assíduos deste cafofo sabem que habito um condomínio cheio de gente fina, elegante e sincera que chamo aqui de Jambalaia. Pois bem.

Não sei vocês, cinco leitores, mas no meu mundo se você tem menos de 12 anos, as 11 da noite tem que estar de banho tomado, dentes escovados, de pijama, jogando play station no conforto do seu quartinho. Infelizmente meus vizinhos não concordam com isso e 11 da noite uma horda de batutinhas pré-adolescentes  fica rondando o condomínio batendo bola e conversando naquele tom de voz muitíssimos decibéis acima do recomendado pela OMS. E apesar do Jambalaia ter quadra, playground e uma área externa relativamente grande, os batutinhas gostam mesmo é de se reunir no banco que fica bem ao lado da minha janela (e eu moro no térreo, vejam bem).

Ontem, 10 e meia, festinha no banco não dava sinais de que ia acabar logo. Eu gosto de sofrer, sabem, seus lindo, e acordo 5:30 da manhã todos os dias. Precisava dormir, mas a galerinha do barulho não deixava. Apelei para minha técnica infalível de colocar a cara na janela pra ver se eles se tocavam, mas aparentemente a técnica infalível falha miseravelmente quando usada com menores de idade. Fiquei uns 30 segundos encarando a patota até um deles me reconhecer, já que metade das crianças do condomínio estuda na escola que eu coordeno: "Olha, é a professora de inglês!" Me recolhi satisfeita para, dois segundos depois ouvir a conversa continuar rolando.

"Ela é sua professora da escola?"

"Não, ela dá aula no schlebts institute."

"Ah, ela é chata?"

"Não, a da escola é muito mais chata."

Diante dos rumos da conversa, pensei em avisá-los de que estava ouvindo tudo, mas achei mais divertido deixá-los continuar. Dali pra frente foi um tal de malhar tudo quanto era professora do colégio, falar que meus óculos estavam diferentes (sim, tenho óculos de sair e de ficar em casa), perguntar se eles tinham a professora no facebook e piriri pororó 11 da noite e nada da patota se recolher. Estava quase ligando para a portaria que não quero ser eu a mala que manda o filho dos outros dormir, mas enfim... Deu 11:30 alguma mãe abençoada chamou o primeiro e os outros foram seguindo seu caminho.

Daí eu penso que essa molecada fica cacarejando até 11:30 da noite ao lado da janela alheia e ainda tem assunto pra falar na escola no dia seguinte. Olha. Tô considerando pó de mico no banquinho da próxima vez.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Anne, eu te entendo

Post uma semana atrasado, mas ok, vocês entendem, é a vida, o trabalho, o calor, enfim.

Anne Hathaway levou o Oscar de melhor atriz coadjuvante, cês sabem, né? Não assisti Les Misérables por motivos de: musical, mas não duvido que ela tenha merecido. Mas o mundo é aquela coisa injusta, né? Anne tava lá, linda de morrer apenas porque nasceu assim, ganhou um Oscar e galera só conseguiu focar no vestido dela que, verdade seja dita, era feio mesmo, sem graça até umas horas, mas de novo, who cares? Estaria maravilhosa até de vestido mullet da Eskala, então cês cala a boca tudo.

O que eu reparei mesmo em todas as fotos de red carpet dela foi outra coisa. Foi o cabelo. Que estava arrumadinho, o joãozinho caiu super bem nela (de novo, até uma peruca de nylon laranja cairia) mas olha. É uma coisa que só quem tem cabelo joãzinho entende. É aquela sensação de "o cabelo tá crescendo e não, eu sei que não tá bom". O sorriso dela diz isso. Tá quase pedindo desculpas como quem diz "daqui a pouco vai estar mara, gente, mas enquanto isso parece um capacete".

Peruquinha de playmobil feelings

Eu não sou a Anne Hathaway. Tô nem perto. A única coisa que temos em comum é o cabelo joãzinho e eu sei o parto que é quando a gente resolve que quer tê-lo comprido de novo. É triste. Até o bichinho tomar forma  e ter tamanho suficiente para a gravidade fazer sua parte ele vai ficando daquele jeito que parece que foi encaixado na nossa cabeça tipo peruquinha de playmobil. E não há lenço ou tiara que resolva, só força de vontade.

A minha está falhando há alguns meses, admito. De repente me dá a louca e eu corro pra Jura mandando ele tosar de novo. Mas estou aqui para desejar sorte à Anne nesta empreitada, Tamos aí contigo, sua linda, eu e todas as moças que um dia já deixaram um joãozinho crescer. Beijos.