quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Já que o assunto é cinema...

Essa história é antiguinha mas é boa.

Estava eu no cinema esperando o começo da sessão de As invasões Bárbaras quando um casal de meia idade passa na minha frente procurando lugar. A mulher, visivelmente mal humorada, resmunga:

"Eu nem queria ver esse filme! Você sabe que eu não gosto de filme de guerra!"


Sério, esse povo não vê poster, não?

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Matemática avançada

Porteiros do meu prédio organizando o lanche da tarde:

"Quantos 'pão' é pra comprar?"

"Dois meu, dois seu e dois do Zé." (Sem titubear) "Oito."

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

No escurinho do cinema

Queridão e eu costumamos ter um certo azar quando vamos ao cinema. É como se nos assentos ao nosso redor houvesse luminosos piscantes dizendo: "Se você é uma mala sem alça, sente aqui."´Parece praga, mas sempre nos sentamos perto de gente que fala alto, mastiga de boca aberta, ou atrás de gente cabeçuda ou muito alta. Considerei até adotar a estratégia Grace (de "Will and Grace", alguém lembra?) de colar chiclete a cadeira da frente para espantar os cabeções. Certa vez, durante uma sessão de "Vicky Cristina Barcelona", duas tias riam histericamente a cada cinco segundos atrás da gente. Devem ter lido na vejinha que o Woody Allen é um mestre da comédia e decidiram que deveriam achar graça em TUDO e rir bem alto para o cinema inteiro perceber que elas entendiam as piadas.
Sábado, sessão das nove de um filme alemão em um cinema de shopping, o que significa sala vazia. Como sempre faço nesses casos, acomodei minha bolsa e meu cachecol na cadeira ao meu lado. Repito: a sala estava vazia.
Mas lá estavam os luminosos piscantes bem no assento em questão. Diante de dezenas de lugares disponíveis (em fileiras até melhores que aquela), um velho resolve se acomodar com sua mulher bem naquele onde estavam meus pertences. Retiro os objetos, peço para Queridão colocá-los no assento ao lado dele e faço uma cara feia para o velho. Ele faz, claro, o "nem-te-vi."
O filme começa. Na primeira cena vemos um homem de cerca de 40 anos com uma mochila entrando em uma escola. O velho automaticamente vira para a mulher e diz: "Olha, é o professor."
Ai meu deos, um chato explicador. Jura que ele é professor, meu filho? É um filme de escola. Tem a foto do professor no pôster. Precisa explicar mesmo para a coitada da mulher? Não me aguento e olho feio pra ele mais uma vez. O filme segue. O tal professor encontra um colega no bebedouro e ao fim do diálogo o colega diz: "Alea jacta est." Claro que o velho não ia perder a oportunidade de esclarecer para sua pobre e burra esposa. Ri, satisfeito e diz: "A sorte está lançada." Olho feio pra ele pela terceira vez. Imagina se o cidadão resolve explicar o filme inteiro. Fiquei em pânico, confesso. Quero morrer com gente conversando no cinema. Pior ainda se for ao meu lado. Pior ainda se a pessoa ficar explicando o filme como se seu acompanhante fosse retardado.
Eu estava com sorte naquela noite, pois o velho deve ter, finalmente, entendido minha cara feia. Não deu um pio o resto do filme. Se bem que a família palmeirense atrás de Queridão parece ter discutido o jogo que tinha encerrado há pouco durante as duas horas. Não adianta. É nossa sina.

sábado, 22 de agosto de 2009

Reunião de pais

Funciona assim: eu chego as oito da manhã, tomo dois copos cheios de café, escrevo meu nome e uma lista de números de 1 a 15 (esperança de que só 15 pais apareçam) na lousa junto com as instruções para que os pais escrevam seus nomes e na frente os dos filhos. Porque eu memorizo o nome de 120 crianças, mas 240 pais já é demais para este cérebro cansado.
Eu não fico sozinha na sala porque seria um desperdício de espaço, já que quase ninguém fala com a professora de inglês. Comigo, a professora de português (essa sim, só menos concorrida que a de matemática).

De vez em quando alguém aparece para falar comigo. A conversa é quase sempre a mesma, "ele(a) gosta/ não gosta de inglês." "Eu consigo/ não consigo ajuda-lo (a)." "Ele (a) quer/ não quer fazer curso fora." "O que eu devo fazer?"
Mas a verdade verdadeira, é que eles só sentaram ali porque a professora de português estava demorando para atende-los. Pouquíssimos estavam preocupados de verdade. Pouquíssimos sequer entendem as lições para ajudar os pequenos. Reclamam que não entendem o que a apostila pede, ao que eu me constranjo ao sugerir o óbvio - consulte um dicionário. E é como se eles tivessem pensado nisso pela primeira vez. Saem da sala felizes, aliviados: "Nossa, agora eu vou poder ajudar meu filho na lição de inglês." Lembrando que eu leciono em uma escola particular, pessoal.

Acontece. Pelo menos hoje ninguém me acusou de ser má professora nem fez sugestões idiotas. Até que foi uma boa manhã.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Novela caipira

No tempo em que eu era "dimenó" e morava no interior, minha irmã arrumou um namoradinho. Mocinho bonito, "cheidicharme", que tocava violão no conservatório de uma cidade vizinha à nossa. Também "dimenó" e portanto não motorizado, morava em uma outra cidade da região, não a do conservatório.
Estão contando, coleguinhas? Só nessa breve introdução já foram apresentadas três cidades diferentes. Só para vocês não se perderem: a cidade onde eu morava, a cidade do conservatório e a do mocinho tocador de violão.
Tempos difíceis aqueles. Minha irmã conheceu o galã violeiro nas aulas de coral que ela frequentava no conservatório. Era um tal de ônibus pra cá, ônibus pra lá, namorar até as nove porque depois não tinha mais condução... Uma tristeza. Mas se as poltroninhas da viação Bonavita falassem... Para piorar, o namorado vira e mexe tinha que ir até um quarta cidade para ajudar na loja do tio que morava lá. Ou seja, namorico picado mesmo.
Foram levando esse namoro (que se valesse milhas ainda que rodoviárias teria levado o casal à Bahia) por uns três meses. Tudo muito lindo, tudo muito romântico, aquela paixão adolescente... Até que...

Já sabiam que teria um "até que...", não é, coleguinhas? Até que uma colega de coral da minha irmã, que residia na tal quarta cidade onde o mocinho prestava serviços ao tio, começou a achar a história de nossa protagonista muitíssimo parecida com a de uma menina que estudava francês com ela (a colega). Pergunta daqui, pergunta dali, não precisou ser Sherlock Holmes para descobrir que nosso galã prestava serviços era para a menina do Francês e que não tinha tio coisa nenhuma.

Não é que minha irmã não tenha sofrido. Ficou até tristinha sim, mas sendo muito pragmática nessas coisas "do coração", resolveu foi se vingar do Don Juan caipira. Por intermédio da colega de coral, conheceu sua rival, que chamarei aqui de M. (também enganada pelo violeiro, não tinha nem idéia da existênca de outra namorada) e, juntas, armaram uma cilada de novela. Minha irmã marcou um encontro com o moço em um shopping da cidade número 4 e no meio de uma conversa casual, disse a ele:
"Sabe com quem eu conversei ontem, fulano? Com a M."
Fulano ficou branco-sulfite-nova. Engasgou, fez cara de que ia enfartar, enquanto a M. surgia de seu esconderijo atrás de uma pilastra. Pena que eu não estava lá pra ver.

Não que tenha havido barraco, nem nada. O teor da conversa me escapa à memória, mas deve ter incluído as palavras "imbecil", "cafajeste", "mentiroso". Sei que largaram o rapaz ali, saíram pra tomar sorvete e nunca mais souberam dele.

O melhor da história? Viraram amigas, de , mais de dez anos depois, se visitarem, irem ao casamento uma da outra e num futuro próximo, colocarem os filhos para brincar juntos. O violeiro? Agora deve estar motorizado e portanto com ma namorada em cada cidade da região. Ou tomou jeito, vai saber. Não posso procurar no orkut, já que não lembro do nome dele. Será que minha irmã lembra?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Aprendam comigo

Ou a sublime arte de passar vergonha.

Calçando meus belíssimos sapatos novos, dirigi-me à ensolarada região de Alphaville na tarde de sábado para prestigiar mais uma apresentação da banda de queridão. Local aprazível, gente bonita, cerveja meio quente (nada é perfeito nessa vida), deixei os músicos no camarim improvisado e fui ao toilete. Na saída, por obra de uma escada feia, boba e cara de melão (os sapatos não têm NADA a ver com isso), torci o pé. Torção feia, daquelas que doem até a quinta geração e fazem até um "crec". Pouco me restou - sentei no degrau e comecei a chorar.

Queridão ainda hoje se espanta quando eu começo chorar - o advérbio "copiosamente" encaixa-se perfeitamente na minha pessoa quando verto lágrimas. Ou seja, eu estava chorando pra valer. Entretanto, já tendo passado por situação análoga outras vezes, sabia bem o que aconteceria: meu tornozelo incharia, ficaria dolorido alguns dias e voltaria ao normal. Nisso um guarda me viu sofrendo. Solidário, perguntou se estava tudo bem. Respondi que sim, mas diante do rio de lágrimas que escorriam do meu rosto, ele não acreditou. Pegou o walkie-talkie e chamou alguém.

"Moço, eu juro que vou sair daqui andando, não precisa chamar ninguém não..."

"Você está sozinha?"

"Não, minha amiga foi buscar meu namorado..."

Walkie-talkie outra vez. Diante da perspectiva de virar o centro das atenções do evento, protestei:

"Moço, eu estou bem, juro!"

Nisso queridão chegou. Atrás dele, uma ambulância. Pessoas se juntavam à minha volta, o guarda fazia perguntas à minha amiga para anotar a ocorrência. Mediquinho com cara de surfista desce da ambulância com outra médica:

"O que aconteceu?"

"Torci o pé, mas já estou bem, olha!" Mexo o pé com certa dificuldade pra mostrar que não quebrou. Naquela hora já queria sair de lá o mais rápido possível. Garanto a queridão que vou sobreviver e ele volta para o camarim, pois já vai começar a tocar.

"Quer tirar uma radiografia? Tomar um anti-inflamatório?"

"Doutor, daqui a pouco eu saio andando, na hora doeu bastante, mas já passou!"

"Tá, vou te dar um pouco de gelo, então."

A médica volta com gelo dentro de uma luva de látex. Fiquei ali mais uns dois minutos. A ambulância foi embora e eu fui, mancando, até o lugar da apresentação da banda.

Agora imaginem vocês se alguém enfarta do outro lado do evento e a ambulância está lá atendendo pé torcido. A culpa ia ser minha. Credo.

sábado, 15 de agosto de 2009

Cuma?

http://meiahora.terra.com.br/blog/babado/index.asp#1250268357001_FESTANCA_DE_BOLEIRA
A Mulher Melão, Renata Frison, está de casa nova: uma cobertura duplex, no Recreio, que foi inaugurada com festão, semana passada. Entre os convidados, jogadores solteiros e casados do Vasco, Fluminense e Mengão. Diguinho, do Fluzão, compareceu, além de um pagodeiro casado. Ops! A Mulher Filé, Yane de Simone; a Mulher Moranguinho, Ellen Cardoso; e Rachel Blanc também foram. A noitada acabou às 6 da matina, quando a polícia bateu lá por causa do som alto. Eitcha!




E a minha mãe me mandou estudar....

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O que o orkut diz sobre mim

Eu abomino textos apócrifos. Também odeio a Starbucks, cachorros Pinscher, legendas brancas, pessoas pseudo-indignadas, roupa combinando e gente que tem mau gosto pra usar photoshop, não sabe utilizar aspas ou acentua indevidamente certa palavra de baixo calão. Não sei jogar truco, falar ao telefone nem dirigir. Sou professora e vou pro céu. Queria parar de comer carne mas não consigo, por isso me contento em freqüentar um restaurante indiano-vegetariano uma vez por mês. Sinto saudade do meu pai. Gosto de filmes violentos, de escritores e de cinema argentinos, de tango, de “Alice no País das Maravilhas”, de piadas internas e trocadilhos infames. Não perco uma ponta de estoque e nenhum filme do Wes Anderson, do Charlie Kaufman ou do Woody Allen. Ouço uma bandinha norueguesa mais ou menos obscura e acho que as músicas do David Bowie parecem canções de ninar. Leio Asterix. Não sou fria nem calculista. Me casaria com o Zach Braff e sou viúva do Marlon Brando e do Marcello Mastroianni. Acho que o Cauby Peixoto é Deus e que todos os gatos são lindos. Sou viciada em café e meu francês é bem bizarro. Subcelebridades e clichês me fascinam. E 59 comunidades orkutianas dizem muito pouco sobre mim.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Da série: placas inapropriadas

Então você saiu para curtir a "night" no sábado, coleguinha. A balada estava ótima, tão boa que você até se deu bem e descolou um (a) gatinho (a) para dar uns beijinhos. Na hora de ir embora, gatinho (a) te oferece uma carona. Chegando ao carro, você repara na placa do mesmo:






E aí? Vai encarar?


sábado, 8 de agosto de 2009

De como a sessão da tarde moldou meu caráter


Peço perdão pelo súbito ataque saudosista que vem acometendo este blog, mas não consigo evitar. Como aconteceu sem muito alarde, só fiquei sabendo ontem a noite que John Hughes tinha morrido.

John Hughes foi, para todos que cresceram nos anos 80, uma lenda do cinema. Se você ainda não associou o nome à pessoa, explico: foi ele quem dirigiu o filme preferido de infância de nove entre dez pessoas da minha geração - "Curtindo a vida adoidado". Não apenas esse. Em seu currículo como diretor também constam Gatinhas e Gatões, O Clube dos Cinco, Ela vai ter um bebê, Mulher nota 1000, A Malandrinha, Quem vê cara não vê coração, Antes só do que mal acompanhado. Como roteirista, toda a série de Férias Frustradas e Esqueceram de mim. Como produtor, um dos meus preferidos de pré-adolescência: A garota de rosa shocking.
John Hughes moldou meu caráter e eu nem tinha me dado conta disso. Cresci assistindo à suas comédias bobinhas e a alguns momentos de genialidade como o filme do Ferris Bueller. Ele me ensinou que eu posso ser pobre e fodida mas ainda assim no final ficarei com o bonitão e serei a rainha do baile. Que se eu matar aula e destruir o carro do pai do meu amigo nada de ruim vai me acontecer desde que eu seja esperta. Que ainda que minha família seja ridiculamente escrota, nós nos amamos e é isso que importa.
Vai em paz, John Hughes. A Sessão da tarde nunca mais será a mesma sem você.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O fantástico mundo de Cheshire Cat


Li hoje o post da coleguinha Bruna e imediatamente me lembrei de um dos meus desenhos preferidos na infância, "O fantástico mundo de Bobby". Pra quem não lembra ou não viu, o Bobby era um menininho de cinco anos que levava tudo ao pé da letra (e diante desta frase ele já imaginaria um A, por exemplo, equilibrando, talvez com certa dificuldade, alguma coisa em seu pé. O A tem pé, dois, inclusive. O B não). E, como a coleguinha Bruna mesmo apontou, criança é assim mesmo, tem uma certa dificuldade em compreender o sentido figurado das coisas.
Eu, nos meus oito anos, vira e mexe ouvia no noticiário: "Fulano foi interrogado por suspeita de mau uso da máquina administrativa." Perdia boas horas imaginando como seria a tal máquina. Depois de muita elucubração cheguei a uma versão final da mesma. Pra mim a máquina administrativa era bem grande, de metal. Soltava vapor e era conduzida por um sujeito magrinho e de nariz adunco. Ah, sim, e fazia muito barulho. Só não conseguia imaginar como é que alguém faria mau uso dela. Talvez ficasse na porta da igreja ou do hospital tocando a buzina (sim, pra mim ela tinha buzina), ou passasse com os pneuzões sobre a grama novinha, vai saber.
Havia também a "casa do chapéu". Meu pai gostava muito de usar essa expressão mas, só pra me sacanear, nunca me explicou o que ela significava. Eu ouvia seu Adelphi dizer que tal lugar ficava na casa do chapéu e me roía de curiosidade pra conhecer a tal casa. Meu pai chegou ao cúmulo da maldade de prometer me levar à casa do chapéu num sábado qualquer. E o tal sábado nunca chegava, ora porque chovia, ora porque era feriado e a casa estava fechada. E ele, se divertindo, me descrevia a casa do chapéu como um lugar mágico, incrível. Só parou quando minha mãe resolveu acabar com a brincadeira e me contou que a casa do chapéu era só um jeito de dizer que tal lugar ficava muito longe. Uma decepção, parecida com descobrir que a Vovó Mafalda era homem.
Não vejo a hora da minha irmã ter flhos pra poder me vingar neles.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Epidemia

Eu sei que ninguém mais aguenta ouvir falar em gripe, mas o caso é que agora a talzinha está começando a me afetar de verdade.
Não coleguinhas, não fui pega pelo vírus feio bobo e cara de pastel que anda aterrorizando a população. Entretanto, como todo mundo já está careca de saber, as aulas do colégio foram suspensas por duas semanas por causa disso. O que significa que neste semestre terei que comparecer ao colégio mais sábados do que o previsto e provavelmente verei o ano letivo se arrastar até o meio de dezembro, levando com ele meus planos de férias.
Acontece que, por mais que eu me irrite com isso, há uma ponta de razão. Não adianta pedir, implorar, ameaçar de morte - se houver aula os pais mandarão seus filhinhos ranhentos e febris para a escola porque eles simplesmente não têm o que fazer com os pequenos. Aliás, imagino o desespero que estão sendo estes dias suspensos em certos lares. Fora isso, é de se esperar que, entre digamos 200 crianças, umas 100 não lavem as mãos regularmente (fato) e desconheçam conceitos básicos do tipo "espirrar no lenço de papel". Não vão aprender a fazer essas coisas de uma hora pra outra, só porque o ministério da saúde pediu. Sorry, população, elas não sabem o que é ministério da saúde.
Por outro lado, adianta mesmo suspender aula? Porque se elas não se aglomeram na escola, se aglomeram em outros lugares. E o vírus está por acaso só tirando umas férias por aqui? Vai embora em setembro?
Se tem uma coisa com a qual qualquer professora de ensino fundamental sabe lidar muito bem é com criança doente. Se não fosse assim, viveríamos gripadas, com viroses misteriosas, piolho e etc... Por isso, pelo bem das minhas férias eu peço: secretaria, libera os colégios, pelamordedeos. Não quero passar dezembro corrigindo prova. nãoqueronãoqueronãoquero.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Papo de grávida

Eu sinceramente não sei o que acontece, mas toda volta às aulas começa com mais uma professora grávida no colégio. Incrível como aquelas mulheres não se cansam de contribuir para a superpopulação mundial.
Hoje, aulas suspensas até segunda feira por conta da gripe, estávamos no laboratório de informática organizando arquivos, digitando planilhas e claro, falando bobagem, quando a grávida do semestre chegou. Bastou para que a conversa divertida cessasse e desse lugar a um desfile de bizarrices que só mulheres que já deram a luz são capazes de dizer.

"Quando eu fiquei grávida da minha primeira filha, eu comi sete Nhá Bentas de uma vez só. E chorei enquanto comia todas."

"Eu tive vontade de picolé de abacate com chocolate. No Rochinha tem, mas só de abacate. Aí eu comprei cinco e tomei com cobertura de sorvete."

"Pois eu saí lá do Tatuapé e vim até aqui só pra buscar o cuzcuz que a fulana tinha feito pra mim. E comi inteiro."

Nisso a única professora além de mim que não tem filhos grita lá do fundo:

"Deus me livre, vocês não estavam grávidas, estavam possuídas pelo Godzila!"

Observem que dessa vez eu me calei, coleguinhas. Mas só porque ela foi mais rápida que eu.

"

sábado, 1 de agosto de 2009

Momento piegas do dia

Nas várias dinâmicas de grupo pelas quais já passei nessa vida, minha resposta padrão para "por que você decidiu ser professora?" era: "para tentar fazer a diferença na vida das pessoas".

É brega, piegas e quase nunca funciona, mas é verdade.

Eu tenho estes dois alunos da empresa de telemarketing na hora do almoço: ele é do TI, um japonês gordinho sempre sorridente que gosta de novela e começa todas as frases com um "how can I say that?" . Ela é assistente de marketing, uns 40 anos, divorciada, três filhos, um inglês muito bom. Trabalha muito, ganha menos do que deveria, se preocupa com as filhas, aquela história de sempre. E então quinta-feira ela chega para a aula, ar cansado, um certo mau humor. Olha pa mim e diz:
"Olha o quanto você é especial. Eu não vim trabalhar ontem, estava travada das costas, e hoje não acordei muito melhor. Mas aí eu lembrei que tinha aula. E os melhores dias aqui são os dias em que eu tenho aula."

Pois é. Muito de vez em quando vale a pena.