quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Novela caipira

No tempo em que eu era "dimenó" e morava no interior, minha irmã arrumou um namoradinho. Mocinho bonito, "cheidicharme", que tocava violão no conservatório de uma cidade vizinha à nossa. Também "dimenó" e portanto não motorizado, morava em uma outra cidade da região, não a do conservatório.
Estão contando, coleguinhas? Só nessa breve introdução já foram apresentadas três cidades diferentes. Só para vocês não se perderem: a cidade onde eu morava, a cidade do conservatório e a do mocinho tocador de violão.
Tempos difíceis aqueles. Minha irmã conheceu o galã violeiro nas aulas de coral que ela frequentava no conservatório. Era um tal de ônibus pra cá, ônibus pra lá, namorar até as nove porque depois não tinha mais condução... Uma tristeza. Mas se as poltroninhas da viação Bonavita falassem... Para piorar, o namorado vira e mexe tinha que ir até um quarta cidade para ajudar na loja do tio que morava lá. Ou seja, namorico picado mesmo.
Foram levando esse namoro (que se valesse milhas ainda que rodoviárias teria levado o casal à Bahia) por uns três meses. Tudo muito lindo, tudo muito romântico, aquela paixão adolescente... Até que...

Já sabiam que teria um "até que...", não é, coleguinhas? Até que uma colega de coral da minha irmã, que residia na tal quarta cidade onde o mocinho prestava serviços ao tio, começou a achar a história de nossa protagonista muitíssimo parecida com a de uma menina que estudava francês com ela (a colega). Pergunta daqui, pergunta dali, não precisou ser Sherlock Holmes para descobrir que nosso galã prestava serviços era para a menina do Francês e que não tinha tio coisa nenhuma.

Não é que minha irmã não tenha sofrido. Ficou até tristinha sim, mas sendo muito pragmática nessas coisas "do coração", resolveu foi se vingar do Don Juan caipira. Por intermédio da colega de coral, conheceu sua rival, que chamarei aqui de M. (também enganada pelo violeiro, não tinha nem idéia da existênca de outra namorada) e, juntas, armaram uma cilada de novela. Minha irmã marcou um encontro com o moço em um shopping da cidade número 4 e no meio de uma conversa casual, disse a ele:
"Sabe com quem eu conversei ontem, fulano? Com a M."
Fulano ficou branco-sulfite-nova. Engasgou, fez cara de que ia enfartar, enquanto a M. surgia de seu esconderijo atrás de uma pilastra. Pena que eu não estava lá pra ver.

Não que tenha havido barraco, nem nada. O teor da conversa me escapa à memória, mas deve ter incluído as palavras "imbecil", "cafajeste", "mentiroso". Sei que largaram o rapaz ali, saíram pra tomar sorvete e nunca mais souberam dele.

O melhor da história? Viraram amigas, de , mais de dez anos depois, se visitarem, irem ao casamento uma da outra e num futuro próximo, colocarem os filhos para brincar juntos. O violeiro? Agora deve estar motorizado e portanto com ma namorada em cada cidade da região. Ou tomou jeito, vai saber. Não posso procurar no orkut, já que não lembro do nome dele. Será que minha irmã lembra?

Um comentário:

  1. Acho que me lembro disso. Essa coisa de vingança é bem novelesca mesmo.

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