segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Tem mesmo que fazer post com o balanço do ano?

2014 foi um ano meio bosta. Não foi uma bosta completa nem nada, mas em comparação aos anteriores foi bosta sim. Tenho vontade nenhuma de escrever sobre ele mas se alguma lição esse ano meio bosta deixou foi: as coisas acabam. Não existe isso de estar 100% segura o tempo todo. Se as coisas ficarem mais difíceis, cabe a mim ficar mais forte. Mas se descontrolar as vezes é bom, necessário. A gente faz planos e o universo ri deles mas planos são o que mantém a gente no trilhos. Terapia é importante e todo mundo deveria fazer mas tem hora que cansa. Se eu disser o que eu penso de vez em quando o mundo não vai acabar, mas discernir quais brigas vale a pena comprar é uma sabedoria que eu ainda estou adquirindo.  

2014 foi um ano de aprendizado. Espero ter sido boa aluna, para que 2015 possa ser um pouquinho menos bosta. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

Porque todos amam Ru Paul's Drag Race

Quem me conhece do facebook e do twitter sabe o quanto eu sou obcecada por Ru Paul's Drag Race. É apenas meu programa preferido em muito tempo.

Mas por que, Paula?

Para começar é um reality show e com isso ele já caminhou 50% da estrada para atingir meu coração. Em segundo lugar, é um reality show de drag queens disputando para serem coroadas "America's next drag super star." Cabô. Coração tomado, dominado, explodindo de amor. Assisti às seis temporadas em coisa de dois meses e passo agora por aquele período triste de abstinência já que a temporada sete ainda não começou.

As drags são incríveis. Elas cantam, dançam, desfilam, interpretam, fazem imitações, usam maquiagem melhor que eu (a maioria inclusive é mais bonita que eu), desenham roupas, costuram, enfim, é muito talento junto braseeel.

Essa é Courtney Act. Ela é um homem maquiado e de peruca. E ela é muito mais bonita que todo mundo que tá lendo esse blog. 


Mas Ru Paul's Drag Race é mais que uma competição de drag queens. A edição do programa foca muito nas histórias de vida delas e a maioria tem histórias tristíssimas de abandono, bullying, rejeição, perda de entes queridos, marginalização, etc etc. 


Essa é Latrice Royale. A mãe dela morreu enquanto a Latrice estava na cadeia e não sei se dá pra estar mais na merda que isso. 

É o único reality show que eu não torço pelas tretas (que rolam, claro, mas o programa foca pouquíssimo nisso se comparado a outros do mesmo tipo). Eu torço sempre para que elas se amem, virem amigas de infância, sejam felizes. E também é um dos poucos realities que premiam talento de verdade e não só beleza, estratégia, etc. 

Essa é a Jinkx Monsoon. Ela sempre tinha as piores perucas e os vestidos mais feios, mas é uma performer absurda e ganhou a quinta temporada. 

Fora isso, Ru Paul's Drag Race é uma fábrica de memes maravilhosos. Fica aqui meu apelo, coleguinhas: assistam. Vai valer cada minuto. 



Can I get an amen in here? 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

This is love

Antigamente eu detestava fazer aniversário. Tinha pavor. Sofria por antecipação uma semana antes e me recusava a marcar qualquer tipo de comemoração por motivos de: eu sempre levava as ausências para o lado pessoal. Eu achava que se marcasse alguma coisa e as pessoas não fossem era porque elas não gostavam de mim, não se importavam e mimimi blábláblá ai como sofro. 

Agora vejam: fazendo aniversário em Dezembro é considerável a chance de as pessoas não irem apenas por motivos de: festa na firma, formaturas, visita de parentes, férias, etc e tal. 

Daí de uns anos pra cá eu parei de me importar. Parei de achar que dia 10 de Dezembro tem que ser sempre um dia fantástico apenas por ser meu aniversário. Eu acordo, vou trabalhar, sigo fazendo minhas coisas normalmente e se me der vontade eu invento uma comemoração qualquer. E esse ano eu inventei.

Minha única preocupação era chegar cedo no bar porque eu tenho umas quatro turmas diferentes de gente que não se conhece e ia ficar bem esquisito essa galera lá na mesa do Sujinho sem o único elo em comum deles: euzinha. Não que eles não fossem se entender de qualquer jeito. Meus amigos, ao contrário de mim, tendem a ser um povo bem sociável. 

E não é que todo mundo foi? Todo mundo. Mesmo quem só podia ficar um pouquinho, mesmo quem só podia chegar mais tarde. Foi uma tarde regada a tanta cerveja e tanto amor que eu tirei fotos inclusive mostrando os dentes, coisa que eu nunca faço por motivos de: fico esquisita. 

Este post é só para agradecer todo mundo que esteve lá no Sujinho neste Sábado: vocês são incríveis. E eu adoro o fato de que a gente se vê pessoalmente tão pouco, mas quando se vê parece que foi ontem mesmo. Sempre. 





 Olha a dentadura aí, gente

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O tradicional post de aniversário

Eu tenho uma prima um pouco mais velha que eu que, enquanto eu ainda estava lendo Capricho, já tinha uma assinatura da revista Nova. E eu lia as revistas da minha prima escondida porque algo me dizia que elas não eram pra mim, que tinha 12 anos e apenas uma vaga ideia do que era sexo oral.

Hoje eu faço 36 anos e descobri que a revista Nova não era pra mim naquela época e nunca foi. Nunca será. Porque a Nova mentiu pra mim. E ela mente para todo mundo, muito, há nem sei quantos anos.

Segundo a revista Nova aos 36 anos eu seria a CEO de uma grande empresa. Eu passaria minhas férias no Caribe, cercada de homens lindos e interessantes, usando um caríssimo maiô branco e bebericando drinks coloridos. Eu faria minhas unhas com esmaltes de 70 reais e jamais compraria um par de sapatos que custasse menos de 500. Eu não teria celulite, nem estrias e muito menos rugas. Eu saberia de cor 483 maneiras de enlouquecer um homem na cama.

Se você acompanha este blog há algum tempo sabe que não foi bem assim que aconteceu ~risos~

Eu não sou CEO de uma grande empresa. Eu passo minhas férias em Brasília, em Boituva e, beeeeeem de vez em quando, em algum país que eu não conheço com passagens parceladas e hospedagem nos Íbis da vida. Sem drinks coloridos (prefiro cerveja) ou maiôs caríssimos. Sou team biquíni e compro todos na Lapa a 60 reais no máximo. E só viajo no inverno, quando é mais barato, então no roupas de banho anyway. Faço minhas unhas com colorama mesmo e não tenho nenhum sapato no armário que tenha chegado perto de custar 500 reais. Sim, eu gostaria de ter um pouco menos de celulite e talvez algumas rugas mais leves, mas só se não houvesse sacrifício envolvido.

A revista Nova mentiu pra mim and I couldn't care less. Porque eu descobri desde muito cedo que revista nenhuma poderia me representar. Ainda bem, porque ser de carne e osso dói, mas ainda assim me parece melhor que a outra opção.

Esse é o meu selfie de 36 anos:


Com as rugas, manchas, um olho maior que o outro, cabelo apenas ok e um pouco de maquiagem que eu também não sou de ferro.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

As crônicas de M e L

O coleguinha Felipe fez um comentário no último post e me animei a relatar o que ele chamou de "As crônica de M e L." Porque são muitas.

Eu já tinha contado sobre a relação turbulenta que a M tinha com baratas neste post aqui. Mas tem mais, muito mais de onde isso saiu.

A M tomava Kaiser. Ela não tomava Kaiser porque era mais barata, ela tomava Kaiser porque ela gostava. Eu acho difícil confiar em alguém que toma Kaiser por qualquer motivo, mas por gosto acho impossível. Toda sexta-feira ela telefonava para a padaria que ficava na esquina (gente, esquina mesmo, tipo três prédios separavam a gente de lá) e pedia para entregarem dois fardinhos de Kaiser e um pacote de Malboro. Estava garantido o fim de semana dela e do namorado. Não tô julgando nem nada, quem sou eu pra falar de quem bebe e fuma, mas Kaiser e Malboro delivery acho meio pesar a mão no jeito não-saudável de ser.

A M tinha uma cachorrinha poodle chamada Brida. A Brida era meio velha e muito chata - o único ser humano do sexo masculino que ela tolerava era o namorado da M, o A. Levar dates para aquela casa era, portanto, uma dificuldade extrema já que ao menor sinal de homem a Brida começava a latir desesperadamente, arreganhar os dentes, fazer um escarcéu. A Brida era mimadíssima e tinha mais roupas que a dona dela. Aliás moda não era o forte da M, já que em 2002 ela usava jaqueta jeans do Hard Rock Café e vestido de veludo molhado.

A mãe da M morava no Maranhão e de vez em quando vinha passar uns dias na nossa casa. Enquanto ela estava lá não podíamos abrir nenhuma cortina, jamais. Acho que ela era uma vampira. A dona M-mãe gostava de cozinhar, e quando ela estava lá eram nossas raras oportunidades de comer comida de verdade naquela casa ( a não ser quando a M fazia feijão. Dona Neide que me perdoe, mas o feijão dela era o melhor do universo). O único problema é que a dona M-mãe era incapaz de cozinhar qualquer coisa sem botar creme de leite junto. A dona M-mãe fez bacalhoada com creme de leite. Desconfio que a dona M-mãe faz salada de maionese com creme de leite. Moqueca com creme de leite. Arroz com creme de leite.

O namorado da M ainda fazia cursinho pela milésima vez (estava tentando medicina). No começo a gente tinha pena dele, coitado, mas foi só até descobrir que ele matava aula e ia dormir lá em casa, no meio da manhã. Claro que eu descobri isso da pior maneira possível: voltando um dia mais cedo da faculdade e topando com ele de samba-canção saindo do banheiro e coçando a bunda. Não recomendo.

Por fim, a M curtia axé music e tinha como melhor recordação da vida dela um carnaval de 95 em Salvador. Quando ela reunia os amigos dela lá em casa a gente passava a noite ouvindo "Ele não monta na lambreta" e outros clássicos da música baiana dos anos 90.

E vocês aí achando que sabem o que é tortura psicológica.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Enlouqueça seu roommate antes que ele enlouqueça você

Professora estrangeira lá de escola contando que no apartamento que ela divide existem cinco lixeiras no banheiro e cinco na cozinha, uma para cada moradora. Primeira reação é imaginar que ela mora em um lugar bem grande porque no meu banheiro mal cabe uma lixeira, imaginem cinco. Em seguida lembrei das histórias que eu vivi e ouvi nos meus anos de república:

O lixo
A mesma professora disse que outro dia precisou fazer uma viagem de emergência e perguntou para a colega se tinha algum problema descer com o lixo naquele horário. A moça respondeu que normalmente desciam com o lixo mais tarde e alguém poderia reclamar.

"É que eu vou pegar um voo daqui a pouco e não queria deixar meu lixo aqui."

"Quantos dias você vai ficar fora?"

"Quatro."

"Aaaah, quatro dias bem fechado ali no canto acho que ele aguenta."

O quer aconteceu com o "deixa aí que quando eu descer com o meu levo o seu também"? Jamais saberemos.

A discórdia
Eu morava com duas meninas, a M e a L. Um dia cheguei em casa e tinha um ~enfeite~ em cima da mesa que devia ter sido cuspido pelo capiroto de tão feio. Quando a L viu, comentou:

"Aff, só pode ser coisa da M essa merda."

Sendo a M conhecida pelo mau gosto e sendo ela também a dona da casa, restou me conformar em olhar para aqueles duendes de durepoxi pendurados num pedaço de tronco durante meses. Até o dia em que a L foi embora.

"Senhor!" reclamou a M "Não acredito que ela foi embora e largou esse treco aqui."

"Ué, não é seu?"

"Lógico que não, cê acha que eu ia botar um negócio horroroso desses em cima da minha mesa?"

O telefone
Antes dos celulares baratos e do plano infinity da TIM, eis que a conta do telefone fixo da república andava aparecendo com aquelas ligações compridas em horário comercial para o Acre que eram como filho de jogador de futebol: ninguém queria assumir. De saco cheio de pagar a conta dos outros, uma das moradoras foi para a casa dos pais no fim de semana e levou o aparelho de telefone. Quando voltou descobriu que outra moradora tinha puxado uma extensão para seu próprio quarto, instalado outro aparelho, tirado do gancho para prender a linha, trancado a porta e ido passar a semana na casa do namorado. Fim

O quadro do Chaplin
Ainda M e L. Um dia M chegou carregando um quadro daqueles de espelho com aquela imagem do Carlitos e do garoto de rua pintados em preto por cima. Nível tronco com duendes de durepoxi de feiúra. Estava radiante, feliz mesmo, dizendo que a-ma-va aquele quadro e que a mãe tinha achado no meio das coisas dela lá no Maranhão. Sim, aquela desgraça tinha viajado do Maranhão até São Paulo e sobrevivido.
M deixou o quadro encostado numa parede num canto da sala e foi trabalhar, dizendo que o penduraria em lugar nobre da casa assim que voltasse. L e eu passamos alguns minutos inconformadas com a possibilidade de ter que olhar para aquilo todo dia ou pior, de receber nossos dates em casa e eles virem aquela coisa.

(Parentêses: além de ter mau gosto para decoração a M também tinha mau gosto para livros, pois ela tinha uma cadelinha poodle chamada Brida)

Dois segundos depois só vejo a L passando em direção à cozinha e, no caminho, dando aquela esbarrada de leve no quadro, que caiu e quebrou. Diante da minha cara de "cê tá louca", ela só retrucou:

"Foi a Brida"

Tem mais histórias de onde essas vieram, garanto. Aos poucos eu vou lembrando. Vida de república é meio tipo casamento arranjado, mas sem o sexo - o que eu não sei bem se é uma vantagem.