quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

As crônicas de M e L

O coleguinha Felipe fez um comentário no último post e me animei a relatar o que ele chamou de "As crônica de M e L." Porque são muitas.

Eu já tinha contado sobre a relação turbulenta que a M tinha com baratas neste post aqui. Mas tem mais, muito mais de onde isso saiu.

A M tomava Kaiser. Ela não tomava Kaiser porque era mais barata, ela tomava Kaiser porque ela gostava. Eu acho difícil confiar em alguém que toma Kaiser por qualquer motivo, mas por gosto acho impossível. Toda sexta-feira ela telefonava para a padaria que ficava na esquina (gente, esquina mesmo, tipo três prédios separavam a gente de lá) e pedia para entregarem dois fardinhos de Kaiser e um pacote de Malboro. Estava garantido o fim de semana dela e do namorado. Não tô julgando nem nada, quem sou eu pra falar de quem bebe e fuma, mas Kaiser e Malboro delivery acho meio pesar a mão no jeito não-saudável de ser.

A M tinha uma cachorrinha poodle chamada Brida. A Brida era meio velha e muito chata - o único ser humano do sexo masculino que ela tolerava era o namorado da M, o A. Levar dates para aquela casa era, portanto, uma dificuldade extrema já que ao menor sinal de homem a Brida começava a latir desesperadamente, arreganhar os dentes, fazer um escarcéu. A Brida era mimadíssima e tinha mais roupas que a dona dela. Aliás moda não era o forte da M, já que em 2002 ela usava jaqueta jeans do Hard Rock Café e vestido de veludo molhado.

A mãe da M morava no Maranhão e de vez em quando vinha passar uns dias na nossa casa. Enquanto ela estava lá não podíamos abrir nenhuma cortina, jamais. Acho que ela era uma vampira. A dona M-mãe gostava de cozinhar, e quando ela estava lá eram nossas raras oportunidades de comer comida de verdade naquela casa ( a não ser quando a M fazia feijão. Dona Neide que me perdoe, mas o feijão dela era o melhor do universo). O único problema é que a dona M-mãe era incapaz de cozinhar qualquer coisa sem botar creme de leite junto. A dona M-mãe fez bacalhoada com creme de leite. Desconfio que a dona M-mãe faz salada de maionese com creme de leite. Moqueca com creme de leite. Arroz com creme de leite.

O namorado da M ainda fazia cursinho pela milésima vez (estava tentando medicina). No começo a gente tinha pena dele, coitado, mas foi só até descobrir que ele matava aula e ia dormir lá em casa, no meio da manhã. Claro que eu descobri isso da pior maneira possível: voltando um dia mais cedo da faculdade e topando com ele de samba-canção saindo do banheiro e coçando a bunda. Não recomendo.

Por fim, a M curtia axé music e tinha como melhor recordação da vida dela um carnaval de 95 em Salvador. Quando ela reunia os amigos dela lá em casa a gente passava a noite ouvindo "Ele não monta na lambreta" e outros clássicos da música baiana dos anos 90.

E vocês aí achando que sabem o que é tortura psicológica.

2 comentários:

  1. MUITO bom! Faz mais que eu me animo de fazer um da minha republica tambem! =D

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  2. Hahahah Luana, faz sim, adoro tretas de república!

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