quinta-feira, 30 de junho de 2016

Diário da mudança

Como você sabem estou me mudando para meu décimo primeiro lar. Embora já tenha me mudado tanto, nunca tive muita coisa pra carregar e depois de adulta é a primeira vez que eu transporto uma casa inteira. Já vou avisando coleguinhas: é um inferno. É desesperador. É ridícula a quantidade de coisas que eu, namorado e a gata acumulamos num apartamento de 60 metros quadrados ao longo de 4 anos. Eu encaixoto, encaixoto e tenho a impressão de que vou precisar continuar encaixotando pelos próximos 6 meses BUT: tenho que fazer isso até domingo pois os moço da transportadora vem na segunda.

Tá tranquilo, tá favorável

Nesse processo todo descobri várias coisas interessantes. Por exemplo, eu e namorado aparentemente somos obcecados por escovas de dentes (10 fechadas. DEZ), lenços de papel (15 pacotinhos) e cabos. 

Os cabos gente. Tem muito mais cabos que equipamentos eletrônicos naquela casa. Se esticar tudo dá pra chegar até Ubatuba. Dá pra montar um quiosque na Santa Efigênia só pra vender cabo. E isso que eu ainda nem cheguei nas minhas roupas.

Mas cheguei nos sapatos. E eu tenho nove (eu disse NOVE) botas marrons. Tem de salto, sem salto, tem riponga, arrumadinha, biker, over the knee, coturno, galocha e até uma ugg. Por que eu tenho uma ugg se eu moro num país tropical (abençoado por deus e bonito por natureza)? Jamais saberemos. Mas do coturno baqueadíssimo e da cano longo com salto capenga eu me livrei. Agora tenho sete botas marrons e ainda acho o número excessivo, mas seguindo os ensinamentos de Marie Kondo eu amo todas elas e não estou preparada para desapegar. Tem sapato lá que eu comprei em 2004 e esse merece um post só dele, aguardem.

Os DVDs. Tem blu ray naquela estante que ainda está no plástico. Mais de um, inclusive. Tem dois blu rays de Snatch porque um só não dá conta do quão maravilhoso (cof cof) é esse filme.  Tem coisa que a gente deve ter comprado bêbado tipo O fabuloso destino de Amélie Poulain e Tron 2. (mentira, a gente estava bem sóbrio quando comprou O fabuloso destino de Amélie Poulain pois éramos jovens, inocentes e ainda não tínhamos percebido o quanto esse filme é imbecil.)

Tem caixa pra tudo quanto é lado na minha casa. Estou vivendo sem bijuterias, sem maquiagem e com o cabelo branco porque eu já encaixotei a tinta. A gata me olha com cara de S.O.S. cada vez que eu chego.

Ainda faltam as roupas e a cozinha. Desejem-me sorte.


terça-feira, 28 de junho de 2016

Projeto casas - Boituva II

(Não costumo usar tags mas vou colocar no projeto casas pra quem quiser acompanhar)

Nossa segunda casa em Boituva foi a bonança depois da tempestade (desculpem o clichê). Foi uma casa muito planejada e desejada que veio depois de anos complicados. Minha mãe a construiu do jeito que nós queríamos, escolhemos cada detalhe, as cores, os materiais. Era amarela (queríamos tanto uma casa amarela - hoje foi reformada e é creme), cheia de madeiras e um varandão onde pendurávamos redes e passávamos tardes de sábado preguiçosas tomando cerveja e fazendo as unhas. Fizemos muito esquenta de festa nessa casa, levamos muitos amigos bêbados para minha mãe cuidar. Era aquela zona segura, livre de julgamento, onde a gente podia ser xófem e inconsequente desde que com certa supervisão materna. Nesta casa nós tivemos nossos primeiros empregos, nossos primeiros amores de verdade. Nessa casa nós fomos para faculdade. Essa casa viu a vida seguir seu rumo outra vez. Nossa segunda casa em Boituva foi uma casa de festa, de gente reunida o tempo inteiro. Foi a casa onde nós conseguimos ser felizes de novo.




A vista quando a gente passa o portão. A foto é recente porque minha mãe ainda mora lá. 


 Mais foto recente pra mostrar que mamain era linda em 1988 e continua até hoje. 


Foto antiga pra mostrar que a casa é de festa mesmo - essa deve ser do ano novo de 2000 ou 2001. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Projeto casas - Boituva I

Boituva é uma cidade de cerca de 50 mil habitantes localizada na região de Sorocaba, a mais ou menos 120 quilômetros de distância de São Paulo. Seu nome significa "terra de muitas cobras" em tupi. É conhecida pelo clima agradável e pelo maior centro de paraquedismo do Brasil. Minha mãe nasceu lá em 1953 e aos 18 anos se mudou para São Paulo, onde conheceu meu pai e por aqui ficou. Anos depois, decididos a ter uma vida mais tranquila, meus pais compraram um bar e minha mãe voltou para sua terra natal. Se a gente soubesse que de mais tranquila a vida nova não teria nada...

O bar do seu Adelphi era um boteco pé sujo, desses com chão de encerado vermelhão e poster do Esporte Clube Votoram Vice-Campeão Varzeano de 1973 na parede. Meu pai, economista formado na USP, fã de jazz e de uísque, passou o último ano da vida dele vendendo cachaça no meio da tarde e batendo papo com os bêbados do interior. E feliz.

Nossa casa ficava atrás do bar. Era muito pequena, velha, feiosa, improvisada. Eu detestava aquela casa que era para ser provisória e acabou ficando meio definitiva quando, no início de 95, meu pai descobriu um câncer no tórax em estágio avançado. Ele morreu quase que exatamente um ano depois. Foram tempos de perrengue, falta de grana total, minha mãe tocando o bar como podia até vendê-lo e cuidando de duas adolescentes perdidas no meio de tanta coisa ruim.

Apesar de tudo tenho lembranças boas da casa do bar. A pichação com um P e um coração feita no muro por um crush. As tardes calorentas na piscina de plástico no fundo do quintal. Os primeiros bailes de carnaval, as primeiras festas. A mobilização dos amigos para lotar o bar quando meu pai estava doente. O quanto minha relação com minha mãe e minha irmã se fortaleceu diante de todas as dificuldades. Foi um período difícil, triste, mas de muito aprendizado. Na casa da rua Cerquilho eu conheci o significado de resiliência e eu entendi de uma vez por todas aquele clichê de que "a vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo planos".



A frente do bar. Essa foto foi tirada no dia da mudança, se não me engano. Não falei que era pé-sujo?



O quarto e o dedo da minha mãe. Herdei dela essa falta de talento para a fotografia. 

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Rapidinha do trabalho

Aluno de uns 12 anos pediu para usar nosso celular para telefonar para a mãe porque tinha deixado o dele em casa. O celular aqui da escola é um nextel de flip. Entrego na mão dele. Ele olha, olha e por fim desiste:

"Como é que usa isso aqui?"

Abro e entrego na mão dele:

"Agora é só discar. Mas aperta meio com força porque tem botão falhando."

Ele começa e para:

"Ish, errei, e agora?"

Aperto o botão vermelho. Ele olha o visor, desanimado:

"Mas tem que começar tudo de novo?"

Eu juro que sou xófem mas é todo dia um 7x1 com essa molecada me lembrando que eu nasci nos anos 70.


quarta-feira, 22 de junho de 2016

Projeto casas - Avenida Jabaquara

O apartamento na avenida Jabaquara foi o lugar onde morei mais tempo até hoje, dos 2 aos 16 anos. Era um apartamento pequeno, de carpete verde musgo e banheiro com louça rosa. Nele eu montei altas casas da Barbie (sem a casa, caríssima, só os móveis mesmo, alguns originais, alguns genéricos), fiz minha festa de 15 anos com vestido de debutante e pé quebrado, tive muitas festas de aniversário, chorei alguns corações partidos. Eu morava no décimo segundo andar, apartamento 122 do edifício Hexa II (não sei até hoje onde fica o Hexa I), perto da estação Praça da Árvore. Pegava o metrô sozinha desde os 11 anos com a molecada do prédio para ir o colégio na Vila Mariana. Aos sábados pegava ônibus para ir ao cinema no Shopping Ibirapuera ou só tomar um sorvete se fosse fim de mês. Aliás eu podia ir sozinha ao shopping mas não podia atravessar sozinha a avenida, perigosíssima, morreram não sei quantos atropelados lá, dizem. Comia a melhor queijadinha do mundo (nunca mais comi igual) no bar do seu Luís, um velhinho japonês que já era bem velhinho naquela época. Tinha conta na banca de jornal da esquina onde buscava semanalmente os gibis da turma da Mônica e do Zé Carioca, único da Disney que eu gostava (mas os almanacões de férias eu precisava pedir autorização pra pegar). Comprei muitos peixinhos na loja de animais (que na época não chamava pet shop e que o street view me contou que virou uma Mundo Verde). Comia doce no apartamento da tia Marta (que não era minha tia de verdade), no andar de cima. Criei o jornalzinho do prédio, o Hexa News, que eu escrevia a mão em folha de caderno, ilustrava, grampeava e mostrava para os vizinhos. Fui cumprimentada pelas vizinhas quando menstruei. Nunca fiquei presa no elevador Atlas vermelho. Aprendi a andar de patins na garagem. Ouvi João Gilberto, Gal Costa, Raul Seixas, Roberto Carlos, Xuxa e Engenheiros do Havaí  na vitrola. Chorei muito quando fui embora.

 A fachada do prédio, o bronze a família me fazendo passar vergonha desde os anos 80 


O blazer da minha mãe gente HAHAHAHAHAHAHA


Euzinha de camiseta listrada, minha madrinha Néia, meu tio Álvaro e crianças desconhecidas. Não tinha salão de festas, aniversário era na garagem mesmo. 

sábado, 18 de junho de 2016

Vamos falar de Orphan Black?

Vamos!

Orphan Black é uma série de ficção científica canadense disponível no Netflix. Ela gira em torno de Sarah Manning, uma mulher tentando colocar a vida nos eixos que descobre que ela é um clone e que tem inúmeras outras clones espalhadas por aí. Com isso ela a passa a tentar descobrir sua história enquanto foge de fanáticos religiosos e cientistas inescrupulosos.

Por que Orphan Black é maravilhoso?

Uma palavra: representatividade. Todas as personagens principais são mulheres (Sarah e suas clones), cada uma com suas particularidades. Lésbica nerd, soccer mom, mãe solteira, policial, empresária malvada. A atriz que interpreta todas elas é dextruidora e manda muito bem em retratar como cada uma delas é diferente. O irmão adotivo da Sarah, Felix, é gay assumidíssimo e maravilhoso (inclusive alguém faça um remake de Rocky Horror Show e coloquem esse moço para ser o dr. Frank N. Furter por favor) e (spoiler do bem) até clone transgênero rola na história. Estou no meio da segunda temporada e apegadíssima a todos eles. A série tem muita ação, humor, suspense e como, eu já disse, personagens apaixonantes.

Assistam a Orphan Black e venham comentar comigo gente, por favor!

Apenas maravilhosas

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Projeto casas - Osasco

Eu também não me lembro da casa da Osasco. Na verdade lembro sim, de mais velha pegar o trem com meu pai para ir lá receber o aluguel (não sei porque tínhamos que ir lá, essa coisa meio seu Barriga style) e comer o famoso hot-dog osasquense. Era um acontecimento.

Eu não gostava da casa de Osasco quando voltava lá com meu pai. Achava feia, achava longe. Era muito diferente da casa onde eu morava então, a do próximo post.

Para quem não é de São Paulo, acho que vale a explicação: se você já ouviu falar de Osasco talvez tenha sido por conta da chacina que aconteceu por lá ano passado. Sim, é uma cidade na grande São Paulo, violenta, pobre e periférica (mais ou menos, é bem mais próxima do centro que muitos bairros da capital). Mas também é uma cidade como qualquer outra, com shopping, escola particular, bares, faculdades, etc. Além de ser a capital nacional do cachorro-quente (risos), lar d'O Teatro Mágico (que aí já não sei se é um negócio tão bom assim, dsclp fãs) e cidade natal do Boninho (sim, eu googlei "Osasquenses famosos" e foi só o que eu achei)

Se você mora em Osasco, por favor não se ofenda com esse post. Ele foi escrito por alguém que não sabe quase nada sobre a sua cidade.

Eu imagino que minha vida teria sido muito diferente se eu tivesse crescido lá. Não melhor ou pior, só diferente.


Comendo sei lá o que direto do tapoé e no capô do Opalão do meu pai. 

terça-feira, 14 de junho de 2016

Projeto casas - onde eu nasci

A ideia não é minha - veio de um blog pelo qual eu passei nessas andanças na Central do Textão gente, desculpa, não lembro qual foi. Se você for a dona dele e passar por aqui pode se acusar que eu dou os créditos.

Vou me mudar em breve. E me dei conta de que estou indo para minha décima primeira casa. Acho um número considerável para alguém de 37 anos então resolvi dar aquela passeada pela memória para falar dos lugares onde eu morei.

A única memória que eu tenho da casa onde eu nasci vem das fotos, já que minha família se mudou de lá quando eu ainda era bebê. Sei que ficava perto do aeroporto de Congonhas. Sei que era uma ladeira. Sei que, como 90% das casas de classe média na época, tinha o piso de caquinhos vermelhos no quintal. Sei que era um sobrado. Eu me lembro mais de visitar, anos depois, a madrinha da minha irmã, que morava na casa ao lado e imagino que fosse muito parecida com a que eu nasci.

Essa madrinha da minha irmã tinha uma filha bem mais velha que eu e que me adotou como boneca viva. Diz minha mãe que a primeira palavra que eu disse não foi mama nem papa, foi Déia, a filha da vizinha. Tive notícias dela um tempo atrás, mas hoje não sei. Lembro da rede no fundo do quintal e da alegria que era balançar nela. Sei que a casa era alugada e de lá meus pais se mudaram para a casa que compraram, em Osasco. Essa fica para o próximo post.


Sim, o menininho de macacão amarelo sou eu, com a Déia e a minha irmã. Como a minha irmã está na foto, acho que nessa época a gente não morava mais lá. 



O chão de caquinhos e eu no meio, emburrada como sempre. 

sexta-feira, 10 de junho de 2016

37 com camiseta de 15

Ontem, nas sugestões de amizade do facebook, me apareceu um carinha que era conhecido da época do ensino médio. Naquele longínquo 1996 ele era o gordinho engraçadão que curtia música, filmes, quadrinhos e cultura pop em geral. Fui fuçar no perfil. Ele se tornou médico. Tem a barba grisalha e parece bem mais velho que eu embora tenhamos exatamente a mesma idade. Usa o facebook apenas profissionalmente compartilhando coisas de medicina. Tem uma foto da mulher e dos cachorros na capa.

Eu escrevo um blog diarinho, não tenho carro, minha bolsa "cara" tem um macaco pendurado nela, semana passada cogitei pintar o cabelo de azul e compartilho memes da Inês Brasil. Minha foto de capa no facebook é um trecho de um livro para adolescentes. O gordinho engraçadão que estudou comigo no ensino médio tem barba grisalha e salva vidas por aí.

Acho que a sociedade espera que eu me sinta mal com isso. Não me sinto não, desculpa. Tô bem feliz assim, com minhas camisetas de super heroínas e as caras surpresas quando digo que tenho 37 anos. Sou muito madura, obrigada, mas ainda vejo graça nas coisas bestas da vida. Espero que ele esteja feliz também. Pelas poucas fotos que não são do trabalho, parece que sim. E os cachorros são lindinhos.


37 com camiseta de 15.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Precisamos falar sobre Masterchef

Na verdade não precisamos mas eu quero, né? Nem tô aqui para convencer vocês a assistir nem nada, mesmo porque até eu já desisti. Ontem mesmo perdi a prova em grupo porque estava assistindo Orphan Black. Orphan Black é maravilhoso, coleguinhas, Orphan Black não me decepciona. Já Masterchef, gzuiz, é uma decepção atrás da outra. Mas não aguento mais detestar aquelas pessoas sozinha então vim aqui dividir meu odinho com vocês porque o programa já está na metade e eu simpatizo com: quase ninguém. Tá sofrido.

Em ordem alfabética, vamos falar sobre os sobreviventes:


Aluísio/ Aloísio/ Aloysio sei lá: tem cara de chef, jeitão de chef mas até agora só chorou, fez um hambúrguer mais feio que mudança de pobre e umas piadinhas sem graça. Quando esse programa acabar vai abrir um food truck e vender sanduíches meia-boca superfaturados no food park da Augusta.


Bruna: Meo deos essa pessoa. Ela fala fininho, gritando, mete o bedelho na comida de todo mundo e é metida a fofa e engraçadinha. Num guento. Ainda por cima é caléga de profissão, que dó que dó que dó dos alunos dela. Não.tem.condições.

Fábio: Detestava esse moço no começo por achá-lo meio arrogante. Também não entendia como alguém tão magrinho pode saber alguma coisa sobre comida. Agora já vi que é loser meio gente como a gente e até que leva jeito pra coisa. Tô me apegando.


Fernando: Tem carinha de moço da firma que vai pro Guarujá com os mein no fim de semana. Certeza que posta foto de cerveja no Instagram com a legenda "iniciando os trabalhos". Não cheira nem fede.


Gleyce/ Gleice whatever: Eu até simpatizo com ela mas tá na cara que ela precisa estudar muito pra ir longe num Masterchef. Até agora deu é muita sorte e conta com a simpatia dos jurados (é a única mulher com quem eu já vi a Paola ser fofa. Paola não gosta de mulher). Vão segurando ela pela história triste, mas se quisessem ajudar mesmo descolavam um estágio pra ela num restaurante bom porque no programa ela não vai render mais nada, só vai fazer o povo ficar com raiva.


Lee: A cota de orientais engraçadinhos já foi preenchida eternamente pela Jiang, chega. Vocês podem até achar fofo, mas imaginem trabalhar na baia ao lado de uma criatura dessas.


Leonardo: Dizem que entrou pela cota de boy magia mas não faz muito meu estilo não. Pra mim é só mais um moço de firma que faz um risoto decente pra pegar mulher e acha que tem vocação pra chef.


Luriana: Possivelmente filha do seu Luís e da dona Adriana, entrou pela cota de bonita genérica. Next.

Paula: É xará, é tilelê de humanas, tem cara de que tomou muita catuaba no bico na faculdade. Acho que eu seria amiga dela se ela maneirasse na efusividade. Usa camisetas legais.


Pedro: Mais um moço de firma. Não suporto. Ainda por cima tem cara de criança. Namorado outro dia disse que imaginava ele de calça curta, suspensório e chapeuzinho de marinheiro tirando foto e agora toda vez que eu olho pro Pedro passo mal de rir com essa imagem.


Raquel: Não sei o que essa moça faz da vida mas se eu tivesse que chutar diria que é gerente de RH e que a-ma dinâmicas de grupo. Esse jeito certinho dela falar, articulando perfeitamente todos os sons, me dá um pouco de aflição. De resto, parece que cozinha bem e pelo jeito vai para a final.



Thaiana: Moça, você é muito bonita. Vamos falar sobre: sobrancelhas. Acho ela fofa e amo o sotaque paranaense. Parece que cozinha bem também. Se a final for entre ela e a moça do RH minha torcida é dela.


Vanessa: Mais uma tilelê-de-humanas-sincrética-macumbeira. Anos de FFLCH me ensinaram a olhar com desconfiança pra gente assim mas agora é tarde, já me apeguei. You go, Vanessa, arrasa e mostra pra esse povo que nem só de macarrão com salsicha vive o povo de humanas.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Nós te amamos, princesa hot-dog

Coloquei esta foto no perfil do facebook como faço todo ano para comemorar as festas juninas. 30 anos depois eu ainda tiro fotos do mesmo jeito, mão na cintura e essa dificuldade de sorrir. Mas esse ano me atentei a um detalhe novo nesta foto: meu quarto.



Esse fundo aí é do quarto que dividi com minha irmã a infância inteira. Reparem na boneca trouxa em cima da cama e na foto do Menudo atrás de mim (vinha nas bandejas de iogurte). Mas principalmente, reparem que não há absolutamente nada rosa nele. Nadinha. Nem uma almofada. Num uma barra da cortina. Nem um tapetinho. Nada. Nem a batedeira de brinquedo era rosa.

Infância nos anos 80 era assim, meio unissex. Só gente rica tinha aquelas camas tubulares da Giorgio Nicoli que talvez dessem um ar um pouquinho mais feminino ao quarto, mas no geral era isso mesmo: a cortina bege, a colcha quase masculina com estampa de navios, o carpete verde musgo. Isso se refletia nas roupas também - não tem foto minha de roupa rosa, de princesa, nada disso. Eu fui bailarina numa festinha do colégio uma vez, mas todas as outras fantasias eram de mulher maravilha, urso, chapeuzinho vermelho e soldado. Sim, nem cinco anos e vestida de soldado carregando arminha de plástico e tudo.

Falo e provo

E os aniversários? Eu dividi festa com meu primo da mesma idade até os sete anos portanto a decoração tinha que ser a mais neutra possível. Tenho fotos da festa de dois e três anos com o mesmíssimo enfeite dos Flintstones em cima do bolo. Reciclagem era lá em casa. Meu primeiro e único patins era preto com as rodas amarelas. Meu velotrol e minha primeira bicicleta era vermelhos. Eu tive Barbies sim, de todos os tipos, mas elas namoravam o Falcon do meu primo. Sim, meu primo brincava de boneca com a gente. Sim, eu sou velha o suficiente para minhas Barbies terem namorado o Falcon.

Sendo fashion e muderna sem usar rosa em 2016 e 1983

Acho que a infância de todo mundo que cresceu nos anos 80 foi meio assim. E acho que é por isso que todo mundo que cresceu nos anos 80 se apaixonou pela menininha que foi vestida de hot-dog no dia das princesas. Nós somos a princesa hot-dog. Princesa hot-dog nos representa.

Princesa hot-dog, nós te amamos

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Hoje é dia de causo

Entrou um moço novo para trabalhar aqui na firma e ele tem um nome meio diferente, que é o mesmo de um chefe que eu tive anos atrás. Daí lembrei de dois causos desse meu chefe e vim aqui contar porque cês sabem que eu adoro um causo.

Esse meu ex-chefe, que vou chamar de Zé, era diretor de marketing de uma multinacional e sócio-investidor da escola em que eu trabalhava. Aparecia lá uma vez por mês e ao invés de olhar as contas do negócio ficava batendo papo na sala dos professores.

Setembro, 2001. Os ataques ao World Trade Center tinham acabado de acontecer e todo mundo ainda estava meio que se perguntando o que tinha sido aquilo. Pois contou o Zé que no dia 11 de Setembro ele estava no meio de uma reunião importante, apresentando um projeto enorme para a equipe e tals. Secretária bate na porta e diz pra ele, em voz baixa, que dois boeings tinham se chocado no World Trade Center. O Zé, que sempre foi meio lesado das ideias, entendeu que "dois boys tinham se jogado do World Trade Center." Ficou bem puto e berrou "Ô ROSIMEIRE, QUAL É A RELEVÂNCIA DE DOIS OFFICE BOYS SUICIDAS NO CENÁRIO MUNDIAL PRA VOCÊ VIR AQUI INTERROMPER MINHA REUNIÃO?"

Outra vez Zé nos contou que, quando adolescente, era bem zé droguinha e tomava de tudo, "inclusive no cu" ~risos~. Os pais, preocupados com o estilo de vida dele, o mandaram pra conversar com o médico da família, dr. Pimpolho. O médico: "Olha Zé, conheço vocês adolescentes. Cê fica aí tomando chá de cocô de vaca, esses doces de procedência duvidosa, mas o barato verdadeiro tu nunca vai conhecer: chama dolantina."

(Parênteses: Minha mãe trabalhou em hospital no interior e conta que a dolantina tinha que ficar num armário trancado e só ela tinha a chave porque senão os médicos tomavam tudo.)

Muitos anos depois, Zé teve que que se submeter a uma cirurgia. Acordou no quarto do hospital bem louco, lambendo parede. Perguntou pra enfermeira o que ele tinha tomado e cês já adivinham o que que ela respondeu. Diz Zé que ele ficou um cinco minutos rindo descontroladamente e berrando "SE FODEU, DR. PIMPOLHO!"

Zé, já faz 15 anos e nem sei por onde você anda, mas saiba que seus causos são: