quarta-feira, 22 de junho de 2016

Projeto casas - Avenida Jabaquara

O apartamento na avenida Jabaquara foi o lugar onde morei mais tempo até hoje, dos 2 aos 16 anos. Era um apartamento pequeno, de carpete verde musgo e banheiro com louça rosa. Nele eu montei altas casas da Barbie (sem a casa, caríssima, só os móveis mesmo, alguns originais, alguns genéricos), fiz minha festa de 15 anos com vestido de debutante e pé quebrado, tive muitas festas de aniversário, chorei alguns corações partidos. Eu morava no décimo segundo andar, apartamento 122 do edifício Hexa II (não sei até hoje onde fica o Hexa I), perto da estação Praça da Árvore. Pegava o metrô sozinha desde os 11 anos com a molecada do prédio para ir o colégio na Vila Mariana. Aos sábados pegava ônibus para ir ao cinema no Shopping Ibirapuera ou só tomar um sorvete se fosse fim de mês. Aliás eu podia ir sozinha ao shopping mas não podia atravessar sozinha a avenida, perigosíssima, morreram não sei quantos atropelados lá, dizem. Comia a melhor queijadinha do mundo (nunca mais comi igual) no bar do seu Luís, um velhinho japonês que já era bem velhinho naquela época. Tinha conta na banca de jornal da esquina onde buscava semanalmente os gibis da turma da Mônica e do Zé Carioca, único da Disney que eu gostava (mas os almanacões de férias eu precisava pedir autorização pra pegar). Comprei muitos peixinhos na loja de animais (que na época não chamava pet shop e que o street view me contou que virou uma Mundo Verde). Comia doce no apartamento da tia Marta (que não era minha tia de verdade), no andar de cima. Criei o jornalzinho do prédio, o Hexa News, que eu escrevia a mão em folha de caderno, ilustrava, grampeava e mostrava para os vizinhos. Fui cumprimentada pelas vizinhas quando menstruei. Nunca fiquei presa no elevador Atlas vermelho. Aprendi a andar de patins na garagem. Ouvi João Gilberto, Gal Costa, Raul Seixas, Roberto Carlos, Xuxa e Engenheiros do Havaí  na vitrola. Chorei muito quando fui embora.

 A fachada do prédio, o bronze a família me fazendo passar vergonha desde os anos 80 


O blazer da minha mãe gente HAHAHAHAHAHAHA


Euzinha de camiseta listrada, minha madrinha Néia, meu tio Álvaro e crianças desconhecidas. Não tinha salão de festas, aniversário era na garagem mesmo. 

4 comentários:

  1. essa sua sequência de posts tem me deixado tão comovida. que delícia ter memórias assim (aliás, que delícia ter memória). Estou com vontade de copiar seu mote, mas vou precisar pedir emprestadas lembranças alheias, rs

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  2. Há lugares que marcam mesmo, não tem jeito, e é tão bom lembrar...
    ps: Caramba, sua mãe é muito bonita!

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  3. É, acho que realmente o meu comentário aqui não veio! hahhahah
    Tinha comentado que há lugares que marcam mesmo, e que é tão bom lembrar...
    E também que a sua mãe é muito bonita!
    Um beijo
    www.theroom1408.wordpress.com

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  4. - sua mae eh muito bonita
    - o blazer dela eh MARAVILHOSO! =d Tinha ombreira, ne?
    - mano, uma felicidade eh nunca ter ganhado faixa de aniversario ou coisa do tipo, lembra daqueles carros de som? Que vergonha, jesus!
    - Eu adoro esses seus posts, parece que a gente eh amiga desde sempre, me sinto parte da sua vida (alok!)

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