sexta-feira, 22 de junho de 2012

Manual prático para o bom uso do guarda-chuva

Existem coisas difíceis nessa vida. Acordar cedo, fazer pão, assistir aos filmes da Gwyneth Paltrow, por exemplo. E, embora "usar o guarda-chuva" aparentemente não devesse constar nessa lista, para boa parte dos habitantes de São Paulo tal ação está, inclusive, no top 5 de coisas difíceis. Porque olha, só isso explica o potencial de certas pessoas de transformar guarda-chuvas em armas nesses dias em que São Pedro não dá uma trégua. Visando portanto o bem estar e a segurança da população, cataloguei algumas dicas simples para o uso adequado do guarda-chuva em locais de alta densidade demográfica. Seguem-nas:

1) Guarda-chuvas protegem, adivinhem, da chuva. Marquises também. Se você tem o primeiro, deixe a segunda para quem não o tem. Gente que anda com o guarda-chuva aberto debaixo da marquise perde 5 pontos na carteira de pedestre. Oi, não existe carteira de pedestre? Aí Kassab, com tanta lei inútil, fica a dica.


Exemplo prático de como NÃO usar seu guarda-chuva

2) Um guarda-chuva aberto aumenta em no mínimo um metro o espaço que você ocupa no universo. Pense nisso antes de atravessar portões ou ultrapassar transeuntes em calçadas estreitas.

3) Antes de abrir seu "dispositivo para proteção contra intempéries" verifique se não há ninguém por perto que possa ter o olho furado por uma vareta perdida.

4) Antes de sacudir seu guarda-chuva no intuito de secá-lo no ponto de ônibus verifique se não há ninguém por perto que possa tomar um não solicitado banho de água fria.

5) Por fim, coloque esta merda dentro de um saco plástico quando entrar no prédio para não transformar a portaria e o elevador em pântanos. A sociedade civilizada agradece.




quinta-feira, 21 de junho de 2012

Tamô de volta

Meu pai era o que Luís Fernando Veríssimo chamaria de "São Paulino teórico". Tinha lá seu time do coração, mas sendo de uma personalidade pacata por natureza, xingar juiz, berrar "chuuuupa" na janela ou passar duas horas gritando "Ê Ô" em pé no meio de um monte de cuecas no estádio eram atitudes que definitivamente ninguém esperava dele. Ficou difícil, com isso, incutir nas filhas esse gene são paulino, se bem que na minha irmã quase funcionou. Ela teve camisa oficial e chorou com eliminação na Libertadores de  94 e tal. Foi ao Morumbi uma vez, no fatídico jogo contra o São Caetano que terminou com Serginho morto em campo. Depois acho que traumatizou.

Comigo não deu. Até brinquei de ser tricolor na época em que era fácil, começo da década de 90, mas me empolgar mesmo? Não rolou. Foram aí uns 18 anos sem me animar com futebol.

Mas aí veio queridão. E com ele o Corinthians. Eu não sou corinthiana, vejam bem. Tudo a favor dos corinthianos, mas acho que minha apatia com o futebol não combina com a paixão dessa turma pelo seu time. Não acho justo me incluir como parte deles. É bonito de ver o quanto eles participam, o quanto sofrem, o quanto torcem. É um amor de verdade, que não beira o fanatismo. É claro que toda  torcida, ainda mais uma do tamanho da do Parque São Jorge, tem seus maus elementos, seus zé-ruelas, aquele povo que não sabe brincar. Mas é injusto pintar toda uma nação corinthiana baseado naquela meia dúzia (centena? milhar?) de idiotas que não entendem que futebol de verdade é amor no coração, puro, desinteressado, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. E, sobretudo, o que eu mais gosto nos corinthianos é que eles se preocupam com seu time. Apenas. Tão nem aí se os outros ganham ou perdem. Não são como outros torcedores que hoje estão mais ~chatiados~ pelo Curíntia ter se classificado do que por seu próprio time ter perdido.

Não sou corinthiana. Mas sou fã dos corinthianos. E por eles eu digo: que venha o Boca. Ou o Universidad do Chile. Os futuros habitantes do Itaquerão baterão no peito de orgulho do seu time independente do resultado. Tenho certeza.


Muito amor pelos corinthianos, sérião.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Da arte de se superar

Passei um trabalho para o quinto ano. Consistia em colar uma foto de um lugar qualquer e escrever CINCO frases descrevendo esse lugar em inglês. Coisas mega complexas tipo "Conceição do Mato Dentro is beautiful and small. It's located in onde Judas perdeu as botas..." e por aí vai. Nada que eles não tivessem feito a exaustão em sala de aula, e ainda mandei tudo muito explicadinho para nenhuma mãe encher o saco.

Dia da entrega o moleque me aparece com um texto de página inteira escrito em português contando que em tal lugar no feriado o tio Zelão fez bolo, a tia Maricota quebrou o pé e o cachorro Felisberto se perdeu. Detalhe: escrito com a letra da mãe. Coloca em cima da minha mesa e diz:

"Então, minha mãe pediu para você me dizer como é que se escreve isso em inglês."



Pais - mestres na arte de se superar. Sempre.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Reunião de condomínio

Quem nunca foi não sabe o que está perdendo, só digo isso. Acho que o único lugar onde as pessoas vão mais dispostas a brigar que em reunião de condomínio é em octógono de MMA. Eu ontem fui à primeira do meu novo lar e já decidi - não perco mais nenhuma porque o potencial de barraco lá é nível reunião de diretoria no Divino Futebol Clube (beijo, Avenida Brasil).

Já odeio: a mulher do 22 (números fictícios, pessoar) que quer botar a construção de mais duas churrasqueiras no próximo orçamento. Nós já temos duas churrasqueiras, minha senhora, não quer lista de espera compra um cinco dormitórios com varanda gourmet. E fala num tom acusatório, indignado, do tipo "É UM ABSURDO EU TER QUE ESPERAR ATÉ AGOSTO PARA USAR A CHURRASQUEIRA!" Faltou completar com um "IMAGINA NA COPA!"

Já odeio também: o cara do 54. Durante a discussão das alternativas para o estacionamento complicado, surge a proposta da instalação de um sistema de pallets, que pelo que eu entendi são umas plataformas deslizantes para que não haja vagas presas. Daí o sujeito entra com o famigerado e detestável argumento de autoridade furado: "Olha, eu sou corretor de imóveis então peço que PELAMORDEDEUS  não coloquem pallets porque eles desvalorizam o imóvel em 30%." Oi, 30%? Mais alguém achou o número meio, digamos, exagerado?  A construção de um lixão ao lado de um prédio pode desvalorizar um apartamento em 30%, mas pallets no estacionamento? Jura? Mas o cara é "autoridade" e a galera acredita.

Já amo: A síndica. Porque precisa ter uma paciência de Gandhi para não mandar galera tomar no cu falando com ela daquele jeito, como se ela não morasse lá e não tivesse interesse em melhorar as coisas. E pelo seguinte diálogo.

Condômino indignado: "E enquanto o bicicletário não fica pronto eu guardo a minha bicicleta onde?"

Síndica: "Dentro do seu apartamento."

Porque se fosse eu, imaginem o que eu teria respondido.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Causos Juninos

Esse ano, como de costume, não escapei de trabalhar na famigerada festa junina do colégio. Entretanto tive um pouco mais de sorte e fui escalada para o turno da manhã, que, como podemos imaginar, é muuuuito mais sossegado que o da tarde, já que a família brasileira acorda depois das 10 e demora para colocar pai, mãe, filhos, cachorro e avó no carro.

Qual a novidade então, não é coleguinhas? Afinal, esse bloguinho só tem graça quando a tia aqui se dá mal, eu sei. Entretanto, este ano, fui apresentada a uma nova categoria de pais sem noção na festa junina - a louca das prendas.

A louca das prendas passa de barraca em barraca escarafunchando sem vergonha nenhuma as caixas de prendas, tentando avaliar qual tem coisas melhores e é digna, portanto, de sua atenção. Seu filho lindo só vai brincar nas barracas cujos prêmios façam jus aos 3 reais que ela pagou por isso. O que a louca das prendas parece não saber é que prenda de festa junina é tudo a mesma merda. Carrinho de plástico, batom vagabundo, iô-iô, caderneta, elástico de cabelo, boneca feia, bola barata.

Eventualmente a louca das prendas se rende e deixa sua criança brincar na barraca que quiser. Para seu horror o pequeno vai mal e só tem direito a um prenda mais mequetrefe ainda da caixa de consolação e, o absurdo do absurdo, escolhe logo aquele iô-iô de plástico de 1 real. Pensam que ela se conforma? Ela inferniza tanto o coitado que o convence de que aquela prenda é uma bosta e resolve trocá-la, mas não o faz, obviamente, na mesma barraca, porque naquela barraca todo mundo já sabe que o iô-iô é da caixa de consolação. A louca das prendas vai até a minha barraca:

"Oi, ele pode trocar esse iô-iô por aquele carrinho ali?"

Aquele carrinho ali sendo um Hot Wheels de metal da caixa dos cinco acertos na boca do palhaço. Reconhecendo a tia que já tinha fuçado em todas a minhas caixas mais cedo, retruco:

"Se ele não pegou aqui não pode trocar."

"Ah, que absurdo, ele é criança, É SÓ UM CARRINHO."

Gente querendo levar vantagem em prenda de festa junina - sério, cadê o botãzinho para parar o mundo?