sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Seleção musical motivada pela saudade

Eu me faço de durona e tals, mas morro de saudade da minha irmã, que se mudou para Brasília. Porque ela é definitivamente a pessoa com a qual eu mais tenho histórias para contar. E hoje me bateu uma tristezinha de estar longe (tá, não é do outro lado do mundo, mas também não é assim de "deu vontade corre para lá") que me fez ficar ouvindo músicas que me lembram ela:


Porque é o nome dela, né? Hehe. E porque a música é ótima e a letra do Caetano é uma graça mesmo, fofa.


Porque houve uma época que a gente ouviu muito essa música juntas. Engraçado que a última vez que ouvi foi no rádio, na minha primeira visita a Brasília. E ela nem estava junto, estava no outro carro.


Porque ela diz que quando tiver uma filha vai chamá-la de Cecília por causa dessa música (que eu vi o Chico cantando ao vivo e ela não).


Porque ela tomou chuva e passou o maior frio de todos os tempos no show do Kiss e eu não.


Porque essa é a minha irmã, né? Ela ama Kiss E Ney Matogrosso.

Historinhas dos fofuxos

Eu conto essas coisas e o povo não acredita. Passei as datas das provas finais na lousa e pedi para os pequenos anotarem. Logo aquela mais lerdinha de todas, a que em novembro ainda confunde os livros e traz os do semestre passado para a aula, aquela que se ficar tomando conta de uma tartaruga perde a bichinha, aquela mesmo, está lá, me olhando com cara de pastel.

"Vitória, copie as datas para não esquecer..."

"Estou sem caderno, tia...."

"Copia na capa do livro."

E eis que segundos depois vejo Vitória tentando a todo custo fazer a caneta pegar na capa, capa mesmo, de papel brilhante do livro.

Culpa minha, né? Não falei capa? Então.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Paixão, lágrimas e sangue no quinto ano

A paz entre meu elenco do teatrinho do colégio encontra-se seriamente ameaçada. Ontem durante os ensaios, Paul McCartney cochichou algo no ouvido da apresentadora 1. Esta imediatamente soltou um gritinho típico de menina de dez anos e disse: "Eu tenho que contar isso para a sala inteira! Eu tenho! Eu tenho! Posso?"

Meu Paul McCartney, apesar da pouca idade, já é absurdamente cool. Ele sabe tudo de Rolling Stones (pois é, ironias da vida) e deve ser o único garoto de dez anos no mundo a ter um boné autografado pelo Michael Richards (mais conhecido como Cosmo Kramer, do Seinfeld). Diante do pseudo ataque histérico da colega ele deu os ombros como quem diz "tô nem aí" e continuou decorando seu texto. Apresentadora 1 ficou lá, se coçando inteira: "Teeeeeeeacher, posso ir lá no ensaio do quinto ano?"

Não deixei. Apresentadora 1 anda lutava para pronunciar Paul McCartney corretamente, portanto havia muito trabalho a ser feito. Pouco tempo depois apresentador 2 (que faz dupla jornada e está atuando no Rei Leão também) voltou para minha sala. Apresentadora 1 não se conteve:

"Peeeeeeeeeeedro, o Felipe está namorando a sua musa!"

Silêncio. John Lennon e Ringo Starr se entreolham apreensivos. Old Fred, que só tem seis anos, parecia mais preocupado em dar um nó nos cadarços de George Harrison, que estava distraído com suas falas. Senti uma tensão no ar. Apresentador 2, entretanto, não disse nada. Dirigiu-se até sua marcação no palco e questionou apresentadora 1: "E aí, já consegui falar Paul McCartney direito ou vamos ter que trocar as falas?"

Por ontem foi só, mas não sei não. Sinto que vai rolar sangue nos bastidores de "Yellow Submarine".

sábado, 20 de novembro de 2010

O teatrinho

Ao contrário das festas juninas, nas quais ou eu era obrigada a ser o menino por ser a mais alta da turma ou tinha que usar uma meia calça branca que pinicava horrores, eu tenho boas lembranças dos teatrinhos de final de ano na escola. Quer dizer, mais ou menos.

Em um deles eu e meu primo (que estudava na mesma sala que eu) fomos os ursos. A roupa até que era engraçadinha, mas minha mãe, já sem noção, usou guache para pintar nossos focinhos. Resultado: impossibilidade total de sorrir ou comer para evitar rachaduras na tinta. Fora a coceira depois. Mas teve um que eu gostei. Neste eu era, obviamente, a personagem principal.


Vejam  a alegria estampada no rosto da criança...

A história era alguma coisa sobre brinquedos que criavam vida na véspera do Natal, e eu era a garotinha presa com o irmão dentro da loja. Lembro perfeitamente do vestidinho vermelho e de como todo mundo ria a cada fala minha (talvez porque eu estivesse banguela e falando tudo errado, mas enfim - na hora me senti A comediante).


O teatrinho do colégio este ano está começando a ser ensaiado - meus pequenos serão os Beatles numa releitura de "Yellow Submarine", coisa mais fofa. O problema é achar papel para tanto aluno - a turma que vai fazer o Rei Leão já conta com rinocerontes, tigres (oi, na África?) e uns 10 macacos. E para explicar para o gordinho que ele foi escalado para ser o hipopótamo? E para convencer as menininhas que NÃO serão a pequena sereia de que todos os papéis são importantes, até o do siri? Vai muita saliva e muito bullying.

Eu fico com pena dos pequenininhos. O bom é que aos seis anos os dramas passam com uma rapidez impressionante. Ontem mesmo uma chorava copiosamente porque a outra não queria ser mais sua amiguinha. Mandei a amiga lá e disse: "resolvam isso, vocês duas". Em dois minutos já se amavam outra vez. Com isso, o hipopótamo já anda por ali todo orgulhoso do seu papel - e ai de que tirar sarro.

E teve o Rei Leão. O escolhido foi o mesmo pequeno incansável que decorou o texto primorosamente e não parou de falar um segundo durante a feira de ciências. Ao ser questionado sobre seu papel, respondeu:

"Eu sou o Rei Leão!"

"O Simba?"

"Não, o Rei Leão!"

"O Mufasa?"

"O Rei Leão, tia!"

E foi embora. Porque ser o Rei Leão é muito mais legal que ser o Simba ou o Mufasa.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Eu e a TIM - parte 1.000

Minha relação com a TIM é a aquela famosa de mulher de malandro. Ela me maltrata, me irrita, me arranca os cabelos mas eu não a abandono por que ela tem o plano Infinity.

Ter adquirido um aparelho LG cookie cerca de seis meses atrás provou-se um grande equívoco. Celular mequetrefe, touch screen vagabunda e pouquíssima resistência às mãos de manteiga de sua proprietária, o bichinho há um mês já circulava com uma imensa rachadura preta no meio da tela, fruto de sua milésima queda. Entretanto, como recém proprietária de um apartamento e portanto cheia de dívidas, incorporei o Tio Patinhas e resolvi que manteria aquela belezura enquanto ele estivesse fazendo e recebendo ligações (o que, levando em consideração a qualidade do aparelho, não deveria durar muito tempo).

Mas a TIM, essa safada, resolveu mais uma vez me seduzir. Passou a dar um descontão em um outro plano mais vantajoso pra mim E num aparelho novo. E lá fui eu ser maltratada mais uma vez.

Para começar a vendedora não quis fazer a transação porque eu estava sem minha identidade e minha carteira de motorista estava vencida. Argumentei que já era cliente e que não pretendia dirigir o celular por aí, mas não houve negociação. Voltei pra casa, não encontrei a identidade e retornei à loja no dia seguinte em um horário diferente. Fui atendida por um mocinho mais solícito que nem pediu para ver meu documento, só o número do CPF. Ele me avisou que não poderia migrar meu plano na loja com desconto e me orientou a fazê-lo por telefone. Ok.

Em casa, telefono para minha amante malvada. Explico o caso e o atendente, se fazendo de surpreso, me diz que não pode migrar um plano com desconto por telefone e que eu deveria voltar à loja para fazer isso. Telefono para a loja. O número impresso no cartão está errado. Coisa de profissional, né? Imprimiram milhares de cartões com o número errado mas quem se importa? Eu sou a mulher de malandro. Eu devo mover céus e terras para falar com eles. De repente tenho a idéia brilhante de repetir o procedimento adotado para a compra do aparelho - telefono de novo para falar com outro atendente. A moça só confirma meu CPF e realiza a transação.

Porque com a TIM é assim - não basta maltratar. Tem que confundir, irritar, humilhar e rir da nossa cara. Treinar pessoal é coisa para empresinhas de merda.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pérola da semana

Eu sei que eu deveria ser um espírito superior e compreender a situação desse pessoal que trabalha muito, ganha mal mas tem a vontade de estudar e acaba sendo enganado pelas Unimerdas da vida, mas né? Um povo que produziu Geisy Arruda não merece compreensão.

Daí aquela aluna do Burger King outra vez engata um assunto completamente nada a ver no meio da aula. Tento desviar mas ela se enche de orgulho e diz: "Eu entendo disso. Eu estudo Letras na Unibosta." E desanda a explicar com ares de pós-doutoranda em Linguística que o certo é pronunciar "Êxtra" então todos os habitantes da cidade de São Paulo são burros porque chamam a rede de supermercados de "Éxtra". Porque, segundo ela, dizer "Éxtra" é um erro GRAMATICAL.

Olha, eu não ganho pra isso não, viu?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Novembrite

Só para ilustrar minha falta de ânimo nos últimos dias, vou dar uma "preguiçada" daquelas e ressuscitar um post do blog antigo, bem propício para a ocasião:

"A novembrite é uma doença de causas ainda desconhecidas que ataca principalmente crianças e adolescentes em idade escolar. Uma vez que professores também têm apresentado sintomas semelhantes, os pesquisadores investigam se a doença não seria transmitida por vias respiratórias, portanto facilmente propagável em ambientes cheios e fechados como salas de aula. Recebeu este nome devido à sua incidência nos últimos meses o calendário escolar, sendo notada já a partir da segunda metade de outubro e se espalhando rapidamente, a ponto de deixar poucos ilesos após o feriado de 15 de novembro.


Os sintomas da novembrite variam de acordo com a idade dos afetados. Em crianças e adolescentes ela caracteriza-se por falta de concentração, sono incontrolável, desleixo material e pessoal - falta de livros, lápis e as vezes banhos. Verifica-se também um aumento sensível na frequência de palavrões e brigas em sala de aula, fato que colabora para o agravamento dos sintomas observados em adultos. Estes são: apatia, tremedeira, irritação constante, queda de cabelo, falta de apetite e de voz.

Embora pesquisas venham sendo feitas nesse sentido, ainda não há cura para a novembrite. Felizmente não há registros de mortes causadas pela doença (o caso do professor atingido por uma cadeira durante uma explicação sobre as leis de Newton ainda está sob investigação). Além disso, a novembrite é claramente sazonal e parece desaparecer assim que são concluídas as últimas recuperações, o que costuma acontecer antes da metade de dezembro.

Aparentemente a única maneira de evitar a novembrite é manter distância de escolas, matinês, shopping centers ou qualquer outro lugar onde se aglomerem adolescentes. Caso isso não seja possível, recomenda-se para os adultos o consumo de antidepressivos ou álcool em quantidade moderada para fins de relaxamento. Quanto aos alunos, ainda não foram encontrados tratamentos mais eficientes que um bom puxão de orelha e um mês sem o playstation."