sábado, 20 de novembro de 2010

O teatrinho

Ao contrário das festas juninas, nas quais ou eu era obrigada a ser o menino por ser a mais alta da turma ou tinha que usar uma meia calça branca que pinicava horrores, eu tenho boas lembranças dos teatrinhos de final de ano na escola. Quer dizer, mais ou menos.

Em um deles eu e meu primo (que estudava na mesma sala que eu) fomos os ursos. A roupa até que era engraçadinha, mas minha mãe, já sem noção, usou guache para pintar nossos focinhos. Resultado: impossibilidade total de sorrir ou comer para evitar rachaduras na tinta. Fora a coceira depois. Mas teve um que eu gostei. Neste eu era, obviamente, a personagem principal.


Vejam  a alegria estampada no rosto da criança...

A história era alguma coisa sobre brinquedos que criavam vida na véspera do Natal, e eu era a garotinha presa com o irmão dentro da loja. Lembro perfeitamente do vestidinho vermelho e de como todo mundo ria a cada fala minha (talvez porque eu estivesse banguela e falando tudo errado, mas enfim - na hora me senti A comediante).


O teatrinho do colégio este ano está começando a ser ensaiado - meus pequenos serão os Beatles numa releitura de "Yellow Submarine", coisa mais fofa. O problema é achar papel para tanto aluno - a turma que vai fazer o Rei Leão já conta com rinocerontes, tigres (oi, na África?) e uns 10 macacos. E para explicar para o gordinho que ele foi escalado para ser o hipopótamo? E para convencer as menininhas que NÃO serão a pequena sereia de que todos os papéis são importantes, até o do siri? Vai muita saliva e muito bullying.

Eu fico com pena dos pequenininhos. O bom é que aos seis anos os dramas passam com uma rapidez impressionante. Ontem mesmo uma chorava copiosamente porque a outra não queria ser mais sua amiguinha. Mandei a amiga lá e disse: "resolvam isso, vocês duas". Em dois minutos já se amavam outra vez. Com isso, o hipopótamo já anda por ali todo orgulhoso do seu papel - e ai de que tirar sarro.

E teve o Rei Leão. O escolhido foi o mesmo pequeno incansável que decorou o texto primorosamente e não parou de falar um segundo durante a feira de ciências. Ao ser questionado sobre seu papel, respondeu:

"Eu sou o Rei Leão!"

"O Simba?"

"Não, o Rei Leão!"

"O Mufasa?"

"O Rei Leão, tia!"

E foi embora. Porque ser o Rei Leão é muito mais legal que ser o Simba ou o Mufasa.

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