sábado, 28 de março de 2009

Sobre tiros e canetas piloto

Uma amiga minha assumiu esta semana suas aulas como professora da rede pública da cidade de São Paulo. A escola em questão fica em um bairro perdido da zona Sul do qual minha amiga não lembra o nome, mas sabe que fica "em algum lugar perto do zoológico".

A escola na qual minha amiga lecionará ainda não está terminada, por isso todos os dias ela vai até lá, sobe em um ônibus fretado com cinquenta anjos entre onze e quinze anos e se desloca até um CEU. Um CEU, para quem não é de São Paulo, é um Centro Educacional Unificado, verdadeiros prodígios de beleza e organização construídos pela prefeitura em bairros muito, mas muito afastados mesmo. Nos vinte minutos dentro do ônibus os anjos, como era de se esperar, pulam, berram, espancam uns aos outros, gritam palavras obcenas pela janela e são apedrejados pelos pedestres. Literalmente.

Como eu mencionei, os CEUs são prodígios de beleza e organização. Tem até piscina. Calculem portanto, caros leitores, a reação dos anjos quando viram tal espaço recreativo. Segundo minha amiga, vários pularam lá dentro de uniforme e mochila. Antes da aula. E no dia anterior, antes dos anjos chegarem, conta-se que a população do bairro pulou os muros do CEU e invadiu a piscina. Minha amiga diz que ficou da janela da sala dos professores, comendo um pacote de bolacha e se deleitando com tão bela visão.

Minha amiga está lá há apenas três dias e já viu sua primeira batida policial. Procuravam, segundo consta, um estuprador que aproveitou a invasão da piscina para se esconder no meio da multidão. E os tiros? Praticamente substituem a campainha para sinalizar a troca de professores.

Mas, de tudo isso, uma coisa me impressionou de verdade. Os CEUs possuem quadros brancos, e não de giz. Tanta coisa para a prefeitura gastar dinheiro e ela vai lá e gasta em canetas piloto...

quarta-feira, 25 de março de 2009

O lanche da tarde de um dos garotos do período integral é um ovo de páscoa de 250 gramas. Inteiro. Embrulhado.


Depois a mãe não entende porque a criança passa a tarde inteira pulando feito uma louca.

terça-feira, 24 de março de 2009

Incompetência mandou lembranças

Coordenador: "Você não quer fazer uma atividade de São Patrick com as crianças?"
Moi: "São Patrick foi dia 17, boss..."
Coordenador: "Eu sei, mas só pra não passar em branco..."
(Nota mental: oi, JÁ PASSOU em branco)
Coordenador sai da sala. Volta minutos depois com umas folhas:
"Olha, imprimi esse labirinto aqui, passa pra eles."
Pego a folha e observo. Há uma bruxa em uma ponta do labirinto e um vampiro no meio.
Moi: "Essa atividade é de Halloween..."
Coordenador: "Ah, tá..." (Sai da sala com cara de bunda).

Pensar que esse cara é, tecnicamente, meu chefe. Ainda bem que é só tecnicamente.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Uma escolinha do barulho

Os leitores do meu antigo blog sabem que a coisa não está fácil para os professores desse Brasilzão de deos. Alunos indisciplinados, falta de respeito, de materiais adequados, armas dentro da escola, clima de guerra civil. Mas não se iludam, meus caros. A coisa está preta no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, por exemplo, os pobres professores têm tido que lidar com problemas que, até onde eu saiba, ainda não aportaram por terras tupiniquins. Vejam o que eu encontrei num site educacional qualquer:


Original aqui, amiguinhos. A situação está feia ou não por aqueles lado?


quinta-feira, 19 de março de 2009

Eu rio nos filmes do Adam Sandler

Academia em dia, aulas prontas, nada pra fazer as oito da noite. Botei no Telecine, era o que me restava.
Já viram, né? Dei de cara com o Adam Sandler. O Adam Sandler só faz filmes ruins mas por alguma razão desconhecida eu não consigo não assistir. Está além das minhas forças. "O paizão", por exemplo, já deve estar na trigésima vez. Podem me apedrejar, eu confesso: eu rio nos filmes do Adam Sandler.
Esse era uma bobagem sem fim. Ele é um bombeiro que tem um amigo também bombeiro e viúvo, preocupado com o futuro dos filhos caso ele morra em serviço. A solução para isso? Eles se casam e passam a formar um casal gay, assim caso o pai morra o Adam Sandler passa a receber pensão e ter a guarda das crianças. Só que a previdência está de olho neles, desconfiando da fraude, então eles tem que levar mais a sério o tal casamento.
Eu ri. Primeiro porque quem faz o amigo do Adam Sandler é o gordinho do "The king of Queens" e se tem um cara que eu acho engraçado nesse mundo é esse gordinho. Segundo porque na cena clichê de compras o vendedor gay da loja é o Dave Matthews. Terceiro, o filho do gordinho é um fofo, todo gayzinho, que transforma as chuteiras que ganhou do pai em sapatos de sapateado.
O filme é uma merda, eu sei. Clichê, sentimentalóide, cheio de piadinhas preconceituosas mas no final querendo nos mostrar que "preconceito é feio". Mas eu rio nos filmes do Adam Sandler. E eu também rio nos filmes do Ben Stiller. Será que eu preciso de ajuda profissional?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Da série: coisas que eu odeio.

Eu odeio ir ao supermercado. Detesto. Tenho pavor.
A causa dessa minha implicância toda é uma só: o supermercado, depois do transporte público, é o lugar onde as pessoas se sentem mais a vontade para mostrar o quanto não são civilizadas.
Saí do trabalho na hora do almoço e resolvi dar uma passada no estabelecimento em frente ao colégio para pegar pouca coisa, pão de forma, detergente, café, itens de primeira necessidade que acabam de repente. É um supermercado grande, devo dizer, e encontrava-se bem cheio ao meio dia.
E aí começa. Tias batendo papo bem em frente à banca dos tomates, ocupando todo o espaço disponível. Carrinhos abandonados atravancando corredores inteiros (custa parar o carrinho direito? custa?). Crianças berrando agarradas a pacotes de salgadinho. Gente se empurrando para tomar um suco vagabundo da demostradora. Pessoas que não precisam ocupando o caixa preferencial. Cidadãos completamente desprovidos de noção passando compras do mês no caixa rápido.
Aliás, um adendo sobre o caixa rápido. Neste mercado em questão há dois tipos: o de dez itens e o de vinte. Eu pergunto, caro leitor: Por que um caixa rápido de vinte volumes NÃO é viável?
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Elementar: Porque as pessoas não sabem fazer conta e, incrivelmente, os caixas menos ainda. É fácil, só de olhar, dizer se há até dez itens dentro de um carrinho. Distinguir entre vinte e cinquenta, por outro lado, exige do ser humano uma habilidade absurda. A pessoa precisaria ser, no mínimo o Dustin Hoffman em Rain Man para enxergar a diferença. E isso torna os caixas rápidos de vinte volumes um tremendo desperdício de plaquinhas.

Supermercado - transformando seres humanos em animais desde 1916.

segunda-feira, 16 de março de 2009

E o buraco pra eu me esconder, cadê?

A turma dos adultos estava fazendo um exercício sobre expressões idiomáticas com cores. Eis que um aluno pergunta o que significa "purple". Para não traduzir, aponto para outra aluna e digo: "I'ts the color of her blouse." Ao que o aluno em questão laconicamente responde: "Sorry, teacher, eu sou daltônico."

sábado, 14 de março de 2009

Entre os muros da escola

No meu falecido blog eu já tinha postado sobre filmes de escola e de como eles se dividem em dois tipos: o filme do professor brilhante e dedicado que "toca o coração" dos alunos e muda a vida deles (vide Sociedade dos poetas mortos) ou do professor fodão-linha-dura que vai parar em um colégio cheio de malacos, bota ordem na bagunça e muda a vida deles (vide Mentes Perigosas). Mas hoje eu assisti a um "filme de professor" diferente.
François Bégaudeau é professor de Francês em uma escola pública multirracial em Paris. Ele escreveu um livro sobre essa experiência chamado "Entre os muros da escola" e esse livro virou um filme com o mesmo nome. Ou melhor, um quase documentário, já que o François é interpretado por ele mesmo e não há nenhum ator no elenco, só os próprios alunos e professores do colégio. E é essa a grande sacada do filme.
Porque François está muito, muito longe de ser um professor "brilhante-fodão capaz de mudar a vida dos alunos". Ele deu a cara a tapa no filme sendo absolutamente humano, errando, perdendo a paciência, batendo boca com os alunos, ficando sem resposta as vezes, fracassando na tentativa de "salvar" um aluno problemático. E é exatamente isso que consiste nessa profissão que eu escolhi e da qual, não vou mentir, as vezes (mas só as vezes) me arrependo.
Recomendadíssimo.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Ensinado cores para a segunda série

_ Certo, turminha, what color is my blouse?
_ Whiiiiite!
_ And my pants?
_ Bluuuuuuuuuuue!
_ Eu estou usando "shoes or sandals?"?
_ Shooooes!
_ What color?
_ Brooooooooown!
_ Eu estou usando "glasses"?
_ Yeeeeeeees!
_ What color?
_ Puuuurple!

_ Ótimo! Isso significa que vocês ESTÃO me vendo. Só estão FINGINDO que não.

Agora também na versão verde

Finalmente achei um lay out um pouco mais de acordo. Aquele rosinha definitivamente não combinava comigo.

terça-feira, 10 de março de 2009

Vamos estar resolvendo seu problema

Como é do conhecimento da maioria dos leitores deste blog , pertenço à nobre e sofredora categoria dos usuários do sistema transporte público de São Paulo. Por isso, na sexta-feira, me dirigi até a instituição onde concluo minha pós para buscar meu bilhete único de estudante para continuar me locomovendo de ônibus pela cidade. Voltei para casa e de lá não mais saí.

Sábado de manhã, antes de viajar para a casa de queridão em Itu, passei em um posto de recarga para colocar créditos no cartão. Surpresa, não havia créditos de estudante disponíveis na minha cota, só comuns. Na mesma hora telefonei para a Sptrans para ver o que tinha acontecido. A moça puxou meu cadastro e me disse que, por um erro qualquer do sistema, meu cartão estava bloqueado, mas esse problema só poderia ser resolvido pela central e a mesma só funciona em dias úteis.

Segunda-feira de manhã telefono para a central. Já esperava passar horas ouvindo uma musiquinha irritante, ser atendida por um funcionário cheio de má vontade,falar com vinte pessoas diferentes, explicar meu problema um milhão de vezes, ter que pegar documentos na faculdade e ir pessoalmente até a central no centro da cidade, enfim. Já estava preparadíssima para enfrentar uma verdadeira odisséia e, com sorte, talvez, ter meu problema resolvido lá pela sexta-feira.

Eis que sou atendida por um rapazinho que, de posse do meu RG, digitou meia dúzia de coisas no computador e, em menos de dois minutos, me disse: “Pronto, senhora, está resolvido.”

Isso não pode ficar assim. Imagina ser bem tratada desse jeito em todos os serviços públicos? Corro o risco de ficar mal acostumada.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Palhaços somos nós

Verdade seja dita, em 1991 eu tinha doze anos e estava cagando para a política do país. Ainda assim taquei guache na cara e peguei o metrô até a Paulista para participar das manifestações "Fora Collor". Afinal, era uma desculpa irrefutável para matar aula. Ainda assim eu lembro bem daqueles dias, das musiquinhas que nós cantávamos e de ver as pessoas se emocionando diante de um telão no dia em que o impeachement saiu.
Foi uma "vitória legítima do povo"? Lógico que não. Na época passava "Anos Rebeldes" na TV e todo achou legal a idéia de protestar, sair às ruas, gritar palavras de ordem. Todo mundo queria ser a Malu Mader. Ainda assim, foi uma vitória.
Mas aí o tempo passa, né? E quando a gente menos espera, topa com notícias como essa:

Em disputa acirrada, Collor vence Ideli e ganha comissão do Senado


E tem vontade de morrer de catapora. Ou tentar se suicidar a lá Didi Mocó. Porque parece piada mesmo.

terça-feira, 3 de março de 2009

Seria trágico se não fosse cômico. Estava esta blogueira buscando imagens de "Alice no país das maravilhas" (Livro preferido ever since 1985) no google quando dá de cara com uma fantasia de Alice versão sex shop, com direito a modelo com cara de sueca e tudo. Incluía o famoso vestidinho azul transformado num top e saia mínima, uma profusão de lacinhos pretos e meias 7/8 brancas rendadas.
Agora me respondam: quem em sã consciência vai ter tesão na Alice, aquela, que tem uns 10 anos e persegue coelhinhos por aí?

E depois o Lewis Caroll é que era pedófilo. Bando de tarados...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Inteligência rara

Queridão assina a Trip. Ontem, no carro, enquanto rumávamos para a casa dos pais dele, fui folheando a tal revista e parei na entrevista com a gostosa do mês. Quando questionada sobre sua alimentação, gostosa-quem responde: "Eu sou vegetariana porque tenho dó dos bichinhos. Só como peixe."
Oi? Teria gostosa-quem faltado na aula de ciências que ensina que peixes também se enquadram na categoria "bichinhos"? Ou talvez gostosa-quem não considere peixes animais tão carismáticos quanto galinhas e vacas e portanto menos dignos de compaixão. Neste caso eu recomendaria à gostosa-quem que não assistisse "Procurando Nemo."
Li a pérola para queridão e eis que ele me responde: "Pois é. Se espremer cada uma dessas gostosas não dá meio litro de conversa." Tem como não amar?